Jogamos

Análise: Remilore: Lost Girl in the Lands Of Lore (Switch) — um hack n slash lotado de robôs e sobremesas

Acompanhe as aventuras de Remi e seu livro mágico, Lore, nesse roguelike estilo anime


Talvez você já tenha ouvido falar da Nicalis, uma publisher com uma certa reputação positiva na comunidade gamer. O porquê dessa reputação? Basicamente porque ela agrega cada vez mais títulos de respeito ao seu cardápio de jogos publicados. "Clássicos" modernos como Binding of Issac, Cave Story e VVVVVV chegaram às nossas mãos graças à Nicalis, além de vários outros divertidos e irreverentes jogos dos mais diversos gêneros — o próprio site deles já confirma um certo espírito "maneiro" e criativo da empresa, principalmente a seção de jogos. Agora, desembarcando em todas principais plataformas (incluindo o Switch). Remilore toma seu lugar como a mais recente adição ao "panteão" de games da Nicalis. Um roguelike hack n slash meio estranho, inspirado no típico anime japonês e um pouco "tosco" em alguns aspectos — além de ser protagonizado por uma adolescente com uma vassoura e um livro falante —, mas que diverte e, certamente, merece o seu lugar.

Aventuras no mundo mágico de Ragnoah

Um belo dia na biblioteca da escola, Remi, a clássica garota japonesa colegial protagonista de anime, encontra um livro falante (e bem falante mesmo) que se autoproclama um mestre da magia e das artes ocultas. Logo, ambos são, como esperado, sugados para um mundo paralelo cheio de confusões e aventuras: Ragnoah, uma terra mágica que, no momento, está sendo atacada por uma horda de robôs descontrolados. Acontece que, Choux, a segunda criação do "Mestre dos Magos" que criou Lore, uma garota robótica com a habilidade de gerar seus próprios seres mecânicos, de repente decidiu construir um verdadeiro exércitos de máquinas para aniquilar todos os seres humanos da terra. Só que é claro que a nossa heroína por acidente, Remi, contando com o auxílio constante das habilidades mágicas do livro tagarela (e algumas armas como diferentes espadas, machados e bastões) não pretende deixar isso acontecer tão cedo.


Os controles são bastante simples: A e X servem para os ataques básicos (fraco e forte, respectivamente) B é o dash e Y ativa um "especial" que varia conforme a arma, mas a quantidade total de especiais é um tanto limitada — eles se repetem bastante entre as armas. Diferentes combinações do A com o X geram diferentes combos e padrões de ataque, o que representa mais ou menos 90% do gameplay estilo hack n slash de Remilore. No resto do tempo, você irá focar em usar o dash para escapar de ataques inimigos (além de se locomover pelo mapa, se quiser) e ativar o especial do Y na hora certa (que aciona efeitos como aumentar seu ataque, ativar uma chuva de balas mágicas ou até congelar/diminuir a velocidade dos inimigos).

Três "barrinhas" são visíveis a todo o momento: a vida, a mana e stamina. As duas primeiras enchem por meio de "potes" que caem dos inimigos ou que aparecem após você destruir algum obstáculo do cenário (as coisas destrutíveis de sempre: mesas, vasos, bancos, etc), já a stamina aumenta sempre com o tempo — a barra se divide em três e cada dash consome um desses terços, ou melhor, não dá para ficar só "spammando" os dashes sem parar, é preciso pensar um pouco. Outra informação importante no seu hub (interface) é o número de "sobremesas" coletadas. Esses doces estão em todo lugar e são absorvidos diretamente pelo livro, recuperando um pouquinho da sua mana no processo e ainda atuando como o dinheiro do jogo. 



Apertando o + há uma "loja" integrada ao seu menu de customização que permite a "compra" de vários upgrades. O interessante é que os benefícios são gerais, ou melhor, são permanentes e continuam ativos para todas as próximas runs (tentativas de zerar o jogo). As melhoras variam entre melhorar os efeitos das poções de cura e mana, potencializar os especiais ou até aumentar a proficiência de determinada classe de arma (como espadas, martelos, etc). Além das compras, nesse menu também é possível ler mais informações sobre o tipo de arma que você está usando — toda arma possui um valor variável de DPS (dano por segundo), uma habilidade passiva (como mais ataque, efeito de stun, atributo de fogo e coisas do tipo) e a habilidade de ativar um especial dentre à limitada lista (pois é, os especiais se repetem bastante entre as armas).

As armas de Remilore são tão divertidas quanto abundantes. A maioria das "espadas", por exemplo, são objetos bem aleatórios, desde coisas como uma longa colher de sopa até literalmente uma banana com chocolate. As oportunidades para troca de arma até que são numerosas. Uma ocasional caixa especial até pode aparecer durante a fase, mas no final de cada estágio que o verdadeiro arsenal se revela: dependendo do seu ranking ao completar a fase, você pode receber até quatros caixas com armas randomizadas, além de ter a chance de gastar algumas sobremesas para coletar ainda mais espadas — ou, se preferir, também é possível recuperar vida sem gastar muito.



Remilore empresta elementos tradicionais do roguelike como estágios gerados aleatoriamente, gameplay baseado em runs, grande número de equipamentos e um sistema de progressão estilo RPG, no entanto um dos fatores mais reconhecíveis do gênero não aparece por aqui: permadeath. A história do jogo se divide em quatro "mundos" com quatro estágios em cada um, sendo que o quarto é sempre o chefão da área. Se você perder toda sua vida e morrer, em vez de começar tudo de novo como em muitos roguelikes, você só precisa reiniciar o estágio. O foco de Remilore aparenta ser mais no combate e na criação frenéticas de combos do que na sobrevivência: cada "sala" possui uma quantidade X de inimigos, e, ao se derrotar todos, uma nota é atribuída a sua performance — o que depende de fatores como o tempo que você levou, o dano tomado e a quantidade de combos realizados. O combate acaba sendo simplesmente divertido e, pelo menos durante o primeiro "zeramento", não muito complicado. O segredo é usar o dash na hora certa para escapar dos inimigos, abusar da habilidade especial e bater nos robôs sem parar.

A história de Remilore é simples e contada quase que exclusivamente por diálogos, mas os personagens carismáticos e a ótima dublagem em japonês contribuem muito com a construção do universo do jogo. Inclusive, o ideal é focar no modo história primeiro — um modo single player e um co-op sem história também estão disponíveis —, que tem um nível de dificuldade bem tranquilo, e destravar logo o segundo personagem jogável, outros tipos de arma e vários outros modos com condições especiais e diferentes níveis de dificuldade (inclusive o permadeath). A impressão é de que o jogo de verdade só pode ser acessado depois de você concluir a história pelo menos uma vez, e esse método funciona bem. 



Infelizmente, o promissor modo co-op não é tão fluido quanto o single player e sofre de constantes quedas de frame rate — aquelas engasgadas desagradáveis que ocorrem principalmente quando tem muita coisa acontecendo na tela —, porque criar combos com um amigo parece uma ótima ideia, afinal, a porradaria é o ponto forte do título. O gameplay em si nunca decepciona, o maior problema de Remilore é quanto à sua apresentação. Toda parte artística do jogo possui um ar um tanto genérico, inclusive os gráficos, mas principalmente os menus e a interface. Julgando o livro pela capa por um segundo, às vezes Remilore parece um jogo qualquer de celular ou do Playstation original. A impressão final é de que realmente falta certa polidez no acabamento do título. Tratamento contrário ao das atuações da dublagem, por exemplo. Remi e Lore conversam sem parar (algo típico de jogos com uma pegada japonesa) e os diálogos, mesmo que meio repetitivos, ajudam bastante a criar o charme e a identidade única do jogo.

No entanto, as falas ainda são, de fato, repetitivas e, para alguns, isso pode se tornar tão chato quanto o barulhinho presente toda vez que um doce é coletado (literalmente toda hora) ou as músicas totalmente não memoráveis que compõem a trilha sonora. Basicamente, Remilore é melhor aproveitado sem grandes expectativas. Com certeza muito aqui poderia ser melhorado, mas acredito que vale a pena dar uma chance para o gameplay divertido e competente que se esconde atrás desse exterior que não chama assim tanta atenção.

Prós

  • Divertido e desafiador; 
  • Gameplay competente;
  • Modo co-op.

Contras

  • Visual genérico;
  • Parte sonora pode ser meio irritante;
  • Quedas de FPS no modo co-op.
Remilore - Switch/PC/PS4/XBO - Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Rutes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nicalis 

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google
Disqus
Facebook