Entrevista

Conversamos com Romina Whitlock, diretora de marketing da Nintendo na América Latina

Em entrevista concedida com exclusividade ao Nintendo Blast, ela falou sobre o Switch no Brasil, preços e planos para o futuro.



Após cinco anos sem operações no Brasil, a Nintendo voltou ao território nacional com o lançamento oficial do Nintendo Switch no país. Para saber mais sobre a estreia do console no mercado brasileiro, o Nintendo Blast teve a oportunidade de conversar, com exclusividade, com Romina Whitlock, diretora de marketing da Nintendo para a América Latina.


Nesse encontro, ela explicou os trabalhos realizados pela empresa para trazer a plataforma para o Brasil e para incentivar mais conteúdo brasileiro na Loja Nintendo, comentou questões de preço e de localização de jogos e respondeu perguntas sobre o futuro da Big N no país. Confira abaixo a entrevista completa realizada por videoconferência no dia 6 de outubro.

Nintendo Blast: Primeiramente, sabendo que você está conversando com a imprensa brasileira, o quão bom é saber que não vai mais precisar responder “Quando o Nintendo Switch virá para o Brasil”?

Romina Whitlock: [Risos] Isso é engraçado! Muito bom! É muito bom! É muito empolgante. Honestamente, como vocês sabem, nós estávamos nos preparando para esse momento por um longo tempo porque vocês nos viram em 2018, 2019 [durante a Brasil Game Show] e aqui estamos nós, finalmente, em 2020. Realmente, houve muito trabalho acontecendo nos bastidores durante esses anos que ainda não era tão óbvio. Então, finalmente dizer “Viva! Conseguimos! É oficial!” é realmente muito, muito bom! É engraçado você ter perguntado porque eu sei que a primeira pergunta sempre foi “Quando vocês vêm para o Brasil?” e agora nós estamos aqui!
A chamada também teve a presença de Pilar Pueblita, gerente de relações públicas da Nintendo para a América Latina, e Igor Andrade, assessor de imprensa da empresa no Brasil


Nintendo Blast: Faz um pouco mais de duas semanas desde que o Nintendo Switch foi lançado no Brasil. Nessas duas semanas, a Nintendo tem alguma declaração sobre como foi esse lançamento? A empresa acha que foi um lançamento bem sucedido?

Romina Whitlock: Em termos de números, ainda não. Nós não coletamos informações sobre unidades vendidas pelos varejistas aos consumidores, se é isso que você está perguntando. Eu não tenho isso ainda. Mas o que eu posso lhe dizer é em termos de recepção. Nós temos dois canais nas redes sociais e nós também temos parceiros, como Lojas Americanas (B2W) e Magazine Luiza, nos quais o produto está vendendo. Então, nós recebemos feedback deles e, até então, o feedback tem sido muito, muito positivo. Eu fico muito feliz de anunciar isso.

A logística de cada varejista é muito diferente. Então, algumas áreas do país ainda não receberam [o Switch]. Nós ainda não temos o nosso produto em todos os lugares, mas, pelo menos nas principais cidades, como disse, faz duas semanas. E alguns varejistas foram capazes de fazer pré-vendas. Acho que a B2W foi capaz de fazer pré-vendas. Então, dependendo dos revendedores, eles foram capazes de fazer o que puderam, especialmente neste momento muito difícil da pandemia. Até o momento, nós tivemos uma ótima recepção.

Eu também falei sobre os canais nas redes sociais. Nós temos um perfil no Facebook e no Instagram. Então, o que nós podemos ler e sentir é o engajamento em termos de comentários. Quando nós fizemos o nosso post de “Ei, estamos chegando!”, houve um grande entusiasmo. O mesmo aconteceu quando fizemos o post de “Ei, estamos aqui!”. Então, tem sido muito, muito legal de se ver.



Nintendo Blast: Como você disse, o console está sendo vendido nas grandes cidades do Brasil. Ele está disponível nas lojas físicas e digitais das Lojas Americanas e Magazine Luiza, além do site do Submarino e do ShopTime, do mesmo grupo das LA (B2W). Há planos para expandir para outros varejistas no futuro?

Romina Whitlock: A abordagem [com o mercado brasileiro] tem sido muito direcionada e eu gostaria de explicar isso, pois há uma certa lógica. Antes de trazermos o console, nós tínhamos cartões de conteúdo por download à venda e nós já estávamos trabalhando em estreita colaboração com esses varejistas. Nós pensamos que a melhor forma de produzir um sistema de entretenimento completo não inclui só o hardware, mas os games [também] são necessários. É um hardware bom, mas você não pode fazer nada com ele sem os games.

Então nós achamos que fazia mais sentido começarmos com os parceiros com os quais já estávamos trabalhando e que tinham games disponíveis para que o consumidor pudesse comprar tanto o console quanto os jogos. Com esses parceiros, nós estaremos em todas as suas lojas. A logística desses varejistas faz com que leve um tempo para que os produtos cheguem em todos os lugares, mas nós estaremos em todas as Lojas Americanas e Magazine Luiza do país. E, como disse, há a opção digital também.



Mas esse é só o começo, na verdade. Apesar de termos tido muito trabalho, esse é só o começo. Precisamos ter certeza de estarmos fazendo [esse lançamento] ok. Há muitas coisas que nós estamos fazendo pela primeira vez: nós estamos importando nossos produtos pela primeira vez, nós estamos aprendendo todos os detalhes de documentação que vêm com isso. Após isso, poderemos crescer. Então a intenção da Nintendo é, sim, de expandir os canais. Nós só estamos sendo muito prudentes para ter certeza de que tudo funcione bem.

E, sendo honesta, a pandemia foi um pequeno contratempo. Como sabe, ela afetou a todos. Ela nos afetou, afetou muito os nossos dois países e também afetou o modo que os varejistas permitem que as empresas entrem e façam seus negócios, como merchandising. Eu acho que a combinação de tudo fez com que essa fosse a maneira mais segura de fazer esse lançamento da forma certa e ter certeza que iria funcionar.

Nintendo Blast: Você disse que a pandemia de Covid-19 afetou os planos de trazer o Nintendo Switch para o Brasil. No começo da nossa conversa, você também disse que isso era algo que a Nintendo estava planejando há muito tempo. Há quanto tempo exatamente a Nintendo vem planejando trazer o Switch para o Brasil? A participação da empresa nas duas últimas BGS serviu para analisar como estava o mercado brasileiro?

Romina Whitlock: Eu diria que nós, a equipe latinoamericana, sabemos e já sabíamos à época do lançamento o quão importante é o Brasil não só em termos de tamanho – porque tem muito potencial, é um país muito grande em termos de população –, mas também em termos do país no mercado de games. Há uma indústria de games muito grande no Brasil e, se você olhar mais à fundo, temos os “nintendistas” e a base de fãs que temos. Apesar de termos saído do país, há um amor pela marca. Nós percebemos isso baseando-nos na quantidade de brasileiros que seguiam os canais da Nintendo dos Estados Unidos e no engajamento quando estávamos, mesmo de maneira não oficial, na BGS.

Nós sabíamos que existia, obviamente, uma razão comercial para estar no país, mas também uma missão, pois nossa missão é espalhar sorrisos. Essa é, literalmente, a missão da Nintendo. Como você se esqueceria do Brasil e da América Latina? [risos] Você não pode!

Eu digo que nós sabíamos, no momento em que lançamos [o console], que deveríamos estar aí. Mas, como provavelmente sabe, há muita preparação que surge quando se traz um produto para o Brasil. É preciso assegurar que estejamos seguindo todas as regulamentações e políticas. Por exemplo, o mais básico é que nós precisávamos ter uma tomada específica para o Brasil. Isso já é um hardware especial, é diferente.



Então, tínhamos que ter esses hardwares especiais e havia muitas coisas que precisávamos aprender em termos de importação. Isso tudo estava acontecendo por volta dos dois últimos anos. Enquanto isso, pensávamos em como, pelo menos, trazer games para aqueles que já tinham um console. Foi então que decidimos abrir a Loja Nintendo. É, ao menos, um passo na direção certa porque os fãs podem comprar jogos com métodos de pagamento locais. É diferente da eShop internacional, em que você precisa de um cartão de crédito internacional, que não é fácil de se obter. Na Loja Nintendo, você pode usar boleto bancário e comprar um jogo.

O próximo passo foi tornar a compra de games mais acessível. Foi quando lançamos os cartões de conteúdo por download nos varejistas e pensamos “Ok, agora estamos nas lojas”. No mesmo ano, nós fizemos uma pequena visita à BGS, mas ainda não era oficial. Estávamos lá, mas sem estande. 
Espaço reservado da Nintendo na BGS 2018, onde a imprensa experimentou títulos de Switch como Super Smash Bros. Ultimate e Pokémon Let's Go Pikachu/Eevee


No ano seguinte, perguntamos “Como podemos engajar e conversar com nossos fãs em português? Precisamos de canais de redes sociais que estejam falando diretamente com o Brasil sobre coisas que estejam acontecendo no país”. Então, abrimos um Facebook e um Instagram. Naquele mesmo ano, finalmente fomos ao Brasil. Foi quando tivemos o grande estande na BGS, quando encontramos vocês. Estávamos mais oficiais, mas não sei se percebeu que, no estande, os consoles estavam debaixo de caixas pretas. A razão disso é porque não tínhamos certificação oficial. O Brasil nos autorizou a trazer consoles para o país para o show, mas não podíamos mostrá-los. Seria uma propaganda falsa. Mas conseguimos interagir com os fãs, que puderam experimentar um jogo que não havia sido lançado, que era Luigi’s Mansion 3.

Tudo isso aconteceu enquanto nossos escritórios corporativos preparavam questões como os hardwares especiais, como trazer o Switch para o Brasil, quais distribuidores usaríamos. É muito planejamento. É uma pergunta difícil de responder “Foram dois ou três anos” porque muitas coisas aconteceram. Eu diria que, enquanto nós tentávamos dar o máximo que podíamos nesse meio tempo, tudo isso estava acontecendo.
Estande da Nintendo na BGS 2019. O espaço era aberto aos visitantes e contou com estações de jogos de Nintendo Switch, incluindo Luigi's Mansion 3


E nós fomos afetados pela pandemia, como todos foram. É uma coisa infeliz que está acontecendo com todos nós. Afetou todas as empresas, todas as lojas. Então nos afetou também. Não consigo dizer quando o console viria sem a pandemia, pois não tínhamos uma data fixa. Assim como o restante da Nintendo, nós vamos quando estamos prontos, independentemente do dia [risos]! No entanto, provavelmente teria sido três ou quatro meses mais cedo. A data de lançamento de 18 de setembro realmente foi quando os produtos chegaram às lojas. Não foi uma data mágica que nós colocamos no calendário muito tempo atrás [risos].

Além disso, nós somos uma equipe pequena e fizemos muitas coisas enquanto o trabalho pesado estava sendo realizado para trazer os produtos para o Brasil.

Nintendo Blast: Quando a Nintendo encerrou suas operações temporariamente no Brasil em 2015, algumas das razões foram os altos impostos sobre importados e a situação econômica que o país estava enfrentando. Hoje, com a pandemia, alguns brasileiros diriam que essa situação econômica ficou mais desafiadora. Há algum fator econômico significativo que manteve a Nintendo segura desse lançamento no país?

Romina Whitlock: Você está certo, não foi um momento fácil em 2015 e esse momento atual também não é fácil para os nossos dois países e para o mundo todo. Todos estão passando por um momento difícil. Nós estávamos planejando o lançamento no Brasil e é claro que nunca contamos com uma pandemia e com o câmbio ter flutuado tanto. Essas coisas têm efeitos muito diretos no produto.

Isso não foi parte do plano, mas, assim como qualquer plano de negócios, é preciso ter flexibilidade e ajustes. Quando você faz negócios na América Latina, você precisa saber que há sempre ondas, não importa o país. Eu sou da Argentina e lá há uma queda a cada dez anos. Sempre que há uma eleição presidencial, nossos países também passam por essa onda.

Então eu acho que a maior diferença, falando sobre o fator econômico, foi que nós escolhemos um caminho diferente para entrar no país. Nós temos uma grande parceira, a Juegos de Video Latinoamérica (JVLat). Nós a usamos como uma distribuidora exclusiva no restante da América Latina e a usamos no passado no Brasil. Houve muita aprendizagem com eles nos bastidores quando tudo aconteceu. Nós aprendemos sobre o que nós precisamos e sobre aquilo que era preciso ajustar. Então encontramos parceiros que pudessem trabalhar com as nossas necessidades: a Ingram Micro Brasil, que é uma grande e flexível distribuidora, e a Rcell, uma distribuidora local, talvez mais dinâmica, mas ótima, pois atendia às nossas demandas. Entre as duas, fomos capazes de ter os nossos requisitos e as exigências para se fazer negócios no país atendidos.

Acho que essa foi a maior diferença, pois você está certo. Os países não estão nas suas melhores situações e os efeitos são muito voláteis agora. Definitivamente, estamos observando, mas o modelo de negócio foi feito para que pudéssemos ter um pouco mais de flexibilidade. Nossa intenção não é de voltar e ir embora. É de voltar e ficar. Então tivemos que fazer certas estruturas que fossem capazes de se ajustar às dinâmicas dos dois países, que nem sempre são as mesmas.

Nintendo Blast: Você mencionou sobre a flutuação do câmbio. Uma das coisas que repercutiu na internet foram os preços dos produtos Nintendo no Brasil. Houve também alguns reajustes de preço na Loja Nintendo para refletir esse fator monetário. Podemos esperar que os preços dos produtos Nintendo no Brasil irão se ajustar em paralelo à flutuação da moeda, tornando-se mais caros ou baratos?

Romina Whitlock: Sim. Nós realmente não ditamos [os preços]. Nós temos que levar em consideração o valor da moeda no momento em que entramos em um país por importação. E, no final das contas, nós não estabelecemos o preço. Os varejistas precisam ditar o preço que é certo para eles. Para responder a sua pergunta, sim, isso sempre vai ser um fator no valor final que você vê na loja. R$ 2.999,00 foi o preço que estabelecemos e, esperançosamente, foi o valor que parecia certo.


Nintendo Blast: Há alguns jogos na Loja Nintendo que se mantêm a R$ 250,79 e ainda não foram reajustados. Podemos esperar que todos os jogos publicados pela Nintendo irão eventualmente ser reajustados para R$ 299,00?

Romina Whitlock: Sendo honesta, não sei se iremos fazer um ajuste de todos os jogos passados. Mas posso dizer que daqui em diante todos os jogos serão ajustados, para refletir o câmbio, para R$ 299,00. Não me lembro o quão frequente é, mas há uma verificação financeira que nós fazemos e é daí que esses ajustes vêm.

Nintendo Blast: Ainda sobre a Loja Nintendo, há algum jogo da Nintendo que vocês sentem que ressoa mais com o público brasileiro? Há planos para fazer mais parcerias com desenvolvedores brasileiros para publicar seus jogos na Loja?

Romina Whitlock: Sim! A Loja Nintendo tem cerca de 45 títulos first-party, mais de 80 jogos third-party e está crescendo. Quando a lançamos, haviam 13 jogos. Então, continuamos adicionando conteúdo. Todos os jogos first-party são lançados na Loja Nintendo e os third-party demoram um pouco mais, pois, no aspecto corporativo, temos que acertar royalties e todas essas coisas. Claro, queremos todos os grandes third-party lá também.

Nós temos alguns ótimos jogos de estúdios brasileiros, como Horizon Chase Turbo, que foi muito popular. Mas é uma boa pergunta se planejamos ter mais jogos e desenvolvedores do Brasil. A resposta é sim. Em abril, nós também homologamos kits de desenvolvimento e, em junho, nós patrocinamos o BIG Digital, o festival de jogos independentes do Brasil. Foi quando anunciamos que nós estamos ativa e produtivamente procurando por estúdios e desenvolvedores brasileiros para trabalhar conosco. Nós temos uma longa lista de pedidos desde junho, então eu sei que está acontecendo.
Horizon Chase Turbo, da desenvolvedora Aquiris Game Studio, de Porto Alegre, é um dos jogos brasileiros na Loja Nintendo


Para mim, é muito empolgante, pois agora você tem todos os grandes jogos first-party, todos os grandes third-party e também os indies, que vêm com diferentes gêneros e localização, que é uma ótima adição para algo que não estamos oferecendo ainda. Eu sinto que isso só adiciona ao “sabor” que você tem na Loja Nintendo. Estamos muito conscientes do que está disponível e queremos muito assegurar que a empresa esteja se esforçando para aproveitar os talentos brasileiros e para que possamos adicionar jogos de estúdios do Brasil.

Nintendo Blast: Você mencionou um pouco sobre jogos localizados. E perguntar sobre localização em português se tornou o novo “Quando a Nintendo voltará ao Brasil?”.

Romina Whitlock: [Risos] Sim, está certo! Eu já fiz algumas dessas entrevistas até agora e está certo. Mas é uma pergunta justa, é completamente justo perguntar sobre isso. É a pergunta certa. Nós não temos jogos first-party localizados em português no Brasil e fico muito triste em dizer isso. Também não tenho nada no futuro próximo que possa dizer que será localizado.

Como uma empresa, a equipe de localização é uma equipe interna e integrada que lida não só com jogos de console, mas também com jogos mobile. Então a empresa tem focado um pouco mais em localizar jogos mobile. Nossos lançamentos mobile saem em português brasileiro.
Super Mario Run, Mario Kart Tour e Fire Emblem Heroes são alguns jogos mobile da Nintendo em português


Voltando aos nossos canais de mídias sociais, essa é a questão principal. Como política da empresa, nós não respondemos mensagens dos fãs nas redes sociais, mas nós lemos os comentários. Estamos muito conscientes de que, independentemente do que postamos, uns 20% ou 30% dos comentários são de fãs pedindo por jogos localizados. Não é uma surpresa. Como um time, nós representamos vocês dentro da empresa. Estamos constantemente dizendo [à Nintendo]: “Ei, lembra? Eles estão pedindo por jogos localizados!”.

E nós continuamente reforçamos essa mensagem, pois de que outra forma você obtém a experiência completa? E como você começa com a nova geração, que talvez não seja fluente em outras línguas por ser jovem? Por exemplo, eu jogo muitos dos games com meus filhos. Pode-se fazer atividades familiares e compartilhar o jogo, mas eu concordo que a localização é uma grande parte disso.

Nintendo Blast: A performance das vendas do Switch no Brasil influenciariam a decisão de localizar jogos em português?

Romina Whitlock: Não sei se é completamente verdade. Eu tenho certeza que, em um certo ponto, sim. Mas isso é algo acima de mim. Eu não estou na sala das pessoas que fariam essa decisão.

A decisão de se localizar um jogo acontece cerca de dois anos antes de um jogo ser lançado. Então, na preparação de um jogo, há muitas coisas que precisam ser feitas porque precisamos dar suporte e realizar patches. Tecnicamente falando, as decisões são feitas muito antes de um jogo ser lançado. Isso não significa que ele não pode ser localizado depois, mas aí seria um projeto especial adicional. Normalmente, o plano inicial já abrange todos esses pontos.

Talvez no longo prazo [teremos localização em português]. Talvez daqui a dois ou três anos nós estejamos no planejamento oficial de lançamento de um jogo. Mas hoje seria um trabalho especial.

Nintendo Blast: Olhando um pouco para o futuro, a Nintendo está planejando lançar o Nintendo Switch Lite no Brasil em 2021, certo?

Romina Whitlock: Sim, nós queremos expandir o nosso portfólio e trazer o Nintendo Switch Lite. Nós ainda não temos uma data e isso tem a ver com tudo que está acontecendo por causa da Covid-19. Mas eu diria que o lançamento pode acontecer antes do segundo trimestre, ou no começo ou fim do segundo trimestre. Ainda não sabemos, mas com certeza, o plano é trazer o Nintendo Switch Lite.

Nintendo Blast: Nós sabemos que o Switch Lite e o Switch regular possuem muitas variações de cores, bundles e edições especiais. Há planos de lançar esses produtos oficialmente no Brasil?

Romina Whitlock: Nesse momento, ainda não. Nós tomamos uma decisão consciente de fazer uma abordagem bem direcionada tanto na distribuição quanto no catálogo. Temos a opção do Nintendo Switch com algumas cores de Joy-Con: vermelho neon, azul neon, cinza, verde neon e rosa neon. Também temos o Pro Controller.

Mas não vou lhe dizer que nunca teremos essas edições diferentes. É que agora estamos focados no que chamamos de produtos de catálogo principais para, então, olharmos para o futuro. Ainda não sei. Além disso, essas edições são bem limitadas. Então, talvez [venderíamos] uma edição que fosse lançada futuramente. Mas não nos vejo trazendo uma versão passada porque normalmente elas já se esgotaram.

Nintendo Blast: Para finalizar, se você tivesse que escolher um personagem da Nintendo que melhor representasse o espírito brasileiro, qual personagem seria?

Romina Whitlock: Uau, o espírito brasileiro! Eu não sei se consigo escolher só um! Acho que eu escolheria alguns por motivos diferentes. E você também tem um personagem, mas em jogos diferentes! [risos]

Acho que vou ter que fazer minha lição de casa, caso eu mude de ideia, mas vou lhe responder espontaneamente. Vou começar com meu personagem favorito, que é o Luigi. A personalidade brasileira, comparada com a americana, é mais aberta e forte. Por exemplo, a música, o Carnaval, as cores. E eu sempre achei, quando eu era jovem, que o Luigi tinha mais personalidade que o Mario. Ele pulava mais alto, era maior e, na minha casa, eu sempre fui a mais alta. Então eu jogava com ele.

Mas eu também tenho idade suficiente para ter jogado Donkey Kong! [risos] E o Donkey Kong é super engenhoso, se você pensar nas atividades dele. É engraçado, pois eu sinto que o povo latino também consegue encontrar seus recursos. E, de todo o povo latino, eu sinto que o Brasil é o mais engenhoso porque vocês têm muitas influências! Vocês têm influências europeias, africanas. Essa mistura, eu acho que é a mais rica em cultura de toda a América Latina.

Nintendo Blast: Muito obrigado por ter conversado conosco!

Romina Whitlock: Muito obrigada! Continuaremos conversando à medida que novidades forem divulgadas!

O que você achou sobre o lançamento do Switch no Brasil e sobre os planos da Nintendo para o país? Deixe sua opinião nos comentários!

Revisão: José Carlos Alves

Jornalista, analista de mídias e entusiasta de games desde que jogou Pokémon Azul no Game Boy Color nos anos 90. De lá para cá, tenta aproveitar ao máximo todos os consoles no pouco tempo que a vida adulta permite. Se não está escrevendo para o Blast ou demorando anos para zerar um jogo, está no Facebook e no Instagram (@daniel.skm)


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