Sakurai falou um pouco da filosofia de design por trás de seus jogos e explicou como é essencial encontrar novas abordagens criativas para que os jogadores interajam com cada gênero específico. Ele revelou que ter ideias originais e comunicar esse apelo a outras pessoas vem se tornando cada vez mais difícil, especialmente sob uma ótica comercial.
“A primeira coisa importante é saber se você consegue ter uma ideia original. Talvez seja possível desenvolver o conceito de aprimorar uma ideia existente, mas, quando se trata de criar sistemas sem um ponto de comparação fácil, quem tem essa ideia? Depois, você precisa fazer com que a equipe compreenda essa ideia, e é difícil transmitir que ‘isso é divertido porque você pode fazer isso’. Se você é uma publicadora de jogos, também é difícil comunicar essa visão geral. Quais são os atrativos do jogo?”Outro ponto observado é de que muitos jogos atualmente são similares a outros já existentes, que o público já conhece e deseja. A verdadeira originalidade, no entanto, envolve criar algo que os jogadores ainda não perceberam que querem.
“Hoje em dia, muitos jogos são descritos como semelhantes a X ou como títulos que lembram outro jogo. Em outras palavras, são coisas que todo mundo já quer. Mas ser original significa criar algo que as pessoas ainda não estão procurando e fazer isso de maneira intencional. É um obstáculo enorme.”O diretor acredita que será ainda mais difícil destacar títulos originais, com o uso crescente de ferramentas de IA no desenvolvimento de jogos. Ele cita, por exemplo, o volume de lançamentos no Steam, que cresceu de cerca de 275 jogos por ano em 2010, para cerca de 19 mil atualmente, muitos dos quais dificilmente oferecem uma proposta realmente nova.
“Embora 19 mil títulos sejam muitos, acredito que esse número só vai aumentar daqui para a frente, porque a IA será usada para produzi-los em massa. A maioria acabará sendo impossível de jogar, e haverá tantos títulos que será impossível acompanhar ou até mesmo compreendê-los. No caso desses jogos feitos com IA, a grande maioria será composta por cópias diretas de jogos que já vimos. Isso já acontece bastante, mesmo hoje.
Há pouco tempo, existia um jogo chamado Librarian. Ele se passa em um mundo mágico, onde todos os livros foram misturados e você precisa colocá-los de volta no lugar. Essa é a premissa, mas as mecânicas são simples. Então, como era de se esperar, muitos imitadores surgiram logo em seguida. Jogos como Supermarket Chaos e Needle in a Haystack Simulator se multiplicaram loucamente. Todos são jogos de quebra-cabeça, mas esse tipo de imitação será algo simples para a IA reproduzir. Mesmo que a IA consiga criar todo tipo de obra, por exemplo, analisando a atmosfera dos jogos de Fumito Ueda, como ICO e Shadow of the Colossus, e usando isso para criar algo semelhante — o que pode acontecer —, ela não seria capaz de criar aquilo que o próprio Ueda vier a produzir no futuro.”
Masahiro Sakurai falou, em outra entrevista recente, sobre o encerramento da categoria "Game Designers" da premiação do Japan Game Awards, da qual era presidente do júri. Na ocasião, o diretor afirmou que uma indústria que perde sua originalidade acabará morrendo lentamente.
Fonte: Nintendo Everything

