Ubisoft: funcionários reagem à fala de CEO com indicativo de greve

Pressão sobre a equipe culminou na exigência de demandas por melhores condições de trabalho.

A produtora francesa de jogos Ubisoft vem enfrentando tempos difíceis. No mais recente desdobramento de sua crise, os funcionários da sede em Paris sinalizaram uma convocação de greve para o próximo dia 27.


Na última quarta (11), o CEO Yves Guillemot realizou uma reunião de emergência com investidores em que detalhou os problemas financeiros decorrentes das vendas abaixo das expectativas no período de final de ano. Duas consequências foram o cancelamento de três projetos não anunciados e o adiamento de jogos, projetando uma perda de US$ 537 milhões no atual ano fiscal, que se encerra em março de 2023.

Em um e-mail interno, conferido pelo Kotaku, Guillemot se dirigiu aos funcionários afirmando que a empresa conta com a equipe "para entregar estes lançamentos no prazo e no nível de qualidade esperado, e mostrar a todos o que somos capazes de alcançar".

A mensagem caiu mal entre os funcionários. O entendimento foi de que, ao pedir que a equipe "dê tudo de si", Guillemot está na verdade transferindo a culpa para eles. O sindicato Solidaires Informatique questionou:
"O Sr. Guillemot exige muito de seus funcionários, mas sem nenhuma remuneração. Os salários acompanharam a alta inflação dos últimos anos? E a implementação da semana de quatro dias? O que foi feito para as equipes que vieram de produções exaustivas (como as de Just Dance ou Mario)?"
A fala se refere a Just Dance 2023 (Multi) e Mario + Rabbids Sparks of Hope (Switch), títulos que não venderam o esperado pela Ubisoft e levaram ao esgotamento dos times envolvidos pela pressão gerencial. O sindicato parisiense convocou os funcionários da Ubisoft Paris a entrar em greve caso as demandas não sejam atendidas.

Eles pedem melhores condições de trabalho e, especificamente, a implementação de uma semana de quatro dias, transparência sobre como a Ubisoft tem trabalhado para desenvolver sua força de trabalho local e globalmente, e condenação mais forte de políticas gerenciais abusivas e demissões disfarçadas que “obrigam os funcionários a se demitir".

Além disso, o sindicato exige um aumento salarial imediato de 10% para todos os funcionários para compensar a inflação dos últimos anos no país. A justificativa é de que a empresa possui dinheiro em caixa devido a um acordo com a Tencent. A companhia chinesa dobrou a participação que possui nos investimentos da Ubisoft, chegando a 16,8%, e realizou um aporte de 300 milhões de euros.

A Tencent também é parceira da Nintendo para o mercado chinês. A Ubisoft até o momento não se pronunciou sobre as demandas dos funcionários na França.


Nascido no mesmo dia que Manoel Bandeira (mas com alguns anos de distância), perdido em Angra dos Reis (dos pobres e dos bobos da corte também), sob a influência da MPB, do rock e de coisas esquisitas como a Björk. Professor de história, acostumado a estar à margem de tudo e de todos por ser fora de moda. Gamer velho de guerra, comecei no Atari e até hoje não largo os mascotes - antes rivais - Mario e Sonic.


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