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Análise: Swim Out (Switch) transforma a piscina em uma arena de puzzles

Fruto de um estúdio pequeno, Swim Out é um jogo belíssimo com desafios consistentes.


Uma das coisas mais bacanas do barateamento dos custos de produção dos jogos é o surgimento de estúdios pequenos que trazem experiências interessantes para os consoles, ainda que de forma modesta. Swim Out é um título que pertence a esse cenário. Produzido pelo Lozange Lab (dos desenvolvedores franceses Ava e Mat Loz), o título é uma prova de que é possível fazer um bom jogo de quebra-cabeças mesmo com pouco investimento.

Simplicidade e complexidade na mesma piscina

O jogo produzido pelo casal de desenvolvedores franceses prima pela simplicidade. Ao abrir o game pela primeira vez, você vai se deparar com uma indicação da mecânica básica: você é uma nadadora em uma piscina e deve se deslocar até a escada para sair de lá. É só isso. Mas, nas fases seguintes, obstáculos são inseridos para dificultar essa tarefa. E é aí que o Swim Out ganha em complexidade e desafio.

No jogo, você é uma nadadora de maiô azul, mas acaba encontrando outras nadadoras (de maiô vermelho) que deve evitar. A mecânica é de movimentos em espaços que funcionam como casas em um tabuleiro de xadrez, mas sem o sistema de turnos. Aqui, a cada vez que você se mover, as outras nadadoras também se moverão. Então, é importante observar os posicionamentos e direcionamentos que cada uma delas vai tomar. Além disso, existem diferentes tipos de nadadoras com movimentos bem particulares: algumas fazem nado livre, outras se movimentam mais rápido pulando dois espaços de uma vez só. Existem nadadoras que pulam na piscina e outras que utilizam algum tipo de equipamento. Essas variações deixam o jogo bem interessante, ainda que previsível e (talvez intencionalmente) monótono.

Outros elementos compõem o ambiente: boias, nadadeiras, pistolas de água, bolas, óculos de natação, redes e até mesmo um caiaque. Além disso, o jogo trabalha também com circunstâncias ambientais (como ondas, peixes, caranguejos e águas-vivas) e com a intervenção de pessoas que não estão na água, como pescadores e crianças jogando bumerangues. Ainda que nada disso faça sentido em uma piscina, a proposta aqui é simplesmente evitar o contato com esses objetos e seres e sair da piscina o mais rápido possível. Fora isso, existem também estrelas espalhadas em algumas fases. É possível passar sem elas, mas coletá-las é a única maneira de completar 100% dos objetivos.


O game está dividido em sete capítulos, com 100 fases ao todo. O primeiro, com desafios mais simples, faz papel de tutorial e tem dez fases. Cada um dos outros capítulos apresenta 15 fases. Apesar de ter dito que o primeiro capítulo funciona como um tutorial, esse é um ponto fraco de Swim Out.

Muitos elementos do jogo possuem características específicas que devem ser utilizados para concluir o desafio. Um exemplo: quando você encosta em uma bola, deve jogá-la em uma casa dentro de um alcance determinado. Se acertar o objeto em outra nadadora, ela não poderá se mover durante um movimento seu. Essa mesma mecânica é aplicada a outros objetos, como as pistolas de água e boias, por exemplo, mas com consequências diferentes. Em alguns casos, a nadadora acertada por você ficará imóvel por dois turnos, em outras por três. Com alguns materiais, inclusive, ela pode ficar imóvel durante todo o resto da fase.

Como inicialmente você não conhece as regras, acabará perdendo algumas fases apenas para aprender a mecânica. É uma opção de game design, e a intenção parece ser justamente que se aprenda com seus erros. Mas, essa proposta pode se tornar cansativa e punitiva, principalmente nas fases em que já foram realizados muitos movimentos e se comete algum erro por não saber como utilizar os elementos presentes na piscina.



Um dia no clube

O visual do jogo e a utilização do som são muito interessantes. Os gráficos remetem a uma estética das primeiras décadas do século XX, com maiôs e boias antigas e uma utilização de linhas e curvas sempre com cores primárias. Já o áudio faz uso de sons do cotidiano, como crianças brincando, o barulho das braçadas, os ruídos dos objetos que interagem com água etc. Apesar da boa execução desses quesitos, essa escolha contribui ainda mais para o tom de monotonia do game, deixando o jogador cansado em pouco tempo.

O som da água em conjunto com os movimentos repetitivos, acabam embalando o usuário e o deixando em um estado quase de sono. É difícil jogar Swim Out por muito tempo, pois o clima do jogo não contribui para estimular o nível de atenção necessária para passar da maioria das fases. Mas, talvez, até mesmo isso seja proposital.

Um jogo não pensado para o Switch

Swim Out é um jogo que foi planejado para dispositivos móveis. Em agosto de 2017, ele foi lançado para celulares e depois teve versões para PC. Só recentemente, em março de 2018, é que ocorreu o lançamento para o Switch. Por esse motivo, talvez, não vejamos todo o potencial do console da Nintendo explorado por esse título. A apresentação ainda é a mesma dos celulares, e o uso dos controles é muito simples, com o analógico para movimentações e apenas um botão para interagir com os objetos. Funciona bem e emula razoavelmente a experiência do smartphone, mas nada mais.

Além disso, como disse antes, a monotonia do jogo parece ter a ver com a experiência que se busca: um game para ser jogado em momentos de intervalo, no metrô, na sala de espera etc. Isso não é necessariamente ruim, mas, talvez, desmotive quem busca uma proposta mais imersiva.

Assim, na experiência do Switch como console de mesa Swim Out parece um pouco deslocado, ainda que seja essa, na minha opinião, a melhor forma de jogar esse título. Como você precisa analisar com cuidado cada movimento, é na tela grande que você tem mais chances de fazer a jogada certa para não correr o risco de voltar ao início da fase.

Nadando com estilo

Swim Out é uma boa surpresa para donos do Switch. Ainda que seja adaptação dos smartphones, o título entretém e cumpre bem o seu papel com desafios consistentes e uma execução bem competente. Junte a isso o fato de que o jogo é bem barato e o seu dia no clube está garantido: boas braçadas com um esforço de quebrar a cabeça (no bom sentido).

Prós

  • Visual e som envolventes
  • Puzzles desafiadores

Contras

  • Uso precário das características do Switch
  • O estilo repetitivo pode deixar a experiência monótona
  • Falta de tutorial apresentando elementos do jogo
Swim Out - Switch - Nota: 7.5
 Revisão: Vinícius Veloso
Análise produzida com cópia digital cedida pela Lozange Lab
Marcos Ramon tem doutorado em Comunicação e faz pesquisas na área de filosofia da arte. Além de ser professor e escrever no Nintendo Blast, ele faz um podcast sobre filosofia e cotidiano, escreve sobre cultura seu blog e compartilha links no Twitter.

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