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Análise: Kitaria Fables oferece uma aventura RPG simpática e casual no Switch

Com conceitos simples e um mundo adorável, o título é capaz de ser relaxante e envolvente ao mesmo tempo.

Estampando altos índices de amabilidade, Kitaria Fables (Switch) é um jogo de ação com características leves que permitem uma jogatina bastante divertida. A aventura dispõe de traços de RPG e mecânicas de agricultura que apresentam a história das terras de Kitaria, a qual está sendo atormentada por monstros calamitosos. Dessa forma, devemos controlar o gatuno Nyanza para proteger um mundo fantasioso adorável, capaz de encantar mesmo com alguns pequenos problemas.

Conhecendo Kitaria e a Vila Patinhas

Como ficamos sabendo logo na introdução da aventura, as terras encantadas de Kitaria costumavam ser pacíficas. Todavia, recentemente elas passaram a registrar ataques de monstros desgovernados e outras anormalidades, com ocorrências especialmente nas proximidades de uma pequena cidade chamada Vila Patinhas. Dessa forma, o Império que governa a região decidiu enviar alguns de seus soldados para investigar os eventos na localidade.

Entre eles, temos Nyanza, um guerreiro felino que, ao realizar algumas tarefas no vilarejo, descobre que seu avô morava em uma fazenda nas cercanias, sendo muito querido pelos moradores, inclusive, por um urso chamado Alby. Na trama, este personagem se torna bastante importante ao revelar que o protagonista herdou de seu antepassado a capacidade de manipular magias elementais, que podem ser muito úteis nos combates e para resolver missões.  

Com isso, a história de Kitaria Fables se desenrola em torno da misteriosa aparição de monstros sombrios, algo que pode estar relacionado a um evento antigo conhecido como Calamidade. Portando um arsenal amplo, composto por diferentes armas bélicas e diferentes magias, Nyanza inicia uma aventura que consiste majoritariamente em combates contra inúmeros inimigos e explorações em dungeons — sempre na presença de seu fiel escudeiro, Macaron, uma pequena e adorável bola rosa.

Soldado felino em missões de combate

Através de pequenas missões, que podem ser obtidas ao dialogar com os moradores da Vila Patinhas, os jogadores devem investigar o adorável mundo de Kitaria Fables. No entanto, apesar da aparência fofa, a aventura ganha emoção e intensidade com a alta presença de inimigos. Estes costumavam habitar apenas pontos isolados, como as dungeons, mas agora, estão se aproximando dos vilarejos e atormentando os residentes.

Tratando-se dos combates, saiba que eles ocorrem em tempo real, exigindo movimentos precisos que envolvem desviar de golpes alheios e a projetação de nossos ataques. Tudo funciona de maneira muito simples: enquanto os botões frontais realizam ações básicas, como o uso da espada, os gatilhos do Joy-Con nos permitem anexar as habilidades que conquistamos na jornada, como as magias elementais de Fogo, Água, Terra e Ar.  

Dessa forma, há algo de muito funcional no sistema de batalhas, que o torna intuitivo e divertido. Alguns recursos, como a possibilidade de travar nossos ataques em determinados monstros, funcionam de forma muito responsiva. Isso permite que os embates sejam prazerosos e engenhosos, dado que os inimigos são variados e nós podemos usufruir de diferentes habilidades e armamentos, como espada, arco e flecha.

Em um cenário geral, a jogatina também é composta pelos momentos de exploração das localidades próximas à Vila Patinhas. Apesar de o jogo não dispor de dungeons profundas ou zonas abrangentes, nossas investigações pelos diferentes cantos de Kitaria rendem períodos interessantes e descontraídos. Muitas vezes, por exemplo, temos que ajudar os moradores e resgatar itens escondidos. Assim, sem nunca perder suas características tranquilas, Kitaria Fables surpreendentemente se torna ainda mais bacana ao ser complementado por um outro grande semblante atraente: a simulação de agricultura. 

Plantando como um gato

Na Vila Patinhas, somos agraciados com a possibilidade de nos hospedarmos nas propriedades de nosso avô, que ficam bem próximas ao centro da cidade. Além da casa, a residência ostenta um terreno amplo, que pode ser utilizado para plantarmos nossas próprias sementes, em um mecanismo de simulação de agricultura que é introduzido gradualmente no título. 

Conforme avançamos em nossa saga, alguns NPCs da cidade nos passam missões que funcionam como instruções ao plantio. Com uva, cebola, trigo e batata, Kitaria Fables apresenta um repertório bacana de frutas e vegetais, que podem levar até seis dias para crescer e devem ser regados diariamente.

Sobre o sistema temporal do título, cabe ressaltar que os dias progridem naturalmente, em um processo que pode ser acompanhado com um relógio disposto no layout da tela. Entretanto, para facilitar o mecanismo, também podemos avançar no tempo ao levar nosso personagem para sua cama — o que faz com que um dia inteiro se passe e, consequentemente, as plantas cresçam.

No início, confesso que tive dúvidas quanto ao real propósito do sistema de agricultura, pois ele parecia desconexo ao resto da aventura. Todavia, com o tempo, percebi que há, sim, diversos motivos para sua existência. Um deles envolve o fato de alguns dos vegetais que podem ser plantados são necessários para  a conclusão de certas missões. Do mesmo modo, outro fator importante passa pela possibilidade de vender os legumes plantados. Com o dinheiro, fica mais fácil realizar upgrades nos itens do nosso inventário, como as próprias armas e os utilitários (regador, picareta, enxada e afins).

Com isso, os aspectos de simulação de agricultura são integrados de maneira divertida no título, sendo necessários para o progresso, mas sem significar uma dependência elevada e monótona. Arrisco dizer que isso complementa muito bem o conceito leve e relaxante de Kitaria Fables, adicionando novas camadas de agradabilidade para a simpática aventura. Aliás, estas características também podem ser notadas em sua estética altamente aconchegante.

As maravilhas e os defeitos de Kitaria

Em sintonia com a sua jogabilidade, a estética de Kitaria Fables é um deleite de se admirar. O mundo da aventura, manifestado a partir de uma visão isométrica, conta com traços cartunescos que dão vida à temática fantástica, com personagens elegantes e monstros criativos que parecem ter vindo diretamente de um conto de fadas.

Da mesma forma, também é possível sentir um aconchego na trilha sonora, que costuma seguir aspectos clássicos. Além de ser um charme, o uso de instrumentos de sopro, como a flauta, muitas vezes nos faz lembrar de franquias renomadas como Zelda (convenhamos, uma comparação sempre muito bem-vinda!). Assim, com a soundtrack e os visuais em harmonia, temos uma aventura de performance agradável. Porém, algumas ressalvas devem ser apontadas.

Ocasionalmente, é possível sentir uma pequena falta de fluidez no desempenho em modo handheld, recorrente em ambientes com muitos detalhes gráficos, como as cidades ou vegetações em dias de chuva. Em nenhum momento isso chega a ser prejudicial para a jogabilidade, mas é um fator perceptível e pode desagradar alguns jogadores.

Outra particularidade que pode ser infortúnia é o grande número de telas de carregamento que aparecem ao longo de toda a jornada. Além de isso ocorrer quando transitamos entre áreas diferentes, como cidades e florestas, elas podem acontecer também quando estamos em uma mesma zona. Isso é perceptível a partir de linhas azuis que aparecem pelo chão,demarcam os territórios e indicam que teremos alguns segundos de loading pela frente. Felizmente, eles não são demorados a ponto de quebrar o ritmo da jogatina de forma considerável.

Diante de tudo, entendo que tais falhas não são grandes o bastante para afetar a diversão do gameplay, que entrega momentos agradáveis e dispõe de premissas auspiciosas, incluindo um modo cooperativo para dois jogadores, o que eleva bastante o fator replay. Assim, mesmo sem oferecer desafios grandiosos, como batalhas complexas ou explorações delineadas por puzzles intrincados, temos uma boa quantidade de conteúdo para se viver em um mundo que nunca perde sua fofura e leveza.

Uma aventura RPG repleta de estilo

Com uma jogatina casual e descontraída, Kitaria Fables é uma adição muito agradável à biblioteca do Switch. Sua capacidade de projetar uma jogabilidade envolvente, composta por combates interessantes e mecânicas responsivas, soma-se a uma estética repleta de fofura. Como resultado, temos uma aventura simpática e cordial, características que, coincidentemente, estão muito presentes na personalidade dos adoráveis moradores da Vila Patinhas.

Prós

  • Conceitos simples e criativos dispostos em um mundo carismático;
  • Jogabilidade fácil e intuitiva, especialmente nos combates; 
  • As mecânicas de progressão RPG e agricultura são envolventes e relaxantes;
  • Uma quantidade interessante de conteúdo;
  • Dos visuais até a história, temos um jogo adorável ao extremo.

Contras

  • Pequenas falhas gráficas, como a falta de fluidez em determinadas áreas;
  • Número considerável de telas de loading.
Kitaria Fables — Switch/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Janderson Silva
Análise produzida com cópia digital cedida pela PQube

Jornalista, redator no Nintendo Blast, mestre em Ciências da Comunicação e campeão em oito regiões do universo Pokémon.


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