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Análise: Raiden III x Mikado Maniax (Switch) é o pacote esperado para um relançamento de shoot’em up clássico

O relançamento traz de volta um clássico shmup vertical de arcade sem grande cerimônia.

Originalmente lançado nos arcades em 2005, Raiden III é um dos shoot’em ups clássicos da Moss e chegou a receber ports para PS2 e PC. Agora uma nova edição chamada Raiden III x Mikado Maniax chega ao Switch e a outros sistemas modernos, dando à obra uma nova oportunidade de mostrar as suas qualidades.

Três armas

Raiden III é um shoot’em up vertical cujo funcionamento básico é o tradicional do gênero. O jogador controla uma nave e pode movimentá-la na vertical ou horizontal da tela. Inicialmente, o veículo de guerra está equipado com uma arma do tipo spread, ou seja, seus tiros são espalhados pela tela indo em direção à frente e as diagonais dianteiras da nave.

Ao longo das sete fases do jogo, é possível encontrar upgrades que incluem mudanças e melhorias da arma-base e de um equipamento automático de arremesso de projéteis. São ao todo apenas três armas principais: o spread vermelho e dois tipos de raio laser (azul e verde). Como esse item muda de cor dentro de intervalos específicos, o ideal é pensar em qual modelo de arma será mais adequado para o contexto de próximos inimigos.

O spread é ideal para se livrar de ondas de inimigos menores, ágeis e que aparecem de lados opostos da tela. Já o laser azul é uma linha vertical reta mais adequada para enfrentar inimigos mais poderosos que demandam foco. Por fim, o laser verde é uma espécie de arma guiada, cuja trajetória pode ser guiada pelo jogador. Coletando upgrades, é possível ampliar a área de alcance do spread e deixar os lasers mais robustos, mas, na prática, a sensação é de que as variações são relativamente poucas e atrelar a movimentação da nave e do laser verde é uma escolha pouco interessante.

Em termos de opções adicionais, há três tipos de mísseis, incluindo uma opção teleguiada, como arma automática e bombas. Outros power-ups encontrados nas fases incluem vidas adicionais e orbes de energia amarela que melhoram a pontuação do jogador ao final da fase.

Uma dança contra balas para dois ou duas mãos

Um detalhe que chama atenção em Raiden III x Mikado Maniax é o fato de que o jogo não se restringe ao tradicional esquema singleplayer do gênero, aqui chamado de modo Solo. Além dele e do Boss Rush (para enfrentar apenas os chefes de forma consecutiva), o relançamento inclui os modos Dual e Double, que são formas de usar duas naves simultaneamente.

O primeiro é focado estritamente no multiplayer co-op local e separa as vidas das naves. Já o Double permite que um jogador controle ambas as naves com um só controle e o game over acontece caso as duas sejam destruídas simultaneamente em vez de seguir o padrão de número limitado de vidas individuais dos outros modos. Coordenar as duas naves é um belo desafio.

Para todos os modos, há rankings locais e mundiais como incentivo para que os jogadores tentem alcançar a marca mais alta. Além disso, a configuração do jogo inclui a opção de dificuldade que vai da Prática, em que o inimigo nem atira, até a Muito Difícil, oferecendo uma experiência flexível para todo tipo de jogador.

Um detalhe interessante do jogo em relação à pontuação é que são aplicados multiplicadores diferentes dependendo da velocidade com a qual o jogador elimina os inimigos. É possível até mesmo duplicar o valor ao destruir as ameaças de forma praticamente instantânea por dominar toda a região visível da tela e/ou os seus padrões de aparição.

Um relançamento com muito carinho nas trilhas sonoras

Raiden III x Mikado Maniax tem esse nome por ser uma parceria com um arcade japonês chamado Mikado Game Center, cujo gerente e representante possui uma banda chamada Heavy Metal Raiden. A ideia do relançamento é adicionar remixes feitos por bandas e artistas japoneses como Raito, COSIO e Daisuke Matsumoto.

Em vez de ficarem apenas como um pequeno extra na galeria do jogo, que também conta com várias ilustrações, essas músicas podem ser utilizadas para montar a sua playlist durante o jogo. É possível colocar as trilhas que achar mais legais para cada fase, e mais músicas são liberadas obtendo altas pontuações, incentivando a rejogabilidade.

Outro elemento desbloqueável com as pontuações são papéis de parede para usar durante as partidas. Como se trata de um shmup vertical, as laterais da tela são cortadas, abrindo espaço para esse elemento gráfico. Outra opção é girar a tela em 90º ou 270º e adaptar o Switch para usar em uma posição “retrato” como um celular.

Um elemento potencialmente negativo é que os inimigos podem se mesclar com o fundo em alguns momentos, dificultando a visibilidade. Da mesma forma, balas destrutíveis usam a mesma cor de algumas balas indestrutíveis, o que pode ser ocasionalmente confuso.

O retorno de um clássico em um pacote modesto que cumpre as expectativas

Raiden III x Mikado Maniax traz de volta um jogo clássico da Moss com direito a várias músicas novas. Vale a pena como belo exemplar do seu gênero, e, mesmo com a sensação de que algo mais interessante poderia ter sido feito em vez de relançamentos individuais desse jogo e de Raiden IV, é um título que cumpre o que pretende fazer e é bem divertido.

Prós

  • A experiência de controlar duas naves simultaneamente no modo double é especialmente interessante;
  • Customização da trilha sonora com músicas desbloqueáveis ao fazer altas pontuações;
  • Modificador de pontuação valoriza a agilidade do jogador em lidar com os inimigos;
  • Boa variedade de níveis de dificuldade para públicos diferentes.

Contras

  • Como um relançamento, trata-se de um pacote relativamente modesto;
  • Alguns elementos gráficos, como o contraste de inimigos com o fundo ou a variação de cor;
  • Poucas variações de armas.
Raiden III x Mikado Maniax — Switch/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela NIS America


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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