Lançado em 2024 para outras plataformas, Metaphor: ReFantazio é uma das mais recentes obras do prolífico estúdio japonês Atlus, famoso pelo desenvolvimento das séries Shin Megami Tensei e Persona. Com lançamento marcado para o dia 12 de novembro no Switch 2, este é um JRPG que promete enriquecer ainda mais a biblioteca do gênero no console da Nintendo — veja nossas impressões com base na versão demo do título, já disponível na eShop!
Um mundo distorcido pela ganância
Metaphor: ReFantazio nos apresenta o fantástico reino de Euchronia, fundado há muito tempo por corajosos heróis cujos feitos deram origem às mais diferentes lendas. Infelizmente, a harmonia e a prosperidade de outrora deram lugar à incerteza e ao medo na atualidade.
Isso porque o rei Hythlodaeus V foi assassinado em seus aposentos. Para piorar a situação, o seu filho e príncipe herdeiro desapareceu há muitos anos, sem deixar quaisquer vestígios.
Sem um sucessor direto à vista, o reino entrou em uma crise de amplas implicações na sociedade, agora temerosa pelo próprio futuro. Nesse contexto, Louis Guiabern, prodígio militar e uma das figuras de destaque da realeza, é visto como a salvação e o futuro da nação — uma perspectiva promissora, se não fosse a revelação, já no prólogo, de que ele assassinou o rei para tomar o trono.
É aí que entra o jogador, no papel de um jovem guerreiro Elda. Ao lado da fada Gallica, ele tem a missão de derrotar Louis, que não somente ceifou a vida de Hythlodaeus, como também amaldiçoou o jovem príncipe. Ao contrário do que alguns acreditam, o herdeiro legítimo do trono não está morto, mas sim escondido sob cuidados permanentes na Vila Oculta, onde o protagonista também reside.
Se Louis for morto, acredita-se que a maldição será dissipada e o príncipe poderá reivindicar o trono que lhe pertence por direito, trazendo novamente a paz para Euchronia. Mas talvez o destino revele outros planos, tanto para ele quanto para você… Pronto para descobri-los?
Muito além de um “Persona medieval”, apesar das semelhanças
Já nas primeiras horas da demo, é possível notar que Metaphor: ReFantazio carrega muitas similaridades com os títulos recentes da franquia Persona, em especial Persona 5 Royal. Em grande parte, as semelhanças são explicadas pelo fato de os jogos compartilharem o mesmo motor gráfico (GFD Engine) e a direção geral de Katsura Hashino. Além de Hashino, o artista Shigenori Soejima e o compositor Shoji Meguro são outras figuras-chave de Persona que trabalharam em Metaphor.
Na prática, isso significa que, embora inaugure uma nova franquia, Metaphor traz um senso de familiaridade muito interessante para quem aprecia a série estudantil da Atlus. As similaridades abrangem desde as exuberantes animações dos menus e da interface (atualmente, um dos maiores diferenciais do estúdio japonês) até a proposta de jogabilidade em si.
Em linhas gerais, ReFantazio é um JRPG em terceira pessoa que combina segmentos de anime e visual novel (nos quais conhecemos os personagens e o universo do jogo mais a fundo) com dungeon crawling (em que exploramos e conquistamos rotas e calabouços fechados, geralmente culminando em confrontos com chefes). Mas, apesar da estrutura semelhante, é possível notar já na versão demo que o título mira algo muito maior do que apenas ser um “Persona medieval”.
Uma prova disso é o próprio ritmo da história. Enquanto os jogos da série Persona costumam desenvolver o enredo gradualmente, em meio às dinâmicas sociais, Metaphor coloca o protagonista no centro do conflito desde o início. Da mesma forma, não demora muito para percebermos que Euchronia sofre não apenas com a ganância da sua realeza, mas também com o racismo generalizado, que ameaça a própria existência de tribos como os Elda, à qual pertence o protagonista.
Não é por acaso que o grande sonho do rei Hythlodaeus e do jovem príncipe era viver em um mundo sem discriminação, no qual todos fossem tratados como iguais. Será que esse ideal é mesmo uma utopia? Pelo visto, é algo que descobriremos ao longo da aventura, com base nas ações do nosso herói.
Foco renovado na estratégia e uma versão muito promissora
Outro diferencial de Metaphor em relação a Persona, perceptível já na demo, é a maior ênfase na estratégia durante os combates por turno. É possível mudar as classes (aqui chamadas de arquétipos) dos membros do grupo durante a aventura, abrindo espaço para composições variadas entre magos, guerreiros e assim por diante, conforme novas opções são desbloqueadas.
Ou seja, as formações engessadas de outrora dão lugar à experimentação criativa que, pelo visto, é tão incentivada quanto necessária. Trocar o arquétipo do protagonista para o Mago, por exemplo, foi de grande valia para que eu conseguisse superar o segundo chefe da demonstração — o bizarro Homo Fulquilo.
Com base no recorte da demo, então, temos aqui um JRPG que já se sobressai em quesitos como história, combate, direção de arte e trilha sonora. Felizmente, a performance também é outro indicador bastante promissor: a qualidade de imagem no Switch 2 impressiona tanto no modo TV quanto no modo portátil, e a taxa de quadros desbloqueada complementa a experiência, trazendo uma bem-vinda fluidez às transições e à movimentação em terceira pessoa.
Já sabemos, pelas análises em outras plataformas, que Metaphor: ReFantazio é um título longo (a primeira campanha requer, em média, 65 horas de jogo); por isso, uma versão verdadeiramente portátil como esta, sem dúvida, vem a calhar para o público que prefere jogar longe da televisão ou do monitor. Outra boa notícia é o suporte ao português brasileiro nas legendas e menus, sempre um ponto positivo em jogos com muitos diálogos e textos.
Uma aventura bastante promissora para os fãs de JRPGs
Em 2026, inúmeros bons RPGs japoneses já foram lançados para o Switch 2. Mesmo assim, por tudo que foi mostrado em sua versão demo, Metaphor: ReFantazio tem potencial para figurar entre os melhores jogos do gênero no console, com uma versão que merece a atenção dos entusiastas do estilo.
No mais, com lançamento marcado para o dia 12 de novembro, falta pouco para a obra medieval da Atlus abrilhantar ainda mais a biblioteca do novo console da Nintendo. Quem ganha com isso, pelo visto, somos nós, os jogadores.
Revisão: Ariel Rodrigues
Texto de impressões produzido com versão demo disponível na eShop









