Entrevista

Just Dance (Multi): Entrevistamos os competidores brasileiros da Just Dance Tour

Batemos um papo com os jogadores que se apresentaram nas finais nacionais do Just Dance sobre o cenário competitivo e a comunidade brasileira do jogo.

Em um distante novembro de 2009, a Ubisoft apresentou a primeira edição do seu jogo de dança: o Just Dance. Foi uma interessante novidade direcionada exclusivamente ao Wii, que garantia a diversão por meio de seus controles com sensores de movimento. Esse foi o começo de uma franquia cuja popularidade cresceu muito ao longo dos anos, mantida através de lançamentos anuais para diversas plataformas. O mais recente é o Just Dance 2019, que chegou em outubro de 2018.


Apesar de ser bastante conhecido, muitas pessoas ainda não fazem ideia de existe um acirrado cenário competitivo no Just Dance, contando com campeonatos oficiais organizados pela própria Ubisoft. Trata-se da Just Dance World Cup (JDWC), que acontece todos os anos e reúne jogadores de diversos países. A performance é do mais alto nível e os jogadores buscam pontuar com o maior número de perfects possível. E acredite, não é uma tarefa fácil conseguir a almejada pontuação máxima de 13.333 pontos.



O mais interessante sobre o competitivo é a forte presença do Brasil nos torneios, desde a primeira edição da JDWC em 2014. Sempre estivemos muito bem representados por incríveis brasileiros por lá — inclusive, o primeiro campeão de Just Dance do mundo foi o carioca Diegho San, que repetiu o feito no ano seguinte. Temos também a Pamella Ribeiro, que disputou os mundiais duas vezes, conseguindo o vice campeonato em 2017. Hoje, os dois são referência por aqui quando o assunto é Just Dance.

Durante a final da competição nacional, que aconteceu na CCXP e definiu o campeão brasileiro para o próximo mundial, a jurada Mariana Nery disse que “o Just Dance é do Brasil”. Realmente, se depender do enorme talento dos nossos jogadores, os melhores estão aqui. O Nintendo Blast teve o prazer de bater um papo sobre o competitivo do Just Dance com os jogadores que disputaram o nacional.


O caminho para as finais

Conversamos com nove competidores que participaram do nacional na CCXP, os nossos creators, cada um vindo de um estado: Luiz “Guuh86” Gustavo (Piauí), Lucca “Lucknox” Passos (Minas Gerais), Douglas “Dougretchen” Carvalho (Goiás), Tiago “Viagoncé” Silva (Brasília), Vinícius “DemaciIsOP” Celestino (Pernambuco), Guilherme “Gui Ennes” Alves (Rio de Janeiro), Patrick “StarComMoney” Schmatz (Rio Grande do Sul), Denison “Deni” Lira Santana (Ceará/ Pará), Murillo “MF Dance” Furtado (São Paulo), Rodrigo “Perfectstyle13” Maia (Ceará) e Tarcisio “TarcisioJr99” Júnior (Rio de Janeiro).

Para todos, é evidente que o significado do Just Dance em suas vidas vai além de ser apenas um jogo, sendo o alicerce de bons relacionamentos e momentos marcantes. Gustavo, por exemplo, considera uma das melhores coisas da sua vida. “O jogo me trouxe pessoas tão maravilhosas que eu quero levar pelo resto dela”, afirma. Já para Guilherme, Just Dance representa felicidade. “Me permitiu fazer amizades muito importantes, e me traz paz de espírito. Foi a partir dele que vivi momentos inesquecíveis”, expõe.

Para Lucca, Just Dance é uma ponte. “Conheci pessoas incríveis, como os finalistas que considero muito. Fico muito feliz pelo Just Dance ter me apresentado pessoas maravilhosas”, declara. Murillo também segue a mesma linha de percepção. “É algo que mudou a minha vida, me fazendo conhecer pessoas incríveis — até de outros países —, e que hoje eu considero como uma segunda família”, completa.

Para chegar às finais, todos eles passaram pela Just Dance Tour: etapas classificatórias regionais cuja vitória garantiu uma vaga para a final brasileira. Douglas conta que venceu a de Brasília, que foi uma das mais lotadas. "A sensação que senti com os aplausos do pessoal foi inigualável a qualquer outra coisa”, relembra.

A etapa do Tiago também não foi fácil. “Tive que ralar para ganhar em Salvador. Empatei nas semifinais e tive que jogar mais uma música. Nas finais, na primeira música eu ganhei por 1 ponto (fiquei chocado), mas depois, veio outra que eu dominava mais”, explica. Já a etapa do Vinicius aconteceu em um cinema, em um shopping de Recife. “Foram mais ou menos 20 pessoas, com partidas bem acirradas, tendo diferenças de apenas 2 pontos em algumas músicas”, conta. 

A final brasileira

A esperada final do Brasil aconteceu no dia 08 de Dezembro de 2018. Os classificados nas etapas anteriores se enfrentaram para decidir o nosso representante na grande final mundial. Um momento tão importante exigiu muita preparação e uma rotina de treinamentos intensa, afirmam os participantes. “Recebemos a lista definitiva poucos dias antes da competição. Pelo pouco tempo, tentei equilibrar as altas as pontuações e as performances. Para não ficar extremamente ansioso, tentei variar um pouco, e não jogar apenas as músicas da competição”, relata Denison.

As disputas eram de um contra um e aconteciam no Xbox One, com o uso do Kinect. Mas não bastava apenas garantir uma pontuação mais alta que o adversário, já que a competição contava com a presença de três jurados. A vitória por pontuação garantia dois pontos, enquanto o voto de cada jurado valia um ponto. Aquele com maior quantidade de pontos permanecia na disputa.

Patrick analisa que, para esse tipo de competição, é preciso focar em pontuação e performance. “Eu filmava minha dança para melhorar em alguns pontos e observar alguns erros na execução da coreografia”, revela. Douglas conta que, como sua tour foi a última, teve menos de uma semana pra treinar para a final. “Foram mais de 6 horas treinando diariamente”, menciona. Também foi difícil para o Gustavo, que teve apenas um mês e alguns dias de treino. “Eu focava um pouco mais na performance (a expressão facial e corporal) do que na pontuação, afinal, iríamos ser julgados por isso”, justifica.



Sem dúvidas, participar de um evento desse porte cria uma grande tensão. Para o Tiago, é uma mistura de sentimentos combinando ansiedade, felicidade e muito mais. Para o Vinicius, tudo isso se tornou mais emocionante pois, quem fosse vitorioso teria que representar o Brasil e trazer o tricampeonato pra casa. Já Guilherme considera como um momento mágico, ressaltando que era sua segunda tentativa nas classificatórias. “Estava muito nervoso em conseguir mostrar meu melhor. Conseguir chegar até a final foi muito gratificante”, celebra.  Por fim, Rodrigo conta que foi uma experiência divertida e desafiadora. “Estive com pessoas maravilhosas. Nós brasileiros somos incríveis nesse jogo”, acrescenta.


Quando a performance também conta

Conquistar os jurados faz parte da competição, afinal, os votos dados por eles podem inverter os resultados. Nesse aspecto, entra a importância de ter uma boa performance durante as apresentações, e não se garantir somente com uma boa pontuação. Na final da CCXP, os competidores foram avaliados por Mariana Nery, da Ubisoft, funBABE e Rosana Maria Marquez, da Cia. Daniel Saboya.



Segundo Gustavo, para ter sucesso é necessário “malemolência”. “Isso não pode faltar! E expressar com o corpo e com o rosto o que aquela música significa pra você, para o júri e para o público”, indica. De acordo com Lucca, performance, expressão facial, e se possível o lip-sync são essenciais. Para Patrick, é bom realizar a coreografia com o máximo de técnicas possíveis e tentar transmitir naturalidade ao dançar. Já Murillo acredita que confiança é tudo quando está no palco, inclusive porque o jurado sente isso. “Além de ter que executar os movimentos muito mais precisos e com ‘malemolência’, como eles dizem”, reforça o jogador.

Guilherme nos contou que analisou os jurados de outras finais para ter uma ideia do que estava por vir. “Existem jurados que valorizam quando você está se divertindo, mesmo errando a coreografia, e os que dão mais valor à técnica, mesmo que a pessoa não esteja expressiva. Então, optei por focar na performance (interpretar mesmo, como se estivesse dando um show) porém tentando me manter atento à pontuação”, explana. Contudo, de acordo com o Douglas, tudo se resume a carisma e malemolência. “Aprendi isso lá na hora (risos)”, brinca.

O relacionamento com a comunidade

Os jogadores brasileiros de Just Dance são muito ativos em grupos pela internet e canais de vídeos, ajudando a manter o jogo em evidência no país. Mesmo durante disputas em campeonatos, geralmente a amizade fala mais alto. “Existe uma competição no meio, mas a amizade sempre é mais importante que tudo isso. A melhor parte do campeonato é quando ele acaba e todos os participantes comentam os acontecimentos em ordem cronológica (risos)”, conta o Douglas.

Patrick pondera que, assim como em qualquer jogo, sempre há a parte tóxica. “Porém, esse lado é ofuscado pelo apoio da comunidade e amigos. Em época de competição, é normal cada um se resguardar em relação a pontuações. Mas a comunidade é muito unida, sim”, afirma. Denison explica que essa relação existe desde sempre na comunidade. “A gente sempre se ajuda muito, trocando informações, divulgando os trabalhos individuais de cada um e participando dos eventos pelo Brasil”, esclarece. É o que relata Vinicius.“Os competidores que conheci, tanto no meu estado como na tour, são bastante receptivos e amigáveis. São anjos sem asas”, simboliza.

Com uma comunidade cada vez maior e cheia de jogadores talentosos, o Brasil tem muito potencial para os torneios oficiais de Just Dance. E os nossos creators tem dicas para quem estiver pensando em competir nas próximas edições “Primeiramente não se esqueça da diversão. É isso que importa, mesmo diante de uma competição. E também não se esqueça de cuidar do seu bem estar durante os treinos”, aconselha Gustavo. “Se você quer ser um jogador ‘pro’, você precisa aperfeiçoar suas pontuações e suas técnicas de dança e interpretação”, acrescenta Tiago. 

Por sua vez, Denison incentiva a sempre participar das competições e dos eventos, locais e nacionais. “Conheça jogadores de outros lugares e a forma como cada local disputa; treine e não desista nunca, mesmo que pareça impossível pontuar melhor em determinada música; tenha espírito competitivo e seja sempre respeitoso com todos; e, sobretudo, se divirta quando estiver dançando”, instrui.



Já a dica do Douglas é que, com muito treino, foco e dedicação, você pode chegar em qualquer lugar que queira. “E de um Just Dance para o outro muita coisa muda... quem era mestre nos antigos, pode não se dar bem nos atuais e vice-versa. Quem sabe o próximo campeão não esteja lendo essa matéria?”, ressalta. “Acima de tudo jogue com seus amigos se divertindo e melhorando seus movimentos corporais. O objetivo inicial do game é sempre a diversão”, finaliza Rodrigo.

A caminho do mundial

As finais mundiais acontecerão em 30 de Maio, pela primeira vez no Brasil. O local será a eSports Arena Webedia, em São Paulo. Dezoito finalistas de diversos países se reunirão aqui para disputar o título de campeão mundial e, na expectativa de conquistar o nosso tricampeonato, teremos o Tarcísio Júnior na disputa. Nós também batemos um papo com ele, e a entrevista será publicada aqui no Blast nos próximos dias.



Gostaríamos de agradecer aos creators por terem conversando com a gente. Se houver uma próxima Just Dance Tour, esperamos encontrá-los competindo mais uma vez.

Revisão: Gabriel Bonafé

é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

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