Análise DLC

Análise: Pokémon Scarlet/Violet: The Hidden Treasure of Area Zero - The Indigo Disk (Switch) encerra de forma digna um dos capítulos mais controversos da franquia

Divertido e repleto de adições substanciais, The Indigo Disk torna a compra do DLC recomendável para todo fã de Scarlet/Violet.

The Indigo Disk
é o nome da segunda metade de The Hidden Treasure of Area Zero, conteúdo adicional pago lançado em 2023 para Pokémon Scarlet/Violet, títulos-chave da nona geração da série da Game Freak.


Continuando a narrativa iniciada em The Teal Mask, apresentando uma nova (e poderosa) Elite Quatro e trazendo consigo diversas novidades significativas, este DLC encerra de forma digna aquela que talvez seja a dupla de jogos mais controversa da franquia até hoje. Como resultado, embora os problemas técnicos persistam, temos aqui uma fácil recomendação para todo fã da saga e, especialmente, dos jogos que nos apresentaram ao continente de Paldea e tudo que ele envolve.

Um novo intercâmbio em uma região familiar

The Indigo Disk, assim como The Teal Mask, se inicia com uma ligação via Rotom Phone. Desta vez, do outro lado da conexão estará o diretor Clavell, pronto para comunicar que o seu personagem foi selecionado para participar de um intercâmbio especial na Blueberry Academy. 

Assim como as escolas Uva e Naranja no jogo base, a Blueberry Academy é uma instituição para jovens treinadores — dois de seus alunos mais exemplares, inclusive, são os irmãos Kieran e Carmine, detentores de papéis centrais na primeira parte do DLC. Rostos conhecidos à parte, porém, são muitos os fatores que fazem com que a nova academia seja perfeita para um intercâmbio. 

Primeiramente, a sua localização: situada em Unova, palco da quinta geração da série, Blueberry é bem distante, geograficamente falando, tanto de Paldea quanto de Kitakami, o que significa uma nova Pokédex para ser descoberta e preenchida durante a sua caça ao tesouro.

Além disso, sob a tutela do diretor Cyrano — amigo de longa data de Clavell —, a escola possui um grande foco nas batalhas Pokémon, inclusive contando com uma Elite Quatro própria, composta pelos seus estudantes mais destacados. Será você capaz de alcançar o posto de campeão na BB League também?

Uma maravilha da engenharia Pokémon

De longe, o maior destaque da Blueberry Academy, no entanto, é o Terrarium. Uma verdadeira maravilha da engenharia, este é um domo submerso no oceano que ganhou fama por seus ricos biomas artificiais, em que Pokémon de diversas espécies coexistem livremente como em seus habitats naturais.

Ao todo, são quatro biomas distintos — Coastal, Canyon, Savanna e Polar —, e em cada um deles é possível encontrar desde mais de 100 monstrinhos favoritos da franquia que até agora não haviam dado as caras em Scarlet & Violet, como Rhyhorn e Lapras, até todos os iniciais de todas as gerações. 

O importante é que, na prática, o Terrarium faz jus à expectativa criada e realmente entrega uma área ampla e bem divertida de se explorar, com vários segredos, paisagens interessantes, itens úteis para serem encontrados e muitos treinadores dispostos a batalhar. Basicamente, não é difícil perceber aqui traços de um conceito que remonta à primeira geração da franquia: o da Safary Zone, cujo DNA também influenciou bastante a Wild Area, uma das localidades mais marcantes de Sword & Shield.

Também é dentro do Terrarium que os integrantes da Elite Quatro da Blueberry Academy aguardam os desafiantes, então prepare-se para visitar cada bioma enquanto busca superar os desafios impostos — sim, os Trials retornam, mas são infinitamente mais divertidos que os do jogo base — e destronar o atual campeão. Aliás, ele é ninguém menos que Kieran, que, movido pelo desejo de vingança contra você, está praticamente irreconhecível desde os eventos em Kitakami.

As atitudes rancorosas e até mesmo inconsequentes do jovem lembram muito as de rivais clássicos da franquia, como Blue e Silver. Acompanhar essa transformação, bem como seu eventual desfecho, é uma das melhores partes de The Hidden Treasure of Area Zero e acaba instaurando o irmão de Carmine como um dos personagens mais carismáticos e marcantes da série até hoje. 

Sem entrar no campo de spoilers, a maneira como a história é conduzida é natural, envolvente e se entrelaça perfeitamente com o mistério por trás do lendário Terapagos e da própria Área Zero em Paldea. Aliás, a carismática tartaruguinha também é a principal responsável pela introdução do fenômeno Stellar, outra grande novidade deste DLC que deixou muitos fãs encucados e ansiosos para o lançamento.

Proporções estelares, ou não?

Alguns materiais e cenas divulgadas antes do lançamento de The Indigo Disk deram margem para o entendimento que, pela primeira vez desde 2013 com Pokémon X & Y e o surgimento dos Pokémon fada, veríamos um novo tipo sendo introduzido na franquia. Este seria o Stellar, e uma das teorias mais consistentes previa que ele funcionaria como uma “união” de todos os tipos.

Pois bem, a realidade é um pouco menos empolgante: o tal Stellar-type realmente existe, mas seus efeitos na prática são ínfimos e estão mais ligados à mecânica de terastalização em si do que à tabela de fraquezas e resistências que os jogadores mais velhos, como eu, já decoraram desde os tempos do Game Boy. 

Basicamente, Stellar é um tipo exclusivamente Tera — o próprio Terapagos, símbolo da novidade, é um monstrinho tipo Normal com o Tera-type Stellar. Isso também significa que qualquer outro Pokémon pode tê-lo como Tera-type, contanto que você reúna os cinquenta Shards necessários e vá ao restaurante na cidade de Medali. 

Agora, o interessante é que terastalizar para o tipo Stellar não altera o tipo base do monstrinho; um Tyranitar Stellar, por exemplo, continuará tomando dano super efetivo de golpes lutador, fada, água, e por aí vai. A única vantagem do Stellar é aumentar o dano de cada golpe de tipo diferente que o Pokémon possua, uma única vez para cada golpe e tipo, como um STAB (Same-type Attack Bonus) extra. 

Sendo bem honesto, a não ser que você goste de ver a fanfarra de luzes e cores na tela, é muito pouco, inclusive para o lado competitivo do título — em todas as dezenas de partidas ranqueadas que joguei desde a chegada do DLC, se encontrei dois treinadores fazendo uso do Stellar-type, foi muito. Mas, como novidade e recurso situacional, sua inclusão é bem-vinda (e pode ser o ponto de partida para um retorno aperfeiçoado nas próximas gerações).

Mais novidades ainda (e bem-vindas adições de qualidade de vida)

Se o Terrarium, uma nova e mais difícil Elite Quatro, a conclusão da narrativa e o tipo Stellar não são o bastante para você, The Indigo Disk possui ainda mais cartas na manga. Uma bem legal é o League Club — uma espécie de clube estudantil sob a sua tutela. Nele, é possível mexer na decoração, encontrar e interagir com os outros membros da BB League e até mesmo convidar personalidades de Paldea, como Larry, Iono, Tulip e os outros líderes de ginásio, para uma visita.

Investir no League Club, porém, requer BPs, pontos concedidos ao se completar pequenas tarefas no Terrarium. Aqui é onde se inicia a minha grande crítica a esta segunda metade do DLC, pois essas missões são repetitivas e pouco recompensadoras para quem joga sozinho (é muito mais fácil reunir BPs se você tiver amigos com a expansão, já que é possível completar missões juntos e acelerar o processo).

Esse é um problema potencializado pela omissão completa de uma Battle Tower (uma tradição da franquia que infelizmente foi quebrada com esta geração). Francamente, com o acertado foco da Blueberry Academy nas batalhas Pokémon, é absurdo e irônico não termos o retorno de alguma Battle Facility em The Indigo Disk; seria bem mais divertido conseguir BPs de acordo com o progresso nelas, assim como nos jogos anteriores (fora o impacto positivo no fator replay).

É realmente uma pena, pois desconsiderando essa ausência inexplicável e os problemas técnicos que, em sua maioria, persistem desde o lançamento do jogo base em 2022, The Indigo Disk torna The Hidden Treasure of Area Zero um ótimo pacote de expansão, que eu particularmente classificaria como obrigatório para todo fã de Scarlet & Violet.

Além de tudo que já foi mencionado, há ainda mais surpresas bem-vindas, como a Synchro Machine — um item que permite você explorar o Terrarium como um de seus Pokémon —, uma conveniente Item Printer (capaz de imprimir até mesmo Master Balls) e adições de qualidade de vida significativas, como a capacidade de não apenas planar, mas voar livremente com Koraidon/Miraidon, e terastalizar sem precisar carregar a Tera Orb em um Centro Pokémon.

Por fim, em janeiro foi lançado um epílogo gratuito para o DLC, centrado no mítico Pecharunt e acessível de forma online, via Mystery Gift. Além de adicionar mais algumas horas de conteúdo para quem comprou a expansão, o epílogo reúne os personagens centrais do jogo base e do conteúdo adicional, entregando um final coeso e satisfatório para aquela que provavelmente foi a geração mais controversa de Pokémon até hoje.

Um tesouro escondido que vale a pena ser explorado

Antes do lançamento, eu brinquei que The Indigo Disk tinha a missão de concluir a nona geração de forma tão brilhante quanto o tesouro de um Gholdengo. De fato, apesar da ausência da Battle Tower e do caráter repetitivo das Blueberry Quests, a continuação do DLC entrega o prometido e torna The Hidden Treasure of Area Zero não somente justificável, mas indispensável para quem conseguiu se divertir com Pokémon Scarlet & Violet.

Se você gostou do que viu em Paldea e deseja continuar a sua “caça ao tesouro”, as adições à Pokédex e os momentos legais proporcionados por The Teal Mask e The Indigo Disk fazem do pacote de expansão uma boa pedida. Sim, é um infortúnio que os problemas técnicos jamais tenham sido resolvidos completamente; espero que a próxima geração não cometa os mesmos erros que atormentaram esta. Até lá, no entanto, não há como negar que esta é, sim, uma boa oportunidade de continuar a ser um mestre Pokémon.

Prós

  • Traz consigo o retorno de mais de 100 Pokémon, incluindo lendários e iniciais, que passam a ser capturáveis na nona geração;
  • O Terrarium faz jus às expectativas criadas, se provando divertido de explorar;
  • A nova Elite Quatro é mais desafiadora que a do jogo base;
  • Adições de qualidade de vida, como a capacidade de voar com Koraidon/Miradon e terastalizar sem precisar voltar ao Centro Pokémon, são muito bem-vindas;
  • A evolução de Kieran o consagra como um dos personagens mais carismáticos da franquia e torna acertada a sua introdução em The Teal Mask;
  • Encerra de forma digna e convincente dois dos capítulos mais controversos da saga.

Contras

  • Não conserta nenhum dos problemas técnicos que atormentam o jogo base até hoje;
  • A ausência da Battle Tower ou de qualquer alternativa a uma Battle Facility é irônica e injustificável, considerando o tema da expansão;
  • As Blueberry Quests são repetitivas e desbalanceadas para o single-player;
  • O Stellar-type prova-se muito superficial enquanto mecânica.
Pokémon Scarlet/Violet: The Hidden Treasure of Area Zero - The Indigo Disk — Switch — Nota: 8.0
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo

é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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