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Análise: BATTLLOON (Switch) traz frenéticas batalhas multiplayer entre balões

Empurre os oponentes em espinhos nesse curioso indie focado em embates locais para vários jogadores.


De vez em quando queremos um jogo simples e descompromissado para curtir com os amigos. BATTLLOON, um indie com multiplayer para até quatro participantes, é mais um desses títulos. O conceito principal e os comandos são bem fáceis de entender, e o visual colorido é  convidativo, resultando em uma atmosfera divertida. A base do jogo é bem criativa, no entanto ele sofre por não desenvolver direito suas mecânicas.

Lutando para descobrir qual é o melhor balão

BATTLLOON, como o nome indica, se concentra em batalhas entre criaturas com forma de balões. Nos embates, o objetivo é empurrar os oponentes em espinhos localizados nas extremidades das arenas. Para isso, cada bicho-balão inala ar e depois o solta para se mover e atacar os outros jogadores. Os comandos são bem simples, porém controlar os personagens demanda algum treino e adaptação, pois a movimentação é fortemente baseada em inércia, sendo um pouco difícil mudar de direção rapidamente.

A movimentação curiosa é o aspecto mais marcante do jogo. No começo, controlar os personagens é uma tarefa desajeitada, mas bastam algumas partidas para entender a mecânica e conseguir atacar os outros jogadores. Para vencer, é essencial tomar vantagem disso: uma boa maneira de ganhar pontos é incitar oponentes a fazerem movimentos perigosos, desviar no último segundo e aproveitar para contra-atacar. Com quatro combatentes na arena as coisas ficam um pouco caóticas, entretanto a bagunça faz parte da experiência, claro.


Algumas características deixam os combates de BATTLLOON mais complexos. A mais importante delas é a presença de personagens com atributos diferentes. Mr. Balloon se move mais rápido quando está próximo de paredes, o que permite escapar melhor dos espinhos. Já o passarinho Birdie Jay é ágil e bem fácil de controlar, porém seu tamanho reduzido empurra menos os oponentes. O polvo Tako-san inala ar rapidamente, no entanto só consegue guardar poucas quantidades, o que limita suas opções de ataques. Fora os seis personagens, as arenas contam com alguns elementos que animam as partidas, como molas, cometas que atordoam participantes e bolas de espinhos que rebatem pela tela.

A atmosfera do jogo é convidativa com a presença de visual pixel art colorido e cartunesco, com uma paleta focada nas cores roxo e rosa. Os vários competidores esbanjam carisma e referenciam elementos da cultura pop, como o gatinho que deixa um rastro de arco-íris ao se mover. Já a música apresenta composições no estilo 8-bits, porém, infelizmente, ela é muito desagradável por usar timbres estridentes e que não combinam em nada com o visual.


As vantagens e as inconveniências da simplicidade

Mecânicas despretensiosas tornam BATTLLOON bem acessível, bastando poucos minutos para entender como as partidas funcionam. Há uma curva de aprendizado, afinal a movimentação dos personagens não é usual, mas uma vez dominados esses detalhes, o título se revela um multiplayer estratégico e frenético — as partidas são repletas de caos e confusão divertida. Os combates são ágeis e rápidos, logo é muito comum jogar vários embates em seguida sem ver o tempo passar. Recomendo partidas com três ou quatro participantes, pois a bagunça deixa a experiência mais prazerosa.

A simplicidade reina no jogo, fazendo com que ele seja ótimo para partidas casuais, no entanto ela é também seu maior defeito. Para começar, BATTLLOON apresenta somente a modalidade de partidas multiplayer local, e todos os participantes precisam ser controlados por pessoas — ou seja, é um jogo no qual é impossível aproveitar sozinho. Eu entendo que o foco é a experiência local com várias pessoas, contudo acredito que  a ausência de oponentes guiados pelo computador, outras modalidades solo ou até mesmo um modo online, é uma oportunidade perdida.


Depois de reunir os amigos e jogar algumas partidas, fica aparente que o jogo tem pouco conteúdo a oferecer. Fora algumas poucas arenas (cuja a principal diferença é a aparência) e personagens, não há mais nada em BATTLLOON. Para piorar, o título conta com uma única modalidade de batalha e as regras são fixas, ou seja, é impossível customizar detalhes dos combates, como arenas ou a quantidade de pontos necessários para a vitória. Sendo assim, rapidamente vemos o que o jogo tem a oferecer e seu apelo acaba rápido — o que é uma pena, já que a ideia principal é bem criativa e o visual é bem charmoso.

Confrontos ágeis, mas momentâneos

BATTLLOON oferece uma experiência multiplayer bem curiosa na forma de batalhas entre criaturas que lembram balões. Os comandos são simples e fáceis de aprender, porém a movimentação é um pouco estranha. Uma vez dominados os conceitos, o jogo fica bem divertido, principalmente por causa do caos constante nas partidas. A atmosfera é colorida e cativante, contudo, infelizmente, o título carece de conteúdo, como modos, estágios e opções de customização de partidas. No fim, BATTLLOON é uma diversão intensa, mas muito breve.

Prós

  • Batalhas rápidas e divertidas;
  • Comandos simples de entender;
  • Visual agradável.

Contras

  • Ausência de modalidades para um único jogador;
  • Impossibilidade de customizar as partidas;
  • Pouca variedade de conteúdo.
BATTLLOON — PC/Switch — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Fernandes
Análise produzida com cópia digital cedida pela UNTIES

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.

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