Game Music

Game Music: Conheça a VGMus, orquestra de games de Brasília

Quando se pensa em concertos de game music no Brasil o primeiro nome que vem à mente dos jogadores é o Video Games Live. Foi pensando na ... (por Farley Santos em 21/10/2012, via Nintendo Blast)

Quando se pensa em concertos de game music no Brasil o primeiro nome que vem à mente dos jogadores é o Video Games Live. Foi pensando na escassez de eventos desse tipo que nasceu o VGMus, uma orquestra brasiliense de músicos que arranja e executa músicas de jogos eletrônicos. Fruto da colaboração entre estudantes de música, o grupo tem como foco apresentações que agradem tanto leigos quanto gamers. Confira detalhes do VGMus a seguir.

VGMus? O que é isso?

O VGMus é um grupo de músicos especializados em arranjar e executar composições musicais do mundo dos jogos. Iniciativa de instrumentistas independentes e estudantes de música, contando com o apoio do Departamento de Música e Regência da Universidade de Brasília (UnB), a banda atualmente conta com quinteto de cordas, quinteto de sopros, banda base, sintetizador e piano.


A ideia de montar uma orquestra focada em composições de jogos veio de um trio de amigos. Marcelo Duarte, Lucian Lorens e Renan Ventura decidiram montar um grupo de musicistas após cursarem uma matéria voltada para sonorização de games, inspirados em outras iniciativas como o Video Games Live. Partindo disso o trio postou um anúncio no departamento de música da universidade que frequentam e a orquestra foi formada. A intenção inicial era fazer apresentações somente dentro da UnB, entretando o VGMus foi descoberto por Luigi Reffatti, que deu ao grupo a oportunidade de se apresentar no SBGames, o maior simpósio de videogames da América Latina. Esse foi o primeiro passo para planos fora do ambiente acadêmico.

“Video-Games in Concert”, a primeira apresentação

Após quase três meses de ensaios e ajustes nos arranjos, o VGMus fez sua primeira apresentação, entitulada “Video-Games in Concert”. O local escolhido foi o auditório de uma escola de música. Os quase cem lugares do auditório esgotaram rapidamente, o que é um fato memorável, já que o evento praticamente não teve divulgação e aconteceu durante uma noite de quarta-feira.


Já no discurso de abertura ficou claro a intenção do grupo: tocar músicas de videogame de maneira bela, com o merecido respeito. A seleção da noite foi simples, com algumas seleções inusitadas. Confira a setlist da apresentação:
  1. Chrono Medley: Main Theme (Chrono Trigger) ~ The Scars of Time (Chrono Cross)
  2. Tetris
  3. The Legend of Zelda Medley: Midna's Theme (Twilight Princess) ~ Ballad of the Goddess (Skyward Sword) ~ Zelda’s Lulaby (Ocarina of Time) ~ Main Theme (The Legend of Zelda)
  4. Main Theme (Battlefield 1942)
  5. Fire Emblem Theme (Fire Emblem)
  6. Still Alive (Portal)
  7. Star Fox Medley: Course clear (Star Fox) ~ Cornelia (Star Fox) ~ Start Demo 1 (Star Fox 64) ~ Mission Accomplished (Star Fox 64)
Confira alguns vídeos: 




Um bate-papo com os idealizadores

Aproveitando a primeira apresentação, o Nintendo Blast conversou com alguns membros do projeto. Felipe Ayala é estudante do curso de bacharelado em regência da UnB e trabalha com condução de coral e orquestra há 7 anos. É o regente da orquestra, além de fazer alguns arranjos. Renan Ventura é estudante do curso de bacharel em composição na UnB e já trabalhou na criação de trilha sonora de games independentes. É o tecladista do grupo, responsável também pelo sintetizador e arranjos. Marcelo Duarte é estudante de licenciatura em música e é baixista profissional, contribuindo também com arranjos.
Renan, Marcelo e Felipe
Qual foi a inspiração para a criação do VGMus?
Marcelo: A inspiração veio da sala de aula. A ideia surgiu durante uma disciplina cujo o foco era composição de trilhas sonoras.

Qual é o significado nome do grupo?
Felipe: O nome é um conjunto de siglas: VG veio de “videogames” e Mus veio da sigla do departamento de música da UnB. A ideia inicial era atrelar o nome somente ao departamento de música, mas conforme surgiram oportunidades fora da universidade decidimos desvincular. Sendo assim surgiu a ideia de Mus significar também “Musicians” (músicos).

Todos os participantes da orquestra também são gamers? Houve alguma espécie de resistência ao montar o grupo?
Marcelo: A maioria gosta muito de games, só uma pequena parcela dos envolvidos não teve muito contato com jogos. Todos estão unidos pela vontade de fazer e tocar música, principalmente composições contemporâneas, já que a maioria dos participantes de orquestras executam somente composições clássicas como Beethoven.

Como é feito o processo de transcrição e montagem de arranjos?
Marcelo: Partituras oficiais de trilhas sonoras de jogos são raras. O primeiro passo é a transcrição através da audição, em seguida são montados os arranjos e medleys, sempre adaptando para a formação de músicos do grupo.

Felipe: Esse processo muda de acordo com a música. Para algumas canções já existe material, nesses casos o foco do trabalho é em adaptar a composição para a orquestra. Em outras situações é um processo composicional, acabamos criando solos e outros trechos completamente novos em cima das composições originais.


Existe algum critério para a seleção de repertório? Também serão feitos arranjos de games desconhecidos?
Renan: A intenção do VGMus é fazer arranjos e orquestrações de temas de jogos clássicos e famosos. Temos preferência por trilhas sonoras impactantes e relevantes, composições que o público leigo também possa apreciar.

Quais são os planos para o futuro, além da apresentação no SBGames?
Felipe: Inicialmente projetos acadêmicos, pois o grupo está atrelado ao departamento de música. Fora do ambiente acadêmico já recebemos alguns convites. Acreditamos que o mercado para esse tipo de projeto é grande, pois na região Centro-Oeste não existe nada similar. Achamos que é fantástico fazer com que o público tenha acesso e conheça trilhas de games. A intenção é fazer apresentações mensais, oferecendo outras oportunidades de apreciar uma orquestra tocando game music, além do anual Video Games Live.

Marcelo: Queremos também nos apresentar em eventos cujo o público alvo seja similar, como feiras de jogos, convenções de anime e simpósios de tecnologia.

Quais são seus compositores e trilhas sonoras de games favoritas?
Marcelo: Gosto muito do trabalho do Koji Kondo (The Legend of Zelda, Mario) e Yuka Tsujiyoko (Fire Emblem). Fora do mundo dos games admiro também Yoko Kanno, responsável pela trilha de animes como Cowboy Bepop e Macross.

Felipe: Joel Eriksson, responsável pela trilha de Battlefield. Já no campo de filmes gosto muito de  John Williams (E.T., Star Wars, Jurassic Park).

Renan: Yatsunori Mitsuda (Chrono Cross, Chrono Trigger) e Masato Nakamura (Sonic the Hedgehog, Sonic the Hedgehog 2).

Futuro promissor

Mesmo com pouco tempo de formação, o VGMus já mostrou um trabalho muito interessante. Com base na primeira apresentação é visível que alguns arranjos precisam de ajustes, assim como um repertório mais variado e apresentações de maior duração. Os pequenos problemas são naturais, afinal o grupo foi criado recentemente. Entretanto é fácil perceber a dedicação de seus integrantes. O mais importante é a excelente iniciativa, já que esse tipo de apresentação é escassa no Brasil. Torcemos para que o grupo cresça e incite esse tipo de ideia na mente dos jogadores pelo país.


Revisão: Leandro Freire
Com a colaboração de Dhin Cardoso


é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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