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Análise: Into The Breach (Switch) é mais do que você possa imaginar

Prepare-se para pensar se os fins realmente justificam os meios.


“Os Veks tomaram conta do mundo, nossa única linha de defesa foi derrotada. Reiniciem o Power Grid, temos que tentar de novo”. Into The Breach trata-se de um jogo de estratégia por turnos, ou melhor dizendo, um xadrez com robôs e monstros gigantes.


Tendo como distribuidora, e desenvolvedora, a Subset Games — a mesma responsável pelo aclamado indie FTL: Faster Than Light —, assim como o jogo anterior, a empresa decidiu seguir caminho do subgênero roguelike — onde há geração de mapas randômicos e morte permanente —, mas em Into The Breach, a “desculpa” para este subgênero se encaixa perfeitamente, e posso afirmar que ela chega a ser um pouco perturbadora.

Antes de começar a análise, eu lhe faço a seguinte pergunta: quantas vidas desperdiçadas são necessárias para salvar apenas uma linha do tempo?

Entrando na brecha

Ao iniciar jogo, me deparei em um quartel-general onde era possível escolher um viajante do tempo e sua equipe de robôs modificadamente equipados. Também percebi a possibilidade, digo, a grande possibilidade de customização, tantos dos robôs quanto das equipes que podemos formar. Há também uma opção de escolha de dificuldade, que variam entre fácil, normal e difícil — preste atenção nisto, pois Into The Breach não é para qualquer um.

Com meu piloto estabelecido e equipe formada, decido dar o Start e começar a minha misteriosa jornada. A primeira sensação que senti foi: “Ah, legal, o jogo é um RPG por turno com robôs e monstros”. Bom, esta visão mudou completamente após a minha primeira derrota, onde a seguinte mensagem apareceu: “Os Veks tomaram conta do mundo, nossa única linha de defesa foi derrotada. Reiniciem o Power Grid, temos que tentar de novo”. E é a partir deste momento que o jogo de fato começa.



De volta para o passado

O enredo de Into The Breach é simples, porém profundo. Trata-se de uma planeta que é constantemente atacado por criaturas nomeadas Veks. Estes monstros surgem de dentro das superfícies e tem como objetivo destruir a raça humana. E adivinha? Eles conseguem. Mas antes que os Veks tomem conta de todo o planeta, uma máquina do tempo — esta que não sabemos de onde surgiu ou como foi criada — leva um piloto e sua equipe de volta para o passado, mas para uma outra linha temporal, com o objetivo tentar salvar o planeta mais uma vez.



A cada game over, é mais uma linha do tempo sacrificada pelo nosso fracasso. Portanto temos que iniciar um novo jogo e tentar novamente, mas desta vez em uma nova realidade. É engraçado imaginar que todas as linhas do tempo estão predestinadas a serem dominadas por esses monstros, e que não importa quantos mundos você salve, ainda existem infinitos números de planetas que possuem o mesmo destino, o da destruição e caos, causados pelos Veks.

Tendo isto em vista, não se sinta feliz ou satisfeito por ter “zerado” o jogo — este que pode levar de 40 minutos a 2 horas de duração —, ainda há infinitas linhas de tempo que precisam ser salvas. Devo ressaltar que o game lembra Evangelion — um antigo anime de mechas gigantes, de 1995 —, e o famigerado Círculo de Fogo — filmes sobre monstros e robôs gigantes, este dirigido por Guillermo Del Toro e lançado em 2013.



Sobre o storytelling: não é nada de mais, temos apenas pequenos avisos a cada início de missão e conversas genéricas entre a equipe durante o combate, mas esse não é o foco do jogo.

É como jogar xadrez

Ao começar o game, devemos escolher um piloto e uma equipe para a jornada. Feito isto, devemos definir qual continente e país vamos proteger primeiro. Lembrando que só é possível formar uma equipe de até três robôs gigantes — existem vários para serem liberados e cada um com sua peculiaridade e inúmeros meios de modificação, tanto em armas, quanto em acessórios e cores, tornando cada equipe única. Os gigantes metálicos são controlados por pilotos, que têm habilidades passivas, facilitando a batalha contra os Veks (como habilidades de voltar o turno para o começo, caso necessário).



Cada mapa (país) tem suas submissões, que devem ser feitas para obtermos pontos para melhorar nossas máquinas, comprar equipamentos e aumentar a defesa do Power Grid. Este Power Grid é, basicamente, a energia que o planeta ainda tem para sobreviver. Se ele se esgota, perdemos o jogo e temos que começar do zero. Tá, mas como qual o objetivo principal? Simples, sobreviver 5 turnos em cada mapa e defender as cidades, pois se os Veks destroem as construções civis, o nosso Power Grid decaí.

Como trata-se de um jogo de estratégia por turnos, é preciso posicionar as nossas peças (mechas/robôs gigantes) no tabuleiro. Todo partida se inicia com o turno dos Veks, que antecipam suas ações, se movem e formam estratégias para derrotar as construções e os seus adversários metálicos (só para constar, existem inúmeros tipos de Veks e cada um com seus poderes e meios de locomoção diferentes). Após o turno dos monstros, começamos a organização de uma estratégia para impedir os Veks de realizarem suas ações. Para isso podemos atacá-los, afastá-los ou defender as construções de diversas maneiras, tudo depende do mecha/robô gigante que você escolheu.



Se deixarmos um de nossos robôs serem destruídos, o piloto morre, perdendo então as habilidades passivas do mesmo. Mas não se preocupe, no próximo mapa o robô volta a ativa, mas agora controlado por uma inteligência artificial.

Para os novatos no gênero, o game possui um tutorial e um test-drive de mechas. Estes testes são mais para para experimentar novas armas ou acessórios que adquirimos. E por último: para obter novos pilotos é necessário defender os pods que aparecem ocasionalmente durante as partidas.



Use tudo que puder

Além de seus poderosos mechas e determinados pilotos, podemos contar também com o cenário a nosso favor. Existem construções (essas que não são de civis) que podem ser destruídas, alterando assim a jogabilidade no mapa. Vou dar dois exemplo: houve uma situação onde acabei destruindo certa montanha e ela começou a disparar fogo — pois se tratava de um vulcão —, e logo o mapa começou a se infestar de lava; ou quando, acidentalmente, derrubei uma barricada que segurava as ondas do mar, liberando todo o poder aquático sob os monstros que eram terrestres.



Mas cuidado, existe também a possibilidade dos seus robôs causarem danos a construções civis, e isso não seria nada legal, até porque nosso objetivo não é a derrota, certo? E como os cenários são, às vezes, bem diversificados um dos outros, há também interação com certas máquinas espalhadas pelo mapa, ou seja, use e abuse do ambiente a seu favor.

Por mais que se trate de um mapa 8x8, ou seja, são 64 blocos onde podemos se mover e interagir, ainda assim há muita coisa a se fazer neles, tudo depende de nossa criatividade e estratégia nas batalhas.


Mas e os gráficos, são em 4K? E a trilha sonora, é Hans Zimmer?

Não são em 4K, digo, Into The Breach é um top-down 2D feito em pixel art, assim como os saudosistas 16 bits. Mas isto não tira o mérito do game, pois a arte é muito bem definida para o estilo de jogo que quer ser, e nisso ela acerta em cheio. Nós temos variados cenários com diversos detalhes diferentes, e ainda por serem randômicos, as possibilidades de alterações por parte dos jogadores são imensas, construindo assim um belo quadro de arte que deve ser admirado e explorado.



Mas infelizmente sempre temos pontos negativos, não é mesmo? Sobre a trilha sonora eu já não posso afirmar as mesmas palavras que proferi sobre a arte. As músicas em geral (principalmente as de combate) são genéricas, e ao decorrer do jogo não há nenhuma que se destaque, nem mesmo no término da campanha. Já que é assim, por que não colocar o tema de Círculo de Fogo para tocar enquanto joga?

Que tal jogar mais uma vez?


Into The Breach é um ótimo RPG por turnos que com certeza vai me fazer voltar a jogá-lo mais e mais vezes, até porque ainda tenho muitas realidades para salvar. Apesar da trilha sonora ser genérica e entediante, o game se salva pelo conjunto da obra. Há certas informações que decidi não colocar nesta análise, pois acredito que existem certos elementos do jogo que devem ser descobertos pelo jogador, tornando assim sua experiência ainda mais cativante e divertida.

Por mais que eu já tenha finalizado o jogo pelo menos umas 4 vezes, com diferentes equipes e pilotos, Into The Breach ainda me dá “brechas” para continuar jogando, tornando-se um game altamente viciante e repleto de conteúdo. Resumindo: vale a pena jogar!

Prós:

  • Jogo repleto de conteúdo para futuras jogatinas;
  • Narrativa simples, porém extremamente profunda;
  • Diversas possibilidades de criação para uma equipe de combate;
  • Desafiador, porém cativante;
  • Mapas randômicos e suas inúmeras possibilidades de interação.

Contras:

  • Trilha sonora genérica.
Into The Breach — Switch/PC — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: Nintendo Switch
Revisão: Arthur Maia
Análise produzida com cópia digital cedida pela Subset Games

Gustavo Miranda é engenheiro de software e estudante de publicidade durante o dia e luta contra o crime em Gotham na penumbra da noite. Prefere trabalhar nas madrugadas com a presença da sua ilustre felina denominada Samus. Está no Facebook e Instagram.

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