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Game Boy Advance: os jogos de gráficos mais impressionantes do portátil avançado

Um dos maiores ícones no quesito poder e portabilidade, o Game Boy Advance apresenta ainda hoje uma biblioteca grande de jogos belos e populares.

O Game Boy Advance, um dos portáteis mais queridos por fãs espalhados pelo mundo, foi certamente um console recheado de surpresas e bons lançamentos até o fim de seu período de vigência, em 2007, adentrando um pouco a vida útil do seu sucessor — principalmente por insistência da Nintendo em não abandonar o console. Ao todo, em suas várias versões, o GBA soma atualmente mais de 80 milhões de unidades vendidas e foi um sucesso tremendo desde sua proposta até a execução final.

O console não apenas pegou tudo aquilo que havia dado certo em seus antecessores, mas conseguiu transmitir concisamente o avanço em tecnologia e em capacidade, refletidos especialmente em games de gráficos belíssimos, principalmente no que  diz respeito ao trabalho com sprites, que encontra aqui verdadeiras obras de arte.

Livre de concorrências de impacto global com o abandono da SEGA no ramo de consoles, o GBA ofereceu uma vasta biblioteca de jogos dos mais variados gêneros por preços mais acessíveis e foi a primeira vez que vários jogadores puderam levar títulos consagrados de Super Nintendo, NES e demais consoles para qualquer lugar.

Com o intuito de relembrar tantos jogos belos, resolvemos destacar alguns deles que puderam trazer o aparelho ao seu máximo no quesito de performance gráfica ou ainda que souberam trazer uma bela otimização de seus recursos visuais de forma geral. Cabe destacar que o texto reflete apenas a minha opinião com base nos títulos que eu conheço e certamente faltarão outros belíssimos jogos que fizeram parte da trajetória de vários jogadores, desde a infância até a senioridade.

10. Pokémon Mystery Dungeon: Red Rescue Team

A série Pokémon nunca foi sinônimo de bom desempenho gráfico, protagonizando, em especial nos dias de hoje, movimentos contrários ao trabalho desempenhado pela Game Freak pela fraca apresentação. 

Em um dos primeiros spin-off de extremo sucesso da franquia, Pokémon Mystery Dungeon: Red Rescue Team, — lançado paralelamente ao Blue Rescue Team, para o Nintendo DS — jogamos pela primeira vez na pele de um Pokémon e temos sua personalidade e interação como protagonistas na aventura. 

Isso significou poder observar vários monstrinhos pela primeira vez de todos os ângulos — possibilidade bastante restrita a poucos Pokémon na série principal — e observar seus movimentos em ação em tempo real. O trabalho faz suspirar com cada criatura quase desenhada à mão pelos desenvolvedores da ChunSoft e ainda que passemos a maior parte do tempo em masmorras com cenários repetidos e pouco variados, temos momentos de brilhantismo em cenários mais elaborados.

9. WarioWare Inc / WarioWare Twisted

Na primeira entrada da série, WarioWare Inc não apenas impressionou pela insanidade frenética de seus microgames, mas também pelo excepcional trabalho com formas de vários gêneros e maneiras distintas espalhados em suas dezenas de microgames.

Quando analisada apenas a aventura de Wario, cada pixel parece mais o contorno de uma caneta desenhada e temos elementos que mais se parecem com quadros pintados em alguns microgames, contrastando com outros propositalmente mal feitos para aumentar a insanidade e o impacto.

Com o sucesso do jogo e o lançamento de sua primeira sequência, Twisted apresenta os mesmos visuais encantadores e simplistas à primeira vista, onde, assim como no primeiro, você verá vários estilos de arte usados em toda a lista de microgames, em uma série pouco conhecida pelo público geral.

O que separa WarioWare do resto é seu uso de objetos realistas e até mesmo de pessoas. A estética deslumbrante da saga vem diretamente da própria vida real, juntamente com os desenhos animados. Como um bônus, Twisted permite que você jogue o jogo girando o console com um sensor de movimentos que acompanhava o game, dando um real twist em todos os conceitos de criatividade em games que temos hoje.

8. Mario & Luigi: Super Star Saga

A sequência da série de RPG do Mario uniu Mario e seu irmão bigodudo Luigi em uma aventura no Beanbean Kingdom, se distanciando cada vez mais das entradas de RPG com o personagem que tivemos em Super Mario RPG (SNES) e Paper Mario (N64).

Ao adotar o estilo mais cartunesco, próprio de um anime ou desenho animado, o GBA pôde lidar muito bem com o estilo de arte, usando e abusando de contornos ressaltados e cores maravilhosamente bem destacadas. 

O game ainda se deu ao trabalho de animar praticamente tudo que aparecia na tela, de cachoeiras em cavernas, lava borbulhante a até mesmo o ambiente infernal da batalha final, todos continuam relevantes e belos até hoje. 

7. Kirby: The Amazing Mirror

Jogos do Kirby são constantemente ignorados pelos jogadores ocidentais, fato esse que leva ao desconhecimento de várias pessoas quanto às verdadeiras obras de arte visuais nos games da bolota, característica esta que com o tempo se tornou típica da série Kirby, que adora experimentar com variações e padrões artísticos diferentes.

Em The Amazing Mirror, absolutamente tudo é lindo, brilhante e destacado na tela, em um verdadeiro capricho no design de cenários, personagens, animações e todo e qualquer elemento no game. Não obstante, temos aqui uma das mais memoráveis aventuras da bolota rosa e que, quando executada na tela de um GBA, deixa vários games de DS para trás.

6. Sword Of Mana

Em meio a tantos jogos de RPG de alta qualidade, Sword of Mana mantém o padrão altíssimo e se destaca justamente pela qualidade de seus visuais para a telinha do portátil avançado.

Em especial o design de monstros e cenários são detalhados pixel-a-pixel e encorporam uma incrível complexidade às sprites que fazem o termo pixel art ter cada vez mais sentido artístico. O destaque maior fica para os efeitos de iluminação e sombras alcançados, trazendo uma das melhores experiências visuais na tela do portátil.

5. Asterix & Obelix XXL

Na vasta biblioteca do console, pudemos observar uma gigantesca gama de jogos que ousaram experimentar com modelos e cenários totalmente tridimensionais, ainda que duramente limitados pela baixa resolução da tela do aparelho ou o restrito campo de visão.

Isso levou a vários jogos que tentaram, mas não atingiram resultados aceitáveis, mesmo com lançamentos de nomes de peso. Já em Asterix & Obelix XXL, um jogo bastante desconhecido pelo público geral, temos uma das melhores execuções de ambientes e personagens totalmente modelados em 3D, tudo incrivelmente fluido.

Relembrando ao máximo games de plataforma disponíveis no Nintendo 64, o jogo não faz feio e surpreende na apresentação de terras ermas, cavernas e montanhas da Normandia de maneira inesperada,

4. Golden Sun / Golden Sun: The Lost Age

Nessa que é uma das franquias esquecidas pela Nintendo com mais anos de hiato, Golden Sun teve sua estreia no Game Boy Advance com dois títulos de cair o queixo, principalmente pela apresentação geral e fluidez de gameplay entre sua memorável narrativa heróica.

Por se tratar de um RPG, o game optou por mostrar cenas de seu mundo em um formato quase aberto para exploração, antes de adentrar às dungeons onde cada cenário de Weyard é minuciosamente colorido, vibrante e bem-planejado em seu trabalho de sprites.

O destaque fica para as cenas durante as batalhas de turno, em que os personagens são retratados em tempo real, com movimentação e cenários bem animados, dando um show a parte em cada execução de magia ou poder especial.

A sequência seguiu os mesmos passos, expandindo o universo pela primeira vez e consolidando a franquia como uma das mais bem construídas graficamente de todos os jogos da Nintendo., tendência que se seguiu no sucessor para o Nintendo DS.

3. Metroid Fusion/ Metroid: Zero Mission

A série Metroid é uma das principais referências visuais quando o assunto é Nintendo há vários anos, mas o seu destaque maior sempre foi a saga Prime, iniciada no GameCube. Paralelamente aos jogos no console de mesa, no entanto, a linha principal da franquia teve mesmo prosseguimento com o lançamento de Fusion para o GBA, após longos anos de espera.

O game aproveita de todos os aspectos visuais de sucesso de Super Metroid (SNES) e incorpora a qualidade artística incrementada do hardware do GBA para trazer uma apresentação belíssima. O trabalho de design gráfico do game conseguiu contornar a baixa resolução da tela apresentando alto detalhamento em seus sprites e entregando uma experiência que alcançou as expectativas dos fãs, com cenários dignos de grandes obras de sci-fi da cultura pop.

Apesar de historicamente contar com baixos números de vendas, o desempenho de Fusion foi satisfatoriamente bem para a equipe de desenvolvimento optar por repaginar o primeiro game de Metroid, lá do NES, sob o título de Metroid: Zero Mission.

O jogo bebe quase exatamente das mesmas fontes de Fusion, e oferecia desta vez o traje clássico da heroína em detalhes expandidos do que tínhamos no SNES, além de controlarmos uma Samus sem os trajes pesados de armadura pela primeira vez, expondo a beleza de cabelos loiros da personagem enquanto jogamos.

2. Kingdom Hearts: Chain of Memories

Na primeira entrada da famosa série de Tetsuya Nomura, Chain of Memories inova em tudo o que se propõe, em especial considerando a franquia Kingdom Hearts como um todo, com destaque para a adoção do estilo gráfico pesadamente baseado em sprites belíssimos, que são únicos para a franquia até a presente data. 

Além de retomar com vários personagens famosos conhecidos das entradas em 3D para consoles de mesa, o jogo ainda conta com cutscenes pré-renderizadas que figuram dentre as melhores de todo o GBA, principalmente dado à extrema limitação da resolução do portátil. 

O game teve um posterior re-lançamento para consoles de mesa que abandonou todo o trabalho visual desta versão, o que faz dela uma pegada pitoresca e aparentemente desconexa dos demais jogos da saga.

BONUS: The Legend of Zelda: The Minish Cap

Jogos da série Zelda são frequentemente recheados de alta expectativa, principalmente por terem uma veia artística tradicional à série bastante intensa. Com as críticas sobre os visuais de The Legend of Zelda: The Wind Waker (GC) alguns anos antes, a franquia levou mais um tapa quando o mesmo Toon Link do título para o console de mesa estampava a nova entrada do GBA em The Minish Cap.

Dessa forma, o jogo foi frequentemente excluído ou deixado de lado, haja vista a grande birra, principalmente da comunidade ocidental, com o estilo mais cartunesco optado pela equipe de Eiji Aonuma e cia. 

Na realidade, o jogo oferece uma das mais belas e incríveis aventuras do nosso hylian esverdeado, se apropriando de tudo de mais belo disponível no catálogo de games do GBA e ousando dar um passo além com um intenso trabalho de pixel art em seus sprites e cenários.

Curioso ainda é que, apesar de conter o Toon Link expressivo e caricato que tivemos em Wind Waker nas artes oficiais e capa do jogo, esses traços todos foram limitados pela perspectiva top down escolhida — a diferença era tão absurda que o Link que estampa a capa e artes oficiais têm a até a cor dos olhos diferentes do Link que temos no jogo.

1. Iridion 3D

Com tantos títulos em 3D rodando no GBA que tentaram trazer uma fiel experiência tridimensional e falharam feio, Iridion se destaca por optar por fazer 3D utilizando o máximo possível de elementos 2D na tela, coroados com backgrounds minuciosamente desenhados.

O título segue a premissa — ainda relevante atualmente — de trazer um espetáculo visual nos jogos de tiro de naves, e a execução do game, em especial se vivida na tela de um Game Boy Advance propriamente dito, é excepcional.

Enquanto algumas das fases mostram fundos estáticos, com elementos surgindo a todo momento na tela, — estes, incrivelmente detalhados — outras optam por cenários totalmente dinâmicos e que oferecem uma sensação de profundidade incrível.

Um marco de gerações

Entre tantos jogos que marcaram a vida de jogadores mundo afora, o GBA tornou-se ainda mais popular com a popularização dos computadores pessoais e a disponibilidade de emuladores de ótima performance, em especial no Brasil. 

Em um consenso na indústria dos games, vale relembrar que possuir belos visuais não significa que um jogo é bom e a biblioteca do GBA está recheada de jogos belos, especialmente em 3D, mas que são terríveis de se jogar.

O GBA pôde enfim dar início a um movimento de modernização dos jogos portáteis, sendo responsável por trazer ports de consoles de mesa da 4ª geração pela primeira vez disponíveis na palma de nossas mãos. Dentre tantas franquias que tiveram o seu início no portátil avançado, o legado que o console deixa é ainda maior a cada ano, em especial com a popularização de games Indie e o retorno da apreciação a sprites nos jogos, assunto no qual o GBA dá aula e é referência para as futuras gerações.

Basta agora aguardarmos pela concretização dos rumores e a expansão do pacote do Nintendo Switch Online para o portátil avançado, assim toda essa biblioteca de títulos será ressignificada para mais uma nova geração de gamers.

Confira as demais listas desta série

E você? Já pôde curtir esses games no seu Game Boy Advance? Se lembra de algum jogo que possamos ter esquecido e vale a pena mencionar?  Conte-nos nos comentários abaixo!
Revisão: Icaro Sousa

Curioso, empolgado e positivo: os ingredientes ideais para criar o Felipe perfeito...ou quase! Estudante de Engenharia no crachá, programador aos fins de semana e designer às quintas-feiras. Na dúvida, viajar pelos mundos de Kingdom Hearts ou caçar monstros em Hyrule são sem dúvidas uma boa aposta! Conheçam-me! @felipe_lemos12


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