Segundo lançamento da desenvolvedora Luckshot Games, o plataforma 3D Big Hops chega ao Nintendo Switch se destacando pela grande liberdade de movimentação, com elementos e mecânicas de gameplay que relembram clássicos de seu gênero. Apesar dos movimentos fluidos, grande quantidade de colecionáveis e diálogos criativos, os diversos problemas de performance presentes na versão de Switch prejudicam o ritmo da aventura e a impedem de ser ainda mais divertida.
Uma história simples e inusitada
Em Big Hops acompanhamos o sapo Hop, que mora na floresta junto de sua irmã Lily e sua mãe. O anfíbio tem o grande sonho de explorar novos cenários mundo afora, mas sabe de suas responsabilidades com a família e mantém uma vida simples. Certo dia, porém, Hop se separa de sua irmã enquanto voltam para casa e encontra um templo misterioso no qual conhece a bizarra entidade Diss, que se assemelha a um demônio roxo e o leva a uma dimensão alternativa conhecida como Vazio por meio de um portal mágico.
Lá, Diss explica ao sapo que precisa de ajuda para coletar certos itens em mundos diferentes – depois disso, Hop poderá voltar ao seu mundo. Esses itens são os Dark Drips, que desempenham um papel semelhante às estrelas de Super Mario 64 ou às luas de Super Mario Odyssey. Desconfiado das reais intenções de Diss, Hop decide não fechar nenhum acordo com a criatura, e após conhecer a oficina do guaxinim Copper, decide buscar três Peças de Dirigível para voltar ao seu mundo sem a ajuda dos portais do demônio roxo.
Dessa forma, a aventura gira em torno da coleta de Dark Drips (e Dark Bits, que formam um Dark Drip quando uma determinada quantidade é coletada) e do cumprimento de missões principais da história em cada mundo visitado, que resultam na obtenção de uma Peça de Dirigível. Isso leva Hop a se envolver em diversas confusões, como tentar ajudar uma vila de coelhos que está sendo explorada pela corrupta família Gulley ou acompanhar os Bucaneiros, grupo de lontras piratas que está em confronto com a PerfuraCorp.
Pulando, escalando, balançando e coletando tudo
O grande destaque de Big Hops é, sem dúvida alguma, a movimentação: Hop pode pular, rolar, mergulhar no ar, nadar, escalar paredes, correr brevemente por elas e usar sua língua para pegar objetos ou se pendurar em determinadas partes do cenário. Isso abre um grande leque de possibilidades na exploração dos cenários, que são em grande parte mais verticais para justamente explorar o arsenal de movimentos do sapo verde, numa grande exibição divertida e fluida de parkour.
A movimentação, que por sinal é bem intuitiva, tem momentos que lembram as aventuras do Homem-Aranha em seus diversos jogos: vários momentos do jogo exigem correr, se pendurar pela língua em um objeto, aproveitar o impulso proporcionado ao se balançar, correr rapidamente pelas paredes, escalar (tomando cuidado com a barra de energia de Hop) e pular novamente para chegar a um determinado objetivo.
Algo que o título faz muito bem é proporcionar uma certa liberdade para se completar determinadas áreas: a variedade de itens e movimentos de Hop possibilitam que um mesmo obstáculo seja superado de diversas formas, sem soluções fixas. Por outro lado, os cenários demasiadamente verticais podem causar frustração quando erramos um pulo e precisamos gastar bons minutos refazendo toda uma área do mapa.
Os momentos de exploração das áreas do Vazio, inclusive, trazem uma mecânica bem interessante de mudança de gravidade, que lembra bastante Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2. De forma semelhante aos vários jogos 3D do encanador, o título também conta com Salas de Desafio, áreas específicas do mapa onde se encontram seções de plataforma mais complexas e desafiadoras que rendem Dark Drips ao serem completadas.
Há também momentos ao longo da aventura que contam com minigames pontuais, como a análise de insetos coletados pelos cenários ou o desbloqueio de cadeados com a língua de Hop. São momentos bem-vindos de pausa entre uma escalada e outra, mas acabam se tornando um pouco repetitivos ao longo do tempo.
Para nos localizarmos em cada cenário, por fim, contamos com uma bússola que indica a localização de pontos de interesse ou itens colecionáveis. Porém, a ferramenta não é tão precisa e, sinceramente, pouco me ajudou ao longo da aventura, mesmo com seus poucos upgrades equipáveis. Penso que, neste sentido, um minimapa teria sido muito mais útil e prático para uma fácil localização.
Por fim, Hop também pode guardar em sua mochila os itens que pegou com sua língua para usá-los em outras partes do cenário, como sanduíches e garrafas de leite para recuperar vida, pedras para arremessar em botões ou frutas e legumes com efeitos especiais.
Itens e mais itens na língua do sapo
As frutas e legumes encontrados em cada mundo aumentam ainda mais as possibilidades de movimentação do sapo verde. As pimentas, por exemplo, podem ser jogadas em determinadas vegetações para queimar obstáculos; frutas espinhosas criam cordas entre uma parede e outra; frutas azuis criam bolhas que alcançam partes mais altas do cenário, entre muitas outras opções.
Já os itens colecionáveis trazem Big Hops para ainda mais perto das referências mais conhecidas de seu gênero, como Banjo-Kazooie (e, se quisermos usar alguma mais recente, Donkey Kong Bananza): além dos Dark Drips e Dark Bits, há moedas para comprar itens nas lojas espalhadas por cada mundo, como roupas e acessórios; temos pétalas de vários tipos de flores de cores variadas, que podem ser utilizadas para tingir peças de roupa; e, por fim, há várias espécies de insetos que podem ser coletados, analisados e trocados com o guaxinim Bugsy por itens especiais.
Há ainda os amuletos, que podem ser obtidos sempre que um Dark Drip for coletado (no mapa ou por meio da obtenção de vários Dark Bits) – Diss oferece uma seleção aleatória de amuletos por vez que podem ser equipados na mochila de Hop e causam efeitos diversos, como o surgimento de moedas ao usar a língua, mais energia para escalar paredes ou corações extras. Os amuletos se apresentam como uma forma de diversificar ainda mais a gameplay, mas muitos dos efeitos não me pareceram tão significativos ao longo da aventura.
Nem tudo são (pétalas de) rosas
Apesar de o título contar com personagens e diálogos bem-humorados, uma movimentação diversificada e muitos itens colecionáveis, Big Hops sofre de uma série de problemas de performance no Switch que atrapalham o ritmo da jogatina e impedem a aventura de ser ainda mais divertida.
Para começar, o principal problema que enfrentei ao longo do jogo é o que pode ser considerado como o grande terror dos jogos de plataforma: houve diversos momentos em que ocorreram inúmeras quedas de fps – especialmente após longas sequências de diálogos, ao acessar o menu de pause ou na transição entre áreas dos cenários. O problema só se resolveu, no meu caso, quando pausei e despausei o jogo repetidas vezes, o que o fez voltar para 60 fps, e isso funcionou em todas as ocasiões.
Além das quedas de fps, presenciei diversos crashes ao longo da jogatina, fazendo com que o jogo fechasse automaticamente. Isso ocorreu mais de três vezes, e sempre quando havia alguma transição entre cenários grandes, como o Vazio e um mundo novo. Nesse caso, não cheguei a perder meu progresso, mas essas situações atrapalharam bastante o ritmo do jogo, especialmente ao se considerar que as telas de carregamento de Big Hops são relativamente longas.
Vale destacar ainda que a localização para PT-BR contém inúmeros erros e alguns bugs, com palavras em inglês que aparecem no meio de diálogos (como quando Hop e Lily falam de sua mãe e a palavra mostrada continua sendo “mom”). Alguns elementos da interface também não foram traduzidos, como a barra de Dark Bits ou a seção de amuletos equipáveis, além de termos como o nome dos próprios Dark Bits (às vezes chamados de Dark Bits e às vezes de Bits Sombrios). Em outras funcionalidades, como a coleção de fotos tiradas com a câmera, não são exibidos caracteres que contenham os acentos típicos do nosso idioma.
Uma aventura saltitante, limitada por questões técnicas
Big Hops é um jogo divertido que conta uma história inusitada com personagens carismáticos, apresenta uma variedade excelente de movimentos para exploração, exibe diversos cenários vastos e contém inúmeros itens colecionáveis. Porém, as muitas e frequentes falhas técnicas freiam o potencial do título de ser ainda mais viciante e proveitoso. No fim das contas, portanto, estamos diante de um plataforma 3D bem completo e cheio de charme, mas que merece mais cuidado e correções para se tornar um grande acerto.
Prós
- Movimento fluido e divertido;
- Personagens carismáticos e diálogos cômicos;
- Falas dubladas (mesmo que somente em inglês);
- Cenários grandes e com vários caminhos possíveis;
- Grande diversidade de itens e mecânicas de movimento.
Contras
- Diversos erros na tradução para PT-BR;
- Crashes constantes na transição entre áreas;
- Quedas frequentes de fps que atrapalham a experiência.
Big Hops – PC/PS5/ Switch – Nota: 7.0Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela Luckshot Games














