Entre os anos 1980 e 1990, antes da fusão com a Square, a Enix era uma das principais produtoras de RPGs do Japão. Além de produtos extremamente influentes, como Dragon Quest, a companhia foi responsável por publicar diversos títulos experimentais e com ideias curiosas.
Uma das desenvolvedoras que teve alguns jogos interessantes publicados pela empresa foi a Quintet, criadora de obras como Illusion of Gaia, Terranigma e Soul Blazer. Dessa parceria também surgiu Robotrek (conhecido no Japão como Slapstick), que chegou ao Super Nintendo em 1994.
Seguindo os passos de um gênio
A história de Robotrek se passa no planeta Quintenix, um mundo cuja longa era de paz é interrompida pelo surgimento de um grupo conhecido como The Hackers, que passa a causar tumulto em diferentes regiões. Uma das áreas diretamente afetadas é a cidade de Rococo, lar do renomado inventor Dr. Akihabara.
O protagonista da história é o filho de Akihabara, que aspira ser tão genial quanto seu pai. Em determinado momento, a organização criminosa passa a demonstrar interesse nas invenções do grande cientista, mas ele se recusa a colaborar com seus planos. Nesse contexto, o jovem inventor acaba se envolvendo em uma jornada para proteger sua família e impedir que os Hackers utilizem a tecnologia para fins destrutivos.
A trama de Robotrek certamente não é das mais originais, mas funciona bem dentro da proposta leve do jogo. Com o tempo, a narrativa ganha escala e passa a incorporar elementos mais ambiciosos, como a busca por fragmentos de uma pedra misteriosa e conceitos ligados à viagem no tempo.
Construindo as ferramentas da aventura
Como a própria trama indica, o grande diferencial de Robotrek está na fabricação. Na casa do protagonista e em alguns locais específicos, temos acesso a uma área de trabalho que nos permite construir robôs para o combate e combinar itens variados a fim de criar novos equipamentos.
Para adquirir novas receitas, precisamos ler livros espalhados por diferentes regiões do mundo. Como esses textos exigem um nível mínimo para serem acessados, frequentemente somos levados a revisitar áreas já exploradas para obter fórmulas que não podíamos aprender em nossa primeira passagem.
É importante destacar que alguns dos objetos produzidos também são utilizados para diferentes fins durante a exploração, sendo, na maioria das vezes, indispensáveis para resolver puzzles ou desbloquear novas passagens. Logo no início da aventura, por exemplo, temos que construir uma furadeira para destruir uma rocha que impede o avanço na campanha.
O sistema de construção em Robotrek não é tão profundo quando comparado ao de jogos que surgiram anos depois, mas se mostrava bastante diferenciado para um RPG da época e contribuía para dar ao título uma identidade própria.
Grau considerável de personalização
Em Robotrek, podemos visualizar os inimigos enquanto exploramos as dungeons, com os confrontos iniciando apenas quando nos aproximamos deles. Durante as batalhas, utilizamos apenas um robô por vez, mas podemos carregar até três unidades e alternar entre elas ao longo das lutas.
Os confrontos seguem um sistema tradicional por turnos, com uma barra similar ao ATB de Final Fantasy, que precisa ser preenchida antes de podermos agir. Em nosso turno, conseguimos nos mover para as quatro direções dentro do campo de batalha antes de atacar, o que adiciona uma camada tática ligada ao posicionamento, já que golpes pelas costas causam dano adicional.
Um aspecto interessante é que os ataques dos robôs variam conforme o equipamento utilizado. Armas corpo a corpo, como espadas e machados, favorecem confrontos em curta distância, enquanto pistolas permitem atingir inimigos de longe. Além disso, cada tipo de ação apresenta um tempo de recarga distinto, elemento que se torna especialmente relevante em batalhas contra vários adversários.
Quando subimos de nível, somos capazes de distribuir os pontos recebidos entre cinco atributos dos robôs, sendo eles: ataque, defesa, velocidade, vida e tempo de recarga da barra de ação. Por meio da mesma máquina utilizada na criação das unidades, também é possível ajustar livremente esses parâmetros a qualquer momento.
No geral, o sistema de combate de Robotrek é divertido e, principalmente, curioso para sua época (vale lembrar que Front Mission, que possui um grau de personalização muito maior em relação aos robôs, foi lançado no ano seguinte). Combinar diferentes itens em busca de armas mais poderosas acaba se tornando parte fundamental da experiência e gera um nível de experimentação bastante agradável.
No entanto, por não ter tanta variedade de equipamentos e por os atributos de ataque e defesa se sobressaírem bastante a longo prazo em relação aos demais, os confrontos acabam se tornando um tanto repetitivos com o tempo. Felizmente, graças à baixa duração do jogo, a campanha já está próxima do fim quando esse sentimento começa a surgir.
Curioso e divertido
Robotrek pode não estar entre os RPGs mais memoráveis do extraordinário catálogo do Super Nintendo, mas ainda assim merece reconhecimento por sua proposta curiosa e por explorar ideias pouco comuns dentro do gênero na época.
Revisão: Beatriz Castro








