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Análise: Pawarumi (Switch) - pedra, papel, tesoura e shoot ‘em up

Desvie de um literal inferno de balas nesse shoot 'em up futurista.


Desde o lançamento do Nintendo Switch, vários shoot ‘em ups embelezam as prateleiras da eShop com diferentes estilos, mecânicas e abordagens. Em Pawarumi, sob uma ambientação “futurista-retrô”, o jogador assume a tarefa de salvar o mundo ao pilotar uma nave muito especial e, é claro, aniquilar vários inimigos com ela. Como em basicamente todos os outros jogos desse gênero, a tarefa aqui é extremamente difícil; mas a recompensa é grande.

Piu, piu, piu

Casando muito bem com um visual vibrante e uma trilha sonora intensa, Pawarumi é pura adrenalina e tensão, com limitações severas para jogadores casuais, como a miséria de uma vida por playthrough. Compartilhando muitas similaridades e inspirações com Ikaruga, esse bullet hell satisfaz o seu nicho com uma execução sólida de jogabilidade, que conta com uma grande adição.

Essa adição é algo muito simples, mas acaba impactando drasticamente todo o jogo e lembra muito a brincadeira “pedra, papel e tesoura”, ou, ainda melhor, o triângulo de efetividade dos iniciais de Pokémon. A comparação somente é justa porque Pawarumi escolhe as mesmas três cores para representar as diferentes armas: Azul, Vermelho e Verde. Mas, ainda comparando com Pokémon (porque pode ajudar a lembrar da ordem), aqui é ao contrário: Azul > Verde; Verde > Vermelho; Vermelho > Azul.

Sabendo que o jogador tem à disposição três armas (cada uma ativada por um botão diferente), basta olhar para o(s) inimigo(s) que está enfrentando e fazer a melhor escolha. Numa situação calma, em um jogo de turnos, como Pokémon, ninguém pode criticar a dificuldade desse sistema, porém, quando há um foco enorme em desviar e mirar num bullet hell, esse último degrau de dificuldade pode ser um pouco excessivo para alguns jogadores.

Mesmo no modo Fácil, esse sistema pode acabar sendo problemático para pessoas mais casuais como eu. O tutorial é completo e eficaz, mas, para além dele, a curva de aprendizado é extremamente irregular e intimidadora, o que é amplificado muito pela sua brevidade. No total são 5 fases e, descontando o fator replay, dá pra concluir a história em uma hora ou até menos.

Tirando essas críticas, o jogo merece muitos elogios pela maneira que integra o novo sistema na jogabilidade. Ao contrário do que pode parecer, apenas um dos bônus é relacionado ao dano, enquanto os outros dois envolvem a recarga de escudo e da sua habilidade especial (o famigerado super).

Último voo

Novamente, como outros jogos do seu gênero, Pawarumi é simplista, curto e não parece admitir as suas falhas. Não tendo planos para ampliar a longevidade do jogo (nem mesmo com DLCs, até onde eu sei) e considerando o preço, ainda mais para nós, brasileiros, essa é uma recomendação difícil, mesmo que o jogo em si seja relativamente bom. Esse gênero pretende satisfazer um tipo de jogador muito específico e, para ele, acredito que Pawarumi seja super efetivo.

Prós:

  • Sistema de pedra, papel e tesoura pode agradar muitos que buscam desafio;
  • Visual vibrante e lindo, com ótima definição no modo docked;
  • Trilha sonora intensa e que casa muito bem com a jogabilidade.

Contras:

  • Dificuldade excessiva;
  • Curva de aprendizado totalmente irregular;
  • Problemas com performance no modo portátil.
Pawarumi - Switch/PC - Nota: 8.0 
Versão utilizada para análise: Switch 
Análise produzida com cópia digital cedida pela Manufacture43 

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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