Em 2012, o jogo chegaria à Nintendo com um remake para Wii, incluindo controles de movimentos, novos finais e sessões em trilhos. E agora, em 2026, temos Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake, trazendo o consagrado título aos hardwares atuais. Sem mais delongas, pegue na minha mão e venha comigo porque eu não vou entrar nessa vila sozinho.
Aldeia dos amaldiçoados
Mio e Mayu Amakura são irmãs gêmeas. Elas estão visitando uma pequena área em uma floresta local onde costumavam brincar quando crianças, que será brevemente soterrada por uma construção próxima. No passado, as duas eram extremamente próximas, mas um incidente causou um dano permanente na perna de Mayu, que agora está manca e, mesmo que as duas meninas se amem muito, estão mais distantes do que costumavam ser.
No entanto, a paz das irmãs é interrompida quando uma borboleta escarlate misteriosa aparece e, sutilmente, leva-as para a misteriosa vila Minakami, conhecida por rumores de rituais macabros e que, se alguém entrar, não vai sair nunca mais. Em dado momento, Mayu se separa de Mio e cabe a nós reunir as irmãs e encontrar alguma forma de escapar do pesadelo fantasmagórico.
Sobreviva se for capaz
Tal como uma boa história de terror, a trama é bem feita, com o laço tênue entre as irmãs muito bem estabelecido e a lore complexa da vila, com relatos de outras pobres pessoas que se perderam no local e espíritos errantes vagando sem rumo por partes específicas, presos em ações que faziam quando vivos. E estas são as grandes ameaças da franquia: almas penadas sem descanso algum e que perderam qualquer semblante de humanidade, atacando Mio sem pestanejar com agarrões, tochas esotéricas e assombrações abruptas.
Para se defender dos espectros vorazes, Fatal Frame é completamente diferente de seus conterrâneos mencionados ao simplesmente não optar por usar armas de fogo e armamentos regulares em seu arsenal. Ao invés disso, temos em mão a ilusiva Camera Obscura, um misterioso artefato que se assemelha com uma câmera fotográfica, mas com qualidades únicas. Criada pelo enigmático Dr. Kunihiko Asou, ela tem a capacidade de tirar fotos normais e captar fenômenos sobrenaturais e, com isso, pode atacar os espíritos ao deixá-los em um estado de animação suspensa; e, ao tirar fotos seguidas, exorcizá-los.
Brincar de paparazzi seria muito fácil e deixaria o combate extremamente entediante, então o jogo deixa mais interessante ao fazer com que o tempo de carregamento para tirar fotos varie com o filme selecionado (bem como seu poder de exorcismo), além de que é altamente recomendado tirar fotos no instante que o fantasma te ataque, criando o chamado “Fatal Frame”, que tira boa parte da vida do monstro e deixa ele congelado por mais tempo. É uma forma de combate única e interessante, mas a sensação de progressão pode ser vagarosa, considerando que a câmera está muito fraca no começo (colocar Zoom e Foco como upgrades a serem comprados não foi uma boa ideia, por exemplo) e podemos melhorá-la com o passar da odisseia. O jogo tem suporte de giroscópio e é extremamente satisfatório usar o Switch 2 como a câmera para confrontar os fantasmas.
Tem algo na outra sala…
Como o remake evoluiu desde seu lançamento inicial, há 13 anos? Na jogabilidade, temos agora os movimentos de poder dar uma evasiva contra os espectros e poder chacoalhar os fantasmas quando somos pegos, habilidades previamente inseridas no título Maiden of Black Water e que ajudam muito nos confrontos. Além disso, tem também o sutil comando de pegar na mão de Mayu e levá-la conosco, dita pelos desenvolvedores como “uma forma de mostrar o laço das duas”, funcionando muito bem para evocar os sentimentos entre as duas e recuperar vida mais rapidamente.
Em questão de imersão, o remake está impecável. A variedade mediana de filmes e seu pequeno armazenamento, aliada com a movimentação truncada e com poucos recursos (Mio pode andar, correr, andar agachada), além de que, esteticamente, o jogo está muito bem feito. Com uma ambientação extremamente imersiva e com o layout da vila praticamente impecável, construída como se fosse mesmo um local real e vivo e, mesmo com o eventual backtracking, fácil de se localizar. Também foram adicionadas novas áreas para explorar e side quests para completar, como fotografar duas estatuetas gêmeas para uni-las, baseada em uma brincadeira infantil em que era preciso separá-las e reuni-las, colocando mais camadas para a vida da vila morta.
Um detalhe interessante é na mudança da posição da câmera, removendo a posição original que ela estava travada à distância como nos primeiros Resident Evil e ficamos agora por cima do ombro, similar a títulos como Resident Evil 4 e Cronos, criando uma maior proximidade com as meninas. Outra adição legal para manter o jogador em constante estado de alerta é a possibilidade de algum espectro aparecer quando vamos abrir uma porta ou pegar algum item, com a opção de poder cancelar a ação e prevenir o confronto ou ficar na expectativa para ver se algo ocorre. São nos pequenos detalhes que mostram um carinho enorme em recriar um dos mais influentes títulos de terror.
No entanto, sua performance está travada em 30 fps e com certos soluços de textura, situações em que os fantasmas não estão totalmente carregados, e o carregamento moderadamente longo, sem contar os leves atrasos em certos combates, fazendo os fantasmas atacarem mais rápido e de forma injusta, especialmente quando eles entram no estado “Wraith”, que os deixa mais ferozes e fortes. O desafio seria interessante, se não fosse que eles carregam uma grande porcentagem da vida nesse estado e, como mencionado, a câmera no início não tira tanta vitalidade. Somando-se isso com a performance lenta, os combates podem ficar bastante tediosos. Por outro lado, o tempo de carregamento para começar o jogo é moderadamente rápido e não existe carregamento para entrar em áreas ou explorar a vila.
Em análises passadas, eu disse que todo relançamento que se preze deve incluir rascunhos e desenvolvimento de seus jogos para fins de preservação e curiosidade. Esse meu pensamento se estende inclusive para ports de remakes, e Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake cumpre muito bem esse critério. Como a Metal Gear Solid: Master Collection, a galeria está em um software vendido separadamente, o que é algo meio chato. Porém, seu conteúdo é bastante grosso, com muitas artes conceituais que comparam entre o título original e o remake, além da extensa trilha sonora muito bem composta. Infelizmente, o jogo e a galeria não estão traduzidos para português brasileiro, alienando uma parcela dos jogadores.
Dentro do jogos, existem algumas novidades como opções de roupas para enfeitar as irmãs (inclusive os trajes do jogo original) e filtros de câmera. Não da Obscura, mas para que o jogador possa tirar fotos do jogo, uma adição curiosa e em par com a proposta inteira da franquia, mesmo que as opções sejam sucintas. Também foi incluído um final adicional e bastante satisfatório, mas ignorando os acréscimos da versão do Wii (os dois finais adicionais e o modo nos trilhos), o que é uma pena, pois esta poderia ser a versão mais completa do clássico.
Artes visuais macabras
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é um relançamento bastante competente, introduzindo um ícone do horror nas gerações atuais e adaptando-o sem tirar sua essência.
Alguns soluços na sua performance e detalhes em sua jogabilidade um pouco ultrapassada não tiram os méritos deste remake, jogando seguro em trazer o que foi bom e adaptando o necessário. Com este relançamento e os retornos de Maiden of Black Water e Mask of the Lunar Eclipse, a possibilidade de um novo título de Fatal Frame parece mais clara, como uma foto de alta qualidade.
Prós
- História envolvente, com protagonistas interessantes e lore extremamente densa;
- Excelente imersão com ambientação de horror muito e uso do giroscópio ao tirar fotos;
- Extensa galeria de artes conceituais e trilha sonora de altíssima qualidade;
- Novas mecânicas são sutis, mas que fazem total diferença no combate e na exploração;
- Visualmente bonito e bem detalhado, com pouquíssimos serrilhados.
Contras
- Ausência de legendas em português brasileiro;
- Sensação de progressão lenta aliada com combate arrastado;
- Performance lenta, travada em 30 fps;
- Ausência de adições do remake de Wii.
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Koei Tecmo