Conheça Junichi Masuda, um dos fundadores da desenvolvedora Game Freak

Da sua infância no sul do Japão até as origens da Game Freak, saiba mais sobre um dos principais nomes por trás da franquia Pokémon.

Pokémon Sword/Shield (Switch) tem gerado muita polêmica e dividido opiniões com a decisão de limitar a quantidade dos pokémon presentes no jogo. Enquanto alguns não se incomodaram muito, outros se mostraram profundamente frustrados com a decisão do estúdio Game Freak. Até mesmo um dos principais desenvolvedores e diretores da empresa, Junichi Masuda, comentou a respeito da decisão.


Pokémon Sword/Shield, jogo mais recente de Masuda, tem dado o que falar
Opiniões à parte, é inegável todas as contribuições feitas por Junichi Masuda durante a história da franquia que, assim como qualquer outra, é marcada tanto por momentos de grandes erros quanto por momentos de grandes acertos. É pensando nisso que o Nintendo Blast preparou uma matéria falando um pouco mais sobre Junichi Masuda, a cara da Game Freak e também um dos principais rostos por trás de toda a saga Pokémon.

Origens: nascimento, infância e estudos


Junichi Masuda nasceu dia 12 de janeiro de 1968, em Yokohama. Essa cidade se situa na província de Kanagawa que, por sua vez, faz parte da região metropolitana de Tóquio (junto com Chiba, Saitama e, obviamente, Tóquio). Yokohama é uma das maiores cidades do país. Os seus pais eram de uma cidade em Fukuoka, na ilha de Kyushu, e, portanto, ele costumava ir até lá nas férias de verão, onde acabava por rever os parentes e se divertir pescando peixes ou caçando caranguejos, camarões e outros animais. 
Kanagawa (esquerda) e Fukuoka (direita)
Sua infância caçando pequenos animais ao ar livre pode ter influenciado a franquia Pokémon e moldado sua relação com ela, e um dos maiores exemplos disso é o fato de que ele criou o continente de Hoenn com base na ilha de Kyushu, como uma tentativa de reviver as lembranças do verão da sua infância.

Durante o ensino médio ele tocava trombone em uma banda, mas só foi ter algum interesse em música clássica ao conhecer o trabalho de Ígor Stravinski e Dmitri Shostakovich, em especial “The Rite of Spring” e “The Firebird” de Stravinsky e as sinfonias nº 5 e 7 de Shostakovich. O seu interesse musical é bem diverso e ele já afirmou ter grande admiração por algumas bandas, como Linkin Park, Slipknot e The Prodigy.

Japan Electronics College
Aos 18 anos (isso é, em 1986), Junichi Masuda frequentou a Japan Electronics College, em Shinjuku, onde se graduou em Computação Gráfica. Segundo o desenvolvedor:

“Na época, a CG não era tão avançada quanto hoje em dia. Era uma ferramenta que um doutor de matemática usava em suas pesquisas e não uma ferramenta para se expressar através de desenhos, e era uma ferramenta bem primitiva. Técnicas como scan-line, ray-tracing, radiosity e bump mapping estavam disponíveis, mas no caso de ray-tracing, por exemplo, era necessário mais de um dia para fazer uma imagem.”

Dois anos mais tarde, Masuda procurou um emprego em alguma companhia de Computação Gráfica, sem sucesso. No fim das contas foi aceito em uma companhia de software onde trabalhava com C e Assembly, duas distintas linguagens de programação.

Junichi Masuda e a Game Freak


Junichi Masuda trabalhava na empresa de software durante a semana enquanto os finais de semana eram reservados para trabalhar em Quinty (NES) — conhecido no ocidente como Mendel Palace — onde ele trabalhou como principal compositor. Nessa época, a Game Freak não era sequer uma empresa, mas sim um grupo de amigos do qual Junichi Masuda fazia parte. Foi apenas um ano depois, em 1989, que os amigos concluíram o desenvolvimento de Quinty e Satoshi Tajiri fundou a Game Freak, lançando o jogo através da empresa. Nesse mesmo período, Junichi Masuda decidiu se demitir da companhia de software e trabalhar integralmente na desenvolvedora. 
Quinty, mais conhecido no ocidente como Mendel Palace, foi o primeiro jogo da Game Freak
No começo, a função de Junichi Masuda era principalmente como compositor e ocasionalmente programador das obras. Em 1999 ele já atuava como diretor assistente e designer em Pokémon Gold e Silver (GBC), mas foi apenas três anos mais tarde que ele assumiu efetivamente a posição de diretor em um jogo da empresa, com Pokémon Ruby e Sapphire (GBA).

Como já foi dito no começo desta matéria, ele aproveitou esse momento para reviver as lembranças das suas férias de verão ao recriar a ilha Kyushu no jogo, dando origem ao continente Hoenn. Mais do que isso, Masuda também acabou incluindo uma personagem no jogo com o mesmo nome da sua filha, Kiri, e terminou escrevendo boa parte do diálogo da personagem. Kiri nasceu no mesmo ano do lançamento de Pokémon Ruby & Sapphire e hoje, assim como os jogos, já possui 16 anos de idade.

Desde sua fundação, a empresa tem trabalhado incansavelmente em uma série de jogos, e engana-se quem pensa que todos eles eram sobre Pokémon. Embora seja verdade que a maior parte dos trabalhos da desenvolvedora tenha relação com os monstrinhos de bolso, a Game Freak também já atuou em outros jogos, como Giga Wrecker Alt (Multi) e HarmoKnight (3DS).
Giga Wrecker Alt (esquerda) e HarmoKnight (direita)
Atualmente, uma grande conquista da empresa foi o lançamento de Pocket Card Jockey (3DS). O jogo, conhecido como SolitiBá no Japão, é uma mistura diferente entre o tradicional jogo de cartas paciência e corrida de cavalos. Pocket Card Jockey foi o primeiro jogo a ser lançado e publicado exclusivamente pela empresa no país, enquanto no resto do mundo a publicação ficou por conta da Nintendo. Esse foi, é claro, um grande primeiro passo para que a Game Freak desenvolvesse e lançasse seus jogos de maneira independente no futuro.
Pocket Card Jockey é uma estranha combinação de paciência e corrida de cavalos
Independentemente do consenso sobre o atual estado de Pokémon Sword/Shield, é inegável o mérito de Masuda e seus colegas em construírem uma carreira a partir do nada, chegando ao ponto extremamente ousado de largar um emprego seguro e seguir sua paixão no mundo dos jogos. 

Paixão, principalmente paixão pela arte de criar, é algo recorrente nos trabalhos de Junichi Masuda e nos trabalhos da Game Freak. Mesmo com todos os erros e acertos naturais de qualquer empreendimento, nota-se o afeto do grupo por suas criações. Esperamos que este afeto seja o suficiente para guiar a desenvolvedora e nos trazer um novo título digno da saga Pokémon.


Apaixonado por JRPGs e pela arte de traduzir. SMT e Disgaea são algumas das suas franquias favoritas.

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