Com os portões de acessibilidade mais abertos e a capacidade de processamento mais forte, em par com a geração anterior, é crucial pensar e desejar por certos jogos que poderiam entrar na coleção da Nintendo. Venha comigo e descubra (ou ainda redescubra) algumas jóias que poderiam chegar na Big N.
Psychonauts 1|2
Para começar a lista eu vou começar com dois dos meus produtos midiáticos favoritos. O primeiro jogo conta a história de Razputin “Raz” Aquatto, um jovem que fugiu do circo de sua família para se infiltrar no Acampamento Whispering Rock e se tornar um Psychonaut, um agente secreto que usa suas capacidades psíquicas ao extremo, desvendando uma conspiração maluca envolvendo roubo de cérebros e traumas emocionais.
Na continuação (que se passa após o jogo VR, Rhombus of Ruin), Raz é nomeado estagiário no Motherlobe, o GQ dos Psychonauts, descobrindo a origem secreta da organização e desvendando uma conspiração ainda maior, que visa trazer um mal antigo ao mundo moderno. Psychonauts é conhecido por seus personagens extremamente carismáticos, história cativante e, acima de tudo, impecável level design, com os níveis mentais contando histórias sobre a mente de cada personagem e trazendo desafios divertidos para superar.
É absurdo, no entanto, como a série simplesmente ignorou a Nintendo, tendo sido inicialmente um exclusivo de Xbox e pulando para a Sony e PC. Com o lançamento extremamente competente de Grim Fandango (do mesmo estúdio do jogo, Double Fine) e as relações mais amigáveis com a Microsoft, o lançamento de Psychonauts para a Nintendo é algo que deveria ser bastante óbvio, ainda mais com as capacidades gráficas do Switch 2 para acomodar melhor o segundo jogo.
Charlie Murder
No mercado indie, temos pouquíssimos títulos que vieram, fizeram história mas não passaram pela Nintendo e este deve ser um dos meus favoritos. Charlie Murder conta a história de Charlie e sua banda, que fizeram sucesso por um tempo, mas perderam sua reputação após um desastre infeliz em um show. Para melhorar, o senhor sombrio Lord Mortimer ergueu um apocalipse zumbi e ainda causou a morte dos membros. Após se arrastar para fora do inferno, Charlie parte em busca de respostas sobre quem é o maníaco sombrio e deter o Armageddon.
Quando foi lançado, Charlie foi muito bem recebido por sua estética punk, trilha sonora poderosíssima e por ser um beat’em up bem competente, batendo de frente com nomes como Castle Crashers e, principalmente, Scott Pilgrim Vs. The World: The Game. Com o lançamento próximo do novo jogo de Scott Pilgrim e relançamentos indies de peso como Braid e Stanley Parable, além do real interesse do Studio Ska (criadores de Charlie Murder, também desenvolvedores dos muito bem feitos Salt & Sanctuary e Salt & Sacrifice) em trazer para a Nintendo, está mais que na hora de religar o microfone e soltar a voz para todos escutarem o punk rock.
Halo
A epopéia da Microsoft, um dos pilares do gênero FPS é um dos maiores ícones midiáticos que vai dar seu salto para outras plataformas este ano, previsto para chegar ao PS5 (isto é, se desconsiderarmos Halo no PC em 2003). A notícia da aparição do remake da primeira aventura de Master Chief, onde ele enfrenta a raça fanática Covenant em uma guerra santa para salvar a humanidade, chegando a Sony deixou o mundo gamer de queixo caído.
E ainda mais surpreendente a ausência imediata de informações se chegaria na Nintendo, considerando os inúmeros rumores da icônica Master Chief Collection chegando ao Switch desde 2020. Considerando a alta demanda do Master Chief para Smash Ultimate no tempo que estavam adicionando personagens (e o fator oculto que toda franquia representada precisa de, pelo menos, um jogo na galeria da Nintendo) e a funcionalidade mouse do Switch 2, está mais que na hora do soldado Spartan finalizar a luta também na Big N.
Marvel vs. Capcom 3: Fate of Two Worlds|Ultimate Marvel vs. Capcom 3
Dois anos atrás, a Capcom lançou a Marvel vs. Capcom Fighting Collections, um compilado glorioso de quase toda a franquia Marvel vs. Capcom, incluindo os títulos que antecederam sua origem e até mesmo o jogo arcade do Justiceiro. Contudo, como disse na minha análise, um título desaparecido que foi bastante sentido na coleção está Ultimate Marvel vs. Capcom 3, o primeiro jogo HD da franquia, com um elenco completo, jogabilidade extremamente precisa e um estilo visual único, com linhas e expressões fortes que evocam os sentimentos de histórias em quadrinhos.
E aí vem a pegadinha: o jogo está disponível nas demais plataformas, após ter sido retirado de circulação por problemas de licença. UMvC3 foi adicionado no Steam e relançado para Xbox e Playstation em sua totalidade, com as DLCs de personagens e roupas (exceto por uma por causa de uma polêmica sem sentido), ignorando a Nintendo. Seria interessante trazer o jogo para o Switch 2, trazendo também crossplay e conexão rollback e, assim, completar uma das franquias crossovers mais icônicas dos jogos no território da Nintendo (Infinite não existe).
Asura's Wrath
O planeta Gaea está em uma eterna crise contra as criaturas infernais Gohma e seu criador pagão, Vlitra. Na linha de frente contra a infestação temos semideuses de altíssimo poder, com Asura sendo um dos mais poderosos com sua fúria sem fim. Em um dia de paz, porém, a esposa de Asura é assassinada, sua filha é sequestrada e ele é culpado pelo assassinato do imperador, sendo executado sem julgamento. Após 12.000 anos e encorajado pela Aranha Dourada, Asura se arrasta para fora do submundo para resgatar Mithra, derrotar seus antigos aliados e finalizar a guerra.
Asura's Wrath é um dos maiores ícones cult da Capcom e uma das histórias mais carismáticas que a empresa criou, mesmo que o final verdadeiro tenha sido lançado exclusivamente por DLC, uma escolha bastante polêmica mesmo para a empresa na época. Com o fechamento da Xbox Live no Xbox 360 e a inevitabilidade do fechamento da PSN no PS3, os conteúdos de Asura's Wrath correm o risco de serem perdidos nas futuras gerações, além da ausência absoluta na biblioteca da Nintendo. Um lançamento completo, remasterizando os gráficos e trazendo os conteúdos sem a necessidade de download, é a melhor forma de salvar um clássico cult do esquecimento.
Half-Life 1|2 e seus Episódios
Em uma base subterrânea da elusiva organização Black Mesa, o físico teórico Gordon Freeman presencia uma invasão abrupta de alienígenas na Terra, levando aos eventos das sequências onde o planeta todo já está dominado pelos invasores extraterrestres. Aliando-se a um grupo de resistência, o herói parte em uma guerra para salvar o que restou do orgulho humano.
Eu sei. Meio insano pedir por essa obra prima do FPS (e dos jogos em geral, honestamente) mas considerem que Portal foi adicionado sem problema algum no Switch. Considerem também que essa é uma oportunidades perfeita para trazer uma versão Switch 2 de Portal (e quem sabe Team Fortress também, já que tanto Half Life e Team Fortress 2 apareceram em consoles com The Orange Box), usando dos recursos mouse do console, além da enorme acessibilidade a FPS que o Switch 2 tem dado (basta ler minhas análises de System Shock e System Shock 2). Existe espaço para mais FPS na Nintendo e Half Life se sentiria em casa, aguardando pacientemente o tão sonhado Half Life 3.
Ratchet & Clank
A renomada série plataforma da Sony conta as desventuras em série do lombax Ratchet e seu melhor amigo robô Clank, salvando o universo de monstros malucos e principalmente do insano vilão misantropo Dr. Nefarious.
Meio ambicioso desejar por uma franquia da Sony em solo da Nintendo, muito mais que ansiar por uma IP da Microsoft. Mas aqui está o argumento: a Sony tem estado mais expansiva com certas séries, trazendo Patapon e Horizon ao Switch e levando God of War e Homem-Aranha ao PC… além de Ratchet & Clank: Rift Apart. Não diria que esse último chegaria ao Switch 2, mas digamos que a coletânea de títulos do PS3 (Collection) ou o remake de 2016 seriam uma porta de entrada excelente para a franquia na Nintendo. E, quem sabe, a oportunidade perfeita de trazer IPs similares como Sly Cooper e Jax & Daxter de volta a vida.
Sleeping Dogs
Hong Kong. O oficial de polícia de São Francisco Wei Shen é transferido para a ilha chinesa para se infiltrar e destruir a Tríade Sun On Yee, ao mesmo tempo que luta contra seus demônios internos para se manter na lei mas cometendo crimes para não revelar seu disfarce.
Tal como Asura's Wrath, Sleeping Dogs foi um lançamento inesperado que atraiu bastante olhares por sua história carismática, seu sistema de luta preciso e ambientação imersiva de Hong Kong, recebendo DLCs e remasterizado para a Oitava Geração e Steam. Com o Switch se tornando uma residência confiável para a Yakuza (um clã rival de Sleeping Dogs) e o novo interesse da Square-Enix no console híbrido, seria interessante trazer essa aventura sandbox ao território da Big N, expandindo o poder das Tríades.
Mass Effect: Legendary Edition
Estamos no futuro, ano 2138. A humanidade ascendeu às estrelas e vivemos em uma frágil harmonia entre espécies alienígenas. Comandante Shepard, um humano em particular, entra em contato com uma relíquia antiga, alertando a chegada dos Reapers, uma espécie antiga e obcecada em matar toda e qualquer raça orgânica na galáxia. Com isso, Shepard conhece novos aliados de diferentes espécies e busca reunir todos sob uma única bandeira contra o genocídio total.
Mass Effect não é desconhecido na Nintendo, com Mass Effect 3 tendo sido lançado no Wii U. No entanto, é apenas um deleite de uma das melhores trilogias nos jogos e, com a Legendary Edition, todos os três jogos podem ser acessados com suas DLCs inclusas. E, se a Bioware aprender algo com a Bethesda e Nightdive, poderiam incluir a preservação de fãs da DLC perdida Pinnacle Station, completando a franquia de uma vez por todas.
Kingdom Hearts
Por fim, eu trago a série Kingdom Hearts. A icônica e lendária colaboração entre Final Fantasy e Disney, com diversos heróis da luz lutando contra as forças vorazes e escuras dos Heartless em prol da amizade, amor e finais felizes expandiu para horizontes sem fim e não é desconhecida da Nintendo, tendo alguns dos títulos mais importantes lançados inicialmente em portáteis como Game Boy Advance e 3DS, além da finalização épica de Sora como último personagem DLC em Super Smash Bros.
Com isso, foi anunciado que toda a série Kingdom Hearts seria lançada no Switch!... em formato Cloud. A recepção foi péssima, com a decisão sendo extremamente criticada e a conectividade Cloud ainda pior que outros jogos na época como Hitman e Resident Evil. Com o melhor processamento do Switch 2, acredito que esteja na hora dessa franquia icônica receber o tratamento que merece no solo da Big N.
Menções honrosas
São tantas franquias e jogos que encaixariam perfeitamente na Nintendo que vale a pena dar uma rápida menção a mais alguns outros títulos:
- Captain Wayne - Vacation Desperation: Com tantos jogos retrôs novos no mercado, Captain Wayne se destaca por sua forte inspiração em Duke Nukem e no bom besteirol.
- Hi-Fi Rush: Previsto inicialmente para Switch e cancelado injustamente quando o estúdio foi fechado, a aventura estilosa musical merece mais uma chance.
- Silent Hill: Já faz um bom tempo que Silent Hill não aparece na Nintendo e, com lançamentos de terror extremamente competentes no Switch e Switch 2, a odisseia macabra da Konami poderia encontrar um novo lar na Nintendo.
- God of War: Extremamente improvável, mas se Kratos consegue aparecer em Fortnite e suas aventuras nórdicas no Steam, talvez o Fantasma de Esparta possa aparecer em terras que antes foram inimigas nas antigas Guerras dos Consoles.
- Gears of War: Com a série expandindo para a Sony, seria interessante se Marcus Phoenix e a COG levassem a guerra contra os Locusts ao Switch 2 também.
- Rare Replay: Mesmo com a crescente aparição de pérolas da Rare no Nintendo Classics, a coleção completa na Nintendo seria como ter um velho amigo de volta em casa.
- Mafia: A Dolce Vita. Os negócios da família. Por que deixar a diversão do submundo criminoso na Nintendo apenas para Yakuza e GTA Trilogy?
- Wolfenstein: The New Order: Sempre achei estranho que a continuação, The New Colossus e suas sequências, estejam no Switch, mas o recomeço da franquia pilar de FPS tenha ignorado o hardware híbrido.
- Lies of P: A incrível aventura souls-like de Pinóquio merece uma chance de se aventurar no Switch 2, considerando a chegada iminente de Elder Ring.
- Shenmue: Quando mencionei Sleeping Dogs, não deixei de pensar na revolucionária série sandbox da Sega, que ainda tem rumores fortes de chegar mesmo no Switch já faz um tempo.
- The Henry Stickmin Collection: Com o recurso mouse do Switch 2, a coletânea desse clássico Flash encontraria um lar ótimo na Nintendo, ao lado de seu irmão de estúdio Among Us.
Você tem alguma série ou jogo que gostaria de ver dando as caras na Nintendo? Compartilhe seus pensamentos conosco!
Revisão: Johnnie Brian