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Discussão: The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Wii U/Switch) teve um final que deixou a desejar?

A conclusão da épica e aclamada aventura de Link dividiu a opinião dos fãs. Mas, afinal, ficou faltando algo a mais?


Games possuem a característica de conseguir transportar os jogadores para dentro de seus universos e The Legend of Zelda: Breath of the Wild teve a proeza de elevar esse sentimento. Ele nos coloca como parte de um mundo imenso e imersivo criado pela Nintendo. Criamos uma identificação e nos conectamos com Hyrule a cada jogatina e área explorada.

A mais recente aventura de Link no Wii U e Switch arrancou elogios da crítica e de jogadores. A liberdade de exploração, permitindo que façamos o que quisermos e quando desejarmos, foi praticamente unânime em avaliações. Entretanto, o que não ficou em consenso, além do número exagerado de Koroks pelo reino (sério, quem teve a ideia de colocar 900?!), foi o final de Breath of the Wild. A conclusão da trama e a batalha contra Calamity Ganon deixaram a desejar?
Alerta de spoiler: O artigo possui informações e revelações sobre o enredo de Breath of the Wild. Se você ainda não jogou a aventura ou ainda não finalizou, fuja deste artigo assim como Link corre pela sua vida ao ser avistado por um Guardian!
Mesmo mais de dois meses após o lançamento, tenho acompanhando fóruns e grupos em redes sociais focados em The Legend of Zelda. Frequentemente, deparo-me com discussões a respeito da conclusão de Breath of the Wild. Não apenas isso, conversando com amigos que também finalizaram o game, ouvi opiniões de que o fim não foi tão impactante e, sendo sincero, tive essa impressão quando terminei a aventura.
O vilão aparenta ser temível no início, mas não reflete seu poder no final do jogo
Refletindo algum tempo depois e olhando o game como um todo e a proposta da Nintendo, é possível compreender os fatos que levaram a essa divisão de opinião. O final de Breath of the Wild foi absurdamente incrível? Não. Ele foi completamente ruim? Também não. Na realidade, o final de Breath of the Wild foi simplesmente pontual e correto.

Revivendo memórias

Em nossas inúmeras experiências gamers, aprendemos que a Nintendo prioriza a jogabilidade a apresentação de histórias mirabolantes. E com razão, afinal não adianta criar um enredo brilhante e oferecer um jogo pouco intuitivo. Particularmente, sou um defensor de que a Big N poderia amadurecer e desenvolver mais a narrativa de séries como Zelda e Metroid, mas ela consegue me entreter completamente mesmo sabendo que meu único objetivo é salvar a princesa ou impedir a destruição do reino.

Breath of the Wild está inserido dentro desse escopo. Lembro quando o jogo teve os primeiros detalhes revelados na E3 2016 e as teorias surgiram. Fãs tentando imaginar e explicar uma possível trama, enquanto Eiji Aonuma, produtor da série, demonstrava as inovações de jogabilidade ao repensar os conceitos da série e evitava entrar em detalhes para não estragar surpresas. Hoje vejo comentários de que a Nintendo vendeu uma história completamente diferente nos trailers e que a batalha final é fraca. Há duas justificativas para essas críticas: experiências anteriores e, curiosamente, o ponto de destaque da aventura, a liberdade de exploração.

Parar para vislumbrar as belas paisagens de Hyrule é uma nova modalidade
que Breath of the Wild adicionou à série
Depois de tantos anos jogando a série, criamos um pressentimento em relação a cada game e praticamente sabíamos como a história se desenvolveria. Link acorda, conhece um acompanhante, supera três dungeons, um imprevisto acontece com envolvimento do vilão, temos mais dungeons pelo caminho e a batalha final. Breath of the Wild quebra esse paradigma (exceto pelo herói ainda despertar no início) com um ponto importante: não há um enredo a ser desenvolvido. A trama da aventura já está concluída desde que Link acorda no Shrine of Resurrection.

Abra seus olhos

Great Plateau, a área inicial da aventura, é um grande tutorial para os jogadores. É nela que recebemos a única e principal carga obrigatória do enredo após o Old Man revelar ser um espírito e sua verdadeira identidade, o rei Rhoam Bosphoramus Hyrule. Ele conta os eventos que explicam Breath of the Wild e já recebemos a missão para derrotar Calamity Ganon. Não há reviravolta, não há a obrigatoriedade de saber os aspectos da narrativa. As memórias que Link pode recuperar em Hyrule são apenas complementos para demonstrar o empenho de Zelda em obter os poderes da profecia e descobrir o funcionamento das antigas relíquias, além de caracterizar os Champions e explicar a queda de Link diante dos acontecimentos.
Aquele momento que você lembra que esqueceu de fazer o que sua mãe pediu
Cada Zelda possui um conceito central que desenvolve a trama e a jogabilidade. Em prol da liberdade de exploração, a Nintendo precisou sacrificar a história de Breath of the Wild. Ela é fragmentada para favorecer a descoberta, instigar a busca pelos porquês. O jogador não está inserido ou vivencia a narrativa, ele apenas participa da consequência dela. Seu objetivo é acabar com Calamity Ganon e salvar Zelda. É assim o final do jogo. Esse é o propósito criado pela Big N aqui. Você não tem um acompanhante para se despedir e cair em lágrimas. Não é uma conclusão que emociona, mas sim para completar aquele sentimento de dever cumprido.

Entretanto, é preciso destacar a forma como a Nintendo trabalhou os personagens. Ver Zelda mais atuante, cheia de personalidade, sentimentos e dúvidas certamente é um aspecto positivo que deixa as memórias interessantes e será herdado em futuros títulos. Não apenas ela, mas até mesmo os Champions, com pequenas participações em cutscenes, exalam um carisma que fazem o jogador criar uma ligação instantânea com eles. Uma pena que não temos um envolvimento maior com esses personagens.

Os Champions foram bem construídos, mas a trama de Breath of the Wild não deixa que o jogador fortaleça vínculos com eles
Agora imagine, por um momento, se jogássemos Breath of the Wild um século antes do que o apresentado. Estaríamos inseridos em um momento de apreensão pelo retorno de Ganon. Teríamos a companhia ou encontros com Zelda pelo reino em suas pesquisas, relações e interações mais próximas com os Champions para auxiliá-los a controlar as Divine Beasts. Consequentemente, depois de tanto esforço, veríamos uma reviravolta em que Ganon assume o controle dos animais mecânicos e dos Guardians, eliminando os pilotos e com Link caindo exausto diante da guerra. Sofreríamos o sentimento de perda por estarmos inseridos na história. Percebeu a diferença?

E falando do chefe final de Breath of the Wild, Calamity Ganon é um inimigo passivo. Não possui carisma e nem identidade. Diferentemente de títulos anteriores, ele não é um vilão que surpreende, persegue ou que cruza o caminho do jogador, como Ghirahim ou Ganondorf. Ele não cria a urgência e nem expectativa para derrotá-lo, pois está sempre no mesmo lugar aguardando Link para a derradeira batalha. Calamity Ganon ainda está buscando recuperar seu verdadeiro poder, por isso enfrentamos o vilão completamente deformado ao sair de um casulo de malignidade, parecendo um monstro que saiu de Silent Hill.

De fato, se você enfrentou os chefes das Divine Beasts, Calamity Ganon se torna um inimigo previsível, sendo um conjunto de golpes já vistos e exigindo estratégias conhecidas. Até mesmo sua forma bestial oferece pouca resistência. Ele aparenta não ser difícil pelo simples motivo de a Nintendo não conseguir mensurar o quão forte o jogador estará ao enfrentá-lo e nem definir em que momento ele decidirá encará-lo. Você escolhe quando está preparado para encarar o vilão. Sua habilidade e equipamentos disponíveis são que definem o seu sucesso.
"O senhor está com problemas na coluna?
Melhor chamar um quiroprático para te ajudar..."


The End

Apesar de Breath of the Wild permitir que cada jogador interaja de maneira diferente, escolhendo seu próprio caminho, o final da aventura será o mesmo para todos. Talvez você sinta que a conclusão da jornada tinha potencial para ser melhor ou que talvez o apresentado foi o ideal, mas saiba que a Nintendo construiu uma história para favorecer a livre exploração de Hyrule. A sua experiência com a série e expectativas em relação ao game é que definem a sua opinião e criam um comparativo. Ainda assim, independente disso, tenho certeza que, de alguma forma, Breath of the Wild conseguiu fazer você ser parte do mundo do Link.


E você, o que achou do final de Breath of the Wild? Acha que a batalha final ou a trama poderia melhorar em algum aspecto? Divida sua opinião conosco!

Revisão: Vitor Tibério

Alex Sandro de Mattos é formado em Gestão de TI. Entre se aventurar por Hyrule e se perder em Silent Hill, gosta de publicar fatos interessantes e bobagens no Nintendo Blast. Pode ser encontrado jogando games 2D e também no Facebook.

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