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Análise: Shift Happens (Switch) — criaturas inusitadas e puzzles inteligentes

Por ser bem completo, Shift Happens oferece bons desafios para serem jogados em dupla.


Com uma base sólida de jogos cooperativos no Nintendo Switch, como Snipperclips Plus: Cut it out, together! (Switch) e Overcooked! 2 (Switch), por exemplo, a chegada de Shift Happens nesse ramo de games familiares do híbrido da Big N foi ligeiramente ofuscada em meio a tantos títulos disponíveis no momento. No entanto, é imprescindível ressaltar que o título apresenta mecânicas divertidas que podem ser aproveitadas em divertidas jogatinas co-op ou single player e merece a atenção de fãs do gênero.

Mudanças a todo momento


Primeiramente, os personagens são Plom, o alto com uma “barriga”, e Bismo, seu pequeno parceiro. Plom é forte e pode arremessar caixas ou romper barreiras, porém ele precisa que Bismo atravesse pequenos espaços ou faça saltos mais ágeis. Essa combinação entre dois formatos com funções distintas é interessante, visto que cada personagem garante características únicas e induz uma certa identificação do jogador com cada um. Entretanto, há uma carência de desenvolvimento do enredo, já que a história se resume basicamente a duas “geleias” que estão fugindo de um laboratório, mostrando um desperdício do potencial da personalidade das personagens e sendo, de certa forma, uma antítese a indies que trabalham bem com isso, como Hollow Knight (Switch).

No modo single player, o jogador tem que controlar esses dois personagens através da troca com o analógico direito. Junto com a mudança entre os dois blobs, é possível alterar a forma das criaturas entre dois tamanhos com diferentes funções. Funciona, porém o processo é bem mais lento e tira a dinâmica do game, mesmo que isso não seja culpa dos desenvolvedores, uma vez que o modelo de jogo adotado tem essa desvantagem.


Já em co-op, cada jogador assume a função de um personagem, tendo controle individual de suas ações e ambos controlando o aspecto de mudança de tamanho. Felizmente, tudo isso funciona como deveria, além do game desenvolver os problemas de forma coesa e justa. É preciso ter cuidado com o controle dos personagens, principalmente pelas limitações de cada tamanho que podem dificultar situações como ao pular distâncias maiores, nadar em locais mais profundos e barrar lasers.

É importante mencionar que há muitas mecânicas em Shift Happens. Um dos pontos fortes do game é introduzi-las gradualmente e que, de certo modo, você realmente se lembrará delas. Depois de alguns níveis, o jogador é inserido em câmaras de teste separadas que ajudam a entender as novas mecânicas à medida que avança nos níveis, o que não torna o jogo confuso, tampouco complexo demais para quem deseja jogar sem muitas complicações.

Uma dosagem equilibrada entre engenhoso e agradável

Assim que há um certo domínio sobre as mecânicas, o jogo se torna gratificante e divertido. Ser capaz de reconhecer o que fazer em cada situação faz com que Shift Happens seja um game recompensador e perfeito para jogatinas cooperativas. Com isso, o jogo curiosamente se divide em dois principais tipos de dificuldades: quando o jogador sabe exatamente o que fazer, mas é difícil de executar, e quando não tem ideia alguma de como progredir o nível e esse processo de descobrimento pode levar um certo tempo. Nesse viés, os contratempos mais trabalhosos podem desinteressar uma jogatina contínua, visto que após cerca de 5 níveis, o jogador provavelmente optará por uma pausa.

Além disso, há muito o que fazer para completar os níveis 100%. Quase todas as fases têm seus próprios colecionáveis ​​exclusivos para encontrar e áreas secretas para acessar. São 75 “moedas” por nível e itens especiais para colecioná-los. Além do mais, os testes de speedrun para cada nível ficam disponíveis assim que você os vencer pela primeira vez, aumentando o fator replay e demonstrando o capricho do game em entregar um conteúdo recheado de atividades.


Assim, existem quatro mundos separados, cada um com 6 a 8 níveis, e vários níveis de bônus no modo single player. Todas essas fases também estão disponíveis no jogo cooperativo — offline e online —, mas os níveis foram completamente refeitos para esse modo e são diferentes daqueles que você jogará no modo para uma pessoa. Mesmo com tantos aspectos positivos, é possível encontrar alguns bugs no decorrer da jogatina, mas que felizmente foram raros na minha experiência.

Mesmo com tantos aspectos positivos no modo offline, já não posso dizer o mesmo do online. Testei por alguns momentos a conexão do game e, infelizmente, há uma quebra de expectativas com uma conexão falha e cheia de delays, desincentivando qualquer jogatina compartilhada, principalmente pela ausência do chat de voz.


Em síntese, Plom e Bismo conseguem surpreender com os desafios inteligentes entregues pelos níveis sofisticados e detalhados. Mesmo com a valorização do fator replay e de práticas adicionadas no decorrer da jogatina, Shift Happens ainda falha com alguns problemas técnicos e de conexão online, além de não entregar grandes atrativos que poderiam servir como diferenciais positivos no catálogo da eShop que, repleta de indies, acaba ofuscando o valor desse título.

Prós

  • Puzzles recompensadores e divertidos;
  • Introdução inteligente de novas mecânicas gradualmente;
  • Fator replay valorizado com colecionáveis e time trial;
  • Alto valor como jogo cooperativo.

Contras

  • Eventuais bugs e problemas de conexão online;
  • Single player se torna cansativo com o tempo;
  • Pouco desenvolvimento das personagens;
  • Sem grandes destaques entre os vários jogos do gênero na plataforma.

Shift Happens - PC / PS4 / Xbox One / Switch - Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Daedalic Entertainment
Paulo Vinícius é estudante e apaixonado por games desde seu primeiro contato com Duck Hunt e Ice Climbers do nintendinho em 2002. Fanático por Pokémon e admirador de diversas franquias, reúne seu tempo livre para escrever e tentar colocar suas séries em dia. Está no Facebook e Instagram.

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