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Análise: The Final Station (Switch) vai além do que simples viagens de trem e sobrevivência

Depois de seu lançamento em 2016, The Final Station chega ao Switch em uma edição definitiva.


Lançado originalmente em 2016, The Final Station apresentou aos jogadores um mundo próximo ao apocalipse após determinados eventos, colocando-os na pele de um maquinista de um trem sem qualquer preparo para os perigos que cercam as cidades que ele visita.

E apesar de todos os clichês possíveis para um jogo do gênero survival-horror, finalmente é a vez da Nintendo ser contemplada com um título que consegue se sobressair, promovendo uma experiência que, mesmo curta, intriga e envolve aqueles que gostariam de entender de fato o que acontece naquele local.


Um começo nem tão surpreendente


O jogo começa com um personagem sem identidade, armado, e cercado por criaturas humanoides no que parece ser uma estrutura residencial. Após falhar em escapar, mais de um século se passa desde o evento catastrófico que ficou conhecido como "a primeira Visitação". Após tantos anos de paz - e sem compreender de fato o que o acontecimento anterior significara -, a população vive momentos de paz, até que, novamente, fatores indicam que uma "segunda Visitação" já estava acontecendo, dividindo as pessoas entre as que acreditam nesse fato e aqueles que se mantém céticos até mesmo quanto ao primeiro evento.


É nesse momento que somos apresentados ao protagonista da história. Um simples maquinista de trem, sem qualquer identidade aparente ou importante, cuja missão é somente transportar mercadorias entre as diversas cidades, na maioria das vezes a mando do próprio governo local. E é durante essas viagens que o jogo mostra realmente a que veio.

Ambientação detalhada, mas jogabilidade rasa e com poucas surpresas

Começando pelos controles, o jogo segue um estilo plataforma, permitindo o personagem se mover para direita ou esquerda, e para cima e para baixo, dependendo da situação. O combate acontece atirando com o gatilho direito, enquanto o analógico direito tem o papel de mira, embora algumas vezes a coisa não funciona como deveria, já que a mira se move na menor sensibilidade do analógico. Fora isso, o jogo conta com atalhos para recuperar a vida perdida, trocar de armas e usar kits médicos. O touch screen também pode ser usado para atirar nos inimigos e outras pequenas ações como passar os diálogos e usar os kits, mas sua usabilidade é um tanto quanto descartável, ainda mais comparando com o port de The Darkest Dungeon para o Switch.

Apostando em gráficos bidimensionais, nota-se claramente uma boa dose de esforço por parte do time de desenvolvimento em expressar um sentimento de solidão nos cenários enquanto o maquinista sai explorando as cidades. Somando ao fato de que as cidades, em sua maioria, não possuem qualquer tipo de trilha sonora ao fundo - salvo em cenários abertos -, isso acaba por elevar a experiência durante a jogatina, dando ainda mais envolvimento para aqueles que queiram descobrir os mistérios desse mundo.

Além disso, o jogo conta com uma mecânica básica que se repete até o final, podendo-se dizer que o  game é divido em três partes distintas: as viagens de trem; as paradas nas diversas estações ao longo da viagem em cidades afetadas, e a visita em cidades que ainda não tiveram contato direto com a "Visitação".

Como parte da história, a fim de forçar o maquinista a sair pelos locais que guardam perigos e informações sobre a calamidade, cada estação visitada pelo trem conta com um código de bloqueio necessário para liberar novamente o veículo ferroviário, dando assim prosseguimento a viagem. Por esse motivo, a cada parada, o personagem sai em busca do código - geralmente localizado no ponto mais distante do local visitado -, fazendo com que o jogo possa se tornar monótono por simplesmente ser basicamente isso.


Durante a exploração, o maquinista deve enfrentar a pouca variedade de inimigos utilizando combate corpo a corpo ou alguma arma de fogo. Apesar do jogo poder ser considerado um survival horror, poucos foram os momentos em que me vi ofegante ou desesperado por não ter munição suficiente para as próximas viagens. A grande maioria dos desafios pode simplesmente ser resolvido com golpes corporais, sem que qualquer dano seja infligido no jogador.

Ainda durante a busca, mantimentos podem ser coletados para que a construção de munição e kits de primeiros socorros sejam confeccionados, para que sejam usados pelo maquinista e/ou passageiros resgatados.


E é justamente durante a viagem que o desafio acontece. Cada sobrevivente necessita de cuidados médicos e comida para que possam sobreviver durante todo o percurso. Ainda que a quantidade de kits médicos seja satisfatória, podendo ainda serem confeccionados no trem, arrumar comida é justamente a pior parte - e a parte que deve ser melhor administrada. A perda de passageiros não acarreta punições diretas e severas ao jogador, já que os que conseguem chegar em segurança fornecem uma recompensa em dinheiro, além de outros mantimentos. O problema real é perder o compartilhamento de informações que acontece durante a viagem.

Uma história devidamente não contada

Enquanto o maquinista deve cumprir suas ordens, realizar entregas e, eventualmente, resgatar sobreviventes, a única coisa que fica explicitamente clara é que seu objetivo final é chegar na Metrópole, tido como o local mais seguro para esse tipo de situação.

Entretanto, todo o universo do game é apresentado ao jogador de maneira implícita. O que de fato está acontecendo não é contado de maneira coesa e direta, principalmente se o jogador deixar de explorar os locais e ler diários, bilhetes e folhas de jornais. A recompensa por esse esforço, que não chega a ser árduo, é obtida a partir de pessoas comuns, vivendo vidas simples até que a catástrofe as engloba sem qualquer anunciação. Por muitas vezes, corpos são encontrados em locais já descritos através de bilhetes pelas pessoas que ali se encontravam antes.

Além de colher informações dos cenários - que conta com bons detalhes que enriquecem a experiência -, outra parte deveras importante são os sobreviventes que são resgatados pelo maquinista ao longo de sua jornada. Cada um apresenta um mínimo de história própria, dividindo com o maquinista e outros passageiros suas opiniões, medos e pensamentos. Mais importante do que simplesmente recolher o dinheiro e mantimentos que os mesmos deixam ao chegarem em locais específicos, é apreciar as poucas palavras proferidas pelas mesmas pessoas que encaram o problema atual, sem saber de fato o que está acontecendo.


E esse é o ponto que faz o jogo sair da categoria "mediano" para "ótimo". O sentimento da população sob uma certa lei marcial - que chega a dizer que qualquer um que não seja militar não pode portar uma arma de fogo, sob pena de prisão perpétua - e domínio de um governo que tenta controlar os alardes com a promessa de que o lançamento do "Guardião" conseguirá solucionar os problemas da "Visitação". Mais do que simplesmente sobreviver, querer saber realmente o que está acontecendo é o que motiva seguir viagem.

A falta de polimento que não consegue estragar a experiência

Após tudo o que fora falado, é válido também mencionar que uma das melhores qualidades do jogo é contar também com legendas em PT-BR. Entretanto, infelizmente algumas palavras foram cortadas durante os diálogos, seja por falta de programação apropriada ou causada por algum bug. Não sendo o bastante, até mesmo alguns poucos erros de ortografia também encontram-se presentes.

Durante a jogatina, pude também presenciar alguns outros bugs que simplesmente me forçaram a reiniciar o jogo, e outros que impediram momentaneamente meu progresso. Possivelmente podem ser corrigidos através de patches, mas sem qualquer tipo de previsão para que isso ocorra.



E apesar desses detalhes, juntamente com a repetição encontrada na progressão do jogo, The Final Station consegue entregar uma história profunda, que pode ser realmente apreciado quando jogado de maneira paciente e atentando-se aos pequenos detalhes presentes.

E como se ainda não fosse o bastante, a versão do Switch já conta a DLC The Only Traitor disponível de maneira gratuita, acrescentando ainda mais conteúdo à jogabilidade e, principalmente, à história do universo do game.

Prós

  • História profunda, recompensando jogadores que vasculham os cenários;
  • Gráficos 2D com bom nível de detalhes;
  • Ambientação e trilha sonora que dão mais envolvimento durante a exploração;
  • Conteúdo adicional The Only Traitor disponível in game de maneira gratuita;
  • Legendas em PT-BR.

Contras:

  • Pouca variedade de armas e inimigos;
     
  • Fator replay praticamente inexistente;
     
  • Bugs que podem interferir na jogatina;
     
  • Tradução com alguns erros de ortografia;
  • Mirar na cabeça dos inimigos é mais trabalhoso do que deveria ser;
     
  • Falta de desafios para um jogo do gênero survival-horror.

The Final Station - Switch - Nota: 8.0


Análise produzida com uma cópia digital cedida pela tinyBuild Games


Kaio C. escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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