Entrevista

Entrevistamos o estúdio de Pocket Bravery, indie brasileiro indicado no The Game Awards

Jogo de luta do estúdio Statera é um dos concorrentes na categoria de melhor jogo de luta de 2023.



Imagine que você faz parte de um pequeno estúdio indie brasileiro que acaba de lançar o seu segundo jogo com a ajuda de uma campanha de financiamento coletivo. De repente, de um dia para o outro esse humilde jogo é simplesmente chamado para concorrer na categoria de melhor jogo de luta de 2023 no The Game Awards, considerado como o “Oscar dos Videogames”. Parece um sonho, mas é o que aconteceu com o pessoal do estúdio Statera e o jogo Pocket Bravery (Multi).

Inspirado por clássicos absolutos dos fliperamas como Street Fighter, The King of Fighters e Fatal Fury, o estilo visual de Pocket Bravery bebe da fonte do formato “chibi” visto nos jogos de luta do Neo Geo Pocket Color e na série Pocket Fighter. Apostando em um grande apuro técnico, um enorme foco no conteúdo do modo história e desenvolvimento de personagens, Pocket Bravery conseguiu chamar a atenção da comunidade de jogos de luta ao redor do mundo inteiro ao ponto de concorrer na maior premiação da indústria.

Enquanto o dia da premiação não chega, entrevistamos o gerente de comunidade e representante do estúdio Statera, Wagner RM, para saber como estão as expectativas para a premiação dentro da equipe, além de esclarecer dúvidas sobre o desenvolvimento do jogo e a versão para Switch, que ainda deve chegar ao console híbrido no dia 31 de dezembro.

NB: O modo história de Pocket Bravery foi bastante elogiado pela crítica por oferecer bem mais conteúdo e investimento do que a esmagadora maioria dos outros jogos do gênero. Vocês acreditam que esse é um dos principais fatores para que o título tenha chamado a atenção do júri do Game Awards?
R: Realmente a história que entregamos foi além, tivemos muito cuidado em explicar mecânicas e deixar o jogador imersivo no universo Bravery. Mas acredito que foi o conjunto da obra que chamou a atenção do júri e da mídia especializada. Pocket Bravery é um produto completo, com vários modos de jogo, você vai levar muitas horas para explorar tudo que o game oferece.
NB: Como foi a reação da equipe ao receber a notícia de que Pocket Bravery estaria concorrendo na categoria de melhor jogo de luta do Game Awards? Foi uma grande surpresa ou vocês já estavam esperando por isso?
R: Sabíamos da existência da categoria, e como o Pocket Bravery já havia sido lançado antes do evento, chegamos a cogitar essa possibilidade (todo mundo tem o direito de sonhar). Mas realmente, fomos pegos de surpresa durante o anúncio.
NB: A maior parte dos analistas acredita que será muito difícil ganhar o prêmio contra gigantes renomados do gênero (Street Fighter e Mortal Kombat), mas vocês da equipe estão esperançosos de que existe uma chance?
R: “A maior parte dos analistas” para não falar todos, né? Haha. Street Fighter e Mortal Kombat são franquias com um legado de décadas, obviamente é uma competição injusta. Mas o que nós queremos mesmo é ter votos suficientes para que marcas, influencers e investidores vejam que existe, sim, um apelo comercial de nosso produto (mas se vier o prêmio, melhor ainda xD).



NB: Talvez até mais do que ganhar o prêmio em si, ter um jogo selecionado para participar no Game Awards pode ser uma enorme oportunidade de divulgação internacional. Vocês chegaram a notar qualquer aumento notável no número de vendas ou jogadores ativos no modo online após esse anúncio?
R: Ainda não. Mas esperamos que aumente consideravelmente nos próximos dias.
NB: Os dois jogos desenvolvidos pela Statera até o momento (Pocket Bravery e Guns’n Runs) pertencem aos gêneros de plataforma 2D e luta. Para o próximo jogo de vocês, a vontade da equipe é de continuar experimentando com outros gêneros ou pretendem continuar investindo nesses dois gêneros?
R: Não falarei sobre isso, ainda é segredo :p
NB: Geralmente as empresas indies costumam elogiar o Switch como sendo o console mais fácil e confortável de trabalhar na hora de portar e publicar seus jogos. Vocês acreditam que isso é verdade ou exagero? Se for verdade, qual o principal diferencial que faz o Switch ser melhor para as empresas indies nesse contexto?
R: Achávamos que seria bastante “burocrático” portar nossos games para uma plataforma da Nintendo, estávamos errados. O kit de desenvolvimento do Nintendo Switch e a aprovação da empresa funcionam de forma muito mais rápida e acessível que seus concorrentes.
NB: Apesar de a sua proposta fugir bastante do que você espera de um jogo de luta convencional, Super Smash Bros. é a principal referência do gênero para os fãs da Nintendo. Com Pocket Bravery chegando ao Switch no dia 31 de dezembro, você acredita que o jogo tem potencial de ser uma porta de entrada para novatos que querem experimentar um jogo de luta mais tradicional?
R: Ainda não há data de lançamento do game para os consoles, mas os donos de Nintendo Switch podem ficar tranquilos que apesar do Pocket Bravery ter comandos tradicionais, existe o modo “acessível” sem a necessidade de fazer comandos com direcional (parecido com Smash Bros.).


Disponível para PCs desde outubro, Pocket Bravery será lançado para Nintendo Switch com funcionalidade de cross-play entre todas as plataformas no dia 31 de dezembro deste ano. Do outro lado, a transmissão do The Game Awards acontece no dia 7 de dezembro e, além da premiação, o evento também promete também trazer vários anúncios e trailers das próximas novidades da indústria de jogos. Você poderá acompanhar a cobertura completa do evento aqui nos sites da GameBlast.

Revisão: Vitor Tibério


Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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