Crônica

#Mario30th: Super Mario 3D Land (3DS)

Com fases curtinhas e misturando o melhor dos Marios 2D e 3D, a Nintendo encontrou a fórmula perfeita para se jogar em um portátil.

— Finalmente! — eu pensei em voz alta ao jogar Super Mario 3D Land pela primeira vez. O portátil da Big N fora lançado em março de 2011 no Ocidente e, apesar de eu ter ficado satisfeito com o resultado do efeito tridimensional que o aparelho trouxera, não conseguia esconder uma ponta de frustração por nenhum jogo ter criado uma interação apropriada com a jogabilidade. Nenhum título exigira realmente que aquele efeito 3D bacana, que não precisava de óculos, ficasse ligado o tempo todo até então. — Ainda estão aprendendo a desenvolver para o portátil — eu minimizava na época — e o próximo Mario será o "divisor de águas"! — foi com essa previsão otimística que eu aguardei ansioso e, como esperado, a Nintendo não me deixou na mão: o jogo era tudo que eu esperava e mais!


— Foi para me impressionar! — eu disse, em tom de brincadeira, enquanto comentava com os amigos sobre as duas opções de efeito 3D no jogo. Os desenvolvedores relataram, em um dos saudosos Iwata Asks, que 80% das pessoas que testaram o game preferiram um tipo de 3D (com menos profundidade), e o restante, a outra opção. Ao invés de preguiçosamente retirar aquela com menos adeptos, deixaram as duas, o que demonstrou claramente que o pessoal responsável pelo título não mediu esforços para agradar a todos os jogadores. Bom para mim, que estaria entre os 20%, já que a opção com o ponto de vista alterado me agradou menos.
Mesmo sem as sombras para ajudar, com o efeito 3D ligado é possível acertar os blocos.
O efeito 3D estereoscópico ficou tão primordial à jogatina, que esse foi o único game que eu joguei do início ao fim com o 3D ligado no máximo. Acertar o ponto exato de pulos seria uma tarefa bem mais complicada sem esse efeito. Além disso, jogar em 2D deixa o jogo muito plano, já que ele foi todo concebido para ser visto com profundidade. Claro que eu testei a forma bidimensional, mas era muito estranho, como se algo estivesse fora do lugar. Até puzzles do game foram criados pensando na tridimensionalidade e, em certos momentos, o seu uso chega a ser mesmo obrigatório, com indicação que o efeito deve ser ligado no canto da tela. Não ficou detalhe algum esquecido, um verdadeiro exemplo a ser seguido por desenvolvedores que queiram aproveitar essa tecnologia.
Aqui, o 3D é obrigatório.

Uma mistura de Marios

— Super Mario 3D Land é o jogo perfeito para converter os jogadores de Marios 2D — era algo comum sendo dito por mim naquela época. — Ele é uma mistura de Super Mario Galaxy com Super Mario World e Super Mario 64, com algo de Super Mario Bros. 3 e New Super Mario Bros. — eu completava entusiasmado, e sei que não estava sozinho.

A verdade é que eu sempre fui um adepto dos jogos em 2D do Mario, bem mais do que aqueles em 3D, até porque não me dava tão bem com a câmera. Tal percepção veio a mudar a partir de Super Mario Galaxy, mas só foi realmente sacramentado com 3D Land, que surgiu para fazer a ponte entre esses dois tipos de Mario, utilizando os melhores elementos de ambos. Essa fórmula, após a experiência positiva que eu tive com os dois Galaxys, não poderia ter sido uma escolha mais acertada, e me ganhou mesmo antes do lançamento, tanto que esse foi um dos poucos jogos que eu já comprei já na pré-venda.


Dentre as tantas características interessantes de 3D Land, as que tornaram ele o jogo perfeito para um portátil foram as que mais me agradaram. As fases, cuja única exploração é procurar por star medals escondidas (para não ficar muito linear), algumas contando até com setas e cercas direcionando para a bandeira final, não permitem que o jogador perca tempo, diferente do que acontecia em Super Mario 64 e Sunshine — a proposta aqui é outra. As fases são curtinhas, durando de um a dois minutos. Você pode terminar um nível enquanto espera o elevador chegar, ou na fila da padaria; já na do banco, só mesmo um clássico RPG do Mario & Luigi resolve.
Algumas star medals são mais fáceis de achar que outras.

Tanooki Mario

Um dos destaques do jogo que mais foram promovidos foi a roupa de Tanooki, uma homenagem ao Super Mario Bros. 3, em que ela apareceu pela primeira vez. Os produtores colocaram rabo de guaxinim em tudo, desde bullet bills e goombas até o título do jogo. Nem o Bowser escapou dessa. Usando esse traje, Mario podia flutuar alguns segundos após um salto e dar rabadas para derrotar inimigos. Um poder muito útil em toda a jogatina e que, sem ele, ficava difícil passar por algumas fases. Eu mesmo voltei várias vezes para níveis mais fáceis só para pegar uma Super Leaf de reserva para facilitar o percurso de um mais complicado.
Flutuar com o Tanooki Mario é bem mais fácil.
Essa mesma roupa também trouxe uma repercussão muito negativa — não para a Nintendo. Na época do lançamento de Super Mario 3D Land, a PETA, uma ONG protetora dos animais, criou um joguinho infame chamado Mario Kills Tanooki (Mario mata tanuki, numa tradução livre). No game para navegadores, que eu achei de extremo mau gosto, e continua disponível, um guaxinim esfolado corre atrás do Mario, que está vestindo sua pele, para recuperá-la, mas não sem antes dar uma surra no encanador.

— PETA, você está mais de 20 anos atrasada — foi o mínimo que eu praguejei para o monitor enquanto lia a notícia. Esse traje já fora lançado antes, no Super Mario Bros. 3, sem contar que foi baseado em uma lenda japonesa e nenhum animal é maltratado, pois a transformação é mágica. No jogo mesmo aparece a Tail Tree, uma árvore com rabo de guaxinim cheia de super leaves, que o Mario utiliza para se transformar em Tanooki Mario — até que o Bowser dá um jeito de desfolhá-la e ainda sequestrar a Peach.
Spoiler: no final, tudo dá certo!
Se eu fosse criar um Top 10 de melhores jogos, baseado apenas no quesito diversão, sem dúvida colocaria Super Mario 3D Land nas primeiras colocações. Sempre que me perguntam quais os jogos indispensáveis para o Nintendo 3DS, o primeiro da lista que eu indico é 3D Land, já que, para mim, ele é o título que melhor representa o portátil. É como o Super Mario World para o Super Nintendo, ou o Super Mario Bros. para o Nintendinho. Tão obrigatório, que já deveria vir com o console.
Super Mario Galaxy 2 (Wii) Índice New Super Mario Bros. 2 (3DS)

Revisão: Jaime Ninice
Capa: Felipe Fabricio
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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