Encabeçando o próximo passo do Gear.Club
Um dos pontos mais positivos do terceiro Gear.Club Unlimited é a inclusão de um robusto modo história, o qual dá ao jogador — um corredor iniciante, mas com inegável potencial — a missão de chefiar a expansão do clube de corridas europeu para outro país muito importante para o segmento: o Japão.
Logicamente, você não estará sozinho nessa missão: o veterano corredor Louis assume o papel de negociador e a mecânica Haruka faz a ponte com a cena automobilística local. Tudo isso enquanto a matriz Gearclub concede o investimento necessário para você começar a empreitada de forma modesta, mas do jeito certo.
Fazendo sua parte nas corridas e arrecadando dinheiro com boas performances, em pouco tempo você se verá comandando um verdadeiro empreendimento cujo combustível principal é a paixão por carros. O legal nisso é que o clube em si acaba se tornando um hub personalizável para acessar todas as atividades do jogo, como as próximas corridas e a concessionária, rendendo bons momentos quando consideramos que quase todo fã de automobilismo já sonhou um dia em ter sua própria equipe.
No entanto, apesar do começo promissor, não demora muito para Gear.Club Unlimited 3 começar a derrapar no que mais importa para um jogo do gênero: as corridas em si, que logo se mostram bastante repetitivas e pouco realistas em termos de física. Vamos a elas.
Acho que já vi isso antes
A história progride por meio de três tipos de eventos: corridas comuns (com número predeterminado de voltas), corridas contra o relógio e duelos. De todos esses, o que achei mais interessante foram os duelos — neles, cada corredor tem uma barra de energia própria, sendo que quem está atrás no placar perde energia ao longo da pista. No fim, é derrotado no confronto quem fica com a vida zerada primeiro, incentivando a competitividade.
Por sua vez, as corridas normais seguem de um ponto a outro — podendo acontecer em pistas fechadas ou rodovias repletas de veículos de passeio —, enquanto o objetivo de competir contra o relógio é chegar ao ponto desejado antes que o tempo acabe. Embora essa seja uma fundação relativamente sólida, a repetição à exaustão desses três tipos de eventos acaba cansando, principalmente porque o ato de correr em si rapidamente demonstra suas falhas.
Vamos lá: em termos de jogabilidade, Gear.Club Unlimited 3 mira no arcade à la Forza Horizon, mas erra a mão no processo, com uma física ensaboada e pouquíssimo realista que acaba prejudicando a experiência e contrastando com a verossimilhança dos carros licenciados. Bater em alta velocidade em outro veículo ou na própria pista, por exemplo, não produz danos de qualquer tipo e frequentemente resulta na impressão de que nada realmente aconteceu, além da perda temporária de velocidade.
Também é preciso falar da fraquíssima inteligência artificial do jogo e dos bugs. Uma das grandes novidades do jogo é a já citada possibilidade de correr em rodovias com tráfego. Na prática, essa experiência é tão crua quanto possível — os carros alheios não ligam para sua presença, não freiam e meramente existem na pista, acelerando com tudo para frente independentemente do que esteja acontecendo.
Essa característica já seria o suficiente para quebrar a imersão, mas há mais problemas: mais de uma vez, vi um carro que estava à minha frente simplesmente desaparecer no ar. Inicialmente, achei que fosse uma curva que não vi, ou simplesmente os meus olhos cansados me pregando uma peça, mas, como isso continuou a acontecer (e a função de gravação do Switch 2 não me deixa mentir), logo notei que se tratava de um bug grave na programação.
No mais, há ainda o efeito perceptível de “rubber banding”, no qual os oponentes frequentemente recuperam terreno de forma quase automática nas etapas finais de certas corridas, independentemente da performance do jogador. Esse tipo de inconsistência — extremamente irritante para o gênero — acaba transmitindo a sensação de que o resultado de determinadas provas foi ditado por sistemas invisíveis em vez da habilidade do jogador ao volante. Uma pena.
Potencial desperdiçado no Switch 2
Por fim, há a questão técnica no Switch 2 — para um exclusivo temporário, Gear.Club Unlimited 3 se sai surpreendentemente mal no console da Nintendo, com texturas, efeitos e cenários bem aquém do que sabemos que o dispositivo consegue entregar. Comparando com outros jogos de corrida já disponíveis no sistema, como o recente GRID Legends ou Fast Fusion, fica clara a diferença abismal na qualidade visual, sonora e, infelizmente, também na performance.
Sim, como esperado, são oferecidos dois modos gráficos — um focado nos visuais, operando a 30 quadros por segundo, e outro focado no desempenho, mirando nos 60 fps. Como em ambos a qualidade visual é sofrível, minha recomendação é escolher o modo voltado para a performance — só não espere uma taxa de quadros estável o tempo todo.
Ao menos, há suporte ao português brasileiro nas legendas, nos menus e também ao multiplayer local — este último sendo algo que GRID Legends, por exemplo, não entregou. Então, se você busca um jogo semirrealista para correr offline (nada de online) com um amigo no Switch 2, saiba que Gear.Club Unlimited 3 consegue, no mínimo, cumprir esse papel.
Largada queimada, mas que ainda consegue entreter os fãs do gênero
Infelizmente, Gear.Club Unlimited 3 não corresponde às expectativas no Switch 2, entregando uma obra repetitiva e pouco polida que falha em justificar sua exclusividade temporária na plataforma da Nintendo. É verdade que fãs inveterados do gênero encontrarão certo divertimento em criar e gerenciar seu próprio clube automotivo (bem como em personalizar a pintura ou os pneus dos carros licenciados), mas, para todos os outros jogadores, convém lembrar que há opções melhores no mercado.
Prós
- O modo história robusto, que envolve constante aquisição de carros e funcionalidades para o clube, é um diferencial para o gênero;
- Para os entusiastas, criar e gerenciar um clube automotivo no Japão logicamente terá seu lado divertido;
- Conta com multiplayer local para até dois jogadores;
- Localizado em PT-BR.
Contras
- A física ensaboada e pouco refinada tende a tornar as corridas um teste de paciência uma vez que a empolgação inicial se esvai;
- A inclusão de apenas três tipos de eventos (duelo, padrão e time attack) torna a experiência bastante repetitiva com facilidade;
- A Inteligência Artificial fraquíssima compromete a experiência e também a novidade das corridas com tráfego;
- Para um exclusivo temporário, a parte técnica se mostra bastante abaixo do esperado no Switch 2, com bugs, texturas e cenários remetendo a obras de baixo investimento e qualidade.
Gear.Club Unlimited 3 — Switch 2 — Nota: 6.0
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nacon







