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Análise: PAYDAY 2 (Switch), um dinâmico multiplayer cooperativo

A adaptação para a plataforma híbrida é resultado de um trabalho bem feito, mas que não passa imune a falhas.

Payday: The Heist (Multi) foi um sucesso quando lançado, em 2011. Em um mundo recheado de jogos de tiro em primeira pessoa, o game conseguiu se destacar por trazer mecânicas inovadoras e foco no multiplayer cooperativo. A boa recepção do título foi suficiente para garantir uma sequência, intitulada apenas de PAYDAY 2 — lançada inicialmente para PC, PS3 e X360 em 2013 —, mantendo os elementos encontrados no primeiro game e adicionando algumas novidades.


Apesar de já ter alguns anos de estrada, PAYDAY 2 tem uma forte comunidade de jogadores, o que lhe garante lançamentos frequentes de novos conteúdos. Tirando proveito da onda das plataformas da geração atual, o Starbreeze Studios, juntamente à 505 Games, decidiu levar o game ao PS4 e XBO em 2015, e finalmente ao Nintendo Switch (publicado pela Sumo Digital) em 27 de fevereiro de 2018. Felizmente, a versão nintendista é fruto de um trabalho bem feito, mas alguns problemas não conseguem passar despercebidos.

Em busca do pagamento

PAYDAY 2 é um jogo sobre assaltos. Bancos, casas, carros-fortes e até traficantes são os alvos da gangue criminosa que protagoniza a obra. O jogador pode escolher dentre os vários personagens disponíveis, personalizar os itens que levará consigo e buscar o próximo crime que realizará.

Não há um modo história a ser vencido, apenas uma área (que pode ser acessada offline ou conectando o console à internet) em que aparecem as diversas missões disponíveis, com informações sobre o potencial ganho com o assalto, experiência e quantos dias são necessários para o serviço. Todas elas podem ser realizadas com até quatro personagens, sejam eles controlados pela inteligência artificial ou por pessoas pela internet.

Esta missão tem dois dias de duração, e o pagamento acontece no último.
Para missões que exigem mais de um dia para serem completadas, normalmente o assalto ocorre no último, enquanto os demais servem como atos preparatórios. O mais interessante é que os atos praticados em um dia influenciam os acontecimentos do dia seguinte. Por exemplo, se durante a execução de um ato preparatório o jogador chamar a atenção da polícia, possivelmente no dia seguinte a corporação já estará em seu encalço.

O ponto mais interessante de PAYDAY 2 é a liberdade que o jogador tem para cumprir seus objetivos. Seja na surdina ou atirando em tudo e todos, a escolha fica por conta de quem joga, porém cada ação levará a uma consequência — que poderá variar entre chamar atenção da polícia, matar civis e perder dinheiro por isso ou não conseguir levar todo o objeto do roubo.

A qualquer momento, durante uma missão, é possível reiniciá-la, ou sair e tentar outra. Um fator que merece nota é que a cada nova tentativa, o level design dos assaltos estará ligeiramente diferente, mudando os locais e ações de personagens, portas e os objetos de interesse. Assim, decorar as fases não é algo tão eficiente, pois o jogo estimula o jogador a evoluir suas habilidades a todo momento.

Apesar da redução na qualidade das texturas, os visuais se equiparam às versões para PS4 e XBO.
Uma decisão controversa do time de desenvolvimento fica para a forma como o jogador toma conhecimento de seus objetivos. Antes, durante e depois das missões há uma voz masculina que se comunica com a gangue, passando orientações. O som é uma simulação de aparelhos de comunicação via rádio, e a baixa qualidade dificulta o entendimento do que é falado.

Isso impacta diretamente no entendimento do que se deve fazer. Além de direcionamentos vagos (como, por exemplo, “pegue gasolina para queimar o local”, quando você não possui o item e não faz ideia de onde ele se encontra), a baixa qualidade do som da instrução faz o jogador perder alguns minutos buscando pelo mapa opções do que pode ser feito.

Mandando bem no Switch

É perfeitamente possível dizer que a versão de PAYDAY 2 para o Nintendo Switch foi um trabalho bem feito. Assim como os ports para PS4 e XBO, no console híbrido o jogo roda a 1080p quando ligado à TV. As texturas perderam qualidade com o novo port, mas não é nada que o diferencie tanto das demais versões — afinal, trata-se essencialmente de um game de 2013.

O desempenho, no entanto, é o que mais diferencia os ports. Enquanto que no PlayStation e no Xbox PAYDAY 2 fica travado em 30 quadros por segundo, no Switch esta é a meta, mas há quedas eventuais com o console no dock — mas a jogatina não fica prejudicada por isso. Já no modo portátil a situação muda drasticamente: as quedas de desempenho são constantes e deixam o jogo lento, apesar da redução da resolução para 720p, sendo fator decisivo nos momentos de tiroteio intenso.

Os carregamentos são grandes o bastante para que se decore os controles sem grande esforço.
Ao selecionar uma missão, o jogador passa por uma demorada tela de loading, que facilmente passa dos 20 segundos de duração. Apesar de ser um tempo longo, a versão para o console da Big N é a mais rápida dentre as dos consoles.

Brilho no multiplayer

PAYDAY 2 é um jogo que tem um número expressivo de missões, objetivos e alvos para os assaltos. Contudo, essencialmente o game repete a mesma fórmula: entrar em um local tentando não ser notado, atirar em dezenas de policiais que aparecem quando o modo furtivo não funciona e levar o objeto do roubo para uma van.

Ao jogar offline, as partidas são preenchidas por três personagens controlados por inteligência artificial. Estes personagens não cumprem os objetivos e têm utilidade apenas para atirar nos policiais e recuperar a vida do jogador. Por vezes, alguns bugs acontecem e a jogatina fica prejudicada com seus companheiros parados sem tomar qualquer ação.

Mas é no modo para múltiplos jogadores que o jogo mostra seu brilho. Quando os quatro membros da gangue são controlados por pessoas, as partidas ganham variedade e dinamismo, além dos NPCs (personagens não controláveis) reagirem de forma menos previsível. Sem dúvidas é a melhor experiência que o jogo tem para oferecer. No entanto, nem tudo são flores.

Este é o lobby para escolha de missões.
Ao conectar ao servidor online, PAYDAY 2 mostra as missões disponíveis na CRIME.NET (a rede virtual de criminosos do jogo). Lá, é possível ver quantas pessoas estão atualmente em cada missão disponível (e se juntar a elas) ou criar uma sala em algum assalto para esperar pessoas ingressarem.

O problema é que estabelecer uma conexão é muito demorado, ao ponto de minutos se passarem na tela de “conectando, por favor aguarde”, sem que seja possível voltar à seleção sem fechar o jogo. Inclusive, em um dos testes eu deixei o Switch “conectando” a uma partida por mais de 20 minutos. Apesar de não ter sido estabelecida a conexão, nenhuma mensagem de erro apareceu.

A parte mais frustrante do jogo é ficar eternamente nesta tela aguardando se conectar a uma partida.
Felizmente não é sempre que isso acontece, e uma vez que a conexão é estabelecida a partida flui sem qualquer gargalo. Não há objetos e personagens aparecendo repentinamente na tela, e as coisas funcionam como se fosse uma partida de multiplayer local. Só é uma pena que a Starbreeze não tenha conseguido ainda aprovação da Nintendo para incluir no App de chat por voz uma aplicação para PAYDAY 2.

Gênero bem representado

Até então, DOOM (Multi) era o único representante do gênero de tiro em primeira pessoa no Nintendo Switch. Apesar de ser um excelente jogo, suas maiores qualidades ficam no modo campanha, para um jogador. PAYDAY 2, por outro lado, junta-se a Splatoon 2 (Switch) no grupo dos jogos de tiro para serem jogados com outras pessoas — porém é o único em primeira pessoa.

O título da Starbreeze Studios e Sumo Digital é uma obra bem feita e que tem conteúdo o bastante para prender o jogador por um bom tempo. Porém, alguns pequenos problemas não conseguem passar despercebidos. A lentidão em alguns momentos quando no modo portátil do Switch, a demora na conexão a partidas online e a falta de um chat por voz (este último problema que pode ser atribuído à Nintendo) talvez torne o preço do jogo um tanto salgado em condições normais.

Para aqueles que não sejam ávidos jogadores do gênero, esperar um desconto pode ser uma boa pedida. De qualquer forma, fãs de tiro em primeira pessoa e de partidas online vão se sentir à vontade com PAYDAY 2.

Prós

  • Visuais não deixam a desejar em relação às outras versões;
  • Bom desempenho quando conectado ao dock;
  • Diversão garantida nas partidas online.

Contras

  • Quedas muito frequentes na taxa de quadros quando em modo portátil;
  • Às vezes é impossível conectar a uma partida online;
  • A falta de um chat por voz é sentida.

PAYDAY 2 — PC / PS4 / XBO / PS3 / XB360 / Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para testes: Switch

Análise produzida com uma cópia digital cedida por: Starbreeze Studios
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da série e não consegue parar de explorar a Hyrule de Breath of the Wild.

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