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Disgaea 7: Vows of the Virtueless (Switch) promete corrigir os principais erros de seu antecessor

Com balanceamento mais agradável que o do título anterior, a sétima entrada da franquia aparenta conversar melhor com as propostas clássicas da série.

Disgaea 7: Vows of the Virtueless será lançado no dia 3 de outubro, mas, no último dia 13, recebemos na eShop do Switch uma demo do jogo que disponibiliza uma pequena amostra do que podemos esperar do sétimo título da franquia que é o carro-chefe da NIS. Adianto que evitei todos os spoilers possíveis da versão japonesa, que está disponível desde janeiro, então todas as minhas primeiras impressões foram genuínas descobertas.


A equipe (des)equilibrada de um demônio sem virtudes

Na demo, podemos acompanhar os dois primeiros capítulos da saga de Fuji e Pirilika; aquele, um guerreiro que não faz questão de seguir nenhum código de honra para alcançar seus objetivos, e esta, uma weeaboo com muito dinheiro sobrando que busca restaurar a honra e as tradições de uma terra dominada por um tirano que mudou todas as regras do jogo: o Netherworld de Hinomoto. 




Com apenas dois capítulos, conhecemos bem pouco sobre cada um dos personagens apresentados, sendo Fuji e Pirilika os que mais se destacam por estarem disponíveis desde praticamente a primeira batalha. Além deles, também passamos brevemente pela apresentação de Ceefore, uma otaku de armas que promete auxiliar a dupla em sua empreitada em troca de conhecimento acerca das Armas Secretas que encontrarão pelo caminho; Ao, a autoproclamada filha (!!) de Fuji, razão pela qual o demônio precisa pagar uma dívida de quase 100 milhões de Hell; e Yeyasu, um idiota que é xogum apenas em título, mas que, em verdade, não precisa de mais nada além de belas mulheres para ser feliz.

Apesar da brevidade da demonstração, é possível perceber que temos uma história que promete ser mais interessante quando comparada à de Disgaea 6: Defiance of Destiny, por possuir um pouco mais de originalidade em sua escrita. Já nessas primeiras linhas de leitura, o humor pastelão e as aleatoriedades pelas quais a série já é conhecida estão presentes, o que é sempre um ponto positivo. 




Pessoalmente, tenho grandes expectativas para essa história, pela similaridade dos personagens com os protagonistas de Disgaea 1. No primeiro título da série, temos o demônio Laharl, que jura que não há um pingo de amor ou qualquer sentimento positivo em seu coração, enquanto a anjinha Flonne, o ser mais puro do universo, se alia a ele e a Etna para provar para todos em Celestia que demônios também são capazes de amar.

Agora no sétimo jogo, Pirilika assume uma postura muito similar à de Flonne, de uma garota com muita energia, positividade e gentileza para oferecer a Fuji, que, segundo ele mesmo, possui alergia à empatia — e parece ser sério, pois ele chega a vomitar sangue ao menor sinal de sentimentos de positividade, tal qual Laharl passava mal. 




Qualidade de vida e muitas opções

Um ponto muito criticado foi a facilidade de Disgaea 6, que, graças ao sistema de auto battle, parecia um idle game mobile. Tal sistema podia ser acessado já na demo, o que permitia ao jogador que tivesse paciência e tempo já iniciar o jogo com personagens com níveis de quatro dígitos.

No entanto, a demo de Disgaea 7 não disponibiliza nem metade das facilidades presentes no mapa: apenas podemos acessar a General Store, a Skill Shop, a Quest Shop, a Data Shop, o Recruiter, o Netherworld Hospital e a Dark Assembly. São lojas que nos permitem comprar equipamentos, melhorar habilidades ativas e aprender técnicas passivas, aceitar missões, verificar o andamento do progresso do jogo, recrutar novos aliados, curar unidades após combates e tentar a sorte para conseguir efeitos interessantes no jogo, que vão de alterar o personagem controlado na base a triplicar a experiência adquirida após derrotar um inimigo. 




Com apenas esses sistemas, um jogador mais experiente será capaz de encontrar um ou outro método para alcançar os quatro dígitos. Spoiler para quem possa interessar: testei um dos tipos de grinding da demo de Disgaea 5 e ainda é possível subir de nível abusando de skills de buff, o que pode render classes genéricas e uma Pirilika bem fortes para começar o jogo de verdade com um pouco mais de tranquilidade, em combinação com métodos de adquirir mana por meio da troca de Evilities na Skill Shop e o sistema de recompensas do Hospital.

Outros sistemas legais e que estão presentes nesse hub, porém ainda não acessíveis na demo, são os que permitem explorar o Item World, enviar esquadrões para lá e coletar itens e recompensas de maneira passiva enquanto se faz outros mapas. Também está de volta a muito bem-vinda Juice Shop, que permite auxiliar no crescimento dos personagens sem necessidade de tanto grinding, pois beber os sucos permite escolher entre subir atributos e nível do personagem, por exemplo.




Falando no Hospital, não foi apenas a ambientação que ficou mais japonesa: temos agora um sistema de gacha, adorado por nossos colegas nipônicos, como uma nova maneira de conseguir itens melhores por meio do Hospital. Em títulos anteriores, bastava se curar ou recuperar SP por meio da instalação para, ao atingir certas quantias, conseguir alguns itens interessantes, como os raros da categoria Símbolo.

Agora, curar os bonecos rende RP (Pontos de Recuperação), que são usados para trocar por rodadas na máquina de gacha do hospital, e assim adquirir alguns itens como pergaminhos e armas. Ao completar uma lista específica de itens adquiridos por esse método é possível trocar pelo grande prêmio (um Imperial Seal, como estava disponível na demo, mas provavelmente Selos de maior valor poderão ser adquiridos com o avançar da campanha). 

Dentro do sistema de batalhas, mudanças mais chamativas incluem a adição de um Hell Mode, um buff que alguns personagens específicos podem utilizar temporariamente: se um personagem portador de uma Secret Weapon atingir certos requisitos (Fuji, por exemplo, precisa derrotar certo número de inimigos para preencher toda barra), será capaz de habilitar esse modo e adquirir bônus específicos e utilizar especiais exclusivos por um curto período.  




Outro grande sistema que promete batalhas mais dinâmicas e nonsense é a Jumbification, que, bom, faz seu personagem entrar no modo jumbo e ocupar metade da tela para utilizar ataques mais poderosos e com uma área maior ou atacar outros personagens que estiverem nesse mesmo modo. Assim como o Hell Mode, é preciso preencher uma barra de Rage, recebendo ataques dos oponentes para poder habilitar essa opção em batalha e, então, estraçalhar todos aqueles que lhe feriram antes. 

Não menos importante, o design dos mapas do modo história em si parece ter sido mais bem-trabalhado do que o de algumas das últimas entradas da série. Estamos de volta com a necessidade de, de fato, de pensar na movimentação e posicionamento das unidades para que seja possível avançar na história, não apenas em grinding até a exaustão. Além disso, alguns NPCs presentes na base são classes genéricas presentes em outros jogos e que não estavam disponíveis no sexto título da série — quase chorei quando vi minha Valkyrie na equipe novamente, juro.

Por fim, uma questão polêmica: os infames travamentos e engasgos que acompanharam a transição da série do 2D para o 3D no híbrido da Nintendo. Eles ainda estão presentes, infelizmente. Porém, enquanto jogava a demo, apenas percebi algumas quedas na taxa de quadros enquanto assistia a uma animação de habilidade e ao mover o cursor por cima de um personagem jumbificado algumas vezes, mas foram momentos pontuais e em nada atrapalharam  a jogatina de fato. 




Um retorno digno

Melhorando sistemas de qualidade de vida e utilidade do 6 e balanceando os números para mais próximos de jogos anteriores ao 5, Disgaea 7: Vows of the Virtueless tem tudo para ser uma excelente entrada para novos fãs da série e um suspiro de alívio para quem estava perdendo as esperanças de um jogo que tivesse os desafios e números grandes suficientemente confortáveis dos primeiros Disgaea.

Estou no aguardo para ver o quanto a história de Fuji pode evoluir e realmente espero que a energia e simpatia de Pirilika sejam bem-utilizadas para introduzir uma trama que lembre as dramáticas reviravoltas de causar arrepios já vistas anteriormente na série.

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli

Professora por profissão, crossfiteira e artesã nas horas vagas. Seu primeiro contato com consoles da Nintendo foi zerando Chrono Trigger repetidas vezes no SNES. Atualmente é dona de um Switch no qual joga principalmente puzzles, jogos de pesca, RPGs e todos os Disgaea que para ele foram lançados. Icon por 0range0ceans
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