Quando o Nintendo Switch 2 foi revelado, já era esperado que jogos mais exigentes em termos de hardware começassem a chegar ao novo console da Nintendo. Ainda assim, sendo bem sincero, eu não imaginava ver títulos como Cyberpunk 2077: Ultimate Edition, Street Fighter 6, Resident Evil 7 em diante e, muito menos, Final Fantasy VII. São jogos naturalmente mais pesados, que demandam bastante do hardware. Para nossa alegria, porém, esse receio não se confirmou. Todos esses títulos já estão disponíveis ou têm lançamento confirmado para o Switch 2, e o mais impressionante é que se tratam de ports muito bem executados. Final Fantasy VII REMAKE Intergrade chega justamente para reforçar essa impressão, mostrando com clareza do que o Nintendo Switch 2 é realmente capaz.
Revolução em Midgar
Diferentemente do jogo original, Final Fantasy VII REMAKE Intergrade não é apenas uma releitura moderna, mas uma experiência que se passa em uma realidade alternativa. Com isso, vemos eventos acontecendo de formas diferentes em Midgar: alguns surgem mais cedo, outros simplesmente não existiam no original, trazendo surpresas constantes e um forte senso de originalidade. Vale lembrar que, ao contrário do título de 1997, o remake foi dividido em três partes, sendo este lançamento focado exclusivamente em toda a jornada até a saída de Midgar — um trecho que antes era concluído em poucas horas. Essa expansão permite que o desenvolvimento dos personagens cresça de forma exponencial, não apenas por meio de expressões faciais mais detalhadas, mas principalmente pelo aprofundamento do enredo.A jornada começa com Cloud Strife, ex-SOLDIER que atua como mercenário e passa a colaborar com o grupo eco-terrorista Avalanche, cujo objetivo é destruir a companhia Shinra. A corporação explora o Lifestream do planeta para gerar energia, drenando pouco a pouco sua própria essência vital. Dominando Midgar e manipulando a mídia, a Shinra empurra grande parte da população para a miséria, confinada sob um céu de metal e à margem do lixo. Inicialmente, Cloud demonstra pouco envolvimento emocional, encarando tudo apenas como trabalho pago. No entanto, ao longo da campanha, seu desenvolvimento acontece de forma constante, natural e bem construída, acompanhando também a evolução dos membros da equipe que o seguem.
Os cenários são ricos, repletos de detalhes e contam com texturas de alto nível. Felizmente, é perceptível que o jogo segue o padrão estabelecido pela versão de PlayStation 5, com melhorias evidentes em iluminação, sombras e qualidade geral das texturas. As áreas são amplas e abrigam puzzles clássicos da franquia Final Fantasy, nada excessivamente desafiador, mas que ocasionalmente exigem um pouco mais de atenção do jogador. A presença de itens escondidos, como Materias, incentiva a exploração de cada canto, recompensando quem se dedica a observar o ambiente. Mesmo sendo um comentário quase clichê, confesso que precisei parar diversas vezes apenas para admirar os cenários colossais que o jogo entrega.
Em contraste, há momentos em que a ambientação causa até certo desconforto, especialmente ao observar os setores inferiores de Midgar durante as áreas da Shinra, onde algumas texturas destoam e lembram estranhos JPEGs de baixa qualidade.
Espadas, cajados e metralhadoras
O sistema de batalha de Final Fantasy VII REMAKE Intergrade segue um caminho diferente do original baseado em turnos. Aqui, a experiência mistura ação em tempo real com elementos estratégicos, onde os ataques básicos acontecem livremente, enquanto habilidades, magias e itens são selecionados por meio de menus que desaceleram o tempo, permitindo decisões mais precisas mesmo em meio ao caos da batalha. O sistema ATB reforça essa proposta ao simplificar a lógica tradicional de turnos com barras de ação individuais para cada personagem, tornando os combates mais dinâmicos e estratégicos, além de evidenciar bem as diferenças de agilidade, classe e estilo de luta entre os membros do grupo.As armas também contam com um sistema de progressão próprio. Sempre que você evolui, recebe pontos que podem ser distribuídos em uma espécie de árvore de habilidades específica de cada arma, permitindo adicionar novos slots de Materia ou melhorar atributos como força, defesa e magia. Falando em Materias, elas continuam sendo uma mecânica central: são orbes que concedem habilidades e magias aos personagens, com destaque especial para as invocações, que trazem criaturas poderosas para auxiliar nos combates.
As batalhas contra chefes são mais longas e, muitas vezes, exigem abordagens e estratégias diferentes, tornando essencial o uso correto de itens para recuperar HP e Éter, a mana utilizada para magias. Para completar o conjunto, temos as Limit Breaks, habilidades especiais extremamente poderosas que podem ser executadas quando a barra correspondente está completamente carregada, funcionando como momentos decisivos nas lutas.
E no Switch 2?
Entrando na parte técnica, Final Fantasy VII REMAKE Intergrade não apenas cumpre o esperado, como impressiona. Se antes eu considerava Metroid Prime 4: Beyond o jogo mais bonito até então, aqui ele perde o posto. O título entrega visuais de tirar o fôlego, com batalhas extremamente dinâmicas recheadas de efeitos bem aplicados, além de cenários complexos, ricos em detalhes e muito bem construídos. Mas preciso dizer que existem momentos em que a resolução cai, fica um pouco embaçado, e algumas texturas em baixa qualidade também que acabam destoando do restante do game. Outra coisa: os NPCs no geral deixam a desejar, com modelos pálidos, pouco expressivos e bastante genéricos, algo que acaba quebrando um pouco da imersão. Vale destacar que esse não é um problema específico da versão para o Switch 2, mas do jogo em si. Em alguns momentos, especialmente no modo portátil, também foi possível notar pequenas quedas de resolução.Em relação ao desempenho, o jogo se manteve sólido durante toda a experiência. Tudo indica que ele roda travado a 30 quadros por segundo, já que mesmo nas batalhas mais intensas — com muitas partículas, invocações e inimigos atacando simultaneamente — não percebi quedas significativas na taxa de quadros. Confesso que havia um certo receio de que isso pudesse comprometer o ritmo dos combates, que são bastante rápidos e cheios de ação, mas felizmente isso não aconteceu. Nesse aspecto, a Square Enix merece elogios pelo ótimo trabalho técnico entregue.
Deixei para falar da trilha sonora aqui, pois apesar de seguir a trilha maravilhosa e clássica rearranjada, no modo portátil o som fica muito baixo. Espero que um patch corrija esse problema, pois tive que utilizar um fone de ouvido para poder apreciar as minhas jogatinas no modo portátil.
Final Fantasy VII REMAKE Intergrade não conta com dublagem em português, assim como acontece nas demais plataformas, porém todo o conteúdo está devidamente legendado em PT-BR, o que garante uma boa compreensão da narrativa. Um dos grandes destaques da versão para o Nintendo Switch 2 é justamente a presença da expansão Intergrade, que complementa de forma muito eficiente a experiência do jogo base. O DLC apresenta uma narrativa paralela centrada em Yuffie, oferecendo uma nova perspectiva dos acontecimentos em Midgar. A personagem é extremamente carismática e contribui para o aprofundamento do universo do jogo, especialmente ao explorar outras frentes de atuação da Avalanche e evidenciar, com mais clareza, os impactos da dominação da Shinra sobre a cidade.
Em termos de gameplay, Intergrade se sobressai ao introduzir mecânicas exclusivas para Yuffie, resultando em combates mais rápidos, dinâmicos e versáteis. A interação estratégica com Sonon adiciona uma camada extra de profundidade às batalhas, exigindo atenção e bom gerenciamento das habilidades. Mesmo sendo uma experiência mais curta, principalmente quando comparada à campanha principal, a expansão oferece variedade, confrontos bem construídos e conteúdo relevante, justificando plenamente sua inclusão no pacote Intergrade e reforçando o valor dessa edição.
A batalha está apenas começando
Final Fantasy VII REMAKE Intergrade prova que o Nintendo Switch 2 é, de fato, capaz de receber produções de grande porte sem comprometer tanto a experiência. A recriação de Midgar é envolvente, o sistema de combate é um dos mais refinados da franquia e a narrativa expandida dá novo peso a personagens e eventos já conhecidos. Mesmo com pequenos deslizes técnicos e limitações pontuais, especialmente no modo portátil, o pacote entregue é robusto, competente e respeita a grandiosidade da obra original. A inclusão da expansão Intergrade agrega ainda mais valor ao conjunto, oferecendo conteúdo relevante tanto em história quanto em gameplay. No fim, esta é uma versão que não apenas honra o legado de Final Fantasy VII, mas também marca um novo capítulo para jogos de alto nível no ecossistema da Nintendo.Prós
- Recriação de Midgar impressionante, com cenários ricos, detalhados e visualmente impactantes;
- Sistema de combate refinado, dinâmico e extremamente prazeroso, unindo ação e estratégia;
- Excelente desempenho no Nintendo Switch 2, com estabilidade mesmo em batalhas mais intensas;
- Narrativa expandida que aprofunda personagens e adiciona novas camadas ao enredo original;
- Progressão de armas, Materias e Limit Breaks bem integradas à experiência;
- Expansão Intergrade agrega valor real ao pacote, com nova perspectiva e gameplay diferenciado;
- Conteúdo totalmente legendado em português do Brasil.
Contras
- NPCs genéricos e pouco expressivos, quebrando parte da imersão;
- Quedas pontuais de resolução no modo portátil e na dock;
- Volume da trilha sonora muito baixo no modo portátil;
- Ausência de dublagem em português;
- Algumas texturas inconsistentes em áreas específicas de Midgar.
Final Fantasy VII REMAKE Intergrade — PC/PS5/PS4/XSX/Switch 2 — Nota: 9.0Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix












