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Análise: Project X Zone 2: Brave New World (3DS) são diversas franquias no seu bolso

Vamos salvar todos os mundos do novo colapso do tempo e espaço com nossos personagens favoritos no mais insano e divertido crossover entre empresas.

Em 2005, o mundo viu nascer o mais inusitado dos crossovers. Reunindo gigantes dos jogos de luta com Bandai Namco de um lado e a Capcom do outro, o pensamento entre os jogadores era similar: teremos um jogo de luta com os dois universos? Eles estavam certos até um certo ponto, pois a pancadaria de fato era uma herança necessária. Entretanto, ela foi abordada de uma forma diferente — nascia, então, o RPG tático de luta.

Bravo novo mundo

Project X Zone 2 dá sequência aos eventos do primeiro jogo, Project X Zone, expandindo ainda mais o universo do jogo original. Se a adição da Sega no anterior foi a grande novidade, aqui temos a inédita participação de alguns personagens da Nintendo, como da série Fire Emblem, entrando na história pelo modo característico do jogo: estar perdido no cenário em que vai acontecer uma batalha.

A magia da fusão de universos está exatamente nesse ponto de encontros inesperados que, aos poucos, vão fazendo muito sentido. Cada empresa possui seus personagens equivalentes, a exemplo de lutadores como Ryu (Capcom), Jin Kazama (Namco) e Akira (Sega). Ao serem adicionados à história, eles vão se entendendo e criando uma afinidade, às vezes rivalidade, devido a sua filosofia em seu estilo de arte marcial.

Nesse ritmo, vamos conhecendo o elenco do jogo, heróis e vilões, e suas formações, que são pares (Pair Unit), solo e assistência (Support Unit). Toda unidade pode se tornar uma ajuda e, para isso, o personagem deve estar próximo a outra unidade. As unidades solos serão apoio para os pares, formando um falso trio de ataque.

E agora "Take That!"

Vamos entender um exemplo das combinações de personagens. Quando chegamos ao Makai ou Demon World, nosso elenco recebe os reforços de
Morrigan Aesland e Demitri Maximoff. A sucubus concede poderes mágicos para outra dupla poder participar dos combates. Essa dupla beneficiada é uma unidade solo representada por Phoenix Wright e Maya, que agora podem usar os “golpes” do advogado como vemos na sua série com as provas, as icônicas frases “Objection!”, “Hold It!” e “Take That!”. Sendo uma unidade par, Demitri e Morrigan podem receber o apoio de uma unidade solo, como Phoenix e Maya. No momento da luta, além das opções normais dos golpes, teremos liberado o botão para chamar a unidade solo para atacar.

Cada personagem segue sua vida conforme ela é no jogo a qual pertence e, ao acaso ou por causa de uma ligação com seu mundo, ele entra na história e começa a fazer parte do time que investigará as misteriosas correntes douradas que surgiram em Shibuya e no seus respectivos universos. O mesmo acontece com os vilões, que se unem para tirar vantagens desse estranho evento. Parece pouco? As correntes estão criando portais que misturam as eras e, literalmente, em qualquer lugar e ponto da história, podem surgir personagens do passado, presente e futuro.

Mundos cruzados

Quanto mais avançamos na trama, mais personagens dão as caras e vai ficando mais claro o real interesse de cada um, ou você acredita mesmo que M. Bison iria aceitar facilmente o acordo da Ouma de não se intrometer nos métodos deles em troca de ajuda? Sendo o mentor da Shadaloo e tendo também sob seu comando a forte divisão S.I.N, Saya e Sheath que se cuidem.

Spoiler: Kamen Rider Ichigo está nesse dream team
Outra característica do jogo é deixar muito clara a personalidade de cada personagem, o que proporciona diversos momentos cômicos, sendo alguns intencionais e muito divertidos. Dependendo do seu conhecimento das franquias, o roteiro será um verdadeiro mar de referências, em especial quando Xiaomu abre a boca.

Project X Zone surgiu como representante do que pode ser chamado de RPG tático de luta. No cenário, cada personagem possui uma área na qual poderá se locomover (destacada em azul) e a distância máxima para atacar (quadrados amarelos). Ao iniciar o combate, cada personagem terá no mínimo três ataques. Na tela superior do 3DS assistimos à luta, enquanto na de baixo temos os comandos para cada golpe. De forma muito simples, o jogo utiliza o Botão A e combinações do direcional e A para cada golpe. Quando enchemos a barra de SP, liberamos o Botão Y, responsável pelo especial. Pratique bastante no treino para realizar combos, prestando atenção no segundo movimento. Ao término do primeiro, o inimigo irá rebater na parede ou voar; o ideal nesse momento é acertá-lo antes que ele quique no chão. Caso acerte, será recompensado com acertos críticos e bônus de Gold e XP, além dos CP, Custom Points, para fortalecer o personagem.

No ritmo da luta

Para os jogadores de primeira viagem no universo de Cross Zone, desde o primórdio da série, o apelo musical, aliado às dublagens japonesas, trazem a ótima sensação de se estar em casa. Imagine-se na seguinte situação: diversos personagens surgem e você não conhece a qual jogo ele pertence, até que começa a tocar uma música familiar e você sabe que vai aparecer algum conhecido. Esse sentimento é muito bom e destaco particularmente em quando surge um Street Fighter na fase, como o encontro de Juri, M. Bison e Chun-Li.

Ritmo? É com Ulala na cobertura
Como mencionei anteriormente, os personagens formam duplas e, caso eles sejam de duas empresas diferentes, a música se alterna a cada turno. O tema do personagem ou o mais marcante do jogo dele o acompanhará. Um exemplo cruzado são as chinesas Chun-Li e Xiaoyu, a primeira da Capcom e a segunda da Bandai Namco. Os fãs mais assíduos de cultura pop japonesa vão se sentir bastante confortáveis, imergindo profundamente na experiência do jogo.

Com um elenco tão diversificado e com personagens de gêneros parecidos, obviamente os diretores e roteiristas criaram encontros inusitados. O que há em comum entre Strider Hiryu, Hotsuma, Kage Maru e Natsu, aprendiz da Taki em Soul Calibur? Todos são ninjas e cada um possui sua própria visão do ninjitsu. Assistir a esse encontro de crenças e eras diferentes de uma mesma arte e observar o comportamento de cada um ao ouvir como os demais lidam com o código ninja é um dos momentos mais divertidos do jogo.

Cruzando mundos e artes

Com forte apelo aos otakus e aos fãs das séries participantes, o jogo mantém sua tradição visual trazendo personagens em versão super deformed, pequenos e cabeçudos, enquanto estão no cenários. Eles se transformam em versão anime para o combate quando estão de unidade de apoio, solo e execução do especial.

E, falando nos cenários, eles são tratados de formas simples, porém com outra forte criação de elo com o jogador para que ele entre ainda mais no jogo. Locais conhecidos como SEGA Club em Kuromochio, o bairro japonês da série Yakuza, são retratados de forma a os identificarmos na hora, arrancando assim aquele sorrisinho no rosto.

Carinho de pai e filho não é desse mundo
O melhor momento para destacar a arte do jogo fica para as lutas. É possível ativar o efeito 3D, sendo o único ponto do jogo em que o efeito consegue se destacar, fazendo com que pareça que a batalha está realmente saindo da tela. Nos demais momentos, a diferença causada pelo efeito é muito pequena ou não existe.

Junte-se a Shinra

Para você que procura um bom desafio, quer se divertir e almeja uma experiência nova, Project X Zone 2: Brave New World é mais do que recomendado. Não indico para os jogadores que se incomodem com jogos muito influenciados pela cultura japonesa ou com a arte dos personagens em versão SD ou que, no momento, estejam com tempo reduzido para aventuras. Os diálogos do jogo são um pouco extensos, mas são um importante elemento para entender a trama e gozação entre personagens — daí, devem ser apreciados com atenção.

Na Shinra fica mais fácil de resolver do que sendo agente da Interpol
O projeto passa a sensação de ser um jogo de nicho, exclusivo para os fãs de cultura japonesa, mas na verdade será bem aproveitado para os amantes de RPG e, em especial, os saudosistas dos anos 1990, pois tem aquela pegada moderna sem interferir na nostalgia.

Com diversos mundos, quatro empresas, folclore japonês, heróis populares, heróis menores, aspirantes a vilões, vilões de peso, diálogos longos, muita pancadaria e mais de 50 personagens trazendo várias surpresas, Project X Zone 2 é a medida exagerada e bem-vinda de diversão e lutas. É hora de realizarmos nosso recrutamento na Shinra para trabalhar com Rienji e Xiaomu — afinal, uma continuação dessa saga é muito provável e reforços serão necessários.

Prós

  • Aventura extremamente divertida;
  • Mais de 50 personagens disponíveis;
  • Referências em momentos inesperados;
  • Versão anime dos personagens é excelente;
  • Músicas originais acompanhando os personagens.

Contras

  • Jogo com aspecto de nicho, afastando novos aventureiros;
  • Uso pouco efetivo do 3D;
  • Dê adeus à vida social (não que realmente seja ruim, caso seja para entrar nessa aventura).

Project X Zone 2: Brave New World — 3DS — Nota: 9.0

Revisão: Robson Junior
Capa: Felipe Araújo
Renan Pinheiro é amante dos games de luta, em especial briga de rua. Segue escrevendo de música a games, sempre em busca dos mais fortes artigos. Pode ser encontrado no HMBR, na Live ou Twitter!

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