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Análise: Overcooked! 2 — entre o caos e a gastronomia

Agora com recursos online, a caótica franquia culinária ganha uma merecida continuação.

Desde o sucesso de vendas do primeiro jogo, Overcooked! (Multi), na eShop, foi questionado o que essa franquia, publicada pela Team17, faria em seguida. Assim, com o anúncio de Overcooked! 2 para diversas plataformas, incluindo para o Nintendo Switch, fomos direcionados a uma ampliação do gênero de uma maneira extremamente positiva e focada, mais do que nunca, na diversão oferecida pelo multiplayer.

Intuitivo e pronto para cozinhar


Inicialmente, quando é apresentado o menu principal com o food truck administrado pelos jogadores, o jogo consegue ser agradável e mostra como está bem dividido em cada modo, deixando bem intuitivo para o jogador qual modo deseja testar. Além disso, a paleta de cores vivas e os personagens cartunescos mostram, como primeira impressão, um game pronto para encantar todas as idades.

Os modos são bem simples: você pode optar pelo modo história, arcade ou versus. Todos possuem suporte para até quatro jogadores e escancaram o apelo co-op apresentado pelo jogo. Além do mais, a variedade de personagens jogáveis é um dos destaques de Overcooked! 2. Com novos cozinheiros destraváveis no modo história, a biblioteca de personagens é gigante, desde um simples cozinheiro caricato até um guaxinim cadeirante, tornando divertido e compensador a busca por todos.

Onion Kingdom pede socorro

O modo história possui um enredo bem genérico, mas que não ofusca o brilho de Overcooked! 2. Existem 'zumbis-pão' — ou Unbreads, caso você queira entender o trocadilho — que estão aparentemente com fome, e o objetivo dado aos jogadores é de desbravar o grande Onion Kingdom, ou Reino da Cebola, em busca das mais diversas receitas para acalmá-los.



Com isso, seis ramificações irão aparecer ao redor do castelo do rei, dividindo o jogo, sem contar as fases secretas, em seis mundos com seis níveis em cada — o que pode ser uma quantidade pequena para alguns. Os jogadores dirigem uma espécie de food truck bem diferente, uma vez que possui até asas, e têm que explorar o mapa do reino e vencer cada nível destravado, um por vez.

O desenvolver dos níveis é notável, principalmente quando se trata da dificuldade do game. Os dois primeiros mundos são fáceis e te ensinam primeiramente receitas simples, como saladas e sushi, que não precisam ser cozidos, e vão inserindo atividades extras, como a obrigação de lavar as louças, e novas receitas, como hambúrguer e pizza, que exigem mais dedicação dos jogadores. É interessante perceber que, após o quarto mundo, a dificuldade já é bem mais elaborada e demanda muito mais trabalho em equipe para que o jogo funcione — aspecto totalmente positivo para jogadores que anseiam por mais desafios.
Novas receitas complicam aos poucos o modo história
É relevante mencionar, também, que cada fase possui três estrelas de qualificação, baseadas na quantidade de dinheiro feito com os pratos entregues, que são responsáveis por nivelar os melhores jogadores e destravar novos mundos, uma vez que o último nível requer 92 estrelas. Com isso, os jogadores são estimulados a buscarem, cada vez mais, um melhor desempenho que seja recompensado com o máximo de estrelas possíveis.

Infelizmente, ao tentar jogar sozinho tive a sensação de que Overcooked! 2 não gosta de pessoas desacompanhadas. A piada forever alone nunca fez tanto sentido quando você, sem outros jogadores, tenta manusear dois personagens ao mesmo tempo para que façam a mesma coisa que você deveria fazer com um amigo te ajudando. Isso é negativo, uma vez que, para o modo portátil do Switch, o jogador só teria como aproveitar melhor a experiência do game procurando partidas online, já que para o modo história não há muitas condições para completar certos níveis sem um bom tempo de treino.

Além disso, as telas de carregamento entre um nível e outro são, na maioria das vezes, cansativamente longas. Isso atrapalha a fluidez do jogo e desenvolve uma sensação de má optimização que, felizmente, pode ser corrigida com futuras atualizações. Inclusive, o último nível do modo história, que possui 15 minutos de duração, é um dos mais demorados para carregar.



No mais, o modo história possui níveis extremamente criativos, como fazer hambúrgueres em um balão de ar quente ou fritar frango frito em pequenas jangadas em uma correnteza. Me chamou a atenção o uso de portais mágicos, fazendo alusão à série Harry Potter, e diversas engenhocas que nunca seriam vistas em um jogo monótono de culinária, o que deixa a marca de Overcooked! 2 de indie original e inteligente.

Um Joy-Con para cada amigo é o essencial


Já ciente de que Overcooked! está entre um dos melhores jogos multiplayer para Switch, a expectativa a respeito da diversão cooperativa em Overcooked! 2 foi bastante alta. A princípio, com o menu apresentando diversos modos online e local, me veio a ideia de que eu iria passar horas jogando partidas com meus amigos online, e felizmente o game oferece toda a base necessária para isso.

Em primeiro lugar, ao testar partidas privadas com um amigo, houve desapontamentos a respeito da variedade de configurações de partida. Quando um jogador entra em uma sala privada, ele não pode convocar outros jogadores do mesmo console, ou seja, só poderá entrar um por console. Com isso, a ideia de realizar uma partida versus online com duas pessoas em cada console não é possível.

Mesmo assim, o menu de seleção online me lembrou muito Super Bomberman 4 (SNES), o que foi de certa forma positivo. Mas me deparei com um contratempo: a seleção de fases é resumida em seis temáticas principais sem nenhuma possibilidade de escolher precisamente qual nível do modo história os jogadores irão jogar, tirando um pouco da liberdade do online e entregando tudo nas mãos da randomização.

No mais, o modo versus só funciona bem com 2 ou 4 jogadores, uma vez que controlar dois cozinheiros ao mesmo tempo é ruim e vai contra a proposta do game. O objetivo desse modo é competir para descobrir qual time conseguirá mais dinheiro ao entregar seus pedidos. A ideia é boa e, sem dúvidas, tem seu ápice quando há quatro jogadores empenhados a disputarem a vitória.
Que a bagunça em grupo comece!
O modo arcade é o mais interessante, já que ele é o protagonista de possíveis dezenas de horas cozinhando com pessoas ao redor do mundo. Porém, dependendo da conexão, é possível sentir quedas de desempenho que podem atrapalhar a partida, principalmente se for em um mapa repleto de armadilhas.

Em síntese, Overcooked! 2 honra o nome que carrega e entrega o que propôs desde o princípio: um jogo caótico perfeito para diversão em grupo. Dessa maneira, mesmo com alguns problemas de desempenho e carregamento, a diversidade de opções vão entreter muitos fãs desse gênero, mesmo sendo imprescindível relembrar que caso você não esteja disposto a arrumar companhia para jogar junto, seja online ou local, talvez Overcooked! 2 não seja o jogo certo para você nesse momento.

Prós 

  • Menu intuitivo e fácil de usar;
  • Grande diversidade de personagens jogáveis;
  • Modo com quatro jogadores é caoticamente divertido;
  • Bom modo história e níveis criativos;
  • Um dos melhores jogos party disponíveis para o Switch;
  • Fator replay melhorado com partidas online.

Contras

  • Single-player desfavorecido e bem mais complicado;
  • Telas de carregamento lentas;
  • Falta de algumas variações para partidas online;
  • Ocasionais quedas de desempenho durante partidas online.
Overcooked! 2 - PC / PS4 / Xbox One / Switch - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch 
Revisão: Gabriel Bonafé
Análise produzida com cópia digital cedida pela Team17
Paulo Vinícius é estudante e apaixonado por games desde seu primeiro contato com Duck Hunt e Ice Climbers do nintendinho em 2002. Fanático por Pokémon e admirador de diversas franquias, reúne seu tempo livre para escrever e tentar colocar suas séries em dia. Está no Facebook e Instagram.

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