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Análise: KarmaZoo (Switch) é uma aventura co-op pixelada e zen

Descubra como a simplicidade visual e as mecânicas altruístas do jogo criam uma experiência única e envolvente para jogadores de todas as habilidades.



Com avatares adoráveis e desafios intrigantes, KarmaZoo proporciona uma experiência única de plataforma em que a ideia central é a de que a alegria de jogar juntos se sobrepõe à competição. Desenvolvido pela Pastagames e publicado pela Devolver Digital, o simpático jogo pixelado apresenta uma proposta filantrópica no mundo dos jogos de plataforma.

O misterioso zoológico do karma

Em KarmaZoo, os jogadores iniciam como adoráveis blobs presos neste misterioso reino, que é um ponto de transição entre a vida e a morte. Guiados por uma voz misteriosa, os primeiros minutos do jogo apresentam um breve tutorial das mecânicas básicas do jogo: andar, pular e cantar. Ao final dessa introdução, chegamos ao Santuário e somos apresentados pela voz à missão principal: acumular carma para alcançar a liberdade. 




O Santuário em KarmaZoo serve como ponto central de tranquilidade e progressão do jogo. Nele, encontram-se muitas estátuas de objetos e animais, que representam os avatares com os quais podemos jogar — na lore do jogo, os corpos que podemos equipar para concluir as missões. 

Cada entidade possui um poder diferente: na forma de sapo, por exemplo, é possível realizar três saltos em vez de dois; enquanto transformados em lobo, podemos potencializar o canto de nossos aliados, entre outras muitas utilidades, para que, em equipe, seja possível finalizar as fases.




Ainda no Santuário, há também a possibilidade de interagir com um telescópio e visualizar constelações, que representam objetivos e desafios adicionais que, quando completados, desbloqueiam recompensas. Também é possível desbloquear dicas nos livros da biblioteca ou emojis para facilitar a comunicação em equipe, o que realmente ajuda muito na falta de um chat. Na verdade, o conceito da conversa por “gestos” simples e direto ao ponto é bastante eficaz dentro da ideia do jogo como um todo. 

Um convite para a cooperação

Cada loop pode contar com a participação de até dez jogadores e, juntos, utilizando as habilidades específicas de cada avatar, os participantes devem passar por quatro fases com duração de cerca de cinco minutos cada. Entre cada estágio, os jogadores votam para escolher um bônus, que pode variar, por exemplo, entre receber imediatamente um determinado valor de carma ou poderes adicionais, como pulos extras e maior aderência de paredes.




Desafios encontrados em cada fase podem variar entre o simples ato de pular de uma plataforma para outra para coletar frutas e a busca por chaves de cores específicas para abrir portas, entre outros  poderes disponíveis. Nos últimos mapas, também é comum encontrar puzzles que incluem usar o trabalho em equipe para levar uma corrente de energia elétrica de uma lâmpada para outra.

Durante toda a partida, os jogadores podem enviar “Beijos de Karma” uns para os outros utilizando o analógico direito do Switch para mirar a bitoca.  Além disso, outra maneira de conseguir carma é encontrar caixas secretas que requerem, muitas vezes, a presença de mais de um jogador para desvendar o segredo de como alcançar essa recompensa. 

Ao final de cada loop, o carma de todos os jogadores é somado e distribuído. Na minha experiência, costumo terminar as partidas com uma quantidade entre 110 e 150 de carma, e, após a soma da equipe, receber valores que variam entre 1300 e 2100 na maioria das vezes. Tudo depende da cooperação dos jogadores na utilização frequente do Beijo de Karma e da paciência para explorar mais as fases em busca das caixas secretas.




Ao final do cronômetro, caso a equipe não consiga terminar a fase, uma tempestade de areia se inicia e  cada jogador apenas recebe a quantia individual de carma que juntou. Infelizmente, nem tudo são flores. Apesar da diversidade e encanto oferecidos pelos avatares em KarmaZoo, há um desafio que pode frustrar alguns jogadores: o processo de desbloqueio.

A obtenção de novas formas para a equipe pode ser um feito árduo, especialmente para aqueles que buscam experimentar uma variedade de avatares. Muitas formas chegam a custar mais de 10.000 pontos de carma, enquanto cada partida, com sorte, rende cerca de 2.000 quando completada. 

Assim, o sistema de carma pode levar a uma sensação de grinding repetitivo para acumular pontos suficientes. Isso cria uma barreira que pode limitar o acesso a algumas formas mais caras que permitem estratégias de jogo interessantes. Alguns jogadores podem achar que o tempo e esforço necessários para desbloquear determinados avatares não está alinhado com a experiência casual que KarmaZoo parece oferecer.




Há um outro modo de jogo além do Loop, que é o chamado “modo sofá”. Nele, é possível convidar amigos para participar de uma variedade de minijogos pré-definidos e escolhidos pelos participantes. Uma pena que o modo Loop não permita o convite para que amigos possam ingressar em partidas globais. 

Acho importante comentar que, como um jogo exclusivamente voltado para a jogatina co-op online, é impossível prever até quando será fácil encontrar partidas. Dessa forma, seria interessante existir a possibilidade de convidar amigos para jogar o modo clássico, até mesmo para facilitar na hora de buscar salas.


Harmonia pixelada

Em KarmaZoo, os jogadores são imersos em um mundo pixelizado que emana charme e vibração. A escolha de gráficos pixelizados confere ao jogo uma estética nostálgica, proporcionando uma experiência visual cativante. A diversidade de avatares jogáveis, cada um com suas habilidades únicas, não apenas contribui para a riqueza visual, mas também introduz uma sensação de descoberta constante.

A variedade nas formas jogáveis, que inclui criaturas fofas e objetos encantados, é um ponto positivo marcante. Os avatares adicionam sua própria camada visual à experiência, tornando cada partida uma experiência visual única.




No entanto, embora o jogo ofereça uma variedade de níveis, alguns jogadores podem sentir falta de uma maior variedade de ambientes ao longo da experiência. Outro ponto negativo é a poluição visual em alguns trechos, prejudicando a progressão nas fases.

Apesar de apenas o avatar do jogador ter uma tonalidade branca e os demais serem coloridos de acordo com a cor predominante do cenário, há muita informação na tela, com frutas, rodas melódicas, habilidades e barreiras físicas do mapa. Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo pode distrair, fazendo com que seja fácil se perder no meio da partida.




De resto, KarmaZoo é simplesmente exemplar. Os comandos são simples, com apenas três botões necessários para realizar as ações principais (cantar, utilizar a habilidade do avatar e pular). As ações “extras” (dancinhas, emotes e Beijos, por exemplo) são fáceis de acessar e não estão em botões que possam ser confundidos com as funções básicas.

Além disso, o jogo roda muito bem tanto no modo portátil quanto no modo TV. Pessoalmente, prefiro jogá-lo no modo portátil, pois é um ótimo título para levar por aí quando se tem cerca de 20 minutos para matar entre as responsabilidades do dia a dia. O fato de estar localizado em Português também ajuda a curtir sem problemas.



 

Além do último loop

KarmaZoo deixa uma impressão duradoura na experiência de jogo cooperativo. Com sua mensagem sutil de bondade e alegria, o título transcende as barreiras usuais dos mundos virtuais, construindo pontes entre os jogadores por meio de desafios e risadas compartilhadas.

Entre avatares encantadores, enigmas cativantes e a trilha sonora envolvente, o jogo se revela como uma jornada inesquecível no reino da cooperação. No entanto, o grinding excessivo para desbloqueio de novas formas pode desanimar alguns jogadores.




Prós

  • Cooperação funcional, com muitos poderes complementares e mais de uma maneira de resolver os puzzles propostos;
  • Variedade de personagens, com mais de 50 formas jogáveis;
  • Desafios justos e criativos, atingindo diferentes níveis de habilidade e tipos de jogadores;
  • Simplicidade e funcionalidade dos comandos, tanto para funções importantes quanto para ações extras.
  • Crossplay que facilita encontrar partidas;
  • Português como uma das opções de idioma;
  • Atmosfera pixelada charmosa.

Contras

  • Grinding de carma pode desanimar alguns jogadores;
  • Poluição visual em algumas partes durante as fases;
  • Falta de possibilidade para convidar amigos para uma partida normal;
  • Repetitividade de ambientes.
  • Muito dependente de uma comunidade ativa para se manter vivo.

KarmaZoo — PC/PS5/XBX/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital 


Professora por profissão, crossfiteira e artesã nas horas vagas. Seu primeiro contato com consoles da Nintendo foi zerando Chrono Trigger repetidas vezes no SNES. Atualmente é dona de um Switch no qual joga principalmente puzzles, jogos de pesca, RPGs e todos os Disgaea que para ele foram lançados. Icon por 0range0ceans
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