Navegando por águas profundas
Apesar de ser o décimo capítulo principal da franquia Ys, cronologicamente a história de Proud Nordics se passa após os eventos do segundo jogo da saga. Na prática, isso significa que aqui temos o protagonista Adol praticamente no início de sua trajetória, ainda distante de seu status lendário, em uma viagem pelo Golfo de Obelia.
No entanto, o que era para ser uma travessia marítima tranquila logo toma outros rumos quando o navio em que o herói se encontra é atacado por guerreiros parecidos com piratas. Já nesse primeiro contato, a figura de Karja — a poderosa princesa do bando — chama bastante atenção, e o destino, traiçoeiro como só ele, logo se encarrega de unir os dois jovens por um propósito maior que ambos.
É que, explorando a ilha de Carnac, Adol encontra uma estranha concha que lhe concede poderes especiais — a misteriosa Mana —, mas que também o prende magicamente à Karja após um duelo. Em meio aos ataques repentinos de misteriosas criaturas mortas-vivas que só são derrotadas com magia (os Griegr), ambos decidem então cooperar para salvar os habitantes do local e descobrir uma forma de se separarem.
O legal nisso tudo é que Karja não é uma mera coadjuvante, atuando, na verdade, como uma força motriz da história e como um interessante contraponto para o protagonista. A química entre os dois heróis rende ótimos momentos narrativos e sustenta bem a aventura durante toda a sua duração, com destaque para a possibilidade de criar combos estonteantes ao alternar entre eles no meio do combate.
Um ótimo RPG, ainda mais refinado em sua versão definitiva
Sendo Proud Nordics uma versão estendida de Ys X: Nordics, recomendo fortemente a leitura da nossa análise original do game, escrita pelo meu colega de redação Ivanir Ignacchitti. Menciono isso porque ela continua bastante relevante neste contexto, visto que Proud Nordics não revoluciona o que foi apresentado em 2024, optando na verdade por entregar uma experiência mais polida em todos os sentidos.
A meu ver, isso é algo muito positivo, pois, em seu lançamento original no Switch, Ys X: Nordics já era um ótimo jogo que fazia jus ao rico legado da Falcom. Na prática, continuamos então com um desafiador e divertido RPG de ação, cujo combate é realizado em tempo real, com o jogador podendo alternar a qualquer momento entre Adol e Karja para construir combos e sequências expressivas contra os vários inimigos.
Ao contrário de outros jogos da saga — como Ys VIII: Lacrimosa of Dana —, Proud Nordics traz somente a dupla de protagonistas como jogável, com outros personagens do elenco assumindo a missão de auxiliar na jornada. Não obstante, todo o carisma e charme esperados de um bom RPG japonês se fazem presentes aqui, e o elenco um tanto reduzido faz desta uma ótima porta de entrada para quem deseja conhecer a saga (que, infelizmente, ainda permanece relativamente desconhecida no Ocidente).
A caminho de Muspelheim
Mas o que exatamente mudou em Proud Nordics a ponto de justificar seu lançamento? Primeiramente, a navegação marítima — uma das grandes inovações, mas também fonte de críticas ao título original — foi reformulada. De modo similar ao que foi feito na releitura em HD de The Legend of Zelda: The Wind Waker, a Falcom introduziu formas de tornar a navegação marítima ainda mais ágil, reduzindo o caráter repetitivo da mecânica e poupando tempo dos jogadores.
Para quem não gostou da ênfase do jogo original nos combates a bordo, uma nova opção de dificuldade (chamada de Sea Battle Assist) também permite tornar essas seções mais fáceis e menos tediosas. Resgatando a identidade da série e voltando a atenção para o combate e a exploração em terra, também foi adicionada uma nova localidade ao jogo — a Öland Island — que inclui uma história paralela e apresenta dois novos personagens à trama: Canute e Astrid.
Sem entrar no campo dos spoilers, se aventurar por Öland e resolver seus vários puzzles me fez lembrar de alguns dos melhores momentos de Ys IX: Monstrum Nox e Ys VIII, o que acredito que vai agradar a outros fãs veteranos. Da mesma forma, apesar de os novos personagens não se desenvolverem tanto quanto poderiam, eles trazem adições à narrativa que ajudam a enriquecer a lore da saga, inclusive dando pistas sobre o possível futuro da franquia.
Por fim, há uma nova dungeon para o pós-jogo — chamada de Muspelheim — e uma série de melhorias de performance e qualidade gráfica que, especificamente para o público nintendista, demonstram todo o poder do Switch 2 frente ao seu antecessor. Vamos a elas.
Demonstrando todo o poder do Switch 2 em uma ótima adaptação
Ys X: Proud Nordics marca a estreia da franquia Ys no Switch 2 e o resultado, francamente, não poderia ser melhor. Se Ys X: Nordics sofreu com a performance no primeiro Switch, esta versão definitiva não somente não enfrenta esses problemas, como também mostra que o novo console tem poder de fogo suficiente para entregar ótimas experiências quando o assunto são RPGs de ação.
O trabalho de adaptação para o Switch 2 no Ocidente ficou a cargo da PH3, empresa liderada pelo entusiasta Durante, que trabalhou nas ótimas adaptações de The Legend of Heroes: Trails from Zero e sua sequência Trails to Azure para o Switch. O resultado prático é um ótimo port, que faz uso da tecnologia de upscaling DLSS para entregar dois modos gráficos — Qualidade e Performance — com excelentes resultados.
Como esperado, o modo Qualidade foca nos gráficos, mas sem comprometer a performance, mantendo-se estável a 60 quadros por segundo. Já o modo Performance sacrifica alguns recursos visuais para atingir 120 quadros por segundo, entregando uma experiência extremamente fluida, principalmente no modo portátil com a tecnologia VRR da tela.
Sair dos 30 fps da versão de Switch para o dobro (ou até o quádruplo) disso no Switch 2 é realmente transformador, principalmente porque a responsividade extra acaba beneficiando a jogabilidade e até a própria percepção da experiência. Como todo bom RPG de ação, Proud Nordics se beneficia de comandos precisos e ágeis em combate, e a adaptação para o novo hardware consegue entregar justamente isso, sem deixar de valorizar os simples, mas belos, visuais em anime do título.
Só há um grande problema: ao contrário de tantos outros jogos aprimorados para o Switch 2, não há, no momento em que escrevo esta matéria, nenhum desconto ou possibilidade de upgrade para quem comprou Ys X: Nordics no Switch, já que Proud Nordics está sendo tratado como um jogo separado. Em termos práticos, essa não é uma prática incomum no ramo dos JRPGs — vide os lançamentos separados de Persona 5 e Persona 5: Royal, por exemplo —, mas ela não deixa de ser uma surpresa um tanto quanto negativa, considerando que não faz nem dois anos do lançamento original no Ocidente.
Infelizmente, Proud Nordics também não conta com localização em português brasileiro, algo que acredito firmemente que deveria constar em toda versão que se autoproclama “definitiva”. Pelo menos, todos os DLCs e cosméticos lançados para o jogo original estão presentes aqui, o que eleva significativamente o valor do título quando consideramos o preço dessas adições separadamente em nosso mercado.
A versão definitiva de um ótimo RPG de ação
O décimo capítulo da saga Ys já era um bom jogo, mas Ys X: Proud Nordics consegue torná-lo ainda melhor. Embora a ausência de upgrade entre as versões de Switch e Switch 2 incomode, não há como negar que hoje esta é a forma definitiva do competente RPG de ação, que finalmente encontra uma versão à altura da sua experiência no novo console da Nintendo.
No mais, que venham então os próximos capítulos (ou adaptações de Ys XIII e IX). Afinal, além de ser facilmente recomendável, o encontro entre Ys e Switch 2 é mais um indício do futuro brilhante que os RPGs podem ter no novo console da Nintendo.
Prós
- Com adições de qualidade de vida e inclusão de novo conteúdo (como a Ilha Öland e a dungeon Muspelheim), entrega a versão lapidada e definitiva de Ys X: Nordics;
- Dois anos após o lançamento do jogo original no Ocidente, permanece divertido e envolvente dentro da sua proposta de RPG de ação;
- A dinâmica de dois protagonistas e o elenco reduzido fazem desta uma boa porta de entrada para quem deseja conhecer mais sobre a franquia Ys;
- Graças ao hardware mais avançado do Switch 2 e à boa adaptação técnica, entrega o dobro e até o quádruplo de performance em relação à versão de Switch, aumentando a fluidez da experiência e provando que o novo console consegue proporcionar boas versões de ARPGs.
Contras
- Não há possibilidade de upgrade ou desconto para quem comprou Ys X: Nordics no Switch;
- Sem localização em PT-BR.
Ys X: Proud Nordics — PC/Switch 2/PS5 — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela NIS America







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