Blast from the Past

Em Pokémon Ruby e Sapphire (GBA), o continente de Hoenn é o limite

Relembre as aventuras, descobertas e desafios no continente de Hoenn numa saga para capturar os lendários Groudon, Kyogre e Rayquaza!

Depois dos sucessos de Pokémon Red, Blue e Yellow no Game Boy e de Pokémon Gold, Silver e Crystal no Game Boy Color, a terceira geração dos monstrinhos de bolso não poderia ficar de fora do novo portátil Game Boy Advance em 2001. Conhecida como a Geração Advance (ou Advanced) por esse mesmo motivo, as versões Pokémon Ruby e Sapphire rapida e previsivelmente alcançaram o patamar dos jogos mais vendidos para o portátil de 32-bit.

Uma nova região, um novo começo

Pokémon Ruby e Sapphire não trazia apenas uma qualidade visual e sonora maior para  os treinadores donos de um Game Boy Advance. Foram tantas as novidades trazidas pelo novo continente tropical de Hoenn que grande parte dos fãs consideram essas versões como um reboot da franquia, reestabelecendo tudo que ela tinha até então criado desde o início. Isso era reforçado ainda mais pelo fato de que Hoenn não possuia conexão com as regiões prévias de Kanto e Johto e, devido a isso, também não seguia a continuidade de linha de história das duas primeiras aventuras. Apesar disso, existem indícios que a história e aventura em Hoenn acontece paralelamente com os acontecimentos de Kanto, da primeira geração.
Uma região completamente nova e desligada do passado
Com adição de 135 novos monstrinhos, a maior inclusão já vista na série desde o primeiro jogo (totalizando, naquela época, 386 espécies), além de mudanças robustas como a introdução de miniaturas individuais para cada monstrinho no grupo ou efeitos de clima regionais nos mapas exploráveis, Ruby e Sapphire também trazia novidades de batalhas com as Double Battles, que permitiam que treinadores colocassem mais de um monstrinho em seu lado do combate durante as partidas. Além de exigir um nível de estratégia muito maior levando em consideração todas as espécies em campo, as Double Battles introduziam novos golpes com utilidade exclusiva nesse tipo de combate (como After You, Helping Hand, Ally Switch ou Follow Me). Outros tipos de movimentos, como Surf, Perish Song, Heat Wave, Swift e Razor Leaf,  por exemplo, podiam acertar mais do que apenas um alvo durante esse tipo de batalha, tendo a sua relevância competitiva retomada.
O número de monstrinhos de cada lado da luta aumentava para dois

Competindo por novidades...

Além de grandes novidades e recursos, Ruby e Sapphire também traziam profundas mudanças para regras que acabaram por remodelar drasticamente o cenário competitivo. Nesse novo mundo, Pokémon possuiam Abilities particulares que alteravam características especiais durante a batalha. Alguns exemplos incluem Levitate, que tornava o portador imune à ataques do tipo Ground mesmo sem ser do tipo Flying, Soundproof, que imunizava o portador de ataques sonoros, e Intimidate, que reduzia o atributo de ataque do oponente. Algumas Abilities como Plus, Minus e Telepathy, por exemplo, foram particularmente criadas tendo em mente a nova modalidade de combate dessa geração, as Double Battles.
A Ability White Smoke, por exemplo, evitava a redução de atributos do portador
Outro novo elemento introduzido nos monstrinhos são as Natures, que, juntamente com as Abilities, traziam ainda mais singularidade aos Pokémon capturados, mesmo os da mesma espécie. A função das diferentes naturezas de Pokémon era definir o tipo de personalidade que ele carregava, afetando seu crescimento ao classificar atributos com novas fraquezas (reduzidos em 10%) e proezas (aumentados em 10%). Essas fraquezas e proezas também definiam, pelo menos no continente de Hoenn, as preferências de comida dos monstrinhos. Dentre as 25 combinações resultantes em Natures disponíveis do jogo, 5 delas (Bashful, Docile, Hardy, Quirky e Serious) eram consideradas naturezas neutras porque não alteravam o crescimento de nenhum atributo dos bichos. Na teoria, essas naturezas aumentam e diminuem o mesmo atributo ao mesmo tempo, o que resulta nessa neutralidade.
A Nature Sassy reduzia a Speed mas aumentava a Sp. Defense do Pokémon. Pokémon dessa natureza preferem sabores amargos e não gostam de comidas doces.

...E pelos holofotes

Além das novidades relacionadas ao combate, Ruby e Sapphire foram os primeiros jogos na linha principal da série a trazer uma forma secundária de interação com os monstrinhos de bolso, criando então uma tradição nos jogos subsequentes. Os Pokémon Contests, ou Torneios Pokémon em português, colocavam as criaturas lado a lado em um palco para decidirem quem era o melhor de uma maneira diferente e sem envolver lutas. Devido a isso, os donos dos Pokémon eram chamados de Coordenadores ao invés de Treinadores Pokémon. Ao invés de combater diretamente, os Pokémon mostravam seus poderes e habilidades durante suas performances artísticas e juízes avaliavam, através das mesmas, qual era o melhor encaixando-os em uma das cinco “condições”: Coolness (Carisma), Beauty (Beleza), Cuteness (Graciosidade), Smartness (Esperteza) e Toughness (Robustez).
Usar o movimento certo durante a categoria correta de condição era essencial
Essa competição é separada em duas fases. Na primeira, os Pokémon são julgados pelas suas condições de acordo com a categoria que foram inscritos. A audiência julga e vota no Pokémon baseando-se também no gosto geral da plateia. Para aumentar as condições do Pokémon, os Coordenadores podem preparar um novo item chamado Pokéblock, uma espécie de doce para ser dado à criatura que deve ser preparado a partir de Berries juntamente com mais outros três Coordenadores. A segunda fase do Torneio consiste nos Pokémon exibirem seus golpes e habilidades para a plateia e juízes. Esses golpes também são caracterizados entre as cinco diferentes condições e podem ser combinados para trazerem ainda mais pontos de exibição. Usar Sweet Kiss depois de Charm, por exemplo, concedia pontos bônus de combinação.

Batalhas fronteiriças

Dois anos depois do lançamento de Ruby e Sapphire, uma terceira versão definitiva da geração Advance surgiu de uma forma similar à Pokémon Crystal na geração passada. Nessa perspectiva, Pokémon Emerald trazia novidades e adições ao conteúdo original no mesmo estilo que Crystal fazia com as versões Gold e Silver. Além de trazer novidades visuais (como sprites animadas iguais aos de Crystal), de história e permitir conectividade entre os remakes de Kanto FireRed e LeafGreen, o jogo introduzia o conceito de Tag Battles (confrontos entre duplas de treinadores) e uma ilha cheia de novidades, a Battle Frontier.
Bem-vindo a ainda mais uma área nova!
A Battle Frontier era uma ilha com um propósito similar às Pokémon Leagues, mas com desafios diferenciados, e que reunia estabelecimentos com desafios de diferentes espécies para os treinadores que pretendiam melhorar suas habilidades. Os líderes dessa ilha são chamados de Frontier Brains (Cérebros da Fronteira) e podiam ser encontrados cada um em seu respectivo desafio caso o jogador se saísse muito bem nele. Os prédios da Battle Frontier incluíam:

  • Battle Tower, um prédio que retornava das versões tradicionais de Ruby e Sapphire onde os treinadores lutavam sem pausas entre confrontos. O treinador podia encarar uma sequência de sete batalhas tradicionais com equipes de três Pokémon, ou sete Double Battles com equipes de quatro Pokémon. A cada cinco sequências de sete batalhas, a Frontier Brain Anabel aparecia para poder te conceder o Ability Symbol.
  • Na Battle Palace, os Pokémons lutavam sozinhos sem poder receber nenhum tipo de comando dos treinadores. O estilo de combate dependia da combinação da Nature do Pokémon e do quanto de HP ele ainda tinha durante a luta. Depois de 21 lutas consecutivas, o Frontier Brain Spenser desafiava o treinador a conquistar o Spirits Symbol.
  • A Battle Factory é um instituto mais focado na pesquisa e o propósito dele é investigar o nível de habilidade de treinadores utilizando Pokémon alugados para batalhar. Antes de iniciar a batalha, o treinador tem algumas dicas sobre o time do oponente, e pode trocar um de seus Pokémon com um Pokémon do último treinador derrotado. Na vigésima primeira luta, o Frontier Brain Noland desafiava o jogador a obter o Knowledge Symbol, também com Pokémon aleatórios.
  • Battle Pyramid é uma espécie de calabouço com sete andares onde os andares são totalmente escuros e devem ser acesos ao confrontar oponentes. O jogador também é capaz de encontrar Pokémon selvagens durante sua trajetória, e esses Pokémon sempre seguem um método para atrapalhá-lo em seu progresso, como ataques paralizantes, venenosos ou congelantes. Depois de enfrentar o percurso três vezes, o Frontier Brain Brandon aparece para desafiar o jogador a conquistar o Brave Symbol.
  • O Battle Dome é um palco de um torneio entre 16 treinadores. A diferença, aqui, é que é possível observar características do treinador, como as espécies de Pokémon que ele usa ou seu estilo pessoal de luta, antes de confrontá-lo. Depois de vencer cinco torneios, o treinador campeão pode disputar o Tatics Symbol com o Frontier Brain Tucker.
  • A Battle Arena é um lugar onde Pokémon são confrontados durante apenas três rounds. Depois desse período, caso ambos os lados ainda não tiverem sido derrotados, eles são julgados a partir de três itens de decisão que classificam o seu combate: no quesito Mind (Mente), são julgados ataques ofensivos. Skill (Habilidade) concede pontos para cada ataque efetuado com sucesso. Body (Corpo) agrega pontos ao Pokémon dependendo de quanto HP ele conseguiu reter. Depois de 28 vitórias, a Frontier Brain Greta aparecia para desafiar o jogador a obter o Guts Symnbol.
  • O Battle Pike é um túnel onde os treinadores podem decidir seu caminho entre 21 salas separadas entre sete grupos de três salas. Em cada sala, um tipo diferente de evento pode ocorrer, seja ele uma batalha tradicional, uma Double Battle, um Pokémon selvagem ou um ataque surpresa que paraliza, envenena, queima ou congela um dos Pokémon no grupo. A Frontier Brain desse estabelecimento é Lucy, e ela concederia o Luck Symbol caso o treinador conseguisse derrotá-la depois de passar por 27 salas.

Com os remakes da primeira geração em Pokémon FireRed e LeafGreen e da segunda geração em Pokémon HeartGold e SoulSilver, os pokéfãs estiveram desde então sonhando com o retorno de Hoenn na forma de um remake, já que ele introduziu muitas das regras usadas até hoje nas mecânicas principais da série e seria simplesmente lógico que um relançamento reintroduzisse aspectos perdidos como Pokémon Contests e Pokéblocks. Felizmente, o “Hoenn Confirmed” foi finalmente comprovado no anúncio de Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire, remakes de Pokémon Ruby e Sapphire que chegarão ao portátil tridimensional Nintendo 3DS em novembro de 2014, reintroduzindo a geração Advanced na sexta geração da série. Até lá!
Revisão: Alan Murilo
Capa: André Perez Segato

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