
O Abismo está de volta e ganhou uma dose ainda maior de caos com Neon Abyss 2. O game pega a fórmula de ação e roguelike do primeiro jogo e amplia praticamente todos os seus elementos, trazendo mais armas, personagens, inimigos, chefes, itens, companheiros e possibilidades de combinação. A grande novidade, porém, está na possibilidade de encarar tudo isso acompanhado de até três amigos.
Depois de mais de um ano em acesso antecipado no PC, o jogo chega à versão 1.0 em 8 de outubro de 2026, simultaneamente às versões para consoles. O período de desenvolvimento serviu para adicionar conteúdo, ajustar sistemas e incorporar o feedback da comunidade.
A pergunta, então, não é exatamente se a sequência é maior que o original, pois isso fica evidente rapidamente, mas se todo esse conteúdo consegue transformar o segundo mergulho no Abismo em uma experiência mais interessante.
Um Abismo ainda mais caótico
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| Você pode relaxar tomando uma bebida ou se divertindo antes de cair no abismo |
A história, embora bem maluca, é relativamente simples. Sob o comando do deus Hades, os agentes da força-tarefa BLACKDOG descem ao Abismo para enfrentar os chamados Novos Deuses, manifestações absurdas de uma sociedade dominada pela tecnologia e pela cultura digital.
A história funciona muito mais como pano de fundo para justificar a próxima incursão do que como protagonista da experiência. Personagens, descrições de itens e encontros espalhados pelas fases ajudam a construir esse universo de mitologia grega misturada a referências contemporâneas, sem qualquer tentativa de colocar a narrativa para disputar espaço com a ação.
E talvez este seja o grande acerto da sequência: Neon Abyss 2 entende que seu principal objetivo é fazer o jogador pensar "Só mais uma tentativa", sem se preocupar com uma sequência de fatos encadeados. O resultado é que, quando perceber, algumas horas de jogatina já terão se passado.
Os mapas do Abismo são gerados proceduralmente, o que significa que salas, inimigos, recompensas e situações mudam a cada nova tentativa. Morrer significa voltar ao início, mas também representa uma oportunidade de experimentar outra combinação de equipamentos para descobrir até onde aquela build pode chegar.
Atirar, correr e improvisar
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| Cada personagem tem um estilo de jogo diferente |
A base da jogabilidade continua sendo o run 'n' gun em duas dimensões. O personagem corre, pula, desvia e dispara enquanto atravessa salas tomadas por inimigos, em um estilo que mescla doses de metroidvania com bullet hell. A diferença é que esta sequência ampliou bastante as possibilidades de combate.
Além das armas de fogo, há opções de curta distância, como bastões e sabres, bem como acessórios capazes de invocar plantas e criaturas para lutar ao seu lado. A variedade faz total diferença, porque cada arma exige uma maneira diferente de encarar os desafios, mas o grande charme está nas combinações possíveis.
Durante uma run, o jogador encontra diferentes tipos de itens, artefatos e relíquias que modificam seus atributos e habilidades. Como não existe um limite rígido para a quantidade de itens que pode ser acumulada, algumas partidas rapidamente se transformam em verdadeiros experimentos de destruição em massa.
Uma habilidade aparentemente comum pode ganhar outra dimensão quando combinada com determinado equipamento. Outra pode tornar uma arma muito mais poderosa ou mudar completamente a forma como ela funciona. Nem toda combinação será excelente, é claro, mas descobrir aquelas que se complementam é parte considerável da diversão.
Fé, Hatchmons e outras distrações
A sequência também acrescenta mecanismos especiais que ajudam a diferenciar as partidas, como o Sistema de Fé. Durante as incursões, o recurso pode ser utilizado de diferentes maneiras, incluindo a compra de itens, o recrutamento de companheiros e apostas em cassinos que podem resultar em recompensas ou perdas. É uma mecânica que combina perfeitamente com a filosofia de risco e recompensa do roguelike.
Também existem os Hatchmons, pequenas criaturas que podem ser chocadas, coletadas e evoluídas. Elas funcionam como companheiros durante as partidas e adicionam mais uma camada de progressão às runs. Aliás, no melhor estilo Pokémon, você vai querer pegar todos eles, porque os bichinhos ajudam a atrair a atenção dos inimigos e também ajudam nos confrontos.
O resultado é uma quantidade considerável de sistemas paralelos acontecendo simultaneamente na tela. Para quem gosta de experimentar e descobrir combinações, é um prato cheio. Já para os que preferem compreender perfeitamente cada mecânica antes de começar a jogar, o início pode ser um pouco confuso, o que aconteceu com este redator.
A quantidade de conteúdo é impressionante, mas nem sempre o jogo explica suas regras da melhor maneira possível. Essa é uma das poucas fragilidades que acompanham Neon Abyss 2. A diferença entre determinados tipos de itens e sistemas pode passar despercebida durante as primeiras horas, principalmente para quem não conhece o antecessor.
O caos fica melhor acompanhado
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| Os chefes prezam pelo absurdo e tem estéticas bem chamativas |
A maior novidade desta sequência é o multiplayer cooperativo online para até quatro jogadores, uma adição importante, porque altera completamente a maneira de explorar o Abismo. Os jogadores podem se dividir para explorar diferentes salas e depois se reunir em determinados desafios que exigem a presença de todo o grupo.
Com quatro personagens acumulando itens e habilidades diferentes, as possibilidades de combinação ficam ainda mais interessantes. A sua build pode complementar a de outro jogador, enquanto determinadas recompensas podem ser compartilhadas entre os integrantes da equipe.
O multiplayer potencializa o caráter caótico do jogo. Imagine como quatro jogadores disparando, pulando e ativando efeitos simultaneamente podem transformar algumas salas em uma verdadeira explosão de cores, números e inimigos.
Como a análise foi feita antes do lançamento, havia apenas três servidores disponíveis: Ásia, Europa e América do Norte. Todas tinham ping altíssimo, o que inviabilizaria a jogatina, caso já houvesse players disponíveis durante o teste. Seria bom se a Veewo Games trouxesse um servidor para o Brasil ou, ao menos, para a América do Sul.
De qualquer forma, esta é uma modalidade que acrescenta longevidade à experiência e, principalmente, dá um novo motivo para retornar ao Abismo depois de dezenas de runs individuais.
Um espetáculo visual em pixels
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| Você pode apostar para ganhar moedas e ter mais dinheiro para upgrades |
Visualmente, Neon Abyss 2 faz jus ao seu nome e se destaca. O game mantém a estética pixelada, cheia de luzes neon e carregada de cores do primeiro jogo, mas apresenta cenários, personagens e efeitos mais elaborados.
O visual futurista se mistura à proposta de mitologia grega reinterpretada por uma sociedade tecnológica. Deuses, criaturas e inimigos são constantemente apresentados com designs exagerados, muitas vezes acompanhados de referências e sátiras à cultura pop e ao mundo digital.
Essa irreverência é bastante nítida na construção dos chefes. O jogo não parece interessado em tratar seus adversários como entidades mitológicas solenes. Em vez disso, você terá emojis psicopatas perseguindo o jogador no cenário e computadores de economistas atirando gráficos das ações da bolsa de valores.
Na versão 1.0, esse repertório ganhou ainda a presença de Theia, Deusa da Vaidade, uma nova chefe final que combina espelhos quebrados, pedras preciosas e efeitos neon em uma batalha dividida em três fases.
A velha fórmula ainda funciona?
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| Antes de entrar no abismo, você pode escolher melhorias ou proibições, que dificultam a run |
Existe uma questão inevitável em qualquer sequência: quanto é novidade e quanto é apenas mais conteúdo? Neon Abyss 2 não tenta reinventar a fórmula, mas parte do que funcionava no primeiro jogo e expande.
Isso pode ser encarado como uma limitação por quem esperava uma evolução radical, mas também é justamente o que torna a sequência tão acessível para quem gosta da proposta clássica. O jogo continua rápido, colorido e imprevisível, enquanto as novas armas, os novos sistemas e os novos segredos oferecem mais possibilidades para cada tentativa.
A geração procedural continua sendo uma faca de dois gumes. Ela garante que nenhuma run seja exatamente igual à anterior, mas o fator aleatório pode produzir partidas muito mais interessantes do que outras. Às vezes, os itens encontrados cedo criam uma combinação poderosa; em outras, é necessário trabalhar com o que apareceu e tentar sobreviver até a próxima oportunidade.
Os comandos também podem ser personalizados de maneira bem profunda, não somente em termos de mapeamento de botões, mas também de esquemas de controle. Você pode escolher mirar com somente um analógico ou com os dois, usar mira automática, entre outras opções. Esse é um baita acerto, porque garante níveis de adaptação diferentes para públicos variados.
Um Abismo para muitas horas
O principal mérito de Neon Abyss 2 está em entender que a variedade é uma das melhores ferramentas de um roguelike. Quanto mais armas, itens, personagens e combinações existem, maior é a possibilidade de uma nova run produzir uma situação inesperada.
A sequência não abandona a identidade do original e tampouco tenta transformar sua estrutura em outra coisa. Em vez disso, amplia o repertório e acrescenta o multiplayer cooperativo como uma maneira de aproveitar o mesmo caos.
Há arestas a aparar, especialmente na forma como algumas mecânicas são apresentadas e explicadas e na narrativa, que continua funcionando mais como aperitivo do que como prato principal. Porém, para quem entra no Abismo interessado principalmente em combate e exploração, esses pontos dificilmente terão impacto na diversão.
Em resumo, Neon Abyss 2 é uma sequência que entende bem seu papel: oferecer mais possibilidades sem abandonar aquilo que tornou o primeiro jogo divertido. Não é uma revolução no gênero, mas também não precisa ser. Quando uma nova run começa com uma arma inesperada, alguns itens promissores e uma ideia que pode ou não dar certo, a vontade de descobrir o resultado continua sendo irresistível.
Prós
- Grande variedade de armas e possibilidades de builds;
- Combate rápido e responsivo;
- Sistema de itens que favorece combinações inesperadas;
- Multiplayer cooperativo para até quatro jogadores;
- Grande quantidade de conteúdo e possibilidades de replay;
- Direção de arte colorida e cheia de personalidade.
Contras
- Algumas mecânicas poderiam ser mais bem explicadas;
- A narrativa é bastante secundária;
- A constante repetição pode impedir jogatinas mais longas;
- O fator aleatório pode produzir runs bem menos interessantes que outras.
Neon Abyss 2 — Switch/PC — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Veewo





