Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen está bem próximo do lançamento para o Switch 2, então o final da história do primeiro não poderia ficar para depois. A primeira e a segunda parte já apresentaram muito sobre o mundo do jogo, mas apenas a final possui as explicações sobre esses conceitos que, inclusive, ajudarão a entender melhor o segundo título. No final do texto, será comentado brevemente também sobre quais decisões podem ser feitas durante a campanha e quais finais são possíveis. Então prepare-se para encontrar bastante spoiler aqui!
O fim do Salvation e a luta contra Grigori
Um grupo de soldados conspiradores contra o ducado levou um cadáver de cocatriz para a capital, que foi revivido por uma magia do culto nos campos de plantação da cidade, atacando os trabalhadores. O herói consegue derrotar o monstro, mas nenhum dos cultistas estava presente no local.
A ressurreição foi premeditada e, tão logo a realeza agradece mais um grande feito do Arisen, a Wyrm Hunt descobre que Elysion e seus seguidores tomaram a fortaleza na grande muralha da região de Barta Crags, ao noroeste.
O Arisen consegue chegar ao local e derrotar vários monstros trazidos pelo culto, encontrando Elysion no topo da fortaleza. O cultista vê o grande dragão se aproximando, celebra sua chegada nomeando-o de “todo-poderoso e impiedoso Grigori”, e pede para a criatura cumprir seu papel.
No entanto, o dragão esmaga Elysion, chamando-o de um inseto insignificante. Em seguida, o herói é convocado para o confronto final. Grigori diz que apenas sua morte acabará com a enxurrada de monstros e destruição que assola Gransys e que o culto nunca teve uma participação importante na história.
Ele provoca o Arisen dizendo que ainda está longe de ser possível que o herói o mate, mas que ele pode procurá-lo no seu covil em Tainted Mountain, localizada abaixo da muralha. Antes disso, porém, é possível ir até o Dragonforged novamente, que dará um pergaminho com instruções ao Peão de como ajudar o jogador a vencer o dragão.
Em Tainted Mountain, Grigori questiona o motivo de o herói ter aceitado o desafio, se ele sabe dizer se essa determinação é sua ou de “algo maior” por trás disso. O Arisen então vê que Mercedes foi sequestrada pelo dragão e feita de refém pela criatura.
Observação: a pessoa sequestrada pode ser qualquer NPC com quem o protagonista criou mais afeto ao longo do jogo. Para contar essa história, escolhi a Mercedes.
Grigori então oferece uma escolha: o Arisen pode sacrificar a pessoa que mais ama em troca de poder supremo, que ele revela ter sido o pacto aceito por Edmun, ou lutar até a morte. Isso explica por que o Duque sempre tinha novas esposas e qual seria o destino de Aelinore.
Nesse momento, é possível aceitar o pacto. O herói vira o novo Duque, mas o jogo considera isso como um “game over” e retorna para a cena da escolha. Recusando o pacto, o herói enfrenta o grande dragão em uma batalha épica.
Com a morte de Grigori, o coração roubado retorna ao peito do Arisen. Ele então avisa ao herói que o futuro da humanidade só será descoberto ao visitar as profundezas de Gransys.
Em seguida, uma cena mostra que não só o Arisen, mas Dragonforged e Edmun também receberam seus corações de volta. Isso significa que o dragão já deveria ter sido derrotado por esses outros dois Arisen, que nunca o fizeram.
Portanto, chega ao fim a magia que mantém a longevidade deles. Dragonforged morre e a juventude do Duque Edmun se quebra, revelando-o como um velho decrépito que acusa o Arisen de traição.
Por essa cena, dá a entender que Dragonforged também fez algum acordo com Grigori. Existe uma teoria entre fãs que diz que ele pediu por um grande conhecimento, por isso saberia tanto sobre o dragão para criar o pergaminho. Porém, o jogo nunca informa qual foi o acordo e o que Dragonforged teria sacrificado em troca.
De volta à Gran Soren, o Arisen vê Maximilian e a Wyrm Hunt surpresos com a mudança do Duque. Eles não têm outra ação senão concordar que foi uma maldição do dragão em conluio com o protagonista e decidem atacá-lo.
A misteriosa luz mágica que aparecia em Everfall rompe a terra abaixo da capital, abrindo um gigantesco abismo no centro de Gran Soren. A única forma de o herói fugir é deixar-se ser engolido pelas profundezas de Gransys.
A verdade por trás do Dogma do Dragão
Ao mergulhar no Everfall, o herói depara-se com mais Peões vivendo na masmorra; um deles é Quince, uma Strider que acompanhou Savan no prólogo do jogo e diz que está tentando coletar wakestones, que são pedras de magia arcana que podem trazer os mortos de volta à vida. O Arisen se alia à Quince para coletar as wakestones, e ela as usa para abrir uma fenda especial que leva o protagonista ao seu verdadeiro destino: o trono do Seneschal.
Lá, ele encontra um ser brilhante vestindo uma túnica branca, revelando-se como sendo o próprio Savan. O guerreiro então conta a verdade por trás da existência dos dragões: o Dogma do Dragão.
O Seneschal é um Arisen que se tornou o guardião do mundo, que deve garantir a continuidade da existência dos seres. Parte do seu poder é criar vida, mas também trazer a destruição quando necessário.
“The Maker”, que a religião Faith menciona, possivelmente trata-se do Seneschal, mas isso não fica totalmente claro. Quando perguntado sobre o que ele é, Savan responde:
“Há quem chame tal ser de Criador ou Deus. Não posso negar essa afirmação, assim como não posso afirmá-la. No fim, são apenas palavras. Chame como quiser, esse é o ofício que exerci, assim como aqueles que me precederam e os que virão depois de mim, pela eternidade…”
Quando um Arisen chega ao Seneschal, mas falha no teste final de Vontade, sua alma é aprisionada em um corpo de dragão. Grigori era um Arisen do passado que perdeu a batalha para Savan e foi transformado na criatura que buscaria um novo herói.
Seu nome, no entanto, provavelmente não é Grigori. Esse termo vem do grego gregoroi, em referência aos anjos caídos da cultura judaico-cristã, o que faz sentido com a trajetória de um Arisen que acabou falhando e sendo “expulso” do céu.
Também faz mais sentido com a cena do Elysion, já que seria estranho ele ser o único personagem no jogo todo que saberia o nome verdadeiro do dragão, algo que nem o Dragonforged saberia. Mesmo assim, a comunidade adotou Grigori como o nome do personagem.
A revelação de Savan mostra que o mundo vive em um ciclo constante, que seria necessário para manter a existência do universo. Logo, novos Arisen e dragões sempre irão surgir por intervenção do Seneschal.
É por saber disso que Grigori questiona se o protagonista estava agindo por conta própria ou não, já que o confronto é sempre forçado a acontecer, independentemente de quem vença.
Um dos finais possíveis nesse momento é enfrentar Savan e perder, fazendo com que o protagonista se torne o próximo dragão, mas essa opção também é uma tela de fim de jogo que dá ao jogador a chance de voltar. Desafiando e derrotando Savan em combate, o herói prova ter uma Vontade superior.
Savan, então, diz estar exausto de manter a existência de um mundo estagnado por séculos. Ele entrega uma lâmina mágica ao Arisen chamada Godsbane e pede o fim de sua jornada como guardião do mundo.
Matando o Seneschal, o Arisen assume o trono divino. Alguns anos se passam e é possível descer à Terra e ver que as pessoas de Cassardis e Gran Soren estão bem, vivendo em um mundo de paz.
Nessa hora, curiosamente, descobre-se que até o guardião do mundo não consegue nadar. Mesmo sendo Seneschal, se o personagem entrar em qualquer parte de água funda, uma criatura vermelha chamada Brine o absorve e joga-o de volta para a praia.
Curiosidade: na prática, foi a solução dos desenvolvedores para não ter que lidar com animação de nadar, mas virou parte característica desse universo, tanto que continua em Dragon’s Dogma 2.
Voltando para a história, o herói percebe então a solidão implacável de seu cargo e a tragédia por trás do ciclo: ele, eventualmente, enviará um dragão para a Terra, que destruirá tudo novamente em busca de outro Arisen.
Acreditando que o mundo só irá progredir de verdade se o ciclo for quebrado, o protagonista usa a Godsbane em si mesmo, sacrificando a própria vida e divindade.
O herói e seu Peão então despencam dos céus em direção ao mar de Cassardis. Na praia, o Peão, possivelmente levado até lá pelo Brine, desperta e pensa estar dentro do corpo do Arisen. Na verdade, após anos vivendo juntos, o Bestowal of Spirit aconteceu.
Selene, ainda vivendo em Cassardis, encontra o Peão. Inicialmente, ela pensa ser o Arisen, mas logo percebe o que aconteceu. Ela comenta como o Arisen e Sofiah deram suas vidas por eles e então convida o Peão, agora humano, para junto dela, a fim de que possam viver a vida que seus mestres desejaram para os dois. O mundo, finalmente, está livre do dogma.
Decisões, segredos e finais
Agora é um bom momento para comentar sobre algumas mudanças que os jogadores podem experimentar na história. Um exemplo que faz muita diferença é nessa última cena da praia. Geralmente, o mesmo NPC na cena do Grigori é o que aparece em Cassardis no final. É possível que venha outro, como no caso mostrado nesta explicação, em que primeiramente tivemos Mercedes e depois Selene, mas é mais difícil acontecer.
Existe um cálculo interno que, em nenhum momento, é mostrado ao jogador, que classifica quem é o NPC com maior afinidade com o protagonista, como informado anteriormente. Isso é baseado em missões concluídas, presentes entregues, diálogos e outros parâmetros.
É esse contador interno que vai decidir o seu “personagem amado”, que está em constante mudança de classificação durante o jogo. Isso é legal por um lado, por apresentar cenas diferentes, mas ruim por outro, pois isso pode gerar uma frustração ao jogador justamente pela troca de NPCs.
Selene é a única personagem no jogo todo que percebe que é o Peão na praia. Faz sentido, porque só ela entende o Bestowal of Spirit. No entanto, se ela não estiver ali, o jogador perde uma explicação importante da história.
Fora ela, há somente outras quatro personagens com diálogo: Mercedes, Quina, Madeleine (não mencionada anteriormente, porque ela tem pouca participação na campanha) e Aelinore. Elas só notam que há algo diferente, mas não sabem dizer o que é.
Falando sobre Mercedes e Julien, por exemplo, caso não sejam seu NPC amado, simplesmente somem do jogo e não voltam mais para as partes finais. Ela nunca retorna de Hearthstone, e Julien ou vai embora após confrontá-la ou morre caso o jogador decida ajudar Mercedes.
A única forma de Julien continuar fazendo parte da história é revivendo-o com uma wakestone, fazendo com que ele seja preso e posteriormente libertando-o da prisão. Apenas nesse momento ele pode se tornar um NPC amado, e você também recebe o escudo de Mystic Knight que ele usava. Esse é outro caminho que o jogo nunca vai informar ser possível. A parte ruim desta possibilidade é que o personagem não fala nada para o Peão na cena da praia.
Quina pode acabar falecendo nas primeiras horas da campanha sem nenhum aviso, só porque o jogador não quis visitar Cassardis após a luta com a hidra. A possível explicação é que ela morreu perdida em Witchwood, sem maiores detalhes.
Inclusive, o treinamento da Quina com Mason nunca acontece, ficando somente na promessa. O agente e a igreja escondida na floresta não têm participação nenhuma na história após a missão das catacumbas.
A primeira hidra, que tem uma cena bem impactante no início do jogo, é um chefe opcional que muitos podem nem saber que existe jogando pela primeira vez. A missão de enfrentá-la só fica disponível no quadro de avisos de Cassardis após a morte do dragão.
Aelinore, que não foi muito citada, mesmo podendo ser sua pessoa amada, não é diferente de outros NPCs. Até existe uma cena em que o Duque descobre a traição, pune o herói e quase mata a Duquesa, mas a história ainda segue como se nada tivesse acontecido.
Hearthstone, Voldoa e Meloire não são exploráveis e raramente são mencionados. A origem do Salvation, contada na parte 2, não está em nenhuma das missões principais, e só foi possível saber mais a fundo pesquisando na wiki do jogo.
Sobre a trajetória do Arisen, portanto, dá para estabelecer que os finais possíveis são três:
- Derrotar o Grigori e nunca explorar Everfall;
- Derrotar o Seneschal e tomar o lugar dele;
- Acabar com o ciclo do Dragon’s Dogma.
Perder para o Seneschal ou desistir de se tornar um só resulta em game over, assim como aceitar ser o Duque/Duquesa no acordo com o dragão, portanto são cenários que não contam como finais.
Quando Grigori morre, o jogo vai para os créditos, então esse seria o final “ruim”, porque é só desligar o jogo e nunca ir até Everfall para coletar wakestones. Tecnicamente falando, a missão principal terminou e o Arisen venceu.
Chegar ao trono do Seneschal e assumir o lugar dele seria o final “neutro”. O jogo nunca te avisa que é possível usar a Godsbane em si mesmo nessa hora, então jogadores desavisados podem só ficar como novo Seneschal e deixar por isso mesmo.
Acabar com o ciclo do Dragon’s Dogma é o final “bom”. A vida continua, seu Peão passa a ter uma Vontade própria e nenhum dragão virá para a Terra. Para quem ficou curioso sobre como é possível, então, que exista um Dragon’s Dogma 2, vai precisar jogar o segundo título para saber. Não irei publicar uma explicação da história em um futuro próximo, principalmente porque ele chegará ao Switch 2 nesta semana.
Jogue Dragon’s Dogma!
E essa é a história da campanha e do universo do Dragon’s Dogma. Na primeira parte dessa série especial, disse que se tratava de um RPG peculiar, porque, embora ele tenha muitos conceitos legais, eles são apresentados de forma um tanto confusa ao longo do jogo.
Boa parte das explicações só está no final verdadeiro do Seneschal, sem contar que a trajetória de muitos personagens não é clara ou simplesmente não existe um final para eles.
Ainda assim, é a jogabilidade que é responsável por boa parte da experiência. Dragon’s Dogma foi criado pelos desenvolvedores de Devil May Cry e Monster Hunter na Capcom, o que explica o foco maior na ação frente ao desenrolar da história. Mas, quando você junta as peças no lugar, é um mundo muito interessante.
Se ainda não jogou, dê uma chance para Dragon’s Dogma: Dark Arisen. Mesmo já sabendo da história, ainda há a descoberta do mundo, as lutas contra os monstros e a trilha sonora épica que só com o jogo em mãos será possível apreciar.
Estamos vivendo um momento de ótimos lançamentos da Capcom e, em breve, o segundo jogo será lançado no Switch 2 em um pacote completo com uma nova expansão. Não há hora melhor para experimentar essa joia escondida.
Revisão: Juliana Alvarenga












