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Análise: Tetris Effect: Connected (Switch) transforma o puzzle clássico em uma experiência sensorial estonteante

Além de ser visualmente elaborado, essa versão de Tetris oferece boa diversidade de conteúdo.


Tetris Effect: Connected eleva o tradicional puzzle russo a novos patamares ao mesmo tempo que respeita o seu legado. Produzido por Tetsuya Mizuguchi (de Lumines e Rez), essa versão mantém intactos os conceitos originais e se destaca com sua ambientação excepcional: os sons, a música, os cenários e as peças reagem aos movimentos dos jogadores em partidas belíssimas e imersivas.

Lançado originalmente para PlayStation 4 em 2018, a versão Connected inclui modos multiplayer inéditos que, em conjunto com várias outras modalidades, resultam em um pacote notável. O jogo chega agora ao Switch em uma adaptação excelente.

Modernizando conceitos tradicionais

A essência do puzzle clássico está intocada em Tetris Effect. O objetivo continua sendo encaixar peças para eliminá-las ao criar linhas horizontais, sempre se preocupando em não deixar a pilha alcançar o topo da área de jogo. Estão presentes também as principais mecânicas modernas, como derrubar uma peça imediatamente ou guardá-la para depois. Mesmo depois de tantos anos, o puzzle mantém sua simplicidade elegante ao mesmo tempo que novas nuances introduzem camadas de complexidade.

Tetris Effect apresenta uma mecânica exclusiva chamada Zone. Por meio dela, podemos desacelerar a ação, o que permite fazer jogadas com maior precisão — é um recurso valioso para sair de situações complicadas nos momentos mais frenéticos. Além disso, as linhas acumuladas na zona temporal dão pontos bônus, sendo uma opção essencial na busca por melhores classificações.  


Fora isso, o título apresenta várias opções de customização. Podemos alterar o tamanho da fila que mostra as próximas peças, habilitar recursos para rotacionar tetraminos antes mesmo deles entrarem na área de jogo, mudar o visual dos elementos e mais.

Em uma incrível jornada sensorial

O real apelo de Tetris Effect: Connected está em sua ambientação audiovisual estilosa com elementos sincronizados. O cenário e o áudio reagem às ações executadas durante as partidas, como girar peças ou limpar linhas, criando uma sensação sem igual — parece que estamos contribuindo ativamente para o espetáculo visual. A vibração do controle acompanha a música e os movimentos, o que torna a experiência ainda mais imersiva e pulsante.

Esse conceito é explorado principalmente no modo Journey, que se autointitula uma “jornada emocional”. Nele, precisamos completar áreas compostas de estágios temáticos cujo objetivo é fazer um número determinado de linhas. Um detalhe notável é a evolução do jogo durante as partidas: o visual e a música do estágio ficam mais elaborados e empolgantes conforme avançamos. As peças também acompanham o ritmo, caindo mais rápido ou devagar de acordo com a batida da música.


Fiquei impressionado com a experiência proporcionada pelos estágios, principalmente por causa da grande variedade temática. Em uma fase, flutuamos acima do mar e golfinhos saltam quando completamos linhas. Em um cenário no deserto, os movimentos fazem sons de passos na areia, trazendo a sensação de que estamos explorando uma região árida. Já em um jardim, o vento sopra cortinas de um quarto ao eliminar peças, e aos poucos avançamos para o crepúsculo.

Cada estágio é um espetáculo sensorial proporcionado pela combinação de várias características. Os gráficos são vibrantes e repletos de elementos elaborados, como partículas e ângulos ousados de câmera, e a trilha sonora é variada, com faixas suaves, batidas eletrônicas, composições abstratas e até mesmo músicas com vocais. Recomendo inclusive usar um bom par de fones de ouvido para maximizar a sensação de imersão. O único porém está em alguns estágios cujo visual às vezes fica um pouco confuso, mas são casos isolados.


Destaco também a performance no Switch. O jogo roda a 60 quadros por segundo tanto no modo portátil quanto no modo dock sem comprometer os visuais vibrantes em nenhum momento. A versão do híbrido da Nintendo inclui um recurso exclusivo que habilita vibração adicional nos controles de acordo com a movimentação horizontal. Particularmente, achei reduzido o seu impacto, pois o tremor se confunde com o já presente naturalmente no jogo.

Testando diferentes interpretações de Tetris

Fora a atmosfera elaborada e surreal, Tetris Effect: Connected conta com vários modos que oferecem diferentes interpretações do puzzle. Na categoria “Effect”, estão reunidas modalidades para um jogador. Algumas das opções são bem clássicas, como o Marathon (faça 150 linhas o mais rápido possível) e Ultra (uma partida simples de três minutos). O conjunto “Relax” oferece partidas sem game over e circuitos por estágios de temas tranquilos, resultando em ótimas opções para desestressar.


Já as modalidades “Focus” e “Adventurous” têm desafios mais criativos, como fazer o maior número de combos em um curto intervalo de tempo, usar blocos longos para limpar a tela ou eliminar blocos infectados da área de jogo. Por fim, há o “Mystery”, que nos desafia em uma partida que introduz efeitos adversos constantemente: blocos gigantes, impossibilidade de ver as próximas peças, jogar com muito zoom e até mesmo com a tela de cabeça pra baixo.

Apreciei bastante a diversidade de modos, principalmente a coleção “Focus”, pois ela apresenta interpretações únicas das mecânicas de Tetris. Servindo de incentivo, existem inúmeros desbloqueáveis, como músicas para o menu e avatares, além de placares online. Há inclusive uma modalidade que acontece somente aos sábados, em que os jogadores se unem a fim de bater uma meta de pontos, recebendo recompensas exclusivas de acordo com sua contribuição.



Conectando-se a outros jogadores no multiplayer

Tetris Effect apresenta opções multiplayer na modalidade “Connected”, que podem ser aproveitadas tanto localmente quanto online. Nosso desempenho é transformado em um número de classificação, que é utilizado na hora de buscar oponentes, e assim como no Effect, há diversos avatares desbloqueáveis.

O modo mais único do multiplayer é o “Connected”, em que três jogadores se unem com o objetivo de enfrentar chefes poderosos controlados pelo computador. Nesses embates, sob certas condições, as áreas dos participantes se unem temporariamente e eles precisam cooperar entre si a fim de conseguir criar linhas para eliminar blocos.


Participei de várias partidas e achei bem divertida essa dinâmica cooperativa, principalmente o detalhe de que todos conseguem coordenar suas ações mesmo sem ferramentas de comunicação. Aos sábados é habilitado o “Connected VS”, que coloca um jogador humano no controle do chefe, o que deixa os confrontos mais desafiadores.

As demais modalidades são competitivas, oferecendo várias opções para batalhas entre dois jogadores. Há combates com o recurso Zone ativado, competição por pontuação e uma opção inspirada nas mecânicas do Tetris de NES (ou seja, nada de quedas instantâneas, trocas de peças e outros detalhes modernos). Aventurei-me em várias batalhas e encontrei principalmente oponentes no meu nível, mas às vezes acabei enfrentando alguns extremamente habilidosos — ou seja, o matchmaking é balanceado.


O título oferece cross-play entre todas as plataformas, o que facilita encontrar partidas. É possível encontrar estranhos, criar salas para convidar amigos e até mesmo assistir a confrontos de outros jogadores. Naturalmente, todas as modalidades estão disponíveis localmente, com direito a usar um único Joy-Con como controle. Essa quantidade de opções torna Tetris Effect bem completo no aspecto multiplayer.

Uma jornada excepcional

Tetris Effect: Connected usa aspectos audiovisuais elaborados para transformar o puzzle em uma experiência sensorial estonteante. As mecânicas simples e precisas de Tetris continuam intocadas, e o diferencial é a atmosfera intrincada e envolvente — a combinação de vibrações dos controles, trilha sonora que reage a nossas ações e visuais surreais resulta em partidas imersivas. Além de ser belíssimo, o jogo inclui grande variedade de modos criativos e um multiplayer robusto. No mais, Tetris Effect: Connected é impressionante e essencial para fãs de puzzles.

Prós

  • Interpretação precisa de Tetris com muitas opções de customização;
  • Ambientação ímpar com visuais e áudio belíssimos sincronizados com as ações durante as partidas;
  • Trilha sonora variada e bem-produzida;
  • Muitos modos criativos para um jogador;
  • Modalidades multiplayer robustas com opções locais e online.

Contras

  • Alguns poucos estágios são visualmente confusos.
Tetris Effect: Connected — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Enhance

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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