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Análise: Kirby Battle Royale (3DS) coloca o fofucho cor de rosa para duelar contra ele mesmo

Bastante focado no modo multiplayer, game deixa a desejar na campanha principal para um jogador.



Kirby completou 25 anos em 2017, mas ainda não teve a oportunidade de assoprar as velinhas. Antes de cantar os parabéns, o bolo precisa ser conquistado no Dedede’s Cake Royale, torneio que envolve 10 tipos diferentes de combates de arena e presenteia o vencedor com um doce tão delicioso que é até impossível de imaginar o sabor. Colocar as mãos na iguaria é o objetivo de Kirby Battle Royale, lançado exclusivamente para 3DS.


O spin-off, que chegou ao Japão e Europa durante o último mês de novembro, agora também está disponível nas Américas e traz a bolotinha rosa enfrentando seu maior obstáculo: ele mesmo. Quatro Kirbys competem entre si em tarefas que envolvem raciocínio rápido, habilidade e uma pequena pitada de sorte.

Uma doce história

A campanha principal de Kirby Battle Royale é single player e funciona como uma espécie de tutorial. No modo história, o rosadinho recebe o convite para participar do Dedede’s Cake Royale e, no caminho para o torneio, acaba encontrando com Waddle Dee, que também está indo para o campeonato. Após conversarem, os dois resolvem juntar as forças para brigarem juntos pelo bolo dos sonhos.
O troféu mais delicioso de todos os tempos


Ao chegar no campo de batalha, a dupla descobre que precisa ser campeã em cinco ligas distintas para ficar com o prêmio, e assim começa a maratona de minigames. O ponto positivo deste modo é a possibilidade de conhecer as particularidades de cada uma das modalidades de batalha, pois todas trazem um pequeno tutorial antes de começarem e apresentam dificuldade extremamente acessível para qualquer jogador.

Também na campanha principal é possível experimentar todas as variantes dos 10 minigames, mudanças que, geralmente, acontecem com alterações nos cenários. Por exemplo, o primeiro duelo consiste em colher maçãs nas mini Whispy Wood e levar os frutos para o seu depósito, vence o Kirby que conseguir deixar a cesta mais cheia. Já as versões alternativas deste minigame envolvem e presença de buracos e cercas que tornam a colheita mais complicada.


Se por um lado o modo história ajuda o jogador a dominar as mecânicas dos minigames, por outro, é necessário ter paciência para lidar com repetições desnecessárias. Apesar das variações, os mesmos combates devem ser vencidos mais de uma vez nas ligas, tornando a campanha bastante monótona. Participar dos mesmos duelos de novo e de novo acaba deixando o single player tão doce que enjoa com facilidade.
O minigame Apple Scramble é o primeiro desafio da campanha principal

Mil e uma habilidades

Diferentemente do que estamos acostumados, o icônico poder de Kirby de copiar as habilidades dos inimigos não está presente em Battle Royale. No entanto, isso não significa que a bolotinha esteja sem cartas na manga. Antes de começar os minigames, é possível escolher um dentre 13 poderes disponíveis. Teoricamente, cada estilo de luta deveria apresentar vantagens e desvantagens em função do tipo de combate, porém não é bem isso que acontece.

Todas as habilidades são extremamente balanceadas e, dificilmente, uma consegue ter grande vantagem sobre as demais. No modo história, por exemplo, a campanha começa somente com a transformação Sword liberada, sendo que as outras vão sendo disponibilizadas conforme o avançar da jogatina. Durante minha experiência com o game, não senti nenhuma necessidade de trocar de habilidade para conseguir superar todos os desafios e permaneci usando a espada para combater meus rivais durante o Dedede’s Cake Royale, excluindo-se as provas que te obrigam a jogar com determinado poder.

O party game seria bem mais interessante se houvesse um desequilíbrio entre as habilidades em função do minigame, pois, assim, os jogadores precisariam pensar em qual é a melhor estratégia para ganhar determinada prova. Porém, não é bem isso que acontece e as diferentes transformações acabam tendo seu potencial subutilizado.
As habilidades não fazem tanta diferença

Mais importantes do que as próprias habilidades são os Orbs, que proporcionam real vantagem ao Kirby. Antes dos minigames é possível escolher até três melhorias capazes de definir os rumos do confronto. Entre os melhoramentos estão o aumento de velocidade, invulnerabilidade, recuperação da vida, maior poder de ataque, entre outros. Esses itens sim causam desequilíbrio nas partidas e exigem certo nível de estratégia para serem selecionados.

Completo e intuitivo

Mesmo contando com um leque variado de habilidades, o game é extremamente intuitivo e simples de ser dominado. No geral, Kirby tem três movimentos: o salto, um golpe principal e outro secundário. Assim, bastam apenas poucos minutos para conhecer as particularidades de cada uma das transformações e perceber se as habilidades oferecidas combinam ou não com o seu estilo de gameplay.

Uma festa para vários convidados

Depois de conhecer e dominar os minigames no modo single player, é possível testar suas habilidades contra outros jogadores de carne e osso. Se na campanha principal a dificuldade não representa nenhum grande desafio, o mesmo não se pode falar do multiplayer, que é onde o charme principal e boa parte da diversão de Battle Royale estão armazenados.
O multiplayer é o modo mais divertido de todo o game

O título traz a opção do download play — em que uma pessoa que possui o jogo pode compartilhá-lo localmente com até três amigos, fazendo com que o grupo entre na brincadeira sem a necessidade de que todos tenham uma cópia do game. Assim, é possível convidar os amigos para pequenos torneios em busca do Kirby mais habilidoso.

Tão interessante quanto a jogatina entre conhecidos é o modo online, que permite nos permite participar de campeonatos contra pessoas de todo o mundo. Batalhar pela internet é uma das possibilidades que aumenta bastante a vida útil de Battle Royale, pois é neste modo que está o verdadeiro desafio do game. Porém, o grande problema é que a comunidade ainda é pequena e podem demorar bons minutos até que o servidor consiga reunir quatro competidores.

Vale uma foto

Como não poderia deixar de ser diferente em um jogo estrelado por Kirby, Battle Royale é totalmente colorido e infestado de fofura por todos os lados. A característica visual que mais chama a atenção é o detalhamento dos cenários, com destaque para os torcedores nas arquibancadas — que não são meros "pedaços de papel recortados", como acontece em vários jogos de esportes, mas sim modelos bem trabalhados e animados.
A dancinha da vitória

A trilha sonora também segue pelo mesmo caminho, sempre animada e convidando o jogador a participar de mais uma partida. Cada sucesso nos minigames é acompanhado pelo conhecido tema da vitória da bolotinha cor de rosa, que claro, também faz sua dancinha característica. Mas, depois da metade do modo história, é bem capaz que o jogador não aguente mais ver os passinhos recheados de estilo, por mais encantadores que sejam.

Vale a comemoração

Como nunca recebeu convites para as festas no Reino do Cogumelo, Kirby por ter ficado com inveja e resolveu organizar sua própria comemoração. O novo jogo do rosadinho não tem medo de deixar clara a inspiração na franquia Mario Party, com gameplay baseado em vencer minigames. É bem capaz que a bolota engoliu um dos spin-offs mais famosos do bigodudo da Big N e copiou tudo o que deu certo. Inclusive, qualquer um dos confrontos de Battle Royale se encaixaria sem problemas em Mario Party.

Apesar de apresentar como principal inovação a possibilidade de escolher entre diferentes habilidades antes de cada partida, a ideia não foi executada tão bem. O resultado é que o fator estratégia é simplesmente ignorado pelo game, tornando-o acessível para jogadores de todos os níveis ao mesmo tempo em que fica bastante fácil e monótono para aqueles mais experientes.

Totalmente voltado ao multiplayer, o jogo acaba tentando se estender mais do que deveria no single player. Mesmo a campanha principal sendo conduzida por uma história bem fácil de acompanhar, o enredo sozinho não tem capacidade de carregar sessões longas de gameplay. O que garante uma maior vida útil ao game é a possibilidade de confrontos locais (download play) ou via internet.

Kirby Battle Royale está longe de ser a festa de arromba que esperávamos para comemorar os 25 anos de um dos personagens mais importantes da Nintendo (esse papel deve ficar com Star Allies, que chega em março ao Switch). Porém, o jogo preenche bem a função de não ter deixado a data passar em branco.

Prós

  • Apesar de poucos, minigames contam com variações interessantes;
  • Extremamente divertido no multiplayer (local ou online);
  • Explosão de cores deixa o jogo visualmente bastante agradável.

Contras

  • Modo single player bastante repetitivo e cansativo;
  • As diferentes transformações não foram bem exploradas;
  • Enredo demasiadamente simples.
Kirby Battle Royale — 3DS — Nota: 7.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Vinicius Veloso é jornalista e obcecado por games (não necessariamente nessa ordem). Seu vício começou com uma primeira dose de Super Mario World e, desde então, não consegue mais ficar muito tempo sem se aventurar em um bom jogo. Está no Facebook ou Twitter.

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