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Análise: Zero Zero Zero Zero (Switch) é um enjoativo zero à esquerda

Indie de plataforma 2D peca em aspectos básicos e oferece uma experiência bem esquecível.





Criado por apenas uma pessoa que certamente não conseguiu pensar em um bom nome para o jogo, Zero Zero Zero Zero (Switch) é um minúsculo indie de plataforma 2D com uma simplicidade que remete aos velhos tempos de arcade. Fortemente inspirado em Super Meat Boy (Multi), o título quase monocromático da Alvaro Games conta com cerca de 100 pequenas salas recheadas de obstáculos desafiadores para dominar. 

Direto ao ponto branco

O objetivo do jogo é completar cerca de 100 salas pequenas no menor tempo possível. Não existe um final ou uma história propriamente dita, algo bem similar aos jogos mais simplistas de Atari. Para completar uma sala é preciso encostar em um dispositivo na outra ponta do estágio e então retornar para a porta do começo. Morrer em uma sala te leva imediatamente para outra fase de forma aleatória. Para cumprir essa missão, o jogador tem acesso a um pulo duplo e um tiro de pistola. Apenas isso e nada mais. 




Parece simples, não? Seria uma pena se a péssima jogabilidade não ajudasse em nada. Ao contrário dos muitos títulos em que se inspira, os controles de Zero Zero Zero Zero são imprecisos e nem um pouco divertidos de se controlar. Junte isso a necessidade de ser extremamente preciso para passar em certas salas e você encontrará a receita perfeita para a frustração.

Graças aos minúsculos pixels que formam os desinteressantes gráficos do jogo, a movimentação precisaria ser adaptada em relação à escala pequena do mundo e do personagem principal. Infelizmente isto não ocorreu, muito para o azar dos controles que se tornaram super sensíveis a qualquer tipo de toque no direcional. Talvez esse fator não fosse um problema se os desafios do jogo não fossem milimetricamente exigentes.

Por em falar em pixels minúsculos, é bom ressaltar que quase tudo no jogo utiliza preto e branco. Não tem nada de errado com essa escolha artística por si só, porém neste caso deu tudo errado. É consenso comum que quanto menor é o tamanho de uma imagem, mais difícil se torna para o olho humano identificá-la em questão de segundos. Como forma de compensar isso, os desenvolvedores costumam utilizar cores diferentes para auxiliar o jogador a distinguir os elementos presentes na tela. Infelizmente, isso não ocorre aqui.

Aquilo é um espinho ou uma plataforma? Opa, você morreu. Essa confusão gerada pela ambiguidade gráfica só aumenta ainda mais a dificuldade artificial. O jogador perde tempo que deveria ser usado para planejar e executar suas próximas ações, apenas para identificar o que é aquele pixel minúsculo que pode muito bem ser fatal ou não.



De volta à estaca zero

O tempo de transição entre as salas é tão rápido e os cenários são tão pequenos que muitas vezes você nem consegue encontrar a posição do seu personagem na tela antes de morrer em questão de segundos. Já perdi a contagem de vezes que completei uma sala e imediatamente fui morto na próxima sem tempo para reagir.

Mesmo após ter completado certa fase, uma hora ela vai começar a se aparecer de novo misturada na aleatoriedade como se você nunca tivesse passado por ela. Quando notei que o jogo estava repetindo fases na cara de pau, foi como se alguém tivesse jogado um balde de água fria na minha cara. Afinal, qual a necessidade de se dedicar para passar uma fase chata e demorada se eu posso esperar as fáceis aparecerem de novo e ainda assim completar o jogo da mesma forma?

A única coisa que talvez se salve nesse jogo é a trilha sonora, que por sinal também não é lá essas grandes coisas. Algumas melodias são até legais no início, mas em pouco tempo ficam extremamente irritantes por causa da repetição e a falta de variedade. Os efeitos sonoros, por outro lado, são genéricos e sem graça.

Mesmo que Zero Zero Zero Zero seja um indie desenvolvido por apenas uma pessoa, isso não deveria ser usado como justificativa para os inúmeros problemas que tornam a experiência de jogá-lo tão desagradável. É sempre bom lembrar que diversos desenvolvedores independentes, como por exemplo Toby Fox de Undertale (Switch) e Daisuke Amaya de Cave Story (3DS), já provaram ao mundo que não é impossível para uma pessoa desenvolver sozinho um jogo de ótima qualidade.



Zero à esquerda

Enjoativo, sem graça e com muitas falhas graves de game design, Zero Zero Zero Zero é um título que talvez possa divertir os jogadores menos exigentes por uns 5 minutos antes que eles esqueçam de sua existência. Prejudicado por péssimos controles e um estilo gráfico deveras duvidoso, o minúsculo platformer 2D da Alvaro Games infelizmente não foge do destino de ser um zero à esquerda.

Prós:

  • Pode divertir jogadores menos exigentes.

Contras:

  • Controles imprecisos e desconfortáveis;
  • Gráficos confusos e enjoativos;
  • Falhas graves de design;
  • Conteúdo enjoativo.
Zero Zero Zero Zero — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vladimir Machado
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ratalaika Games

Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.


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