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Análise: Greak: Memories of Azur (Switch) — a inesquecível aventura de plataforma dos Courines

Controle três irmãos em calabouços desafiadores para garantir a sobrevivência dos moradores de uma região encantada.

Com animações de tirar o fôlego feitas a mão, Greak: Memories of Azur é um jogo de plataforma extremamente fascinante. Apesar de não ser exatamente uma obra extensiva ou com conceitos complexos, ela consegue encantar com sua história carismática e desafios engenhosos, que costumeiramente envolvem alternâncias de comando entre três irmãos com habilidades de exploração distintas. Diante de todo esse charme, o título que narra a história das terras de Azur é inolvidável, especialmente para fãs do gênero sidescrolling

A luta por Azur

A aventura de Greak: Memories of Azur é protagonizada por indivíduos da raça mágica dos Courines, que apresentam bravos guerreiros com diversas habilidades marciais. Entre eles, temos o espadachim Greak, o mais novo de três irmãos de uma família que habita Azur. Desde o início da jogatina, a região está sendo bombardeada pela tribo dos Urlags, com ataques territoriais marcados por investidas brutais que estão devastando a civilização.

Ao acordar inconsciente em um dos últimos vilarejos que restou na região, Greak descobre que foi resgatado sozinho em uma floresta após ataques inimigos. Sem ter qualquer notícia de seus irmãos mais velhos, Adara e Raydel, o protagonista inicia uma jornada para reencontrar sua família, pensando em reuni-los para que possam ajudar seus conterrâneos. 

O plano de sobrevivência dos Courines passa pela construção de um imenso dirigível, o qual poderá transportá-los a uma localidade segura. Assim, no início, devemos controlar o protagonista em cenários laterais até resgatarmos os elementos necessários para arquitetar a nave. Apesar de ser um começo bastante simples, Memories of Azur torna-se altamente engenhoso na medida em que reencontramos nossos irmãos, os quais, assim como Greak, apresentam habilidades singulares que irão ditar o ritmo da jornada.

Conhecendo Greak, Adara e Raydel

Segurando a Espada Laurean em suas mãos, Greak é um clássico espadachim, capaz de performar golpes laterais com maestria. Conforme avançamos, ele aprende outras habilidades, como um ataque vertical extremamente poderoso. Além da espada, o jovem guerreiro também utiliza uma besta e é o mais ágil entre os personagens, mostrando-se capaz de entrar em pequenos buracos que seus irmãos não conseguem.

O primeiro familiar que reencontramos é Adara, uma jovem feiticeira que está presa em uma das dungeons iniciais. Apesar de não usar nenhum armamento, ela é extremamente forte nos combates, pois consegue atacar com seus feitiços, que são pequenos raios de energia que saem de suas mãos. Além do mais, a garota conta com habilidades de exploração adicionais, como a capacidade de flutuar por alguns segundos e de nadar por longos períodos.

O último a aparecer na jornada é Raydel, o irmão mais velho. Assim como Greak, ele também utiliza uma espada nos combates, mas destaca-se por saber operar um gancho (hookshot), aumentando suas capacidades de exploração. Apesar de ser o mais forte, o grandalhão infelizmente não sabe nadar, o que dificulta severamente sua movimentação em determinadas dungeons.

Eis que as qualidades individuais dos irmãos formulam o grande charme de Greak: Memories of Azur, que é a possibilidade de alternar entre os três personagens. Como veremos, é exatamente a partir desse mecanismo que a aventura irá oferecer muitos de seus desafios aos jogadores.

Uma jogabilidade triplamente agradável por ambientes exuberantes

A partir do momento em que reencontramos Adara e Raydel, é bem fácil escolher qual personagem queremos controlar: basta pressionar os botões correspondentes do direcional. Porém, saiba que os comandos ocorrem, majoritariamente, de maneira intercalada; ou seja, podemos movimentar integralmente apenas um personagem por vez, o que significa que, enquanto controlamos um, os outros dois ficam parados na tela. 

Como essa alternância pode ser feita a qualquer momento, muitos dos puzzles da aventura envolvem a mecânica de trocas. Por exemplo: devemos usar as habilidades de levitação de Adara ou o hookshot de Raydel para chegar a lugares que os outros não conseguem alcançar; da mesma forma, comumente temos de optar por Greak para entrar em pequenos buracos espalhados pelos cenários.

Apesar de não ser nenhuma novidade no mundo dos jogos, estando presente em franquias como Trine, esse sistema de alternância é extremamente divertido e rende desafios criativos. Muitos deles são complicados, na medida em que precisamos encontrar caminhos para que os três personagens estejam em um mesmo local. Desse modo, temos que abrir portas, controlar o nível de água no cenário e encontrar alavancas para driblar potenciais falhas individuais.

Sem muito mistério, a aventura desenrola-se com pequenos desafios de exploração para que possamos resgatar determinados materiais para a construção do dirigível. Isso também implica em batalhar contra criaturas sombrias, que podem estar guardando itens necessários para a jornada. Assim, temos batalhas divertidas e eventualmente complexas, pois devemos garantir a sobrevivência dos três irmãos em meio ao caos dos embates, que são ainda mais duros quando se trata dos chefes de dungeons.

Os desafios ficam mais interessantes por serem agraciados por uma jogabilidade responsiva, ágil e dinâmica. Confesso que, no meu primeiro contato com Greak: Memories of Azur, fiquei receoso quanto à fluidez do título, imaginando que seus lindos cenários, com muitos detalhes delicados e feitos a mão, pudessem sofrer na telinha do Switch. Todavia, estava completamente enganado: quando se trata do desempenho, tudo corre muito bem e a movimentação é prazerosa, nos permitindo apreciar a estética belíssima do título, que se mostra uma verdadeira obra de arte.

Problemas familiares

Apesar de toda sua vivacidade, cabe dizer que há alguns problemas que podem atormentar a jornada de Greak: Memories of Azur. Um deles envolve o fato de que determinados cenários e dungeons não contam com minimapas, que poderiam estar disponibilizados no canto da tela para facilitar o gameplay. Até há uma janela no menu que exibe o cenário do jogo com uma arte exuberante — porém, ela é pouco prática e muito diferente dos tradicionais mapas interligados que costumam aparecer no layout de jogos no estilo metroidvania.

Enquanto isso, algumas escolhas de gameplay parecem questionáveis e podem incomodar, especialmente no começo da aventura. Os itens de cura, por exemplo, levam um tempo até ser consumidos, podendo causar mortes frustrantes enquanto esperamos nossa barra de vida se recuperar. Diante disso, levou um bom tempo e alguns game overs até eu me ajustar ao sistema, pois ele segue um conceito diferente aos jogos de plataforma aos quais estou acostumado.

Quanto ao mecanismo de controlar diferentes personagens, por mais divertido que ele seja, tem recursos que são um pouco problemáticos e estão, de certa forma, relacionados. Acontece que, nos momentos habituais, nós podemos fazer com que os outros irmãos se aproximem do personagem que estamos controlando, também permitindo que todos andem juntos ao mesmo tempo. Ambos os comandos, que fazem uso dos gatilhos do Joy-Con, se mostram com um alto potencial, pois a alternância muito constante entre guerreiros pode se tornar um pouco enjoativa.

Entretanto, esses recursos nem sempre funcionam muito bem. Por vezes, apesar de usarmos o comando designado, os personagens acabam não entrando juntos nos cenários, fazendo com que tenhamos que passar por cenas de loading repetidas até que todos estejam em um mesmo ambiente. Similarmente, tentar aproximar os irmãos também é ocasionalmente frustrante, pois a IA do jogo pode fazer com que eles executem movimentos equivocados, como pulos falsos, deixando-os suscetíveis a quedas em penhascos ou outros perigos. 

Portanto, esses são comandos que devem ser usados cautelosamente durante a jornada, sendo problemáticos quando usados sem cuidado. Tirando essas instabilidades, o gameplay de Memories of Azur costuma ser estupendo, fazendo com que o jogo seja vistoso ao oferecer uma quantidade considerável de conteúdo, incluindo alguns coletáveis e pequenos upgrades que podem ser úteis para os desafios finais.

Para guardar eternamente Azur na memória

Sem dúvidas, Greak: Memories of Azur é um jogo fantástico. Confesso ter passado praticamente toda a minha jornada com um sorriso de orelha a orelha conforme conhecia mais sobre o mundo dos Courines, apreciando os cenários com artes riquíssimas feitas a mão e quebrando a cabeça em puzzles engenhosos. Assim, é fácil de se encantar com a jogabilidade tripla envolvendo Greak, Adara e Raydel, que protagonizam uma aventura inesquecível na luta pela preservação da memória de Azur.

Prós

  • Jogabilidade dinâmica e inventiva;
  • História carismática;
  • Quebra-cabeças bastante engenhosos, envolvendo a troca entre personagens;
  • Batalhas intensas em que devemos preservar a vida dos três irmãos;
  • Estética fascinante.

Contras

  • A ausência de um minimapa em determinados cenários é problemática;
  • Tentar comandar os três personagens simultaneamente nem sempre funciona bem
Greak: Memories of Azur — Switch/PS5/XSX/PC — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Davi Sousa 
Análise produzida com cópia digital cedida pela Team17

Jornalista, redator no Nintendo Blast, doutorando em Comunicação Social e campeão em oito regiões do universo Pokémon.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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