Análise: Jimmy and the Pulsating Mass é uma comovente aventura sobre dor, superação e imaginação

Port eficiente de clássico indie é extremamente competente e cativante com certas adições legais, mas pecando em partes cruciais.

Se vocês seguem as postagens do Nintendo Blast, efetivamente qualquer coisa relacionado a Mother tem meu nome escrito. Sejam notícias de merchandising, posts especiais e de jogos indies baseados na trilogia, os chamados Mother-like, que procuram misturar a imaginação fértil da infância com a seriedade do mundo real e seus problemas.


Em 2018, o mundo conheceu Jimmy and the Pulsating Mass, mais um dos filhos do gênero e que logo ganhou um espaço reservado entre seus irmãos, a exemplo de OFF, Lisa e Undertale. Agora, em 2025, o jogo finalmente chega aos consoles com algumas adições. Prepare o doce e os brinquedos e venha sonhar comigo.

Magicant

Antes de mais nada, estamos nos sonhos de Jimmy, um jovem de oito anos e, com isso, as coisas podem parecer muito malucas e destoantes com a realidade. Por exemplo, sua casa é localizada no topo de uma montanha, cheia de nuvens fofinhas, arco-íris e cristais que seu pai superesperto e genial quer analisar. Ele mora com sua mãe, uma mulher extremamente gentil e amável, seu já mencionado pai sabidão, seu tio legal mas preguiçoso e seu irmão mais velho, durão e de pavio curto.

Em um belo dia, a mamãe pede que Jimmy vá pegar mel para ela fazer um doce gostoso, levando seu irmão junto para a tarefa. Após uma luta com uma bolha de gosma no quarto sujo do irmãozão, Jimmy atravessa os campos alegres e verdes de seu subconsciente até chegar na pequena cidade de Smile, reencontrando animaizinhos fofos que são seus amigos mas que estão sob risco de uma gangue local, que estão recebendo ordens de uma estranha entidade chamada Pulsating Mass.

Lentamente, as escapatórias do garoto com seu grupinho vão tomando caminhos que intersectam entre a magia da inocência com terrores além da compreensão infantil, deformados e corrompidos em abominações grotescas e selvagens. Cabe a Jimmy salvar seu subconsciente da ameaça nojenta.

Pokey means business (and business means power)

Tal como um bom Mother-like de respeito, Jimmy and the Pulsating Mass contém uma densa narrativa que contracena opostos de forma genial e maravilhosamente eficiente, especialmente sobre as reviravoltas na narrativa e sua lore oculta, praticamente sem defeitos. Certos designs de inimigos são exagerados demais e beiram a violência gratuita, mas ao todo a ambientação é magnífica e encapsula bem a imaginação dos sonhos de uma criança.

Animais falantes, baús de brinquedo que dão itens, seu melhor amigo sendo um ursinho de pelúcia falante, criaturas assustadoras nas sombras mas inofensivas na luz, corredores assombrados e bonecas endiabradas são algumas das doideiras que se passam na cabeça de Jimmy e que podem ser associadas com coisas que ele possa ter vivido ou visto, dando uma camada maior para seu personagem já complexo, mesmo sendo o típico protagonista silencioso.

Para ele, seu pai é a pessoa mais sábia entre todos os sábios. Seu irmão é ultraforte, mesmo que ele não queira mostrar seu lado sensível. As pradarias que enfeitam seu mundinho são enfeitadas das mais diversas paisagens como rios, castelos e becos ensanguentados. Tudo muito bem estilizado e acompanhado por uma trilha sonora magistral. O perigo está próximo, mas com um pouco de otimismo e força de vontade, tudo é possível, exatamente como seria na visão de uma criança.

Bein’ friends

Operando como um RPG de turno, as lutas são aleatórias e vistas em primeira pessoa, o padrão no subgênero. Consistindo de grupos em até quatro personagens, o combate do jogo é relativamente similar aos seus irmãos, mas com uma leve diferença: em primeiro lugar, é possível escolher a ação de qualquer um dos membros, não sendo necessário começar com Jimmy. É uma opção que não faz muita diferença, considerando que a vez de atacar ainda opera na agilidade e velocidade dos personagens, mas ainda é uma opção legal de se ter.

Em segundo lugar e comparado com seus irmãos, Jimmy and the Pulsating Mass tem uma forte ênfase em status na luta. São mais de 15 formas de status, sejam melhorias ou prejuízos, variando de simples venenos a velocidade. O que fica mais interessante são os diferentes níveis dos status. Exemplo: Veneno pode ser simplesmente perder a vida gradativamente, mas também tem a temida Imunodeficiência, em que o personagem não só perde vida mas itens de cura não ajudam e tiram ainda mais pontos (e, dentro da lore do jogo, é algo extremamente cruel e triste). Somente com itens e certos poderes que esses status podem ser combatidos e a alta variedade e níveis tornam o combate extremamente interessante.

Porém, um status em específico é tanto interessante mas ao mesmo tempo irritante, que é Startled (Assustado), fazendo o personagem ficar sem agir, seja no mesmo turno ou por algum tempo e até mesmo tirar outros status como fazer um inimigo voador voltar ao chão e com oportunidade para descer na mão. Fica especialmente interessante porque com esse segundo, nomeado como Startled (ou Assustado), ao se curar do efeito o personagem que fora afetado agora fica em estado de Alert (Alerta), imune a fraqueza temporariamente.

O problema, no entanto, jaz com a enorme quantidade de combates aleatórios, similar ao mesmo problema que uma de suas inspirações, Earthbound Beginnings, sofre. Claro, existe a opção de escapar de lutas contra inimigos mais fracos, mas a quantidade absurda de combates aleatórios, somada com a repetição incessante de inimigos atacando com status, podem deixar o combate cansativo e repetitivo. Em geral, é um bom sistema de luta e divertido, mas com um sério problema de balanceamento, independente da dificuldade escolhida.

Wisdom of the world

Algo único de Jimmy em relação a outros protagonistas do subgênero é o grande poder da Empatia, em que ele pode mudar seu corpo e se sentir na pele de algum chefão que ele tenha vencido, similar à habilidade de empregos em Final Fantasy V, sendo seis ao todo, provendo velocidades, forças e poderes diferenciados que fazem grande diferença nas lutas.

Não apenas as formas podem mudar o rumo de uma luta, mas elas servem para expandir a exploração do mundo. A forma de Slime, por exemplo, tem a habilidade de chamar combate por sua aparência repugnante, além de conseguir passar por espaços apertados como grades e buracos; a Flor consegue criar vinhas que formam escadas para acessar locais mais altos; o Urso pode dar um pulo e quebrar superfícies frágeis (ou “contar” se tem algum baú na área, sendo esta que poderia ser uma habilidade muito útil, mas no final ela é tão sutil que é inútil).

A minha favorita, no entanto, é a Punk: não só por suas habilidades de luta superiores como poder roubar inimigos como a possibilidade de agarrar os personagens no mundo e chacoalhar, oferecendo ainda mais insight de suas personalidades, podendo dar alguma resposta engraçada ou até mesmo começar uma luta. Esse sistema de jogo é tão diferente e legal que estou surpreso que não foi replicado mais cedo em outros jogos, especialmente quando podemos equipar certas habilidades para que Jimmy possa usar em qualquer forma e até quando está normal, dando ainda maior variedade de estratégia.

Em questão de performance, o jogo opera extremamente bem no Switch, sem quaisquer carregamentos ou engasgos, ainda mais carregando praticamente instantaneamente ao ligá-lo. Por fim, em análises passadas, eu disse que todo relançamento que se preze deve incluir rascunhos e desenvolvimento de seus jogos para fins de preservação e curiosidade.

Esse meu pensamento se estende inclusive para ports de remakes, e Jimmy and the Pulsating Mass falha nesse quesito. Existem adições no relançamento como filtro CRT, opções de dificuldade e novas dungeons para explorar. Porém, a falta de arquivos do desenvolvimento, especialmente para um título bastante icônico do subgênero, é um grande detrimento para sua preservação. E seria também interessante a adição de um final alternativo, mesmo que seja necessário completar tarefas praticamente impossíveis.

Para aqueles que jogaram, entendem bem do que estou falando. Talvez vá de antemão com a narrativa oculta do jogo, mas considerando tudo que aconteceu com Jimmy, às vezes precisamos de um milagre e este relançamento poderia dar este sopro de alívio.

Fallin’ love, and

Jimmy and the Pulsating Mass é um excelente jogo que se inspira no subgênero Mother-like e consegue ter sua identidade própria. Como fã do gênero, estou satisfeito. A ausência de grandes adições, sem tradução para português brasileiro e seu sistema de luta frustrante podem incomodar no início, mas compensam com uma narrativa poderosa, imersão genuína e bastante criatividade de jogabilidade.

A inocência infantil se choca de frente com a frieza da realidade, mas o calor no coração humano consegue derreter até os mais gélidos calafrios, deixando a esperança iluminar para um sonho melhor.

Prós

  • Narrativa densa e lore de partir o coração;
  • Personagens carismáticos, com designs únicos e em par com a premissa;
  • Excelente trilha sonora;
  • Sistema de transformação muito bem implementado;
  • Bebe de uma fonte rica mas consegue assumir identidade própria com humor e escuridão sem parecer cínico;
  • Performance excelente no Switch.

Contras

  • Ausência de português brasileiro;
  • Combate bem feito, mas que pode se tornar repetitivo e frustrante;
  • Ausência de adições de relançamento como making off e galeria;
  • O desejo de um final alternativo que não existe.
Jimmy and the Pulsating Mass — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Penguin Pop
Siga o Blast nas Redes Sociais
Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).