Anunciado como parte da celebração do aniversário de 40 anos de Super Mario Bros., Mario Tennis Fever é o mais novo título da série de partidas de tênis de Mario e seus amigos. Com a presença de vários modos de jogo inéditos e um elenco de tenistas de dar inveja em outros títulos da série Mario, Fever também carrega a missão de se diferenciar o suficiente do último título da franquia, Mario Tennis Aces. O resultado são boas horas de diversão, variedade e euforia nas quadras do Reino Cogumelo.
Preparando as raquetes
O carro-chefe do título é, sem dúvida, a introdução das Raquetes Eufóricas. Essas raquetes permitem que diversos poderes especiais (ou Golpes Eufóricos) sejam usados ao longo das partidas, adicionando uma boa dose de caos nas disputas. Para usar um Golpe Eufórico, é preciso ter ao menos uma barra de PE (Pontos de Energia) preenchida: isso ocorre naturalmente ao devolver a bola para a quadra do adversário ao longo da partida. Quando a raquetada especial é utilizada, o efeito só é liberado (na maioria das vezes) quando a bola quica na quadra do oponente; caso o adversário rebata a bola antes que ela encoste no chão, o efeito é devolvido, e assim por diante.
Dessa forma, as Raquetes Eufóricas são uma adição caótica e muito bem-vinda para as partidas de tênis do Reino Cogumelo, lembrando o ritmo frenético da série Mario Kart. O uso dos novos equipamentos exige que os jogadores se planejem e fiquem atentos para rebater os Golpes Eufóricos o mais rápido possível, ou aprendam a contornar os obstáculos e efeitos causados por eles caso não seja possível devolver a bola a tempo. Além disso, a nova mira utilizada ao realizar os Golpes Eufóricos não é totalmente livre como os Special Shots de Mario Tennis Aces: temos algumas posições fixas para as quais a bola pode ser direcionada nos poucos segundos disponíveis para escolha – outro aspecto estratégico que requer a atenção do jogador.
Os efeitos de cada raquete, por sinal, são bem divertidos e fazem referência direta aos muitos itens e potencializadores da série Mario. Alguns exemplos são a Raquete Minicogumelo, que libera vários dos pequenos cogumelos azuis na quadra do oponente que, ao tocados, fazem o personagem diminuir de tamanho; a Raquete Cactubola, que cria um inimigo espinhoso que fica transitando pela quadra do oponente; e a Raquete Estrela, que torna o personagem que utilizou o Golpe Eufórico invencível e mais rápido por alguns segundos, tornando-se invulnerável a outros efeitos que estejam em vigor na quadra.
Ao todo, temos 29 raquetes disponíveis (contabilizando a raquete padrão, temos 30), o que proporciona uma boa variedade de estilos de jogo e uma boa dose de risadas – especialmente em partidas multijogador. É uma pena que algumas das raquetes tenham efeitos que acabam sendo muito parecidos (como a Raquete Fogo, a Raquete Flor de Fogo e a Raquete Vulcão, que envolvem poderes de fogo com diferenças básicas entre si), o que acaba tornando a variedade de poderes e efeitos menos interessante do que poderia ser.
Tenistas prontos para as disputas
Além da grande quantidade de raquetes, Mario Tennis Fever reúne o maior elenco de personagens jogáveis já visto na série até então. São 38 tenistas selecionáveis, e chamam a atenção novas adições inusitadas, como Goomba, Ledrão, Bebê Wario e Bebê Waluigi. Outra adição bem-vinda, que incentiva o envolvimento do jogador nos vários modos de jogo, é que, ao contrário do que ocorreu em Mario Tennis Aces, grande parte dos personagens precisa ser desbloqueada cumprindo tarefas específicas (como jogar uma determinada quantidade de partidas ou vencer determinado modo de jogo nas dificuldades mais altas).
Alguns personagens também receberam visuais e cores alternativas, como Shy Guy, Yoshi, Koopa, Paratroopa e Luma (que recebeu uma variação da estrela Lumalee de Super Mario Galaxy e Super Mario Bros. O Filme). Alguns trajes alternativos que apareceram em Aces, como os tradicionais macacões de Mario, Luigi, Wario e Waluigi, foram deixados de fora.
É importante notar que alguns aspectos em relação aos personagens podem causar certo estranhamento: em primeiro lugar, muitos deles reutilizam animações de Aces ou apresentam animações muito semelhantes às do jogo anterior em suas comemorações ou cenas de entrada nas quadras. Em segundo lugar, apesar da presença de personagens como Bebê Mario, Bebê Luigi, Bebê Wario, Bebê Waluigi e Bebê Peach, a pequena Bebê Daisy ficou de fora da seleção inicial de personagens do título. A omissão faz sentido ao acompanharmos a história do Modo Aventura, mas, ainda assim, parece ter sido uma oportunidade perdida de completar o elenco.
Um modo história morno
Enquanto Mario Tennis Aces trouxe um modo história que dividiu opiniões por sua linearidade e diálogos excessivos, Mario Tennis Fever pareceu buscar outra direção para sua história. No Modo Aventura, a princesa Daisy se encontra acamada por conta de uma doença misteriosa. Como nada parece solucionar a enfermidade, Mario, Luigi, Peach, Donkey Kong e Toad topam seguir um plano mirabolante de Wario e Waluigi: ir até uma ilha isolada, onde há um fruto dourado capaz de curar a doença. Não é preciso falar que tudo é uma grande armação dos rivais de Mario e Luigi: enquanto vasculham a ilha em busca de tesouros escondidos, Wario e Waluigi acabam despertando a fúria de monstros misteriosos.
As criaturas, envoltas numa névoa mágica, atacam Mario, Luigi, Peach, Wario e Waluigi, transformando os personagens em suas versões bebês. Salvos por Donkey Kong e Toad, eles precisam então treinar para recuperar suas habilidades no tênis e derrotar os monstros que os enfeitiçaram. A premissa da história é bem interessante, mas, infelizmente, o ritmo deixa muito a desejar, assim como aconteceu em Mario Tennis Aces.
Um ponto alto do Modo Aventura é, sem dúvida, a presença de cutscenes impecáveis visualmente: os personagens são retratados de forma muito expressiva, e suas interações são divertidas e cômicas. Porém, são pouquíssimos os momentos da história agraciados com cutscenes. A maior parte do Modo Aventura é guiada por diálogos excessivos entre personagens praticamente estáticos (de forma quase idêntica ao que acontecia em Aces) ou ainda por frames congelados de cenas acompanhadas de legendas.
A sequência de eventos do modo também é simples: começamos na Academia de Tênis, treinando aspectos básicos do esporte até nos formarmos e podermos partir para enfrentar os monstros. Controlamos somente Bebê Mario, que ganha pontos de experiência ao completar desafios e partidas... o que também é peculiar, já que a progressão normal na história não parece ser influenciada em nenhum momento pelo nível ou os atributos do personagem. Há alguns desafios de partidas contra NPCs, que também não rendem nenhuma recompensa além dos pontos de experiência.
O modo traz alguns minigames exclusivos que são divertidos (e nem mesmo utilizam raquetes de tênis, lembrando em certa medida os minijogos da série Mario Party), mas explorados muito superficialmente. Esse ponto, aliado aos aspectos já mencionados e uma duração curtíssima (finalizei a história em pouco mais de três horas, e não há nenhum conteúdo extra ao terminá-la) fazem o Modo Aventura de Fever deixar um gosto amargo, infelizmente.
Partidas livres, torneios, missões e gincanas
Apesar dos tropeços com o Modo Aventura, o título brilha em praticamente todos os outros modos disponíveis. Desde o começo do jogo, são disponibilizadas as opções de Jogo Livre, Torneio, Missões, Gincanas e Modo Realista.
O Jogo Livre é o clássico modo da série no qual podemos personalizar partidas para jogar solo ou com outros jogadores. Aqui, a variedade de personalização é perfeita: podemos ajustar a duração da partida, o ângulo da câmera, a velocidade da bola, a quadra, os personagens e a quantidade de Raquetes Eufóricas a serem utilizadas (uma, duas ou nenhuma). Também podemos desativar a narração da icônica Flor Tagarela de Super Mario Bros. Wonder, que faz comentários dublados no nosso idioma ao longo das partidas (e que podem se tornar repetitivos rapidamente).
Ainda é possível, na seleção de personagens, consultar os atributos individuais de cada tenista, indo muito além das categorias de Versatilidade, Técnica, Astúcia, Velocidade, Potência e Defesa: cada personagem tem velocidade, potência, precisão e efeito diferentes. Além disso, praticamente todos os tenistas apresentam um aspecto único ou incomum: os topspins de Wario carregam mais rápido que o normal, e Espigão é o personagem da categoria Potência com os atributos mais equilibrados, por exemplo.
A personalização também engloba os controles: é possível mapear os diferentes tipos de raquetadas (como lobs, deixadinhas, slices e topspins) para botões específicos, facilitando o acesso aos diferentes movimentos. Porém, falando nos movimentos, é impossível não notar a ausência de opções que foram muito bem-vindas em Mario Tennis Aces, como os Trick Shots (que permitiam buscar a bola rapidamente gastando um pouco da barra de energia) ou a Zone Speed (que acionava um modo em câmera lenta para facilitar defesas e utilizar golpes especiais).
Parece-me uma oportunidade perdida ter descartado esses movimentos quando eles também se utilizavam de uma barra de energia e poderiam ter adicionado ainda mais variedade ao título. Uma saída poderia ter sido permitir que certos tipos de raquetada fossem ativados ou desativados nas regras das partidas, assim como é o caso do uso das Raquetes Eufóricas.
Os outros modos disponíveis, como a Torre das Missões e as várias gincanas, também são destaques: no primeiro, subimos dez andares de torres com dificuldades diferentes, vencendo desafios sob condições específicas (como personagens e Raquetes Eufóricas pré-selecionados). Já no modo Gincana podemos selecionar diversos modos inéditos, além do clássico Tiro ao Aro.
Entre os modos inéditos da Gincana estão: as partidas na Quadra Fenomenal, onde vários efeitos especiais vindos diretamente de Super Mario Bros. Wonder aparecem ao longo da partida; as partidas na Fábrica de Raquetes, que contam com várias Raquetes Eufóricas aparecendo pelas quadras ao longo das partidas; e as partidas na Quadra Floresta, onde rebater bolas nas Plantas Piranha faz com que a quadra do oponente aumente de tamanho, dificultando suas recepções. As gincanas são um dos pontos mais altos de Fever, trazendo novas formas divertidas e caóticas de se jogar tênis.
O Modo Realista, que já havia aparecido em Aces como Swing Mode, retorna com a mesma premissa: partidas mais simples utilizando os controles de movimento dos Joy-Con 2. É uma forma eficiente de tornar o título mais acessível para quem não está familiarizado com os comandos dos botões, mas não deixa de ser um pouco imprevisível saber que tipo de movimento será feito pelo personagem ao rebater a bola, e há momentos em que os controles de movimento são pouco responsivos durante as partidas. O modo também permite usar Raquetes Eufóricas, mas somente seis delas podem ser selecionadas.
Os diferentes modos disponíveis tornam a experiência do título muito variada e divertida. Acabei passando horas explorando cada tipo de desafio de pontos e gincanas, buscando desbloquear todos os personagens e variações; testar os efeitos de cada uma das Raquetes Eufóricas e combiná-los com os efeitos da raquete da sua dupla nas partidas de dois contra dois também é um dos pontos altos da jogatina.
Game, set e partida
Mario Tennis Fever é divertido no que se propõe: os novos modos são caóticos e cativantes, e a introdução das Raquetes Eufóricas adiciona uma nova camada de estratégia (e bagunça) às partidas. Por outro lado, fica impossível não acabar comparando o título ao seu antecessor, Mario Tennis Aces: afinal, Fever tinha a missão de se diferenciar o suficiente do título anterior, já que Aces pode ser jogado tanto no Switch como no Switch 2.
No fim das contas, são jogos semelhantes, que compartilham de vários elementos, mas Fever, sem dúvidas, traz mais conteúdo e variedade do que Aces. Com a remoção de alguns movimentos e mecânicas introduzidas no título anterior, fica a sensação de que o título prefere se manter numa zona segura ao invés de se aproveitar de muitas funcionalidades ao mesmo tempo. Porém, a variedade e as novidades introduzidas acabam compensando as poucas omissões feitas e um Modo Aventura pouco interessante.
Mario Tennis Fever traz os modos de jogo mais divertidos da franquia até o momento, introduz mecânicas que proporcionam inúmeras combinações e estratégias diferentes com as Raquetes Eufóricas e conta com o elenco de personagens mais variado de toda a série. A diversão é garantida com o bigodudo e seus amigos nas quadras mais caóticas já vistas no Reino Cogumelo.
Prós
- Raquetes Eufóricas tornam as partidas muito divertidas e caóticas, lembrando o ritmo frenético da série Mario Kart;
- Ótima personalização de controles, permitindo mapear diferentes movimentos para botões específicos;
- Boa quantidade de desbloqueáveis: raquetes, quadras, personagens e trajes/cores alternativas;
- Narração totalmente dublada em PT-BR;
- Elenco variado, com atributos específicos para cada personagem;
- Múltiplos modos de jogo com objetivos diferentes, adicionando ainda mais diversão e variedade nas disputas.
Contras
- Algumas Raquetes Eufóricas têm efeitos muito semelhantes, diminuindo consideravelmente a variedade dos golpes especiais;
- Várias animações reutilizadas do título anterior;
- Menos possibilidades de movimento e estratégias com a remoção dos Trick Shots e Zone Shots de Mario Tennis Aces;
- Modo história pouco atrativo e de curta duração.
Mario Tennis Fever – Switch 2 – Nota: 8.0
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo




















