Blast from the Past

Virtual Bart (SNES) e sua diversificação de jogabilidade

Dividido em seis fases, cada uma com diferentes regras de performance, o game abusa da criatividade para divertir o jogador, mas se torna cansativo devido à mecânica complicada




Virtual Bart é um jogo de 1994, lançado para os consoles Super Nintendo (SNES) e Mega Drive. O game foi publicado e desenvolvido por duas empresas que já faliram: Acclaim e Sculptured Software, respectivamente.

Na época, o estúdio responsável pela criação do jogo era conhecido por adaptar games de fliperama para plataformas “caseiras”, como é o caso dos consoles da Nintendo e da Sega mencionados acima.

Em Virtual Bart, cada fase possui um estilo diferente de jogabilidade, demonstrando — coincidentemente ou não — que a Sculptured Software se inspirou em minijogos característicos dos arcades para impor uma diversificação no modo de jogar.

Aliás, essa proposta foi semelhantemente adotada em The Simpsons: Bart's Nightmare, seu antecessor espiritual de 1992, também desenvolvido e publicado pelas mesmas empresas e para os mesmos consoles.

Jogo de plataforma?

Virtual Bart possui seis fases diferentes, nas quais três delas são de plataforma. As exceções consistem, primeiramente, em uma espécie de tiro ao alvo no qual o jogador deve acertar tomates e ovos em determinados personagens do universo Simpsons que transitam entre o pátio do colégio de Springfield.
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A fase de Virtual Bart onde o personagem desliza por um tobogã de água
As outras duas fases são de corrida de moto e de plataforma no estilo “corrida sem fim”, na qual o Bart desliza automaticamente em um tobogã de água enquanto o jogador deve controlar o personagem para desviá-lo de obstáculos e escolher os caminhos certos.

Com tantas diferenças na jogabilidade de cada fase, torna-se complicado definir exatamente o gênero de Virtual Bart. Esse fator também contribui para que o jogo fique marcado como um compilado de diferentes estilos de games.

Criativo e cômico

O jogo começa com uma breve cutscene de Bart visitando uma feira de ciências, onde ele entra em uma máquina de realidade virtual e deve passar por todas as “simulações” — as fases citadas — para escapar do aparelho.

Os desenvolvedores foram muito criativos na elaboração de cada nível, colocando Bart em situações excepcionais que tornam o jogo tão cômico quanto o desenho animado. Em uma delas, por exemplo, o personagem encarna em um porco e deve escapar de uma fábrica do palhaço Krusty, além de libertar outros porcos.
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A cômica versão do “Bart-porco” numa das fases de plataforma do game
Já em outro, Bart se transforma em um velociraptor e deve passar pelos perigosos ambientes da era em que viveram os dinossauros, onde inclusive há outros personagens do desenho em estilo pré-histórico para dificultar a jornada.

Noutra fase de plataforma, Bart retorna ao tempo em que usava fraldas, onde o jogador controla o personagem de chupeta para aventurar-se berço afora, pendurando-se em árvores da vizinhança e até mesmo correndo em um carrinho de bebê para chegar a um caminhão de sorvetes.

Bart só está em seu “formato normal” nas fases em que precisa arremessar tomates e ovos em outros personagens, escorregar pelo tobogã de água e correr em uma motocicleta — nesta última, o personagem veste um traje do tipo punk em um ambiente pós-apocalíptico, cujo ambiente de fundo mostra a usina de Springfield em fumaças.

Mecânica complicada

Para finalizar Virtual Bart, é necessário completar todo o conjunto de fases sem zerar as vidas — o jogo começa com duas extras, mas é possível encontrar mais ao longo de cada fase. Além disso, cada vez que Bart sorteia sua próxima realidade virtual, ele corre o risco de parar em uma opção que pode lhe conceder ou retirar uma vida.
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A máquina de realidade virtual sorteia a fase a ser jogada em Virtual Bart
Na época, não existia sistema para salvar o progresso e o game não oferece password. Mas não são esses os elementos que tornam Virtual Bart um jogo difícil, e sim a mecânica complicada de quase todas as suas fases.

Bart possui uma barra de energia que diminui quando atingido por inimigos ou obstáculos. Há itens que recuperam sua energia, mas como são escassos, o jogador é obrigado a evitar danos ao máximo possível.

Há regras em determinadas fases que drenam toda a energia do jogador e fazem ele perder uma vida, como quando Bart é bebê — se cair no chão, volta automaticamente ao início do nível com uma vida a menos —, o que torna a punição muito rigorosa.

A velocidade entre o personagem e os elementos de interação não é muito bem calibrada, como na fase do tobogã, onde os itens e obstáculos surgem de maneira totalmente distinta à agilidade de deslizamento do Bart.

Além disso, os movimentos de quase todas as fases são muito bruscos, inclusive na de tiro ao alvo. Qualquer toque se torna uma ação arriscada demais para os jogadores, elevando ainda mais o nível de dificuldade.

Somado a isso, há um tempo limitado para completar cada fase e uma demanda por decisões que ficam à mercê da subjetividade do jogador. No tobogã, por exemplo, o jogo não dá dicas sobre qual caminho certo deve ser tomado. Já na fase do tiro ao alvo, há personagens que não devem ser atingidos pelos limitados ovos e tomates do Bart.

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Bart possui barra de energia, vidas extras e tempo limitado para completar as fases

Diversão momentânea

Todas essas questões podem tornar a proposta divertida do jogo em uma experiência frustrante e desprezível. Sem contar que Virtual Bart não oferece muitas recompensas ao jogador, a não ser breves e cômicas cutscenes ao final de cada fase.

Falando nisso, a animação desencadeada ao final do jogo mostra Bart se livrando da máquina de realidade virtual, a qual é ocupada, em seguida, por Homer Simpson. Poderia ser uma deixa para uma sequência do game, mas não foi o que aconteceu.

Colocando na balança, Virtual Bart é divertido em sua proposta, com fases que diversificam a jogabilidade e colocam o personagem em situações cômicas. No entanto, torna-se cansativo muito rápido devido à dificuldade ocasionada por uma mecânica imprecisa e irregular.

Revisão: Eurico Santos
Gabriel Bonafé escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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