Nintendo Play Station é consertado e roda seu primeiro jogo via CD-ROM

Com este feito histórico a comunidade de homebrews poderá desenvolver jogos mais complexos para o console super raro.

Um dos projetos incompletos mais famosos do mundo dos games, o Nintendo Play Station, finalmente rodou seu primeiro jogo em CD-ROM. O conhecido modder Ben Heckendorn fez o console mítico, que até o momento só funcionava com jogos comuns de Super Nintendo, ler um disco com a imagem de Magic Floor - um pequeno jogo desenvolvido pela comunidade de homebrews (jogos feitos por pequenos desenvolvedores).

Para consertar o protótipo encontrado em 2015 por Terry Diebold, Heck primeiro teve que mapear a placa mãe do aparelho e desvendar a utilidade de um dos componentes. Após descobrir que o enigmático chip era uma espécie de chave responsável por sinais a outros componentes do console, ele pode encontrar capacitores que não funcionavam corretamente, substitui-los e finalmente tornar o leitor de CDs funcional novamente.


O próximo passo desta odisseia foi fazer o drive de CD-ROM começar a jogar o jogo escolhido - parte de uma seleção de jogos feitos por desenvolvedores que imaginaram como o console funcionaria. Quando tudo foi arrumado e Magic Floor apareceu na tela, foi descoberto algumas diferenças entre aquilo que o programador imaginou e a realidade, o que causou glitches que foram rapidamente consertados.

Ben conseguiu ainda fazer o console reconhecer outro jogo, Super Boss Gaiden, que emitiu uma mensagem de erro - o que é bom, já que os desenvolvedores poderão trabalhar correções sobre o código de erro informado. De acordo com ele, agora cabe aos programadores traçarem o futuro da plataforma. "Eles (donos do console) deveriam emprestá-lo para os desenvolvedores do emulador,  para que eles criem uma versão perfeita que faça os jogos funcionarem".

Origem do protótipo

Parceiras entre empresas sempre existiram no mundo dos games, seja para o desenvolvimento de novos softwares (jogos) ou para o fornecimento de peças para a criação de hardwares (consoles). Foi assim que começou a história de uma das maiores reviravoltas da história dos games, envolvendo a Sony, empresa responsável por desenvolver o chip de som utilizado no Super Nintendo.

Apesar de no ocidente a Nintendo adotar uma postura bem diferente de sua concorrente na época, a SEGA, no Japão era normal a empresa lançar periféricos para seus consoles - como o leitor de disquetes para o Famicom. Com outras marcas apostando forte na nova mídia, a Big N se aproximou da Sony, e Ken Kutaragi (o responsável pelo primeiro elo entre as duas empresas) começou a trabalhar em um periférico para o Super Famicom, chamado SNES-CD, e um outro aparelho que rodaria tanto os CDs como as fitas, o Play Station.

Mesmo com o projeto de vento em popa, a Nintendo não ficou feliz com o acordo de licenciamento de software que deixaria a Sony como a principal responsável pelo conteúdo dos jogos lançados para a plataforma. Isso fez com que a gigante de Kyoto batesse na porta da concorrente da Sony na época para que esta fizesse um outro projeto mais vantajoso para a empresa japonesa, onde ela manteria maior controle sobre os jogos.


Na Consumer Eletronics Show de 1991, o projeto de console hibrido Play Station foi apresentado ao mercado pela Sony, com as especificações que seguiam o acordo firmado anteriormente com a Nintendo. Para a surpresa de todos, tanto a audiência como da própria Sony, a Nintendo anunciou no dia seguinte que firmou uma parceria com a Philips para o desenvolvimento do Philips CD-i - aquele console com os jogos mais absurdos baseados em franquias como The Legend of Zelda.

Isso mudou para sempre a relação entre as duas empresas, fazendo com que a Sony aproveitasse o know-how adquirido no projeto e entrasse de vez no mercado de videogames com a marca PlayStation.

Fonte: Polygon

Thiago Caires escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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