A saga Kingdom Hearts e a Nintendo

Com o anúncio da chegada — tortuosa — da série no híbrido da Nintendo, vale a pena recordar a trajetória e os laços dela com a Big N.

Desde o anúncio conturbado das versões em nuvem de Kingdom Hearts-HD 1.5 + 2.5 ReMix (Multi) , Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue (Multi) e Kingdom Hearts III + ReMind (Multi) dentro do pacote nomeado Kingdom Hearts Integrum Masterpiece para o híbrido nintendista, muitos jogadores têm achado curiosa a inserção da franquia no console, ignorando o passado glorioso da série em dispositivos Nintendo.

Desenhos, RPG e Narrativa?!

Kingdom Hearts (KH) é uma série inconvencional, não há como negar isso. Uma mistura aparentemente impossível de personagens Disney e da franquia Final Fantasy, nascida em parte do desejo da Square Enix de criar o seu próprio "Super Mario 64", com mesclas de plataforma 3D e RPG, pelo qual a companhia é reconhecida. 

Afinal, KH trata-se de um Action-RPG em que Mickey Mouse, diretamente do Magic Kingdom na Disney, parte numa busca para combater as forças das Trevas. Ele deixa para trás o seu guardião principal, Pateta, e o mágico da corte, Donald, encarregando-os de procurar aquele que seria “O Escolhido”: Sora, o nosso herói. 


Uma ideia tão maluca soa como um sonho japonês e, eventualmente, uma franquia que já estaria condenada ao fracasso. A realidade, no entanto, mostra-se outra: duas décadas e mais de uma dezena jogos mais tarde, KH é certamente uma das maiores franquias de videogames de todos os tempos. Com números memoráveis de vendas não apenas de games, mas de artigos de entretenimento de forma geral — aqui é que a expertise da Disney brilha.

Mas não é só mais um RPG da Square em plataformas Sony?

Muito pela popularização, em especial do PS2, a franquia é facilmente relacionada à plataforma sonysta por muitos jogadores. Regularmente disponível nos consoles do lado azul da força, é verdade, Kingdom Hearts possui, no entanto, uma história surpreendentemente rica em plataformas Nintendo, mas que a maioria das pessoas de fato não pôde experimentar.

Colaborando com a narrativa tendenciosa, até que as coleções HD tivessem sido finalmente portadas para o Xbox One e PC nos últimos anos, as duas primeiras entradas da “linha principal” (bastante aspas aqui) da série nunca tinham visto a luz do dia — ou das telas — em nada além de um hardware da Sony. 


A realidade, no entanto, é que antes da criação das coleções HD, havia um número igual de jogos da série Kingdom Hearts exclusivos nas plataformas Nintendo do que para PlayStation. E, para quem conhece bem a franquia, spin-off não representa ou significa quase nada.

Mas o cenário tem de fato se alterado, já que a última entrada lançada abalou as convenções da série. Kingdom Hearts: Melody of Memory (Switch) foi o primeiro título a ser lançado simultaneamente em todos os consoles domésticos atuais, ainda que este sim seja o título mais spin-off já lançado — com ressalvas, é claro. 

O começo de uma bela história...

Após o sucesso do primeiro título, KH viu a sua sequência sob o curioso título de GameBoy Advance Kingdom Hearts: Chain of Memories (GBA) em 2004. Deixadas as suas particularidades de lado, logo após o audacioso lançamento, ficou claro que a Nintendo não poderia ficar de fora. Assim, com apenas dois jogos da série, um deles já era exclusivo de uma plataforma nintendista.

Todos aqueles que jogaram o game entendem que Chain of Memories não deve ser ignorado de forma alguma. O game procurou preencher a lacuna entre os eventos de Kingdom Hearts e a sua próxima sequência numerada, Kingdom Hearts II (Multi), que foi a convenção adotada pela Square Enix. 

Aliás, Chain of Memories foi muito bem recebido por fãs e críticos, além de uma ótima adição a impecável biblioteca de jogos da GBA, que foi devidamente portado para o PlayStation 2 com gráficos aprimorados e cutscenes bem trabalhadas.

Kingdom Hearts: Ultra Edition Alpha 3 Plus Pro Final Mix...

Pouco após o sucesso estrondoso de Kingdom Hearts II, em 2009, Kingdom Hearts 358/2 Days (DS), dava mais um importante up na franquia, com seu lançamento no Nintendo DS. A partir daí, os títulos dos jogos começaram a ficar bastante complexos, o que, além de render uma onda de memes e rejeições, dificultou ainda mais as pessoas a reconhecerem os títulos em plataformas externas à Sony.


De fato, uma entrada móvel exclusiva do Japão na série foi também lançada nesse mesmo período, sob o título de Kingdom Hearts: Coded (Mobile), que veremos um pouco mais a frente. A entrada 358/2 Days, foi mais um gigantesco passo que a história deu após meia-década, com a passado de Roxas e Axel e Xion, favoritos absolutos de vários fãs da série, abordando os segredos e nuances da Organization XIII. Sem jogar este título, um buraco imenso se fixa na narrativa, logo, é impossível relevá-lo.

Já no ano seguinte, em 2010, a franquia recebeu dois lançamentos em portáteis: Kingdom Hearts: Birth by Sleep (Multi) para o portátil sonysta, e Kingdom Hearts: Re: Coded (DS), um remake do game lançado para celulares para o Nintendo DS. Apesar da entrada para o PSP ser mais relevante, ambas abordam temas opostos na timeline da trama, mas que explicam — e levantam mais dúvidas — quanto a furos inexplicados de roteiro.

Com o fãs já sedentos pela conclusão da história de Sora, após os acontecimentos em KH II, foi em 2012, com o lançamento de Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance (3DS) para o Nintendo 3DS, que a história pôde dar mais uma vez um grande passo para a frente, atando pontas soltas e arrumando a mesa para o fim do arco da história. O game é um dos principais títulos da biblioteca do portátil tridimensional e não perde em nada para as entradas numeradas da franquia.

A longa seca nintendista...


Logo com a chegada de 2013, os fãs mais ansiosos do que nunca com os acontecimentos do final de DDD, não demorou muito para que o sonhado jogo fosse anunciado e o diretor da série foi perguntado antes do lançamento se um port para plataformas da Nintendo estaria em discussões (e nada de Xbox, um conhecido ausente da franquia). Os fãs nintendistas no entanto ouviram entristecidos o "não" educado do diretor, ainda que alguns achassem ter ouvido um "talvez", na melhor das hipóteses.

Na realidade, com o fracasso do Wii U, o console passou longe de ser até mesmo considerado para tal. Até mesmo o lançamento das coleções HD para PS3, de tecnologia reproduzível no Wii U, não teve evolução. Dessa forma, os fãs nintendistas foram colocados de lado em um gigante hiato que perdurou até o lançamento do Switch, ainda que muitos também o considerem um console frustrado pelo seu hardware incapaz de rodar o terceiro game — o que não deixa de ser verdade. 

O futuro é…. promissor?

Como se pôde ver, desde a sua criação inicial, Kingdom Hearts tem uma profunda e rica herança na Nintendo. Tem gozado de representação e presença em todas as gerações de aparelhos portáteis Nintendo desde o GBA e, felizmente, o Switch não é exceção.


No entanto, com o anúncio da vinda das coletâneas e todos os games do passado para as plataformas Xbox e PC, um grande problema se instaura: como os jogos de PS3 (que na verdade são de PS2) não viriam para o tão bem-sucedido Nintendo Switch? 

O anúncio da chegada da Kingdom Hearts Integrum Masterpiece, no entanto, não poderia ser mais frio que um balde de gelo. Sim, é interessante que ALGO das entradas principais de Kingdom Hearts esteja presente no híbrido nintendista, mas a maneira como foi feito, pegou a todos de surpresa.

Sim, era de se esperar que Kingdom Hearts III não fosse capaz de rodar nativamente no console (ainda que se questiona pelo trabalho feito em The Witcher 3: Wild Hunt — Complete Edition (Switch), Doom Eternal (Switch), The Outer Worlds (Switch) e Crysis Remastered Trilogy (Switch), por exemplo) mas a adoção do modelo de Cloud Gaming, que é exclusivo de países com conexão acima da média — nem pensem, jogadores brasileiros — também para as coletâneas de PS3 foi sim muito decepcionante.

De qualquer forma, um novo capítulo da história de sucesso da franquia Kingdom Hearts com a Nintendo está para se iniciar. A pena é a maneira controversa como foi escolhida e que, certamente, deixará vários fãs ao redor do globo apenas com o gostinho do que poderia ter sido.

Jogos da série disponíveis para plataformas Nintendo e suas análises

Mas e você? Teve alguma experiência boa com a série em plataformas da Nintendo? Conte-nos nos comentários abaixo.
Revisão: Janderson Silva

Curioso, empolgado e positivo: os ingredientes ideais para criar o Felipe perfeito...ou quase! Estudante de Engenharia no crachá, programador aos fins de semana e designer às quintas-feiras. Na dúvida, viajar pelos mundos de Kingdom Hearts ou caçar monstros em Hyrule são sem dúvidas uma boa aposta! Conheçam-me! @felipe_lemos12


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