Blast from the Past

Toy Story 2 (N64): Buzz Lightyear vai ao resgate nessa nostálgica aventura

Com um gameplay simples e instintivo, Toy Story 2 traz uma experiência fiel e divertida.



Quando o assunto é jogos de plataforma 3D da geração do Nintendo 64, geralmente games como Super Mario 64 vêm à mente. Mas Toy Story 2 é um título igualmente divertido e interessante de se jogar - e eu comprovei isso, me divertindo com ele mesmo depois de tantos anos e de tantas vezes em que o fechei.


Completar todos os objetivos desse jogo não é nenhum desafio. Ele em si não é difícil: é bem simples de se pegar e jogar. Você não precisa de nenhum tutorial e começa a entender os objetivos com o passar do tempo. É tudo bem natural.

Cada fase é baseada em uma cena importante do filme de onde o título provém, começando pela casa de Andy e indo até o aeroporto. Os cenários são diversificados e extremamente temáticos: é bacana ver como eles são tão cheios de vida e particularidades, variando nos puzzles, inimigos e situações. Há sempre aquela boa pitada de humor, tão familiar em Toy Story, na construção de todas essas situações e personagens.
O quarto de Andy


Um mundo de brinquedos ao seu dispor

O jogo não é exatamente linear. O objetivo é coletar Pizza Planet Tokens, que são medalhões de uma pizzaria da animação. Cada fase possui 5 deles, escondidos por um puzzle diferente. Eles costumam seguir um certo padrão, repetido nas fases seguintes. Os personagens envolvidos, bem como seus trajetos, mudam muitas vezes, mas, em essência, as atividades são as mesmas — e para quebrar a monotonia, há um puzzle que é único de cada cenário.

Por mais repetitivo que essa ideia soe, o jogo força as habilidades de exploração do jogador, escondendo alguns deles muito bem. Os cenários em si são como um grande quebra-cabeças, já que a navegação sempre depende de um nível muito grande de interação com o ambiente.

O jogo ainda te dá uma variedade de itens para ajudar na navegação, como botas espaciais, um escudo de força etc. Todos eles são destravados ao recuperar uma parte perdida do Mr. Potato-head, como seu braço ou sua boca. Em alguns casos você precisa destravar determinado item em outro mapa para fazer algum dos puzzles dos mapas do início, o que torna o jogo ainda mais interessante — você sempre descobre algo novo ao retornar aos outros cenários.

Toy Story 2 não é longo, segurando o gameplay por um ou dois dias. Possivelmente, ele foi desenvolvido dessa maneira de propósito, já que muitos puzzles são reciclados de um cenário para o outro. Sendo assim, mesmo que o jogo tenha suas doses de objetivos similares, ele acaba antes de que o jogador se enjoe dele.

Problemas no mundo dos brinquedos

Não é um jogo perfeito, no entanto. Um dos maiores problemas, não só com ele, mas com muitos jogos de plataforma 3D daquela época, é a câmera. Esse foi o começo da era dos analógicos, então a câmera não podia ser movimentada pelo controle — e isso atrapalha muito em algumas partes, principalmente quando o jogador necessita fazer algum tipo de sequência de pulos em plataformas.

Além disso, a física ainda estava começando a ser explorada no universo dos games. Existem alguns lugares específicos nos quais o controle de se pendurar em uma beirada, por exemplo, parece ser uma escolha do jogo — e o problema é que essas ações são extremamente necessárias para o acesso de lugares altos.

Todos esses problemas, no entanto, não representam uma ameaça muito grande para a experiência. Há uma certa frustração, mas não existem bugs ou glitches que destruam o progresso ou impeçam o jogador de desfrutar do jogo.

Os aspectos audiovisuais

Toy Story 2 também tem gráficos agradáveis para aquela época. Woody e Wendy parecem meio esquisitos na última fase, que é uma boss battle, mas no geral, os gráficos são bonitos e bem feitos, especialmente para essa época tão remota da modelagem de jogos 3D.

O mesmo se dá com os cenários, que possuem cores bonitas e vibrantes, representando muito bem o espírito de uma animação da Pixar. Os personagens representam muito bem o material original, assim como todos os seus inimigos. O jogador consegue perceber facilmente de onde cada um deles vêm, se pertencem ao universo de Buzz Lightyear, de Woody ou de algum outro personagem do universo Toy Story.

A musicalidade também possui uma forte presença aqui. É possível identificar músicas tiradas diretamente do filme, como uma versão de “Amigo estou aqui”, música tema da animação. Cada cenário possui sua trilha específica, que costuma emular muito bem a temática do cenário, com, por exemplo, mudanças de cadência quando enfrentando boss battles, sons eletrônicos quando num cenário de ficção científica etc.
Se prestar bastante atenção, é possível ver o reflexo de Buzz no vidro de seu capacete.
Em toda a sua simplicidade, o título cativa de um jeito único, apresentando uma estrutura bem interessante. Mesmo com todas as suas repetições, além das imperfeições mínimas, o jogo consegue ser tão divertido hoje quanto fora em seu tempo. As limitações do design típico da época não atrapalham na experiência, mesmo estando habituado aos controles mais modernos. Com um gameplay simples e viciante, fiel ao universo, Toy Story é um jogo que agrada não apenas os gamers, mas também aos fãs da animação.

Revisão: Diego Franco Gonçales
Yorran Rosa Bergamaschi escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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