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Análise: Mario Golf: Super Rush (Switch) diverte, mas é mais uma tacada torta na franquia

O game passa longe de ser um hole-in-one, mas é ainda uma alternativa interessante para os amantes das franquias de esporte do bigodudo.

Oito anos atrás, quando a última entrada na franquia de golfe do Mario chegou ao Nintendo 3DS, estreando no portátil, muitos fãs receberam um tremendo balde de água fria com a chegada de um título que mais uma vez deixou a desejar se comparado aos clássicos do Game Boy e principalmente do GameCube. 

Sob a tutela da Nintendo, coube então à Camelot, que surpreendeu com Mario Tennis: Aces (Switch), não apenas entregar uma sequência do clássico nintendista das competições esportivas, mas também buscar novas maneiras de reinventar o tradicional esporte escocês. Infelizmente, Mario Golf: Super Rush (Switch) não alcança o patamar de seus antecessores, mas é uma entrada bem-vinda em um console que ainda carece de mais títulos para se jogar com a família e amigos.

Preparem os tacos!

Em Mario Golf: Super Rush, podemos competir com 16 personagens do Reino do Cogumelo, tanto os mais tradicionais, como Mario, Luigi, Peach e cia, quanto estreantes como King Bob-Omb, Pauline e Chargin' Chuck, ou até mesmo com seu Mii, em uma grande competição por um lugar no pódio. E não apenas metaforicamente: graças aos novos modos Speed Golf e Battle Golf, o jogo é mais competitivo do que nunca. 


Naturalmente, o golfe clássico padrão também marca presença, apesar de não se tratar de uma versão cartunizada de PGA Tour 2k21 (Multi), mas do esporte adaptado segundo a Big N. Para garantir que os recém-chegados não fiquem perdidos, o game inclui um grande guia com todos os termos técnicos, como par, bogey, green, etc., de forma muito detalhada na qual tudo é explicado minuciosamente — mas que sinceramente poucos irão conferir. 

O melhor lugar para começar a jogar, no entanto, continua sendo o Adventure Mode, onde o jogador passará por diversos exercícios razoavelmente divertidos em uma curva de aprendizagem agradável, com algumas exceções.

Como se pega no taco?!

Logo de cara, somos levados a escolher a maneira de jogar, e é aí que o primeiro divisor de águas aparece. Os novos controles de movimento nem sempre são tão ágeis quanto você gostaria ou esperaria após o sucesso do esporte na franquia Wii Sports. Não só isso, mas algumas funcionalidades de controle de bola, giro e manipulação da tacada simplesmente não estão disponíveis nesse modo.


Para partidas locais multiplayer, os controles de movimento cumprem bem o seu papel, mas os controles clássicos através dos Joy-Con ainda são a melhor escolha. No caso de competições online ou desafios que requerem mais precisão, eu diria que são a única forma de se obter um desempenho razoável, sem várias horas até dominar a jogabilidade.

Por outro lado, os seis campos de golfe de 18 buracos proporcionam uma variedade interessante ao ponto de nunca parecerem se repetir exaustivamente. Mario Golf: Super Rush não oferece apenas superfícies e ambientes diferentes, mas estes também têm grande influência em nossas tacadas.

Há tornados que giram bolas no ar ou areias movediças que nos puxam para as profundezas. Você também pode aguardar com expectativa os obstáculos familiares do universo Mario, é claro, ainda que bastante tímidos. 

O problema maior é que os cenários, ainda que bem-ambientados em biomas, não conseguem ter o mesmo carisma, coloração e atmosfera se comparados a alguns estágios de Mario Golf: World Tour (3DS), adotando uma pegada mais neutra e próxima de campos reais, como visto principalmente em Toadstool Tour e na primeira entrada da franquia. Dessa forma, os elementos do mundo de Mario parecem bastante “fora de lugar”, em contraste com a pegada mais genérica dos percursos.


Além disso, aspectos mais realistas do golfe também foram incluídos. Temos uma ampla seleção de tacos que podemos misturar e combinar de acordo com nossas preferências e terrenos. Juntamente ao vento ou à inclinação, eles influenciam fortemente a direção de voo de nossa bola. 

Quanto à jogabilidade como um todo, é realmente surpreendente como pouco nos é informado a respeito dela caso não optemos por jogar o Adventure Mode. Se aventurar no multiplayer online logo após poucas partidas é quase uma missão suicida, principalmente se estivermos usando os controles de movimento. Boa sorte ao explicar todos os controles para seus amigos tentarem competir com você.

Golfe à la Mario

Quanto aos modos de jogo, é aqui que Mario Golf: Super Rush se difere da maioria de seus antecessores, apresentando novidades que inicialmente parecem fazer todo o sentido e que revolucionariam a maneira de se jogar, mas não é bem assim. Bom, mais ou menos.

O destaque absoluto é o modo Speed Golf, em que a rapidez é perfeita para noites divertidas com amigos ou familiares. Até quatro pessoas podem disputar ao mesmo tempo para colocar sua bola no buraco o mais rápido possível. Dessa vez, já não apenas damos uma tacada na bola estaticamente, mas também a perseguimos através do campo de golfe. 


Dependendo do personagem, temos diferentes habilidades com as quais podemos superar nossos concorrentes, seja com Super Shots, tacadas especiais que carregam um efeito em seu percurso ou ao aterrissar, ou com o Dash, que além de aumentar a sua velocidade temporariamente, costuma atrapalhar todos à sua frente. 

A outra razão pela qual o modo é tão disruptivo é que todos estão jogando ao mesmo tempo, cortando totalmente o tédio e as “olhadas no telefone” enquanto o adversário prepara a sua tacada. Na prática, no entanto, após poucas partidas, o modo já se mostra extremamente repetitivo e, aliado aos controles de movimento imprecisos, pode levar a resultados extremamente frustrantes para os mais competitivos — e eu me incluo aqui.

Buracos de batalha

Outro novo modo em Mario Golf: Super Rush é o Battle Golf. Nele, será possível competir contra três outros jogadores ou mesmo CPUs em uma arena com nove buracos. No total, são apresentadas duas versões de arena — cabe escolher ao seu gosto. Cada uma delas também parece ser apenas uma versão despojada da outra. 


O primeiro jogador a acertar três buracos ganha, sem mais nem menos. No entanto, obstáculos do universo Mario, como alguns Bob-Ombs ou Chain Chomps, dificultam ao máximo o acesso aos buracos, mas sem interferir muito de forma geral — até que eles venham a te atrapalhar ao fim de uma partida acirradíssima contra seu cônjuge.

A atração do Battle Mode é que um buraco anteriormente disponível a todos fecha depois que a primeira pessoa acertá-lo, proporcionando cenários e situações muito divertidas, especialmente quando todos estão no mesmo buraco. Infelizmente, a modalidade não dá o suficiente para uma diversão realmente a longo prazo, sendo apenas um aperitivo pequeno, mas muito bem-vindo.

Uma aventura… duvidosa

Por fim, é no Adventure Mode que enviamos o Mii de nossa escolha aos campos do Reino do Cogumelo para destronar o Mario como o mais novo Tiger Woods — no melhor sentido possível. Começamos como novatos recém-chegados ao esporte abrigados por uma Birdo e aos poucos subimos de ranking junto de outros novatos, representados por personagens do reino. 

É a partir daí que todo o hype levantado durante os trailers de divulgação cai por terra, haja vista que por mais que gostássemos de relatar um modo emocionante, de dificuldade acirrada e que mostre uma real aventura de golfe, o Adventure Mode tenta se levar a sério, mas serve apenas para mostrar como se joga com truques de jogabilidade.


Além disso, enquanto um nível pode ser dominado facilmente, o seguinte não perdoa nem o menor erro, falhando em oferecer uma experiência balanceada e com opções de dificuldade. 

O sistema de níveis, que levou muitos a crer na volta de um modo aventura como nos auges do Game Boy, também decepciona. Eles podem ser investidos na árvore de habilidades, mas o equilíbrio desigual fará você bufar de frustração uma ou duas vezes, principalmente se for utilizar o seu Mii em outros contextos.

No geral, o Adventure Mode de Super Rush parece um pouco mal-produzido. As explicações e sessões de treinamento são extremamente úteis e levam a uma aprendizagem perceptível, mas o seu timing poderia ser melhor adaptado para que passasse uma impressão menos forçada.

Longe dos torneios, estamos apenas vagando pelas cidades e vilas que precedem os campos e que, apesar de muito bonitas graficamente, não motivam o jogador a fazer nada a não ser partir imediatamente para a próxima rodada de golfe — até porque não há realmente nada a descobrir naqueles ambientes.


Se não houvesse alguns Koopas, Shy Guys e Goombas sentados por aí, pensaríamos que acabamos pousando em um JRPG aleatório. A gigantesca quantidade de texto inútil também é um sério problema, agravado pela terrível decisão de design de deixar as caixas de diálogo extremamente monótonas. Isso leva o jogador a querer simplesmente pular tudo o mais rápido possível e ir logo para o próximo desafio.

É a tacada que esperávamos?

Mario Golf: Super Rush não é o melhor título da franquia, muito menos o melhor jogo de esportes do Mario na biblioteca do Switch. Para quem esperava principalmente apenas um jogo divertido do universo do bigodudo, a grande quantidade de termos específicos, técnicas e tacos é, a princípio, assustadora. 

Aqui, é realmente necessária muita dedicação e vontade de se engajar mais profundamente para realmente dominar os controles e técnicas. Os novos modos Speed Golf e Battle Golf, no entanto, são ótimas adições à franquia, que precisa mesmo de novas ideias para se manter relevante. 

Em suma, a Camelot oferece um party game competente, mas que não brilha muito em momento algum, com destaque negativo ao Adventure Mode, uma decepção enorme por sua dificuldade medíocre e ambientação sem alma. Aguardemos por novas DLCs nos moldes de Mario Tennis Aces para que o game possa resistir à prova do tempo e mostrar que ainda há muitos buracos para acertar.

Prós

  • A variedade de buracos e tacos agrada;
  • Os visuais figuram entre os mais belos da franquia Mario, com ressalvas;
  • O multiplayer local deixa o game muito mais interessante.

Contras

  • O Modo Aventura é uma grande chance desperdiçada e decepciona;
  • Jogadores que optam por controles de movimento estão em clara desvantagem;
  • Os mapas e animações são bem menos criativos que os do seu antecessor portátil.
Mario Golf: Super Rush – Switch – Nota: 6.5
Revisão: Davi Sousa
Análise publicada com cópia digital cedida pela Nintendo

Curioso, empolgado e positivo: os ingredientes ideais para criar o Felipe perfeito...ou quase! Estudante de Engenharia no crachá, programador aos fins de semana e designer às quintas-feiras. Na dúvida, viajar pelos mundos de Kingdom Hearts ou caçar monstros em Hyrule são sem dúvidas uma boa aposta! Conheçam-me! @felipe_lemos12


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