Top 10

Franquias adormecidas da Nintendo que merecem nova chance no Switch

A E3 recarrega as esperanças de revermos estas séries que estão há um bom tempo sem dar as caras, mas que seriam muito bem-vindas no Nintendo Switch.

A E3 chegou! Com ela chega também a expectativa de vermos grandes novidades no mundo Nintendo. Já sabemos que Super Smash Bros. e Pokémon serão as grandes estrelas do Switch neste final de ano, mas o sucesso do console híbrido da Big N é tão grande que até podemos sonhar com algumas surpresas para os próximos anos.

Switch: misturando tradição e novidades

Já são aproximadamente dezoito milhões de consoles espalhados pelo mundo, franquias famosas da Nintendo como Super Mario Bros., The Legend of Zelda e Mario Kart batem recordes de vendas no novo aparelho, enquanto propriedades intelectuais mais jovens como Arms e Splatoon também fazem bonito no mercado. Com números tão expressivos e com o apoio de novos e antigos fãs, o Switch parece um excelente lugar para dar uma nova chance a franquias que ficaram um pouco para trás.

Ano passado — com o anúncio de um novo Metroid Prime sendo produzido — discutimos o que o retorno de Samus significava para as franquias esquecidas da Nintendo. Desta vez, preparamos uma lista com dez propriedades intelectuais da gigante japonesa que estão há um bom tempo adormecidas, mas que merecem um pouco mais de atenção. Vamos à lista!

10. Wave Race

Estréia: Wave Race (Game Boy, 1992)
Último lançamento: Wave Race: Blue Storm (GameCube, 2001)
Onde encontrar hoje: Wave Race 64 (Virtual Console do Wii U)

Wave Race só fica no final da lista porque tem boas chances de voltar em breve! Em abril deste ano, Shinya Takahashi, diretor executivo da Nintendo e um dos responsáveis por Wave Race 64, disse que a empresa está trabalhando em muitos jogos no momento e que um novo jogo da franquia pode estar entre eles. É uma excelente notícia para os fãs desta série que iniciou no Game Boy mas marcou uma geração no saudoso Nintendo 64, com seus fantásticos efeitos visuais e físicas realistas para a água e ondas. A franquia teve poucas entradas, sendo a última Wave Race: Blue Storm para GameCube, há quase 17 anos.

Como poderia voltar: um novo Wave Race poderia aproveitar muito bem os recursos dos Joy-Con para simular um Jet Ski (quem sabe com a ajuda do Labo) e, como o Nintendo Switch é instantaneamente uma máquina multiplayer, sempre há espaço para um bom jogo de corrida online ou com tela dividida e Joy-Con compartilhado.

09. Mole Mania


Estréia: Mole Mania (Game Boy, 1996)
Último lançamento: Mole Mania (Game Boy, 1996)
Onde encontrar hoje: Mole Mania (Virtual Console do 3DS)

Apesar de pouco conhecido do grande público, o pequeno jogo da toupeira Muddy tem pedigree. Produzido por Shigeru Miyamoto, o título chegou ao Game Boy um pouco tarde: o portátil da Nintendo já estava dominado por monstrinhos de bolso. A série Pokémon não deu muito espaço para outros jogos, mas Mole Mania contava com uma mistura interessante de puzzle e aventura, em que a missão de cada estágio era empurrar uma bolota até o ponto indicado, usando a habilidade de cavar buracos do protagonista para achar o caminho certo e desviar de obstáculos. Como se cada tela fosse um daqueles puzzles complicados e divertidos das melhores dungeons de The Legend of Zelda.

Desde seu lançamento original, nunca mais vimos Muddy em outro game, está mais do que na hora de receber uma segunda chance!

Como poderia voltar: sempre há espaço para bons jogos de puzzle na eShop, a série Pushmo é um bom exemplo disso. Um novo Mole Mania para download poderia ter o capricho gráfico de Pushmo, com a visão superior característica do jogo original e da série Zelda.

08. Wrecking Crew


Estréia: Wrecking Crew (Famicom/NES, 1985)
Último lançamento: Wrecking Crew ’98 (Super Famicom, Japão, 1998)
Onde encontrar hoje: Wrecking Crew (Virtual Console do 3DS e Wii U)

Lançado originalmente para Famicom e com apenas uma continuação exclusiva do Japão para Super Famicom (1998), este simplório joguinho de quebrar paredes, criado por Yoshio “Metroid” Sakamoto, não teve tempo de evoluir o suficiente para transformar-se em uma franquia de sucesso.

Apesar de marcar presença no excelente NES Remix (3DS e Wii U) e ter influenciado um cenário em Super Smash Bros. (Wii U), uma segunda continuação nunca se concretizou. Wrecking Crew ’98 — a sequência de Super Famicom — tinha forte apelo multiplayer competitivo, enquanto o original era muito mais divertido quando aproveitado em dupla. Cooperativo e competitivo na mesma telinha, parece perfeito para compartilhar os Joy-Con.

Como poderia voltar: recebendo o mesmo tratamento caprichoso que Donkey Kong teve em 1994 no Game Boy. Mas com o sucesso de jogos como Snipperclips e Overcooked, um novo Wrecking Crew voltado para o “multiplayer de sofá” poderia gerar boas risadas – e discussões.

07. Pokemon Snap

Estréia: Pokémon Snap (Nintendo 64, 1999)
Último lançamento: Pokémon Snap (Nintendo 64, 1999)
Onde encontrar hoje: Pokémon Snap (Virtual Console do Wii U)

Ok, vou trapacear aqui. A franquia é uma das mais ativas do catálogo da Nintendo, isso todo mundo sabe. Porém, especificamente o estilo único de Pokémon Snap ficou para trás. Desenvolvido em parceria pela HAL Laboratory e a Pax Softnica, e lançado no olho do furacão da febre Pokémon no final dos anos 90, Snap foi um spin-off que apresentava uma jogabilidade diferente para os padrões da série.

Tratava-se de uma distorção do conceito dos rail shooters (como The House of the Dead): em vez de gastar munição atirando em dezenas de inimigos sem graça, o jogador procurava nos belos cenários pelos carismáticos Pokémon e tirava as melhores fotos possíveis dos monstrinhos.
Tire boas fotos e leve ao professor Oak
Foi um jogo muito original e marcante, mas que nunca mais recebeu o tratamento que merecia.  Apesar das vendas satisfatórias — cerca de 1,5 milhões de cópias vendidas pelo mundo — uma continuação nunca foi lançada, fazendo deste um título único, lembrado com muito carinho pelos fãs do Nintendo 64.

Como poderia voltar: com as tecnologias atuais e o sucesso de Pokémon GO, parece inviável uma continuação de Snap “on rails" (em trilhos), mas é fácil de imaginar um mundo aberto no qual a missão é encontrar os Pokémon mais raros e tirar fotografias precisas. Melhor ainda se houver pequenos puzzles para encontrar os monstrinhos — estilo os Koroks de Breath of the Wild — e algum bônus para quem utilizar a câmera de papelão mostrada nos vídeos promocionais do Nintendo Labo.

06. F-Zero


Estréia: F-Zero (Super Famicom/Super Nintendo, 1990/1991)
Último lançamento: F-Zero Climax (Game Boy Advance, Japão, 2004)
Onde encontrar hoje: F-Zero (Virtual Console do 3DS e Wii U); F-Zero X, F-Zero GP Legend e F-Zero Maximun Velocity (Virtual Console do Wii U)

Uma das franquias mais amadas e nostálgicas para os fãs de longa data da gigante japonesa, que fez história em sua primeira aparição no Super Nintendo. F-Zero foi um dos poucos títulos de lançamento do SNES, e desde os primeiros minutos de jogo já mostrava o potencial do console e de seu famoso chip Mode-7 com efeitos especiais fantásticos para a época.
F-Zero GX de GameCube foi o último da franquia para um console de mesa
A série foi um dos carro-chefe da Nintendo na década de 90 e início de 2000, com jogos lançados para Nintendo 64, Game Boy Advance e GameCube, além do já citado clássico de Super NES. Mas desde sua última aparição no GBA — com o game F-Zero Climax, lançado apenas no Japão — nunca mais ouvimos falar de um novo jogo da franquia. Já são quase quatorze anos sem um F-Zero portátil e quinze sem um título em console doméstico (o último foi GX, lançado em 2003 para GameCube).

Nos últimos anos, Capitão Falcon, o herói da franquia, é figura constante nas batalhas de Super Smash Bros. e ganhou até amiibo exclusivo pela Nintendo. A esperança de um novo jogo continua.

Como poderia voltar: assim como Mario Kart 8 Deluxe, F-Zero é perfeito para o multiplayer local ou online. Agregue a isso uma sensação de velocidade ainda maior, efeitos especiais alucinantes e um modo história que dê mais profundidade aos personagens, e a franquia pode voltar com força total.

05. Advance Wars


Estréia: Famicom Wars (Famicom, Japão, 1988)
Último lançamento: Advance Wars: Days of Ruin (Nintendo DS, 2008)
Onde encontrar hoje: Advance Wars, Advance Wars 2: Black Hole Rising, Advance Wars: Dual Strike (Virtual Console do Wii U)

A série da Nintendo de estratégia em turnos “Wars” iniciou sua trajetória no Famicom, com Famicom Wars (lançado apenas no Japão), mas ficou realmente conhecida no Game Boy Advance com Advance Wars e Advance Wars 2: Black Hole Rising, jogos que conquistaram notas altíssimas dos principais veículos especializados em games da época. A última vez que vimos um lançamento inédito foi há dez anos, com Advance Wars: Days of Ruin, para Nintendo DS.
Advance Wars foi um dos melhores jogos do GBA
Apesar de aclamada pela crítica e com uma pequena (mas fiel) legião de fãs, a série criada pela Intelligent Systems nunca chegou a ser um grande sucesso de vendas. Nestes últimos dez anos, Fire Emblem, também da Intelligent Systems, acabou se transformando no carro-chefe da companhia, enquanto a marca “Wars” ficou em segundo plano. Mas a jogabilidade mais direta de Advance Wars ainda faz falta, tanto que novos jogos como Tiny Metal (já disponível no Switch) e Wargroove (previsto para 2018), claramente se inspiram na fórmula da franquia da Nintendo.

Como poderia voltar: com o mesmo charme, humor e level design complexo de sempre. Talvez pegando um pouco mais leve na dificuldade para atrair um público novo, que não está acostumado com jogos de estratégia por turnos. Afinal, algumas fases dos jogos antigos eram de uma complexidade intimidante.

04. Yume Kōjō: Doki Doki Panic (Super Mario Bros. 2)

Estréia: Yume Kōjō: Doki Doki Panic (Famicom Disk System, Japão, 1987)
Último lançamento: Yume Kōjō: Doki Doki Panic (Famicom Disk System, Japão, 1987)
Onde encontrar hoje: como Super Mario Bros. 2 (Virtual Console do Wii U)

Todo entusiasta da Nintendo que se preze sabe da história: Super Mario Bros. 2 de Famicom foi considerado parecido demais com seu antecessor e com um nível de dificuldade muito acentuado para o público americano, então a Nintendo of America decidiu adaptar outro jogo da empresa para se adequar à franquia do encanador italiano. O título escolhido foi Doki Doki Panic, um plataformer com temática árabe que contava com quatro personagens selecionáveis e mecânicas bastante distintas da série Mario.

Doki Doki Panic e Super Mario Bros. 2
E funcionou! Apesar de Super Mario Bros. 2 ter causado estranheza em quem esperava mais do mesmo, foi um jogo extremamente competente e divertido, que até hoje é lembrado com muito carinho pelos fãs do bigodudo. Porém, apesar do sucesso e de seu legado permanecer em alguns elementos levados para outros jogos da franquia — como os Shy Guy, por exemplo —, nunca mais recebemos uma continuação direta, com o mesmo estilo de jogo particular de Doki Doki Panic.

Como poderia voltar: não esperamos por Yume Kōjō: Doki Doki Panic 2 — afinal, o título original tinha ligação com um programa de TV japonês —, mas quem sabe Super Mario: Doki Doki Panic 2? Um novo jogo 2D dessa turma, com escolha de personagens com estilos distintos (como em Super Mario 3D World) e foco especial na exploração por itens e portas secretas, seria muito bem-vindo. Sem esquecer, é claro, de colher rabanetes para atirar nos inimigos pelo cenário!

03. StarTropics

Estréia: StarTropics (NES, 1990)
Último lançamento: Zoda’s Revenge: StarTropics 2 (NES, 1994)
Onde encontrar hoje: StarTropics e Zoda’s Revenge: StarTropics 2 (Virtual Console do Wii U)

StarTropics e sua continuação, Zoda’s Revenge: StarTropics 2, tiveram trajetórias muito particulares. A franquia foi projetada por Genyo Takeda — nome forte da Nintendo, ligado à série Punch-Out!! e a criação do console Wii — com a clara intenção de conquistar o público norte-americano. O foco era tão bem definido que os jogos sequer foram lançados no Japão!
StarTropcics misturava ação e exploração
Os títulos da série contavam com uma jogabilidade que misturava elementos de diversos outros jogos, como a exploração de mapas dos RPG’s, dungeons separadas por telas como em The Legend of Zelda e até toques de plataforma. Apesar de, a princípio, remeter diretamente à série Zelda, em StarTropics o protagonista Mike Jones era muito mais ágil, podendo pular em plataformas para completar puzzles e fugir de inimigos.

Os cenários tropicais e coloridos eram lindos para os padrões do NES, mas depois de sua já tardia e pouco jogada continuação em 1994, nunca mais ouvimos falar da série.

Como poderia voltar: um novo jogo da franquia poderia se aproveitar das cores vibrantes da tela do Nintendo Switch em mais uma aventura 2D de Mike e cia. Mas se é para sonhar, então que seja um jogo 3D — naquele estilo belíssimo de The Legend of Zelda: Wind Waker — para explorarmos mares e ilhas com a ajuda do submarino de StarTropics.

02. Mother/EarthBound


Estréia: Mother (Famicom, Japão, 1989)
Último Lançamento: Mother 3 (Game Boy Advance, Japão, 2006)
Onde encontrar hoje: EarthBound (Virtual Console do Wii U)

Idealizada por Shigesato Itoi — redator e escritor consagrado no Japão —  a série Mother é um fenômeno cult no mundo dos games. O primeiro título foi lançado ainda na geração 8-bits, mas foi com o segundo jogo, chamado de EarthBound no Ocidente, que a franquia conquistou fãs fervorosos pelo mundo todo. O clássico do Super Nintendo misturava elementos tradicionais de RPG, temática mundana e atual, muito bom humor e uma narrativa escrita de forma primorosa e recheada de contextos.
Shigesato Itoi é o grande nome por trás da série Mother
Apesar de todo o reconhecimento tardio que EarthBound conquistou, em sua época de lançamento não foi considerado um sucesso pela Nintendo, que esperava vendas muito mais expressivas no Ocidente. Sua continuação, Mother 3, sequer foi localizado para o lado de cá do planeta, sendo até hoje um dos jogos mais pedidos pelos fãs da gigante japonesa.

Se a localização do terceiro jogo já é difícil de esperar, imagine um novo título. Mother é uma série muito dependente de seu idealizador, e nos últimos anos, Itoi deixou claro que não tem interesse em revisitar sua criação mais popular. Enquanto fãs sedentos por mais conteúdo produzem traduções e jogos não autorizados baseados na série, continuamos esperançosos por uma nova entrada oficial da franquia, que está dormente desde 2006.

Como poderia voltar: dificilmente veremos Shigesato Itoi retomando o posto de roteirista, mas com tantos novos talentos nos estúdios da Nintendo, bons jogos ainda podem surgir no mesmo universo. E não precisa de nada revolucionário, a fórmula original já era perfeita!

01. The Mysterious Murasame Castle (Nazo no Murasame Jou)


Estréia: Nazo no Murasame Jou (Famicom Disk System, Japão, 1986)
Último lançamento: Nazo no Murasame Jou (Famicom Disk System, Japão, 1986)
Onde encontrar hoje: The Mysterious Murasame Castle (Virtual Console do 3DS)

Esta é, sem dúvidas, uma das propriedades mais obscuras do catálogo da Nintendo. Dirigido e desenhado por Minoru Maeda (Dragon Ball) e com trilha sonora assinada por ninguém menos que Koji Kondo (Mario, Zelda, etc.), Nazo no Murasame Jou conta a história do aprendiz de samurai Takamaru e sua luta contra forças alienígenas em pleno Japão feudal.

The Mysterious Murasame Castle, como o jogo ficou conhecido no Ocidente, chama atenção até hoje por ter uma forte ligação com The Legend of Zelda. Ambos foram criados no mesmo motor gráfico e contam com visão de jogo e comandos bastante parecidos — embora Murasame seja mais linear e voltado para a ação. Entretanto, um transformou-se rapidamente em uma das franquias mais amadas de todos os tempos, enquanto o outro foi deixado para trás, quase esquecido. Nem preciso dar nome aos bois, não é mesmo?
As semelhanças com os cenários do primeiro Zelda saltam aos olhos
Mas nem tudo está perdido para este velho joguinho de Disk System. Nos últimos anos, a Big N vem dando indícios de que ainda tem interesse na franquia: além de localizar o game para o ocidente pela primeira vez em quase 30 anos — lançando-o para o Virtual Console do 3DS em 2013 — também criou um mini game exclusivo baseado em Murasame, que foi adicionado ao jogo Nintendo Land (Wii U).

Como poderia voltar: no mesmo estilo do original, mas com gráficos e mecânicas atuais. Ou, com um pouco mais de ambição, em uma novíssima aventura 3D seguindo o exemplo de seu irmão mais velho, The Legend of Zelda.

Menções honrosas

Brain Age; Punch Out!!; Sin & Punishment; Super Mario Strikers; Mario Paint; Ice Climbers; Baloon Fighter; Mach Rider; Golden Sun; 1080° e Mario RPG.
O catálogo da Nintendo é riquíssimo de propriedades intelectuais fantásticas e que merecem mais atenção. Tentamos fazer uma média entre as séries que estão há muito tempo esquecidas e aquelas que são favoritas dos fãs mas nos últimos anos andam dormentes. Lembrou de outra série ou jogo que sente falta? Diz pra gente nos comentários!

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Carlos Eduardo Cirne escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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