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Análise: Mushroom Wars 2 (Switch) é um jogo de estratégia simples e objetivo

O RTS da Zillion Whales traz cogumelos que vão lutar utilizando tropas e habilidades especiais para vencer os adversários em mapas minimalistas.


Ao contrário do que muitos pensam, os jogos de estratégia em tempo real (RTS) não precisam, necessariamente, de mouse e teclado para que o jogador tenha uma boa experiência de gameplay. As telas de toque, e até mesmo os controles tradicionais, também podem ser bem adaptados para esse gênero. Mushroom Wars 2 chega para o Nintendo Switch com uma proposta simples e direta, mas será que soube aproveitar todos os recursos que o híbrido da Big N tinha a oferecer?

Enredo simples até demais

Nada contra aquele tipo de história que serve apenas de pano de fundo para a jogatina e para dizer: “ei, estamos lutando por esse motivo”. Mas Mushroom Wars 2 poderia ter ido um pouco além de mostrar apenas algumas imagens dinâmicas ocasionais durante a campanha, ainda mais porque as diversas raças são bem interessantes e as suas motivações, ainda que jocosas, são divertidas o suficiente para que o jogador tenha interesse nelas.


Como o próprio nome indica, exércitos de cogumelos lutam em campos de batalha localizados em partes de alguma floresta ficcional e quase não há contexto que os motivem. Durante a campanha, com mais de cem fases e quatro dificuldades, aprendemos a controlar algumas das raças, graças a um tutorial que vai sendo gradativamente apresentado durante as primeiras fases do game.

Simples e objetivo

As mecânicas dos jogos de estratégia podem ser bem complexas e variadas, o que leva ao pouco uso da maioria delas e a muito tempo para dominá-las. Mushroom Wars 2, por sua vez, é muito simples e direto ao ponto: você controla uma tribo de cogumelos, com vários prédios que contêm um determinado número de soldados e conquista os edifícios dos inimigos enviando um número de tropas que sobrepuje a deles, passando a dominar aquele território específico. Vence quem conquistar todos os vilarejos adversários.


O número de tropas de uma determinada construção vai aumentando aos poucos até uma certa quantidade. É possível melhorar tanto a velocidade quanto a quantidade máxima, mas um número de exércitos deve ser sacrificado para isso. Da mesma forma, é possível transformar uma construção comum em uma especial, dentre duas opções: torres, que disparam contra unidades que passam pelo seu raio de alcance e têm um nível maior de defesa; e oficinas, que servem para aprimorar o ataque e a defesa. Mas, em compensação, ambas não produzem unidades.


Para aumentar um pouco a complexidade e possibilidades de estratégia, cada herói (representante da raça) tem um conjunto exclusivo de quatro habilidades — a energia necessária para usá-las é acumulada com o tempo. É possível, por exemplo, fortalecer uma determinada construção, deixar as tropas mais rápidas por um curto período, lançar uma onda de fogo que pulveriza os exércitos próximos e diversos outros poderes.


Outro aspecto que torna a jogatina fácil de entender é o visual minimalista, sem exagero de cores ou informações desnecessárias no campo de batalha. Cada exército, além de diferir no visual, tem apenas uma cor, que ajuda a diferenciar das tropas inimigas. Com esse esquema, fica fácil identificar rapidamente quem é quem no campo de batalha.

Mecânicas simples, mas nem sempre precisas

Apesar de o Nintendo Switch contar com uma enorme tela de toque, o pessoal da Zillion Whales preferiu não utilizá-la para movimentar as tropas, o que teria sido muito mais natural, ainda que apenas no modo portátil. Tanto é que o jogo utiliza essa forma em tablets e smartphones, para os quais ele também foi portado, e funciona muito bem, arrastando as unidades de um canto para o outro com ótima precisão, tocando na habilidade que vai utilizar, na porcentagem de tropas que deseja enviar ou em prédios para atualizá-los.


O único esquema de controles é através dos botões tradicionais. Segurando R mais direcional para enviar as tropas para o local desejado e botões para selecionar porcentagens e habilidades. Funciona bem melhor do que esperado, mas em momentos frenéticos, em que várias tropas estão sendo movimentadas ao mesmo tempo em grande velocidade, é muito comum, devido à imprecisão dos controles, errar o local para onde pretende enviar as unidades, o que pode frustrar todo o ataque ou defesa, até custando a partida.

Diversos modos de jogo

Além da campanha, há o modo multiplayer, com partidas on-line casuais ou classificatórias, e o jogo personalizado, que permite partidas locais ou on-line para até quatro jogadores ou 2 VS 2. Infelizmente, cada jogador deve ter uma cópia do game e não é possível jogar na mesma tela, o que não seria problema, nem mesmo no modo portátil. Há espaço suficiente para colocar as tropas e cada jogador poderia utilizar um Joy-Con.

No modo personalizado, é possível enfrentar jogadores normais ou bots de até quatro dificuldades. São 12 heróis diferentes, cada um com seu próprio conjunto de quatro habilidades. Para dominá-las, é necessário jogar um bom tempo com cada um, pois elas são fundamentais para a estratégia utilizada. São três modos de jogo: Conquista, no qual vence aquele que capturar todos os edifícios inimigos; Dominação, em que há prédios especiais que devem ser capturados, vencendo aquele que o fizer primeiro, independentemente da quantidade de tropas que cada um possua; e Rei da Montanha, que conta com prédios especiais no mapa que devem ser capturados e mantidos enquanto o tempo de 300 segundos é queimado, até que um dos participantes consiga chegar a zero primeiro.

Guerra de cogumelos estratégicos

Mushroom Wars 2 foi portado para o Nintendo Switch e faltou adaptá-lo a algumas das características do console, como a tela de toque, que melhoraria a precisão dos comandos em momentos mais frenéticos. Ainda assim, é um jogo de estratégia em tempo real simples e objetivo que é uma ótima pedida para jogar com os amigos, seja on-line ou localmente, desde que cada um possua uma cópia do jogo.

Prós

  • Jogabilidade simples e objetiva;
  • Multiplayer variado para até quatro jogadores.

Contras

  • Enredo pouco elaborado e confuso;
  • Controles pouco precisos em momentos mais frenéticos.
Mushroom Wars 2 — Switch — Nota: 8.0
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Zillion Whales
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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