Análise: Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage é o retorno decente do padrinho dos jogos de luta 3D

Último título da lendária série ressuscita a franquia com ótima performance, mas com poucos atrativos novos.

Spartan-X (no Arcade e no Famicom) deu à luz aos jogos de luta e Street Fighter (tanto o primeiro jogo quanto as versões do segundo) o aperfeiçoou. Mortal Kombat trouxe realismo e sangue, enquanto Virtua Fighter expandiu os horizontes, ampliando a profundidade do combate e do espetáculo, criando, assim, os jogos de luta em 3D.


Lançado originalmente em 2006 para arcades e portado logo em seguida para o PS3 e Xbox 360, Virtua Fighter 5 agora chega em sua forma completa como Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage. Sem mais delongas, escolha um lutador e venha comigo.

Briga! Briga! Briga!

Antes de começarmos a análise, uma rápida aula de história dos games: enquanto Virtua Fighter tem presença nas outras plataformas, a série é bastante tímida na Nintendo — Virtua Fighter 2 teve seu port de Mega Drive adicionado ao Virtual Console do Wii e do Nintendo Classic, a versão original de Virtua Fighter 2 roda dentro de Yakuza 2 e Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, além do spin-off Virtua Quest no GameCube. Se desconsiderarmos essas aparições esparsas, esta é a introdução da franquia no território da Nintendo, sendo uma excelente “primeira impressão”.

A performance no Switch 2 está impecável, rodando gloriosos 60 fps sem muita preocupação, especialmente para o foco principal do relançamento, sendo este o lado competitivo. O modo online conta com rollback netcode (para minimizar lags) e crossplay, sendo possível customizar as arenas para jogar com jogadores do seu nível, escolher campo, localidade e outros fatores. Além disso, também tem o modo World Stage, no qual enfrentamos 326 avatares controlados pelo sistema, modelados a partir de jogadores reais do ranking competitivo. 

Isso é muito legal e um tributo muito bonito ao eSport, além da recompensa gradual que ganhamos com cada vitória, adquirindo cosméticos para podermos enfeitar nossos personagens. Em questão de gráficos, o jogo está bonito, sem serrilhados evidentes, mas os modelos de personagem deixam óbvio como o jogo é ultrapassado, rodando na engine Ryu Ga Gotoku (a mesma dos jogos recentes de Yakuza) e como é um jogo de gerações atrás. 

Punhos de fúria

A grande fama de Virtua Fighter, comparada a seus conterrâneos em 2D e 3D, está em sua extensa combinação de golpes, especialmente com os cancelamentos de movimentos para criar execuções de ataques punitivas (não tão brutais quanto em Tekken e em jogos da SNK, mas ainda uma farta distribuição de “bolacha”). World Stage apresenta esse core da franquia e ainda uma muleta adicional para novos jogadores, com um dos botões do controle funcionando como a combinação dos três botões principais de Virtua Fighter (soco, chute e defesa), possibilitando um atalho para cumprir as execuções.

Os comandos funcionam muito bem e Virtua Fighter funciona na base de “a prática leva à perfeição”, onde devemos nos adaptar ao ritmo do jogo para poder apreciar ao máximo os golpes (uma dica: ficar apertando botões a esmo não é a melhor estratégia). Algo chato, no entanto, jaz na péssima expressividade em elaborar o comando certo para as direções tanto no modo treino quanto no manual de instruções. Aparecer escrito “botão de soco” sem a opção de descrever como “botão X”, por exemplo, poderia ser uma ajuda adicional para novatos da franquia.

Campeões anônimos

Se o objetivo de Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage é simplesmente trazer um jogo de luta para as gerações atuais — especialmente com Mortal Kombat tendo desaparecido completamente após o desastre de MK 1 e Tekken 8 só trazendo vergonha atrás de vergonha —, então ele cumpriu seu dever muito bem. No entanto, ele falha em um quesito grande: motivo de compra. Considerando o status inativo da franquia, a falta de introdução a uma nova leva de jogadores ao universo de Virtua Fighter é algo que não foi pensado neste relançamento. À nossa disposição temos 20 lutadores: 19 no jogo base, com a “chefão” Dural como DLC, contabilizando todos os personagens de todos os jogos em um só lugar. 

É um elenco colorido que emana personalidade (jogadores de Super Smash Bros. devem estar bastante familiarizados com Jacky Bryant e Akira Yuki), mas que carece de história. Quem são esses personagens? O que os move para lutar? A abertura é o máximo de vídeo e informações que temos sobre os lutadores porque, ao finalizarmos o modo campanha, não adquirimos absolutamente nada. Nem mesmo um vídeo para ver o que houve após o jogo, nenhuma biografia para descrever nosso jogador, absolutamente nada.

Em análises passadas, eu disse que todo relançamento que se preze deve incluir rascunhos e desenvolvimento de seus jogos para fins de preservação e curiosidade. Esse meu pensamento se estende inclusive para ports de remakes, e Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage cumpre o papel, mas de forma estranha.

Tal como Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake e a Metal Gear Solid: Master Collection, a galeria está em um software vendido separadamente, o que é meio chato. Nela, temos uma extensa galeria de música para escutarmos, com todas as músicas da série principal (ou seja, nada de Virtua Quest), inclusive aquelas das versões diferentes de Virtua Fighter (arcade, Sega Saturn e Mega Drive) e até músicas que nunca foram lançadas. Fora isso? Um artbook bem compreensivo do primeiro Virtua Fighter, mostrando dados da produção e até mesmo modelos iniciais de personagens. 

E só. Nada do icônico VF2, nenhum perfil de personagens, nada da produção de VF5 (mesmo ele estampando o menu principal), tudo em inglês ou japonês, o que é muito estranho porque o jogo tem boa legendagem em português (exceto nas falas dos personagens antes e depois das lutas, estranhamente).

Por fim, além das customizações dentro do jogo, também temos cosméticos muito legais vendidos por DLC, com roupas de Yakuza, Tekken e até dos dois primeiros Virtua Fighters. Roupas muito legais, mas é chato que não possamos ter uma ideia de como elas são antes de entrarmos na luta, porque não existe um visualizador para vermos os trajes ou, de novo, uma galeria para ver as roupas isoladamente.

十年早いんだよ!

Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage é a estreia definitiva da série na Nintendo e uma boa porta de entrada para novos combatentes. Seus comandos precisos, gráficos bonitos e rodando de forma impecável são excelentes atrativos para quem busca expandir seus horizontes sobre jogos de lutas e até prestar respeito a uma das franquias mais importantes dos jogos.

No entanto, erros crassos na execução do respeito ao seu legado, a ausência de modos de jogador único, boa parte dos reais agrados sendo relegados ao DLC e o completo vazio de história podem desapontar aqueles lutadores que esperam uma compreensão maior desta série tão icônica. Ela não precisa treinar por mais dez anos, mas um pouco mais de finesse para se adaptar aos tempos modernos poderia realmente reviver Virtua Fighter.



Prós 

  • Elenco na quantidade certa, com todos os personagens da franquia e únicos em seus próprios quesitos;
  • Muito bem traduzido para o português brasileiro;
  • Excelente conexão online, com rollback netcode e crossplay;
  • Comandos que respondem muito bem;
  • Sistema de luta complexo, mas que impulsiona o aprendizado rápido;
  • Galeria de trilha sonora extensa;
  • Esteticamente muito bem feito.

Contras

  • Galeria de making of interessante, mas negando o legado da franquia;
  • Certas descrições podem ser confusas;
  • Ausência completa de história, perfil de personagens ou compreensão do universo;
  • Roupas mais interessantes relegadas ao DLC.
Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sega
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Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
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